DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

O TROTE

Um microconto

Certa noite, eu já deitada, perdida em meus pensamentos a embalar-me numa rede…

Eis que de repente, não mais do que de repente, toca insistentemente o telefone em sua base fixa, preguiçosamente levanto-me para atender.

Sonolenta pego o aparelho e me surpreendo:

– Alô, quem fala?

– Aqui, é a amante do seu marido!

Nessa hora tive vontade de rir e quase gargalhei, mas compenetrada respondi:

– Olha, querida, se fosse a esposa do meu amante eu até te daria um papo, mas…

Desliguei o telefone, voltei para meu ócio noturno, com o pensamento em novas e emocionantes tardes…

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

RODA DE GLOSAS

Xilogravura de Cícero Lourenço

Roda de glosa coordenada por Dalinha Catunda.

Mote de Zé Limeira:

Ano passado eu morri,
Mas esse ano eu não morro.

* * *

Dalinha Catunda:

Chegou essa pandemia
parecendo um vendaval.
Confesso que fiquei mal
de medo eu quase morria,
e morrendo de agonia,
hoje a Jesus eu recorro,
morro pedindo socorro,
pois penico eu já pedi:
Ano passado eu morri,
Mas esse ano eu não morro.

Joab Nascimento:

Eu já fui contaminado
Por essa tal pandemia
Juro qu’eu quase morria
Com o vírus desgraçado
Fiquei muito desgastado
Nem sequer subi o morro
Já no mato sem cachorro
Mas logo sobrevivi
Ano passado eu morri,
Mas esse ano eu não morro.

Bastinha Job:

Vou dar uma de artista
No mote de ZÉ Limeira
Nascido lá em Teixeira
E era surrealista
Foi notável repentista
Famoso igual ao Zorro
Na décima então discorro
Em Orlando Tejo li:
Ano passado eu morri,
Mas esse ano eu não morro.

Araquem Vasconcelos:

Aprendi vencer a morte
Pois já morri uma vez
Comigo não tem talvez
Eu sou caboclo do Norte
Vencer heróis é meu forte
E se vier pega esporro
Eu nunca pedi socorro
E nem de medo eu corri
Ano passado eu morri,
Mas esse ano eu não morro.

Gevanildo Almeida:

Quando comecei saber
Desse vírus condenado
Fiquei desorientado
Disse agora vou morrer
Deus veio me socorrer
No meu leito pôs um forro
Com ele eu disse, não corro
Seguir firme decidi
Ano passado eu morri,
Mas esse ano eu não morro.

Jairo Vasconcelos:

Quando chegou no Brasil
Essa grande pandemia
Me causando uma agonia
Morreram duzentos mil
Mantando mais que fuzil
Chorando pedir socorro
De medo quase eu escorro
Me segurei não escorri
Ano passado eu morri,
Mas esse ano eu não morro.

Rivamoura Teixeira:

Foi sim eu morri de medo
Me tornei um mascarado
O mundo todo tomado
De um virus do degredo
Eu me levantava cedo
Ia parecendo um zorro
Se for me abraçar eu corro
Faça boca de siri
Ano passado eu morri,
Mas esse ano eu não morro.

Francisco de Assis Sousa:

Eu já vivo é morrendo
De medo todos os dias
Entre susto e agonias
Assim eu sigo vivendo
Com tudo é me benzendo
Até de espiro eu corro
Uso máscara, alcool, gorro
Não quero arribar daqui
Ano passado eu morri,
Mas esse ano eu não morro.

Creusa Meira:

Ao sentir que o dia nasce
Abro os olhos com surpresa
Vejo se não tem fraqueza
Nas pernas, calor na face
Respiro fundo, com classe
E toda a casa, percorro
A mais um dia, concorro
Pra viver, estou aqui
Ano passado eu morri,
Mas esse ano eu não morro.

Ritinha Oliveira:

O vírus me derrubou
Igual coice de jumento
Fui ao céu dum passamento
São Pedro me avistou
Ao me ver se agoniou
Gritou pedindo socorro
Eu num mato sem cachorro
Me expulsaram eu corri
Ano passado eu morri,
Mas esse ano eu não morro.

Giovanni Arruda:

O eterno Belchior
Cantor de belas canções
Teve nas composições
Zé Limeira coautor
Essa dupla infernizou
Aquela turma do gorro
Sofreu censura e esporro
Mas resistiu que eu vi
Ano passado eu morri,
Mas esse ano eu não morro.

Vânia Freitas:

A nuvem ficou escura
Vírus das trevas saiu
E o pior que ninguém viu
E nem vê a sua feiura
Só atrás da lente dura
E quem vê pede socorro
Faz da cara um porta-forro
É coisa que nunca vi
Ano passado eu morri,
Mas esse ano eu não morro.

Tião Simpatia:

Faz um ano que me escondo
Desse corona maldito,
Já não conto, nem recito,
Engordei que tô redondo!
O sol nascendo e se pondo
Todo dia por trás do morro;
Eu vi a morte de gorro,
Mas acordei e me benzi…
Ano passado eu morri,
Mas esse ano eu não morro.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

ROGANDO EM GEMEDEIRA

Deus me livre desse mal
Inda tenho tanta vida
Trago meu sorriso largo
Alguém me chama querida
Eu não quero ir agora
Ai, ai, ui, ui,
Ô meu pai me dê guarida.

Quero viver utopias
Tenho tanto amor pra dar
No calor da minha rede
Inda quero me embalar
Mesmo no outono da vida
Ai, ai, ui, ui,
Vejo meu sonho brotar.

Quero meus dias brejeiros
As noites de cantoria
Com viola e lua cheia
Deus do céu me alumia
Salve todos do naufrágio
Ai, ai, ui, ui,
Nos poupe dessa agonia.

Faço prece pra Maria
Faço prece pra Jesus
Peço a Deus onipotente
Aquele que nos conduz
Que tire dos nossos ombros
Ai, ai, ui, ui,
Essa tão pesada cruz.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

A DAMA-DA-NOITE

Foto desta colunista

Tão plena em sua brancura
Tendo o vento como açoite
Ontem a dama-da-noite
Abrolhou com formosura
Encantamento em fartura
Exibiu na ocasião
Vem provocando paixão
E realmente me apraz
Tão bonita, mas fugaz
Essa Dama em explosão.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

Ô VISTA BOA

Minha mãe, em foto feita por esta colunista

Mamãe, hoje, com 98 anos, por incrível que pareça, ainda lê sem a ajuda dos óculos.

O motivo de ter essa vista tão boa, nada mais foi do que uma cirurgia de catarata bem sucedida e feita pelo SUS, quando ela estava na casa dos 80 anos.

Saiu do hospital, foi para casa e seguiu religiosamente o manual de recuperação.

Em pouco tem o sorriso tomou conta do seu rosto novamente.

Cada pessoa que perguntava sobre a cirurgia ela contava com detalhes. E perguntavam muito, se ela estava enxergando bem, se não via nada embasado e no final ela já estava se cansando dos interrogatórios.

Certo dia chegou um de seus compadres, e entre uma conversa e um café, perguntou:

– Comadre, numa idade dessa, a senhora está enxergando bem mesmo?

Imediatamente, ela que é metida a gaiata, respondeu: – Compadre, pra falar a verdade, eu estou enxergando até “priquito” de muriçoca.

Não resta dúvidas que a operação foi bem sucedida.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA RODA DE GLOSAS

Mote desta colunista:

A besta-fera chegou
Pra tirar nossa alegria.

Dalinha Catunda

Sem ter comiseração
Nos assusta a Besta-fera
Que mata em qualquer esfera
Sem pena e sem compaixão
Padece a população
Nas mãos dessa pandemia
Os dias são de agonia
Nosso sossego findou:
A besta-fera chegou
Pra tirar nossa alegria.

Araquém Vasconcelos

Chegou este triste mal
Com apelido de corona
Da situação é a dona
Esta desgraça viral
Espalha um terror mortal
Velho e novo contagia
Morre gente todo dia
O mundo inteiro parou
A besta-fera chegou
Pra tirar nossa alegria.

Gevanildo Almeida

Feito uma tempestade
Torando pela a raiz
Deixando o povo infeliz
Ceifando a felicidade
Sem nenhuma punidade
Pra essa besta vadia
Maldita hora que um dia
Ela se proliferou
A besta-fera chegou
Pra tirar nossa alegria.

Jairo Vasconcelos

Só Deus pra resolver
Essa mula do capeta
O diabo fez a faceta
Com Jesus vamos vencer
O mal fez acontecer
Essa grande pandemia
Como o profeta dizia
Mais ninguém acreditou
A besta-fera chegou
Pra tirar nossa alegria.

Marcos Silva

Primeiro foi o covarde
Depois veio o tal covid
Eu lhe digo não duvide
Que vai piorar mais tarde
Isso aqui não é alarde
E nem mera putaria
Um vírus com tirania
Muita gente ele levou
A besta-fera chegou
Pra tirar nossa alegria.

