ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

CIDADE MARAVILHOSA

Relutei em escrever este texto, confesso! Mas, sabe quando existe algo que te incomoda, não te deixa dormir, é chato igual àquela pele de unha que a gente tenta arrancar no dente e acaba abrindo uma cratera dolorida e que a todo o momento você esbarra em algo que a magoa. Pois bem, este texto é quase um simulacro dessa ferida aberta na ponta do dedo.

Neste mês de fevereiro de 466 d. S. (depois de Sardinha) estive no Rio de Janeiro, a tão propalada “cidade maravilhosa/cheia de encantos mil”. Fui acompanhar uma colega resolver uma situação legal na Embaixada do Reino Unido. Viagem boa. Gosto de estrada. Gosto de dirigir. Fomos com alguns dias de frouxidão até para curtir a viagem em si, a paisagem, e as tão propaladas maravilhas da dita cidade do Rio de Janeiro.

Perdoem-me os cariocas e fluminenses com o que eu vou escrever a respeito dessa cidade, mas devo dizer uma verdade. Vocês foram enganados e continuam sendo enganados quando alguém diz que o Rio de Janeiro é uma “cidade maravilhosa”. Não é. Pode ter sido em um passado distante, mas na atualidade, o Rio de Janeiro é a quintessência do Brasil que queremos deixar para trás, superar, esquecer e enterrar.

Lembro-me ter ficado em um hotel que fica a duas quadras do Aterro do Flamengo e a duas quadras do Palácio do Catete. Sempre quis conhecer esses locais. No saguão do hotel, este caeté, com a bunda de fora, a borduna na mão e o canitar no pescoço perguntou à recepcionista se era uma boa, àquela hora – 16 horas – dar um passeio na orla. Ela me disse que não era aconselhável, mas se eu quisesse, deixasse no quarto celular, joias, se tivesse dinheiro, ou qualquer objeto de valor. Confesso que aquela confissão da moça deu-me uma saudade da taba, do fogo irracional que queima dentro da gente.

Do quarto do hotel em que estava podia ver a estátua do Cristo Redentor. Mas a vista podia baixar até certo ponto, pois nas linhas abaixo o que se via eram aas favelas – essa aberração brasileira, mas que no Rio assumiu um estado de arte -, com todas as suas contradições, suas mazelas e suas lutas. Cada vez que olhava para aquelas casas mal construídas, empilhadas uma sobre outra, sem reboco, com o tijolo aparecendo, não se sabendo onde começava uma moradia e terminava outra, foi me dando um desespero, uma melancolia, um desejo de voltar para o meu MS.

Não que aqui não haja mazelas, mas na gloriosa Campo Grande favela é uma coisa quase que alienígena. A prefeitura tem um programa sério de não favelização. Quando surgem barracos em zonas de perigo, usa-se um buldozer grandão que bota abaixo aquelas bibocas de bosquímanos, e realocam-se as famílias para conjuntos habitacionais de alvenaria.

Mas, parece que no Rio de Janeiro, a favela é um componente da própria cidade, típico da contravenção e da marginalidade. Penso naquelas pessoas que se aboletam naquelas zonas de perigo de deslizamento que sofre duas vezes. O primeiro sofrimento é a violência do crime organizado, dos traficantes que, na sua covardia, usa o cidadão obrigado a viver nos morros, como escudo humano contra a polícia. O segundo sofrimento é a síndrome de Estocolmo que o Rio vive. Sempre está escolhendo para comandar o Estado e a cidade aqueles que o sequestram, o pilham, o roubam e o vilipendiam cotidianamente. E, a cada eleição, essa mesma população é chamada a escolher entre o ruim e o pior.

Tanto na chegada, quanto na saída da cidade, ou seja, na nossa ida e volta, vimos pichações, lixo nas ruas. Sacos de lixo mesmo, como que aquilo fosse parte do cotidiano, ou da paisagem natural da cidade. Não havia lugar, por mais alto que fosse, que não estivesse com pichações, ou recados do crime organizado. Poeira, lama e valas negras nas zonas centrais. Que cidade maravilhosa é essa?

