Sou caboclo nordestino eu provo, não nego fogo jogo as regras do jogo desde o tempo de menino não temo o cruel destino pois sou eu quem o constrói sou labuta, sou herói não me canso de escrever desde que aprendi a ler nada no chão me destrói.
Arimatéa Sales
Sou cabocla nordestina Sou fogo que não se apaga Quem conhece minha saga Sabe que desde menina Nasci pra ser heroína Não pra lamentar a sorte Não tenho medo da morte Não sou de chorar em vão Desenhei com precisão As veredas do meu norte.
Como quem faz um bordado Vou fiando meu cordel Procurando ser fiel Tramo com todo cuidado Cada ponto do traçado Faço com dedicação Trago a metrificação Pra cada verso compor Faço rimas com amor, Faço cordel com paixão
Bastinha Job:
Procuro tecer meu verso Primando na isometria Busco a isorritmia Poesia é meu universo Na mensagem me alicerço Daí vem pura emoção, Catarse, satisfação Compromisso no lavor: Faço rimas com amor, Faço cordel com paixão
Jesus de Ritinha:
Eu entro na brincadeira Agricultando poesia Plantando com alegria A semente brotadeira Levo também uma esteira Que estendo com a mão Para dessa plantação Colher frutos de primor Faço rimas com amor, Faço cordel com paixão
David Ferreira:
Não entendo de bordado, mas eu vi mamãe tecer. Não consegui aprender, porquê homem do cerrado não podia ser prendado, fazer bordado de mão, pisar arroz no pilão, era visto com temor… Faço rimas com amor, Faço cordel com paixão
Rosário Pinto:
Faço rima faço prosa. Procuro ter alegria. O meu cantar se irradia Para alguns me chamo Rosa Eu gosto de fazer glosa Não conheço a solidão Trago sempre uma canção Canto com muito fervor Faço rimas com amor, Faço cordel com paixão
Vânia Freitas:
Dedico meu tempo à arte Eu faço que nem Dalinha Também não saio da linha Vou fazendo minha parte Assim como ela reparte Com muita dedicação Eu tiro do coração Algum som do meu tambor Faço rimas com amor, Faço cordel com paixão
Gevanildo Almeida:
Tiro o verso da cachola Faço ele flutuar Sou poeta popular Desses que não se enrola Só não sei tocar viola Mas na minha intuição Metrifico a oração Na verso que vou impor Faço rimas com amor, Faço cordel com paixão
Francisco Chagas:
Eu descrevo a natureza. O sol, a lua e estrelas. Eu tenho o prazer de vê-las. Se eu tiver com tristeza. Quando olho pra grandeza. Do Deus Pai da Criação. Sinto no meu coração. Muita alegria e vigor Faço rima com amor. Faço cordel com paixão.
Rivamoura Teixeira:
Eu sou mei intrometido Doido levado da breca Quero brincar de peteca E este tema é tão querido Eu também tenho mantido Esta forma de expressão Traço com dedicação Metrifico com fervor Faço rimas com amor Faço cordéis com paixão
Creusa Meira:
Na infância fiz bordado Que a minha mãe ensinava Tricô e renda, eu tentava E meu pai tinha guardado Os versos do seu passado Eu lia com atenção Fui aprendendo a lição E hoje posso dar valor Faço rima com amor. Faço cordel com paixão.
José Walter Pires:
Viver “pintando e bordando” Foi expressão popular; Mas não sei como explicar, Às meninas, comparando, Ou só ficar criticando Os rumos da evolução, Com tamanha tentação, Desafiando o pudor. Faço rima com amor. Faço cordel com paixão.
Era domingo no Parque Recordo com precisão Você me deu um abraço E apertou a minha mão Tinha dança e poesia Animando aquele dia De cultura e tradição.
Foi uma tarde animada Era festa no lugar Promessa de emoção Entrevi em seu olhar Olhando-me animado Quebrava o chapéu de lado Sempre a me cumprimentar.
Nesse dia entrei na roda Me enfeitei pra cirandar Você acenava eufórico Inquieto em seu lugar Eu de maneira brejeira Dançava toda faceira Somente pra me mostrar.
Pra você joguei um beijo E uma flor arremeti No ar você segurou E eu radiante sorri Era o cravo, era a rosa Entre um verso e uma prosa Girando no Cariri.
Para falar de Ciranda O meu coração balança Eu faço a roda girar Quando a musa entra na dança Avivando a inspiração Assim flui minha oração Diante dessa aliança.
Peguei na mão da ciranda Buscando sempre agregar Juntei ciranda e cordel Para melhor propagar Com canto e literatura Nossa popular cultura Com dança para animar.
No meu cordel cirandeiro Trago o canto de alegria Trago meu Cordel de Saia Trago o cordel de Maria Pra mostrar meu universo De rima de canto e verso De peleja e cantoria.
Pra melhor salvaguardar O cordel literatura Eu criei As Cirandeiras E gostei dessa mistura Quem sabe canta o refrão E faz a declamação Nos moldes dessa estrutura.
Porque era dia de trem Ela se fez mais bonita Fez um rabo de cavalo Botou um laço de fita Um vestidinho florido Presente do seu querido Uma alegria infinita.
Quando o trem longe apitou Ela pegou a frasqueira E cheirando a alfazema Corria toda faceira Porque dentro do vagão Estava sua paixão De tantas, era a primeira.