Bastinha Job

Não foi assim de repente,
Faz tempo a besta nos sonda
Vai fazendo a fatal ronda
Matando a nossa gente;
Age, assim, tão friamente
Em uma eterna agonia
A esperança tá fria
O labirinto estreitou:
A besta-fera chegou
Pra tirar nossa alegria.

Chica Emídio

Um vírus sem piedade
Invadiu o mundo inteiro,
Foi cruel e traiçoeiro,
Causando mortalidade.
Pungente agressividade
Veio nessa pandemia,
A maior epidemia
Nosso país assolou,
A besta-fera chegou
Pra tirar nossa alegria.

Rivamoura Teixeira

Veio disfarçada a ira
Pegou carona o corona
Bestafora safadona
Bestafura bestafira
Com covid a calma pira
Bestafara da agonia
Virou alta pandemia
A paz do mundo pirou
A besta-fera chegou
Pra tirar nossa alegria.

Dulce Esteves

Maldito vírus Chinês
Ao mundo mal-assombrado
São mortes por todo lado
Vou falar para vocês
Nós estamos à mercês
Sepultados todo dia
Em vala, na cova fria
Um parente nem velou
A besta-fera chegou
Pra tirar nossa alegria.

Vânia Freitas

A besta fera é o satã
Que também tentou Jesus
Quer o mal pra quem na luz
Reza a noite e de manhã
Tentou Eva com a maçã
A gente com a pandemia
Com fé em Jesus e Maria
Da besta já se livrou
A besta-fera chegou
Pra tirar nossa alegria.

Davia Ferreira

Estamos todos atados,
sem podermos fazer nada,
com a covid alastrada,
tomando todos os lados.
Estamos todos cercados,
sem solução e sem guia,
sorvendo no dia a dia,
o pouco que nos restou…
A besta-fera chegou
Pra tirar nossa alegria.

Giovanni Arruda

Não se sabe de onde veio
Nem o cão que o pariu,
Mas a praga explodiu
Degradando nosso meio
Tá difícil dar um freio
Dissolver a tirania
Do desastre que um dia
No comando se instalou
A besta-fera chegou
Pra tirar nossa alegria.

Ritinha Oliveira

Um grande monstro surgiu
Do vil abismo profundo
Cuspindo fogo no mundo
Muitas vidas consumiu
As cinzas de quem partiu
Escurece o nosso dia
Um futuro de magia
O luto já embaçou
A besta-fera chegou
Pra tirar nossa alegria.

Francisco de Assis Sousa

Veio dominando mundo
Com a sanha de matar
Sedenta a contaminar
Infectando em segundo
Seu disfarce é fecundo
Leva mesmo a cova fria
Com a sua tirania
Muitas vidas já ceifou
A besta-fera chegou
Pra tirar nossa alegria.

Rosário Pinto

E chegou o reptiliano,
Com ares bem sorrateiros.
Enganou os brasileiros.
Chama o povo de beltrano,
Já entramos pelo cano.
E com esta pandemia,
A vida aqui não se cria,
O que vemos é complô
A besta-fera chegou
Pra tirar nossa alegria.

Creusa Meira

Há mais de um ano a tristeza
Povoa a vida da gente
Perder amigo ou parente
Distante ou na redondeza
Dá-nos a plena certeza
Que perto está nosso dia
Sem amparo e garantia
De vacina que faltou
A besta-fera chegou
Pra tirar nossa alegria.

Josy Correia

Cada lado do planeta
Resiste, lamenta e chora
Com a doença que apavora
Regrando a curta ampulheta
No desgoverno, um capeta,
Rindo da nossa agonia
Ignora a cova fria
Onde o Brasil se enterrou
A besta-fera chegou
Pra tirar nossa alegria.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

EU E A PANDEMIA NAS ASAS DO CORDEL

1
Na mais serena rotina
Mansa a vida transcorria
Futuro bem programado
E um presente de alegria
Pois começava a colher
O que fiz por florescer
Tudo que plantei um dia.

2
No entanto quis o destino
Modificar meu traçado
Vi cada sonho ruir
E o presente destroçado
O caos chegou de repente
Deixando o povo impotente
E o mundo inteiro abalado.

3
Do covid 19
Dessa grande Pandemia
Hoje nós somos reféns
Vivemos essa agonia
Enfrentando isolamento
Adestrando o pensamento
Pra fugir da distimia.

4
Prosseguir era preciso
Nunca fui de esmorecer
Tentei sentar a cabeça
Pensando no que fazer
A Deus pedi direção
E fui fazendo oração
Buscando me proteger.

5
O começo foi difícil,
Eu tenho que concordar.
E muitos dos meus costumes
Tive que modificar.
Sem varinha de condão
Para a modificação
Fui obrigada a lutar.

