AS FACES DA CHUVA

Quando a chuva esperada
Chega molhando o nordeste
Uma alegria inconteste
Não demora é espalhada
O povo cai na risada
Vendo a água em profusão
Aflora na multidão
Clima de felicidade
Chuva na grande cidade
Não é igual ao sertão.

Quando a chuva chega forte
Inunda a cidade grande
O aguaceiro se expande
Causa dano, causa morte,
O povo fica sem norte
Com tanta destruição
A chuva sem compaixão
Exibe sua crueldade
Chuva na grande cidade
Não é igual ao sertão.

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O DELEITE DA ROSA

Encantei-me com conversa
De bico de beija-flor
Minha ode hoje versa
Sobre esse sublime amor.

Sobre esse sublime amor
Pelo qual fui seduzida
Exalando meu olor
Era por ele sorvida

Era por ele sorvida
Ao despertar orvalhada
Libertina e atrevida
Incontida era sugada.

Incontida era sugada
E quase a desfalecer
Feliz mas despetalada
Desmanchei-me em prazer.

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ALMA SEBOSA

Tem gente que vem ao mundo
Feito a figura do cão
É o ser humano imundo
Que causa abominação
É a tal alma sebosa
É serpente venenosa
Que só maldade alimenta
Já peguei o meu rosário
De dentro do santuário
E ungi-me com água benta.

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UMA GLOSA

Quem um dia já foi cana
Agora é só bagaço

Mote da colunista

Hoje você me procura
Mas não lhe dou atenção
Morreu a velha paixão
Virou pó na sepultura
Olhando sua figura
Mal reconheço seu traço
Escapo do seu abraço
Pois meu olhar não se engana
Quem um dia já foi cana
Agora é só bagaço

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AMIZADE ACIMA DE TUDO

A minha amizade é
De fato incondicional
Tenho minhas preferências
O que acho natural
Cada um tem o seu jeito
Mas ninguém tem o direito
De querer que eu pense igual.

Quando adiciono alguém
Eu não quero nem saber
Se macumbeiro ou católico
Ou se crente pode ser
Não desabono a postura
De nenhuma criatura
Que escolhe em quem quer crer.

Digo e repito não importa
Seu time e religião
Orientação sexual
Pois isso não conta, não,
Seu partido sua cor
Aceito seja quem for
Respeito é a condição.

Sabemos que na política
No passado e no presente
A corja de desonesto
Nasceu e deixou semente
E não venham defender
Estupido é querer dizer
Que aqui tem inocente.

O pior de tudo isso
Digo com sinceridade
É o ranço da política
Desfazendo amizade
Enquanto cada ladrão
Conforme a situação
Juntam-se em cumplicidade.

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A DESEMPODERADA

Eu só quero meus direitos
Não queira me adestrar
Eu não sou empoderada
Nem quero me igualar
Minha vida eu comando
Não tenho bandeira e bando
E gosto de me guiar.

Os mesmos direitos do homem
Confesso não quero ter
Não quero ter falo e saco
E nem ter que endurecer
Meu brinquedo é de montar
O do homem é de armar
Quando enguiça é um sofrer.

A mãe tem sempre certeza
Que o filho que gera é dela
Porém o pai muitas vezes
Acaba numa esparrela
Cria o filho sem ser seu
Isso já aconteceu
Vi na vida e na novela.

Não quero ficar mais tempo
No mercado a trabalhar
Pra me comparar ao homem
Na hora de aposentar
Não estou de sacanagem
Quero ter essa vantagem
Enquanto ela vigorar.

Gosto de mijar sentada
Não quero mijar em pé
Gosto de usar calcinha
Não me vejo de boné
Não quero ficar careca
Nem também usar cueca
No meu tino tenho fé.

Mas uma coisa eu digo
Expondo minha postura
Eu gosto de ser mulher
E sem previsão de cura
Nisso não vejo entrave
O HOMEM É MINHA CHAVE
EU SOU SUA FECHADURA.

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UM FADO DE ALÉM-MAR

Dalinha Catunda

Foto da colunista

A lua apontou no céu
A brisa soprou-me a tez
Do rosto tirei o véu
Senti sem desfaçatez.

Senti sem desfaçatez
O bafo da madrugada
Lambendo minha nudez
Na janela eu debruçada.

Na janela eu debruçada
Tendo o vento como açoite
Lasciva desvirtuada
Beijei a boca da noite.

Beijei a boca da noite
E no sublime beijar
Eu alonguei o pernoite
E me envolvi ao luar.

E me envolvi ao luar
Na minha lascividade
Foi um fado de além-mar
Autor da ludicidade.

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UMA GLOSA

Dalinha Catunda

Sou trocista e faço graça
Dos versos sou alquimista.

Mote desta colunista

Eu sei que o mundo não é
Só graça, só alegria,
Mas por nada eu perderia
No bom Deus a minha fé
E por isso estou de pé
Não sou mulher pessimista
Sou poeta cordelista
Não dou aval a desgraça
Sou trocista e faço graça
Dos versos sou alquimista.

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UMA GLOSA

Dalinha Catunda

Tanta mulher dando sopa
E eu sem colher pra tomar.

Mote de Abel Fraga

Quando tinha pouca idade
Me achava um garanhão
Não me faltava tesão
Digo com sinceridade
Provei da felicidade
E mais queria provar
Mais vi o pinto arriar
Não vai mais de vento em popa
Tanta mulher dando sopa
E eu sem colher pra tomar.

Este mote está no livro A Prisão de São Benedito, de autoria do Editor Luiz Berto.

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