DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

NOS TRILHOS DA MOCIDADE

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O velho trem da saudade
Resolveu me visitar
Na bagagem a lembrança
É tanta, chega a pesar
Abro a porta do vagão
E deixo a recordação
Pelos trilhos me guiar.

Êta saudade danada
Que bateu, mas foi de mim
Menina moça levada
Batom da cor de carmim
Faceira e desaforada
Pela vida apaixonada
Como eu gostava de mim.

Nas tertúlias da cidade
Era a primeira a chegar
Pra “tirar uma fornada”
Com quem soubesse dançar
Dançava bem um brecado
Um bolero apaixonado
E sem “macaco botar.”

Short curto, minissaia
Era assim que eu me vestia
Minha mãe era moderna
E para minha alegria
Gostava de costurar
E a gente podia usar
A roupa que bem queria.

Passear de bicicleta
Era outra diversão
Cidade do interior
Ipueiras, meu sertão
Banhos de açude e de rio
Quando recordo sorrio
Fui feliz em meu rincão.

Passei por cima de tudo
Pra viver em liberdade
Desdenhei até das leis
Da nossa sociedade
Liberta da hipocrisia
E sem precisar de guia
Vivi só minha verdade.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA RODA DE GLOSAS

Mote desta colunista:

É duro dar luz a cego
Que não pretende enxergar.

Dalinha Catunda:

Não sou dona da verdade
O bom senso assim me diz
Na vida sou aprendiz
Mas sempre bate a vontade
De repassar qualidade
A quem deseja ingressar
Com regras no versejar
E o pouco que sei não nego
É duro dar luz a cego
Que não pretende enxergar.

Rivamoura Teixeira:

Eu já dei até a dica
De como faz o traçado
O x do metrificado
Ele diz _exemplifica
Mas parece q ele fica
Olhando a banda passar
Ou prefere só ficar
Nesse pequenino ego
É duro dar luz a cego
Que não pretende enxergar.

Dulce Esteves:

Meus parcos conhecimentos
Gosto de compartilhar
Convidei, vamos estudar
Mas, me causou foi tormentos
Esses tristes elementos
Só souberam foi negar
Disse: eu sei metrificar
Esse peso não carrego
É duro dar luz a cego
Que não pretende enxergar.

Creusa Meira:

Às vezes a gente fala
Até com certo cuidado
Que o verso tem pé quebrado
Mas a pessoa se cala
Segue o caminho e embala
Mostrando não se importar
Vai querer me martelar
Mas afirmo, não sou prego
É duro dar luz a cego
Que não pretende enxergar.

Giovanni Arruda:

Precisa ter paciência
Pois no começo é assim
Fica pensando no fim
E quebra toda a cadência
Perde do verso a essência
Quem prioriza contar,
Eu aconselho tentar
Mas uma coisa não nego
É duro dar luz a cego
Que não pretende enxergar.

Bastinha Job:

É malhar em ferro frio
pedra que água não fura
clarear a noite escura
secar o leito do rio,
receita sem ter avio,
um ganho sem conquistar,
Poeta sem se inspirar
Tudo isso veto e renego:
É duro dar luz a cego
Que não pretende enxergar.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

VOU SAIR NO BOLA PRETA

Foi no carnaval passado,
Que você embriagado
Rasgou minha fantasia.
Eu fiquei amargurada,
Ressentida e chateada
Com mais essa covardia.

Jurei, no próximo ano
Sozinha sem desengano
Noutro bloco eu sairia.
Durante um ano inteiro
Eu juntei o meu dinheiro
E fiz nova fantasia.

Cansei-me de tanta treta
Aliei-me ao Bola Preta
Bloco que tem tradição.
Vestida de preto e branco
Levo meu sorriso franco
Pra brincar em seu cordão.

Fique com sua cachaça
Curtindo sua arruaça
Que eu vou cuidar de mim.
Vá tocar o seu pandeiro
Em bloco de cachaceiro
Na porta de botequim.

Vá nas asas da loucura,
Ao bloco da pinga pura,
E beba em minha intenção.
Pois no bloco dos contentes
Arreganhando meus dentes,
Vou buscar nova paixão.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

A CAVEIRA E A CAMBAXIRRA

Foto desta colunista

Garanto faz muito tempo
Que o boi malhado morreu,
Era um animal bonito!
Mas a desdita o venceu.
E foi só falta de sorte,
Recordo bem essa morte,
Uma serpente o mordeu.

Lá no alpendre do meu rancho,
Na coluna de madeira,
Só para recordação,
Penduramos a caveira.
Hoje é lar de passarinho,
Cambaxirra fez seu ninho,
Ave engenhosa e Matreira.

Andei vendo um movimento,
Na caveira pendurada,
Cheguei perto para ver,
E fiquei admirada!
A ave saiu voando,
Eu fiquei de longe olhando,
A cambaxirra assustada.

Logo, logo descobri
Que havia ali um casal.
Os dois muito parecidos,
Levando material,
Para o ninho reforçar,
E os ovinhos abrigar,
De maneira especial.

