DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

Foto desta colunista

O velho trem da saudade
Resolveu me visitar
Na bagagem a lembrança
É tanta, chega a pesar
Abro a porta do vagão
E deixo a recordação
Pelos trilhos me guiar.

Êta saudade danada
Que bateu, mas foi de mim
Menina moça levada
Batom da cor de carmim
Faceira e desaforada
Pela vida apaixonada
Como eu gostava de mim.

Nas tertúlias da cidade
Era a primeira a chegar
Pra “tirar uma fornada”
Com quem soubesse dançar
Dançava bem um brecado
Um bolero apaixonado
E sem “macaco botar.”

Short curto, minissaia
Era assim que eu me vestia
Minha mãe era moderna
E para minha alegria
Gostava de costurar
E a gente podia usar
A roupa que bem queria.

Passear de bicicleta
Era outra diversão
Cidade do interior
Ipueiras, meu sertão
Banhos de açude e de rio
Quando recordo sorrio
Fui feliz em meu rincão.

Passei por cima de tudo
Pra viver em liberdade
Desdenhei até das leis
Da nossa sociedade
Liberta da hipocrisia
E sem precisar de guia
Vivi só minha verdade.

2 pensou em “NOS TRILHOS DA MOCIDADE

  1. Há um comboio em mim
    Andando em velocidade
    Cada vagão carregando
    Uma carga de saudade
    E nos trilhos do passado
    O trem correu apressado
    Levou minha mocidade.

    Na Estação da Idade
    Sobe gente, desce gente,
    Novas cargas amarradas
    Seguindo sempre em frente
    E quando o futuro chegar
    O mesmo trem vai levar
    Os dias do meu presente.

    Jesus de Ritinha de Miúdo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *