O velho trem da saudade Resolveu me visitar Na bagagem a lembrança É tanta, chega a pesar Abro a porta do vagão E deixo a recordação Pelos trilhos me guiar.
Êta saudade danada Que bateu, mas foi de mim Menina moça levada Batom da cor de carmim Faceira e desaforada Pela vida apaixonada Como eu gostava de mim.
Nas tertúlias da cidade Era a primeira a chegar Pra “tirar uma fornada” Com quem soubesse dançar Dançava bem um brecado Um bolero apaixonado E sem “macaco botar.”
Short curto, minissaia Era assim que eu me vestia Minha mãe era moderna E para minha alegria Gostava de costurar E a gente podia usar A roupa que bem queria.
Passear de bicicleta Era outra diversão Cidade do interior Ipueiras, meu sertão Banhos de açude e de rio Quando recordo sorrio Fui feliz em meu rincão.
Passei por cima de tudo Pra viver em liberdade Desdenhei até das leis Da nossa sociedade Liberta da hipocrisia E sem precisar de guia Vivi só minha verdade.
Não sou dona da verdade O bom senso assim me diz Na vida sou aprendiz Mas sempre bate a vontade De repassar qualidade A quem deseja ingressar Com regras no versejar E o pouco que sei não nego É duro dar luz a cego Que não pretende enxergar.
Rivamoura Teixeira:
Eu já dei até a dica De como faz o traçado O x do metrificado Ele diz _exemplifica Mas parece q ele fica Olhando a banda passar Ou prefere só ficar Nesse pequenino ego É duro dar luz a cego Que não pretende enxergar.
Dulce Esteves:
Meus parcos conhecimentos Gosto de compartilhar Convidei, vamos estudar Mas, me causou foi tormentos Esses tristes elementos Só souberam foi negar Disse: eu sei metrificar Esse peso não carrego É duro dar luz a cego Que não pretende enxergar.
Creusa Meira:
Às vezes a gente fala Até com certo cuidado Que o verso tem pé quebrado Mas a pessoa se cala Segue o caminho e embala Mostrando não se importar Vai querer me martelar Mas afirmo, não sou prego É duro dar luz a cego Que não pretende enxergar.
Giovanni Arruda:
Precisa ter paciência Pois no começo é assim Fica pensando no fim E quebra toda a cadência Perde do verso a essência Quem prioriza contar, Eu aconselho tentar Mas uma coisa não nego É duro dar luz a cego Que não pretende enxergar.
Bastinha Job:
É malhar em ferro frio pedra que água não fura clarear a noite escura secar o leito do rio, receita sem ter avio, um ganho sem conquistar, Poeta sem se inspirar Tudo isso veto e renego: É duro dar luz a cego Que não pretende enxergar.
Foi no carnaval passado, Que você embriagado Rasgou minha fantasia. Eu fiquei amargurada, Ressentida e chateada Com mais essa covardia.
Jurei, no próximo ano Sozinha sem desengano Noutro bloco eu sairia. Durante um ano inteiro Eu juntei o meu dinheiro E fiz nova fantasia.
Cansei-me de tanta treta Aliei-me ao Bola Preta Bloco que tem tradição. Vestida de preto e branco Levo meu sorriso franco Pra brincar em seu cordão.
Fique com sua cachaça Curtindo sua arruaça Que eu vou cuidar de mim. Vá tocar o seu pandeiro Em bloco de cachaceiro Na porta de botequim.
Vá nas asas da loucura, Ao bloco da pinga pura, E beba em minha intenção. Pois no bloco dos contentes Arreganhando meus dentes, Vou buscar nova paixão.
Garanto faz muito tempo Que o boi malhado morreu, Era um animal bonito! Mas a desdita o venceu. E foi só falta de sorte, Recordo bem essa morte, Uma serpente o mordeu.
Lá no alpendre do meu rancho, Na coluna de madeira, Só para recordação, Penduramos a caveira. Hoje é lar de passarinho, Cambaxirra fez seu ninho, Ave engenhosa e Matreira.
Andei vendo um movimento, Na caveira pendurada, Cheguei perto para ver, E fiquei admirada! A ave saiu voando, Eu fiquei de longe olhando, A cambaxirra assustada.
Logo, logo descobri Que havia ali um casal. Os dois muito parecidos, Levando material, Para o ninho reforçar, E os ovinhos abrigar, De maneira especial.
Não tem chuva, não tem vento, Para o ninho derrubar. A escolha foi divina, Eu posso até apostar! Tem ciência e tem beleza, As tramas da natureza, Engenho a nos encantar.