Não tem chuva, não tem vento,
Para o ninho derrubar.
A escolha foi divina,
Eu posso até apostar!
Tem ciência e tem beleza,
As tramas da natureza,
Engenho a nos encantar.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

LUTE COMO UMA MULHER

O tempo do Sim Senhor
É coisa de antigamente
Mas o homem inda mata
A mulher impunemente
Ante o olhar da justiça
Que é lerda e complacente.

Matam mulher a varejo
E também no atacado
E quem vê televisão
Sempre fica revoltado
A notícia é recorrente
Não é fato inesperado.

Se nossa justiça é fraca
A mulher deve ser forte
Se defender com astúcia
Para se livrar da morte
Faça como fez Dalila
A força do homem corte.

Sedutora a Salomé
Revestida de poder
A cabeça de João
Não demorou receber
Em conluio com a mãe
Fez Batista padecer.

Com a história da cobra
Eva engabelou Adão
A mulher astuciosa
Traz o parceiro na mão
E cadê a esperteza
Na atual situação?

Pra punir chegou Pandora
Preservando a esperança
Deixando para a mulher
O legado da mudança
Ou a mulher vai à luta
Ou nas mãos dos homens dança.

Temos que imitar Lilith,
Ganhar asas pra voar
Recusar submissão
Ter astúcia pra lutar
Pois perder o paraíso
É liberdade ganhar.

Use a manha da mulher
Pra poder se defender
A força que tem o homem
Você não pode conter
Seja mulher ardilosa
Para tentar não morrer.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA RODA DE GLOSAS

Mote desta colunista:

Pegue aqui na minha mão
Vamos juntos cirandar.

Quando sinto que a tristeza
Se avizinha do meu peito
Na danada dou meu jeito
Pra isso tenho destreza
Busco no canto a leveza
Para os males espantar
Quem quiser pode chegar
Que esse canto é de união
Pegue aqui na minha mão
Vamos juntos cirandar.

Dalinha Catunda

Eu voltei a ser criança
Brincando pela varanda
Numa roda de ciranda
Gostei daquela festança
Entrei de cara na dança
Comecei rodopiar
Formamos um belo par
Dando volta no salão
Pegue aqui na minha mão
Vamos juntos cirandar.

Araquém Vasconcelos

Peguei na mão de Ritinha
Que pegou na de Alcinete
Lindicassia, bem coquete,
Segurou a de Dalinha
Enxerida entrou Bastinha
Seguiram a requebrar
Sempre a rodar,a rodar
No ritmo da emoção:
Pegue aqui na minha mão
Vamos juntos cirandar.

Bastinha Job

Na ciranda desta vida
Volta e meia sempre dou
Se as amigas vêm, eu vou
Se não vêm, fico sentida
Se Maria Aparecida
Ou de Lourdes me chamar
Largo tudo e vou dançar
Pra tristeza eu digo não
Pegue aqui na minha mão
Vamos juntos cirandar.

Creusa Meira

O zabumba toma a guia
Dá balanço o chocalho
Já se ouve um farfalho
Vai subindo uma agonia
O salão se contagia
Todos querem rebolar
E o desejo de dançar
Tem a força de um vulcão
Pegue aqui na minha mão
Vamos juntos cirandar.

Giovanni Arruda

Vou brincar nesta ciranda
Abra a roda por favor
Vou girando como for
Meus passos só Deus comanda
Pus nos cabelos lavanda
Quando o vento arrepiar
Cirandeiros vêm cheirar
Com grande satisfação
Pegue aqui na minha mão
Vamos juntos cirandar.

Dulce Esteves

Deixe a rotina de lado
Saia de dentro de casa
Se divirta, extravasa,
Vá prum forró arrochado
Requebre bem apertado
Dance a noite sem parar
Com molejo a peneirar
Dando voltas no salão
Pegue aqui na minha mão
Vamos juntos cirandar.

Joabnascimento

Nas noites alvissareiras
Nas festas de São João,
Eu fazia agitação
Dançava nas brincadeiras
Salão cheio de bandeiras
O sanfoneiro a tocar
Fazendo casais rodar
Em geral a animação
Pegue aqui na minha mão
Vamos juntos cirandar.

Jairo Vasconcelos

Agradecer cada dia
A alegria de viver
E fazer por merecer
Saúde, paz e harmonia
Bom mesmo é a euforia
Rime se quiser rimar
Cante se quiser cantar
Diga não a solidão
Pegue aqui na minha mão
Vamos juntos cirandar.

Francisco De Assis Sousa

Pesquisei nossa Ciranda.
É na Cantiga de Roda,
Que ela nunca cai de moda.
É cantiga que sempre anda
Nos festejos de varanda.
Em rodas para dançar,
Em festejo popular.
Na roda, uns vêm outros vão.
Pegue aqui na minha mão
Vamos juntos cirandar.

Rosário Pinto

Pra quem gosta de ciranda
E dançar na luz da lua
Vem ser meu e serei tua
No toque de qualquer banda
Pois é a gente quem manda
A poeira levantar
Vamos ver o sol raiar
No batuque do coração
Pegue aqui na minha mão
Vamos juntos cirandar.