Entrou toda saltitante E depressa foi notada Porém nada foi surpresa Estava sendo esperada Na poltrona acomodados O casal de namorados Seguiram sua jornada.
E Dentro do sonho azul Nasce o sonho cor de rosa Entre os dois apaixonados Na viagem venturosa Quem não soube ter coragem Perdeu o trem e a bagagem E não foi vitoriosa.
A destreza da mulher No trabalho artesanal É legado do passado, Vindo do berço ancestral, É motivo de alegria, É sessão de terapia, O bendito ritual.
Esse saber cultural Tem arte tem tradição É relíquia que artesã Concretiza em sua mão, O fruto dessa magia Traz o pão de cada dia, É base, é sustentação.
Dos tempos de antigamente Confesso, sinto saudade.
O namoro na pracinha Caminhando de mãos dadas As românticas jornadas Que outrora a gente tinha Com beijo com louvaminha No coreto da cidade Foi minha realidade Porém hoje é diferente: Dos tempos de antigamente Confesso, sinto saudade.
Dalinha Catunda
A retreta na avenida A TV tomou lugar A praça só fez mudar Abrindo grande ferida Tirando a graça da vida E a beleza da cidade Murchou a felicidade E a sombra se fez presente Dos tempos de antigamente Confesso sinto saudade.
Vânia Freitas
Corrupio, bola de gude; Minhas cédulas de cigarro; Munição feita de barro, Pra caçar preá no açude. Vesti camisa no grude, Passada e posta na grade; E na feira, vi novidade, Arrodeado de gente; Dos tempos de antigamente, Confesso, sinto saudade.
Wellington Santiago
As minhas recordações Na memória, registradas Uma a uma evocadas, Jorram hoje aos turbilhões, São tantas as emoções Registradas, de verdade, Suprema felicidade Vivida intensamente: Dos tempos de antigamente Confesso sinto saudade.
Bastinha Job
Caderno de confidência Na turma, compartilhado Piquenique com guisado No tempo da adolescência Sentia que a existência Era a eterna mocidade Plena em felicidade No sentido permanente Dos tempos de antigamente Confesso, sinto saudade.
Creusa Meira
Fui criança no Cobé, Nas terras de Mundo Novo – Bahia – onde meu povo Tem princípio, luz, arché, Boa educação e fé Que Mãe Véa, de verdade, Deixou – sob santidade – E carrego no presente. Dos tempos de antigamente, Confesso: – sinto saudade!
Professor Weslen
De namorar na praçinha E brincar de bambolê Ver um filme na Tv Comendo uma pipoquinha Quermesses com barraquinha Procissões pela cidade Político falar verdade Ajudando muita gente Dos tempos de antigamente Confesso sinto saudade.
Dulce Esteves
Armar foge e arapuca Se esconder da meninada Brincar de peia-queimada Jogar baralho e sinuca Na roça matar mutuca Namoro sem liberdade Fazer coisa sem maldade Cada qual mais inocente Dos tempos de antigamente Confesso sinto saudade.
Jerismar Batista
Água fria era de pote Viajava-se de trem Namorado era meu bem Muita gente era magote Prejuízo era calote Gente nova, pouca idade Ir na rua, ir na cidade Outras tantas tenho em mente Dos tempos de antigamente Confesso sinto saudade.
Giovanni Arruda
Das Tertúlias com vitrola Tocando trio nordestino Do velho chitão junino Com abaju e bandeirola Nas tardes o jogo de bola As meninas da cidade Mostrando felicidade Gritavam o nome da gente Dos tempos de antigamente Confesso, tenho saudades.
Esta é minha homenagem a minha tia Isa Catunda professora que lecionou durante muitos anos na cidade de Ipueiras. Ela teve em vida, o carinho e o reconhecimento de muitos que passaram por sua sala de aula. Hoje ela já não vive fisicamente entre nós, mas continua a ser um espírito de luz a nos iluminar.
Renegou a palmatória. Sabia contar história. Tinha a meiguice da flor. Tinha o dom de encantar, Gostava de lecionar A Mestra do interior.
Não teve filhos na vida, Mas era a tia querida, Que a criançada adotou. Irradiava magia, Era Filha de Maria, Catecismo me ensinou.
Era fina e elegante, Joia rara, um diamante, Com todo seu esplendor. Um ser de luz e beleza Pro céu levou sua pureza, E aqui deixou muito amor.
Esse anjo de quem falo, Rasgo meu peito e não calo, Habita o meu coração. É tia Isa querida, Que já deixou essa vida, Vive em outra dimensão.
Isa Catunda de Pinho, Teve um bonito caminho, Enquanto pode ensinou. Essa doce criatura Que viveu para a cultura Seu legado me deixou.
De poeta e de louca Eu tenho minha quantia Tem horas que jogo pedra Noutras faço poesia Quando chega o aperreio Que fico de saco cheio Minha razão avaria.
Não sou mulher de motim De bando também não sou Penso com minha cabeça Seguir magote não vou Não sou mulher melindrada O papel da vitimada Minha garra dispensou.
Não compro briga dos outros Pra ficar em evidência Por favor não me acumule Tenho pouca paciência Pois quando o caso é comigo Não meto nenhum amigo Tomo logo providência
Nunca gostei de cobranças Não cobro amor a ninguém E para ser bem sincera Nem amizade também Sentimento é conquistado Jamais será fabricado Só se dá quando se tem.