DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

CONVERSAS DE ½ MINUTO (17)

Mais uma história com nosso pai, que teria feito 100 anos em 2/2/2022. Saudades, como dói lembrar. Mas segue a vida. Cheguei em casa triste, perguntou a razão. Expliquei que, como ele sabia, não podia mais estudar no Brasil (depois, ainda me proibiriam de ensinar). Implicância da Ditadura. Por ser presidente do Diretório Acadêmico. E havia ganho bolsa para Harvard (Estados Unidos), com tudo pago. Meu problema era não ter como tirar passaporte, por não conseguir a Folha Corrida. Pedir democracia, naquele tempo, era crime. Ele não falou nada. Mas na manhã seguinte, cedinho, chegou na Rua da União. Onde ficava a Secretaria de Segurança Pública. Sorbonne, assim era conhecida. Para conversar com o secretário, sem nem saber quem era. Só chegaria às 8hs, informaram. Ficou esperando. Até quando apareceu, por lá, seu maior amigo de infância. Vizinho, de muro, na Rua Fernandes Vieira. Passaram a conversar sobre o passado. Até quando Môa perguntou

– Tás fazendo por essas bandas o quê?, amigo.

– Esperando o secretário, Môa.

– Então vamos entrar na sala.

– Ficou doido?, homem. Vou esperar aqui fora.

– Vamos entrar, Zé.

E levou meu pai, aos empurrões, para lá.

Chegando, sentou na cadeira do secretário.

– Sai daí, Môa, que você vai acabar preso.

– Acho que não, Zé. Olha aqui a placa, Moacir Sales – Secretário.

– O secretário é você?

– Está falando com ele, amigo. O que lhe trouxe aqui?

Meu pai explicou. Môa chamou, no fim da sala,

– Cabo, prepare aí um Nada Consta para o filho do meu amigo.

O cabo levantou e já ia saindo da sala quando Môa o interrompeu.

– Inda que mal lhe pergunte, Vossa Excelência está indo para onde?

– Buscar a Folha Corrida do rapaz.

– Ô doutor cabo, eu mandei o senhor buscar a Folha Corrida ou bater um Nada Consta?

– O doutor mandou bater um Nada Consta.

– Quem vai assinar é você ou eu?

– É o doutor, claro.

– Pois sente na porra dessa cadeira, prepare o porra do Nada Consta, ponha na porra de minha mesa e desapareça da minha frente.

Assinou, entregou a meu pai e ficaram conversando até o fim da manhã. Lembrando os bons tempos. A Ditadura brasileira, de vez em quando, tinha disso. O compadrio. As velhas amizades. E acabou tudo bem, que viajei sem problemas. No fim, deu tudo certo.

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

VERA CAPISTRANO DE MEDEIROS – SOROCABA-SP

Nobre Editor:

Você que é nordestino vai gostar muito. Sou neta de nordestinos e amei!!!

Os leitores do JBF de outras regiões que colocam o Brasil Acima de Todos e Deus Acima de Tudo também irão gostar.

Veja que forró lindo é este.

Recebi da minha amiga Maria Francisca, que mora aí no Recife, no bairro da Encruzilhada.

Publique no nosso jornal por favor.

Cordiais saudações.

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COMENTÁRIO DO LEITOR

“TIRA DE ONDE NÃO TEM E BOTA ONDE NÃO CABE”

Comentário sobre a postagem COLUNISTA FUBÂNICO CONCORRRENDO A PRÊMIO INTERNACIONAL

Boaventura:

Caro poeta Xico Bizerra,

ultrapassaste os limites subjetivos da sublimidade da poesia:

“…Se tu quiser, poemo um poema bem cheio de rima, eu acendo a estrela mais bonita lá de cima…Se tu quiser, eu crio um sentimento pra gente se amar, descubro um jeito novo de te abraçar, te beijo com um beijo que ninguém nunca beijou…Se tu quiser, basta me dizer que eu irei correndo, é só me avisar que tu tá me querendo, e o mundo vai saber o que é um grande amor”.

Teu belo poema me deixou deveras emocionado, trazendo-me à memória o grande Pinto do Monteiro: “Poeta é aquele que tira de onde não tem e bota onde não cabe”.

Fizeste exatamente isso, e sempre o faz, com indescritível maestria.

A gravação restou perfeita, todos os músicos deixaram o carimbo da excelência musical.

Apesar de essa bela canção ter sido gravada por dezenas de bonitas vozes, e ter uma versão em inglês, “If you want”, tornou-se mais bonita ainda na sublime interpretação de uma das deusas da voz, Kelly Rosa, uma bela e doce mulher!

Parabéns, festejado bardo Xico Bizerra! Parabéns a toda a equipe!

Votemos, torcemos e aguardemos!

Fico feliz com algumas coincidências entre mim e ti.

Tu, do Crato-CE, radicado em Recife. Eu, de Crateús-CE, radicado em Fortaleza.

Tu, do Banco Central do Brasil, por 28 anos, onde se aposentou. Eu, do Banco do Brasil, por 17 anos.

Concursei-me ao Poder Judiciário, onde trabalhei por 18 anos e me aposentei.

Existe, porém, uma pequena diferença entre nosotros:

Tu, o poeta-maior; e eu, o poeta-menor.

Um forte abraço desde Fortaleza.

* * *

Elba Ramalho interpretando “Se Tu Quiser”. Uma das mais de duas centenas de gravações que esta música teve.

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