Vânia Freitas

Em tempos de pandemia,
Só mesmo fazendo festa.
A jogada agora é esta:
Em casa, ter alegria,
Cantar e fazer poesia,
Um Studio improvisar,
Uma live organizar,
Numa bela animação,
Pegue aqui na minha mão
Vamos juntos cirandar.

Chica Emídio

A ciranda move a vida
a vida gera cultura,
é alegria segura
é brincadeira aguerrida.
A cadência é divertida
quem tá fora quer entrar,
com garra pisotear
com desmedida paixão.
Pegue aqui na minha mão
Vamos juntos cirandar.

Fátima Correia

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

ANO NOVO

Mote desta colunista:

E que a luz do Salvador
Seja a nosa direção.

Saúde e prosperidade
Eu desejo a cada amigo
Que interagiu comigo
Neste ano com lealdade
Manter a nossa amizade
É preito de gratidão
Desejo de coração
Um ano com muito amor
E que a luz do Salvador
Seja a nosa direção.

Feliz Ano Novo aos leitores do JBF!!!

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

A ÁRVORE QUE ME REPRESENTA

Fotos desta colunista

Eu hoje vivo na roça
Recordando meu sertão,
Pois é lá daquelas brenhas,
Que retiro inspiração.
Minha Árvore de Natal,
Tentei fazer uma igual,
Com alguma inovação.

Peguei garrancho no mato,
Tirei as folhas, limpei,
E numa lata de vinte
Areia lá coloquei.
E depois chegou a vez
Do paninho de xadrez,
Pra envolver a lata usei.

E como eu sou cordelista,
Para a árvore enfeitar,
Dependurei meus cordéis,
Que tem tanto pra contar…
Das histórias do sertão,
Que trago no coração,
E gosto de relembrar!

Minhas bonecas de pano?
No Natal muitas ganhei!
Como artesã de bonecas,
Algumas eu pendurei,
Frutos da recordação,
Que marcam a tradição,
Coisas que vivenciei.

Quando saí do Nordeste
Mãe solteira, e minha cruz,
Me apeguei no meu caminho,
A santa Mãe de Jesus.
Minha base a cada dia,
Era Jesus e Maria.
Meu caminho foi de luz.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

O COMEDOR DE CHIMANGO

Foto de Marco Haurélio

As malas ele arrumou.
Fez o que a mente pedia
Pegou logo um avião
E se mandou pra Bahia
Para matar as saudades
Que sem dó lhe consumia.

Um chimango bem gostoso
Ele queria comer
Do jeito que ele gostava
Só Maria pra fazer
Quem come o chimango dela
De outros não quer saber.

Era grande seu desejo
Fervia a imaginação
Chegava a lamber os lábios
Ruminando a tentação
Contava cada segundo
Suspirando de emoção.

– Maria você me aguarde
Que não demoro a chegar
Pra comer o seu chimango
Eu vou a qualquer lugar
Meu desejo lhe garanto,
Dessa vez eu vou matar.

Não demorou muito tempo
Chegou ao alto sertão
A viagem não foi longa
Pois ele foi de avião
Com chimango na cabeça
Não perdeu a direção.

Parecendo um menino
Já na casa de Maria
O biscoito de polvilho
Sem parar ele comia:
– Sem comer o seu chimango
Eu não saio da Bahia.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

RODA DE GLOSAS

Tem o diabo pra tirar
Mas tem Deus pra devolver.

Mote desta colunista

Quem não tem capacidade
Para seguir o seu roteiro,
Pega o dos outros ligeiro,
Dele faz sua verdade.
Com toda sinceridade!
Abro a boca pra dizer,
E se você quer saber,
Segredo não vou guardar:
Tem o diabo pra tirar
Mas tem Deus pra devolver.

Dalinha Catunda

Quem tem coragem na vida
Enfrenta qualquer perigo
Põe pra correr inimigo
Vai com garra para lida
Pela FÉ tá guarnecida
E nada lhe faz temer
Afirmo, pois, com prazer
ninguém vai me derrubar
Tem o diabo pra tirar
Mas, tem Deus pra devolver.

Dulce Esteves

Nessa vida tem de tudo
Gente ruim e gente boa
Tem sol quente e tem garoa
Tem buraco e viaduto
Cabra frouxo e cabra bruto
Tem o cego e o que vê
Tem a noite, o amanhecer
Mas no fim pode anotar
Tem o diabo pra tirar
Mas tem Deus pra devolver

Giovanni Arruda

Fé e força de vontade
Pra enfrentar o problema
Um pouco de estratagema
E sempre usar a verdade,
Pois quem tem idoneidade
Não tem o que se temer,
Mande bem e pra valer
Deixe o demo se lascar:
Tem o diabo pra tirar
Mas tem Deus pra devolver.

Bastinha Job

Quando sou surrupiado
Por alguém sem consciência
Não perco minha decência
Nem me sinto revoltado
Da pena até do coitado
A má ação faz sofrer
Pequeno para entender
Que quem erra vai pagar
Tem o diabo pra tirar
Mas tem Deus pra devolver.

Jairo Vasconcelos