Quando sinto que a tristeza Se avizinha do meu peito Na danada dou meu jeito Pra isso tenho destreza Busco no canto a leveza Para os males espantar Quem quiser pode chegar Que esse canto é de união Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Dalinha Catunda
Eu voltei a ser criança Brincando pela varanda Numa roda de ciranda Gostei daquela festança Entrei de cara na dança Comecei rodopiar Formamos um belo par Dando volta no salão Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Araquém Vasconcelos
Peguei na mão de Ritinha Que pegou na de Alcinete Lindicassia, bem coquete, Segurou a de Dalinha Enxerida entrou Bastinha Seguiram a requebrar Sempre a rodar,a rodar No ritmo da emoção: Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Bastinha Job
Na ciranda desta vida Volta e meia sempre dou Se as amigas vêm, eu vou Se não vêm, fico sentida Se Maria Aparecida Ou de Lourdes me chamar Largo tudo e vou dançar Pra tristeza eu digo não Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Creusa Meira
O zabumba toma a guia Dá balanço o chocalho Já se ouve um farfalho Vai subindo uma agonia O salão se contagia Todos querem rebolar E o desejo de dançar Tem a força de um vulcão Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Giovanni Arruda
Vou brincar nesta ciranda Abra a roda por favor Vou girando como for Meus passos só Deus comanda Pus nos cabelos lavanda Quando o vento arrepiar Cirandeiros vêm cheirar Com grande satisfação Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Dulce Esteves
Deixe a rotina de lado Saia de dentro de casa Se divirta, extravasa, Vá prum forró arrochado Requebre bem apertado Dance a noite sem parar Com molejo a peneirar Dando voltas no salão Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Joabnascimento
Nas noites alvissareiras Nas festas de São João, Eu fazia agitação Dançava nas brincadeiras Salão cheio de bandeiras O sanfoneiro a tocar Fazendo casais rodar Em geral a animação Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Jairo Vasconcelos
Agradecer cada dia A alegria de viver E fazer por merecer Saúde, paz e harmonia Bom mesmo é a euforia Rime se quiser rimar Cante se quiser cantar Diga não a solidão Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Francisco De Assis Sousa
Pesquisei nossa Ciranda. É na Cantiga de Roda, Que ela nunca cai de moda. É cantiga que sempre anda Nos festejos de varanda. Em rodas para dançar, Em festejo popular. Na roda, uns vêm outros vão. Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Rosário Pinto
Pra quem gosta de ciranda E dançar na luz da lua Vem ser meu e serei tua No toque de qualquer banda Pois é a gente quem manda A poeira levantar Vamos ver o sol raiar No batuque do coração Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Vânia Freitas
Em tempos de pandemia, Só mesmo fazendo festa. A jogada agora é esta: Em casa, ter alegria, Cantar e fazer poesia, Um Studio improvisar, Uma live organizar, Numa bela animação, Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Chica Emídio
A ciranda move a vida a vida gera cultura, é alegria segura é brincadeira aguerrida. A cadência é divertida quem tá fora quer entrar, com garra pisotear com desmedida paixão. Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Saúde e prosperidade Eu desejo a cada amigo Que interagiu comigo Neste ano com lealdade Manter a nossa amizade É preito de gratidão Desejo de coração Um ano com muito amor E que a luz do Salvador Seja a nosa direção.
Eu hoje vivo na roça Recordando meu sertão, Pois é lá daquelas brenhas, Que retiro inspiração. Minha Árvore de Natal, Tentei fazer uma igual, Com alguma inovação.
Peguei garrancho no mato, Tirei as folhas, limpei, E numa lata de vinte Areia lá coloquei. E depois chegou a vez Do paninho de xadrez, Pra envolver a lata usei.
E como eu sou cordelista, Para a árvore enfeitar, Dependurei meus cordéis, Que tem tanto pra contar… Das histórias do sertão, Que trago no coração, E gosto de relembrar!
Minhas bonecas de pano? No Natal muitas ganhei! Como artesã de bonecas, Algumas eu pendurei, Frutos da recordação, Que marcam a tradição, Coisas que vivenciei.
Quando saí do Nordeste Mãe solteira, e minha cruz, Me apeguei no meu caminho, A santa Mãe de Jesus. Minha base a cada dia, Era Jesus e Maria. Meu caminho foi de luz.
Quem não tem capacidade Para seguir o seu roteiro, Pega o dos outros ligeiro, Dele faz sua verdade. Com toda sinceridade! Abro a boca pra dizer, E se você quer saber, Segredo não vou guardar: Tem o diabo pra tirar Mas tem Deus pra devolver.
Dalinha Catunda
Quem tem coragem na vida Enfrenta qualquer perigo Põe pra correr inimigo Vai com garra para lida Pela FÉ tá guarnecida E nada lhe faz temer Afirmo, pois, com prazer ninguém vai me derrubar Tem o diabo pra tirar Mas, tem Deus pra devolver.
Dulce Esteves
Nessa vida tem de tudo Gente ruim e gente boa Tem sol quente e tem garoa Tem buraco e viaduto Cabra frouxo e cabra bruto Tem o cego e o que vê Tem a noite, o amanhecer Mas no fim pode anotar Tem o diabo pra tirar Mas tem Deus pra devolver
Giovanni Arruda
Fé e força de vontade Pra enfrentar o problema Um pouco de estratagema E sempre usar a verdade, Pois quem tem idoneidade Não tem o que se temer, Mande bem e pra valer Deixe o demo se lascar: Tem o diabo pra tirar Mas tem Deus pra devolver.
Bastinha Job
Quando sou surrupiado Por alguém sem consciência Não perco minha decência Nem me sinto revoltado Da pena até do coitado A má ação faz sofrer Pequeno para entender Que quem erra vai pagar Tem o diabo pra tirar Mas tem Deus pra devolver.