6
Vesti-me de paciência
Pra viver sem liberdade
E mudei-me para o campo
Deixei de lado a cidade
Fui treinando meu olhar
Pra novo mundo abraçar
E acatar a realidade.

7
Os compromissos rompidos
Sem condições de assumir
O meu sorriso desfeito
Eu tenho que admitir
A única solução
Seria a transformação
Resolvi nisso insistir.

8
Bem distante dos perigos
A roça me adaptei
E com internet em casa
Logo me conectei
Fui ligando minha antena
E mesmo de quarentena
Meu trabalho continuei.

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DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA RODA DE GLOSAS

Mote desta colunista:

Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Dalinha Catunda:

Minha gente vou dizer:
Eu não estou suportando!
Ouço o celular tocando,
E quando vou atender,
Eu chego a me arrepender,
De atender a ligação.
Com o celular na mão,
É só mulher fuxiqueira:
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Bastinha Job:

Fala mal de seu vizinho
Dedura a minha pessoa
Só me chama de coroa
É flor cheinha de espinho,
Vai metendo o seu focinho
Não aceita opinião
Afugenta o próprio cão
Não tem limite ou fronteira:
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Dulce Esteves:

Só vive bisbilhotando
Pra saber da vida alheia
Chama a vizinha ” baleia “
Fala alto, reclamando
Todo mundo fica olhando
Na boca só palavrão
Trambiqueira de montão
Além de ser cachaceira:
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Rivamoura Teixeira:

Já começa o bate papo
Gritando que Zé Bedeu
Quis fuder e se fudeu
E o dinheiro virou trapo
Me zanguei dei um sopapo
O celular cai no chão
Pra aumentar a confusão
Chamei ela de encrenqueira
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Gevanildo Almeida:

Fico eu observando
Com minha boca fechada
Só olhando a palhaçada
De quem vive curiando
A vida alheia mirando
Numa melhor posição
Fala de pai e irmão
Sentada numa porteira
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Araquém Vasconcelos:

É preciso paciência
Pra suportar seu capricho
Vive com cara de bicho
Só fala com violência
Não usa a consciência
Só pensa em ostentação
Em tudo quer ter razão
Tem jeito de alcoviteira
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Joab Nascimento:

Quem não tem o que fazer
Nenhuma roupa pra lavar
Vai vivendo a fuxicar
Com fofocas a oferecer
De tudo ela quer saber
Pra fazer divulgação
Notícia em primeira mão
Da fofoca ser a primeira
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Lindicassia Nascimento:

Uma vizinha gritando
Do outro lado da rua
Eu que tava quase nua
Corri pra lá perguntando:
-Já morreu ou tá matando?
Ela disse: – foi João
Que levou chifre de Adão.
Eu disse, mas que besteira,
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Giovanni Arruda:

Quem leva a vida a pensar
Na vida que o outro leva
Cria sua própria treva
Nos afazeres do lar
Na hora de cozinhar
Não escorre o macarrão
Queima o arroz e o feijão
E o fundo da cuscuzeira
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Rosário Pinto:

Foi uma vizinha que tive
Na cidade Bacabal.
O meu bairro era o Ramal.
Parecia um Detetive.
Fiquei quieta, me abstive.
Você sabia? Era o refrão.
Isto lhe dava tesão.
Todos gritavam: tranqueira!
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Francisco Jairo Vasconcelos:

Passa o dia na janela
Parece uma filmadora
Se finge de protetora
Tem a língua de tramela
Deixa até queimar panela
E quando vai ao salão
Sabe de toda traição
E põe lenha na fogueira
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

O CORNO INOCENTE

Era tempo de novenas, festa da padroeira, quermesse e animação.

Após as novenas as famílias se reuniam na pracinha da igreja.

Enquanto as mulheres compravam gulodices para entreter as crianças, os homens se reuniam nas barracas de bebidas.

E foi entre uma bebida e um papo e outro, que se deu o bate-boca entre dois primos.

Ambos já tinham sido contemplados com um par de chifres por suas digníssimas esposas.

José, sabia que era corno, mas já tinha se acomodado a situação, porém Gonzaga, era o mais novo corno da cidade, estava na boca do povo e pelo jeito seria o último a saber.

Quando a discussão esquentou, Gonzaga, pôs a mão no ombro do primo e falou:

– Zé, tu é corno, macho véi!

Zé naquela calma de corno convencido imitando o gesto do colega retrucou:

– E meu primo nem é!

Isso foi o suficiente para a turma inteira cair na gargalhada.

Esta colunista escrevendo Microconto, pegando carona na ideia da escritora Leila Jalul