Filmar, fotografar a cidade do alto do Corcovado, só pegando a linha da praia é excelente, mas esconde a miséria, as vulnerabilidades, o atraso, a desorganização, a leniência entre o público e o privado que se agudiza na cidade do Rio de Janeiro. Essas imagens ainda estão marcadas no espírito deste caeté, um curiboca já velho, quase dobrando a carcunda pela força do vento.

Esse Rio de Janeiro, quase como uma terra de ninguém, onde todos mandam e ninguém se responsabiliza por nada é o tipo de Brasil que há muito tempo eu sonho e luto em superar. O Rio de Janeiro é a essência caeté, é o fogo irracional e anti-civilizatório que o país luta para superar, deixar para traz.

Isso não quer dizer que não haja lugares bonitos. Mensurar o Rio de Janeiro apenas por Santa Tereza, Jardim Botânico, Vila Isabel, Copacabana e Ipanema é intelectualmente desonesto, é acreditar que as demais partes da cidade não existe. Mangueira, Duque de Caxias, Alemão, morro dos Macacos também são o Rio de Janeiro, também fazem parte dessa fogueira irracional que o Rio conseguiu cristalizar como sendo o Brasil do atraso, o Brasil do passado, o Brasil do compadrio, o Brasil da rapinagem que queremos superar.

Talvez, o meu olhar possa ser até duro demais, ou condescendente de menos com uma urbe que é somente uma urbe, com todas as suas contradições e defeitos. Talvez, eu, caeté de outra opa não regulei a minha régua de acordo com as mudanças comportamentais e geográficas, e por isso estou captando uma realidade diferente daquela que estou acostumado a ver.

Veja, andando de carro, com o fedegoso na mão, mais assustado que ratão de banhado, percebi que até a polícia, isso mesmo, a polícia, contribui para a desorganização, para a avacalhação do trânsito, para a bagunça no cotidiano das pessoas. Não fomos parados por blitz, ou mesmo segurança, graças a Deus, mesmo porque, se a policia já bagunçava o trânsito, se parassem os veículos, o inferno estaria de portas abertas.

Havíamos planejado ficar, pelo menos quatro dias na dita Cidade Maravilhosa (mentira deslavada), ficamos um dia de 24 horas, em dois dias e uma noite. Voltei para meu Mato Grosso do Sul triste, desapontado, revoltado, irado, questionando-me como deve sentir pessoas que pensa semelhante a mim, mas moram no Rio de Janeiro, e tem que conviver todos os dias com a desorganização, a ligeireza, a promiscuidade entre o público e o privado, a convivência entre a civilidade e a barbárie, o incesto entre o Estado e o crime organizado.

E, desde que voltei estou remoendo este texto. Perdoem-me antecipadamente aqueles que gostam do Rio de Janeiro e todos os cariocas e fluminenses, mas volto a revelar algo assustador a vocês. Mentiram a vocês quando cantaram “cidade maravilhosa”. O Rio de Janeiro é a essência caeté,, na sua mais brutal representação. E isso, nada de maravilhoso tem.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

ERA UMA VEZ SINDICATO

Essoutro dia vi o emanguaçado Luís Luladrácio da Silva vociferando, com sua voz roufenha, as ditas malvadezas que a “elite” branca, misógina e racista fez com os trabalhadores, principalmente com os sindicatos bananeiros que foram desacoplados da tetinha por onde jorrava o farto leite do dito “imposto sindical”. Aquela excrescência criada por Getúlio Vargas – boa bisca que era, atrasou o desenvolvimento do país em mais de 50 anos -, que amarrava os sindicatos ao governo, mas que, com o passar do tempo foi sendo acomodado como uma fonte de renda fácil, sem a necessidade de sindicatos e centrais sindicais trabalhar pelos seus afiliados. Mas estou me adiantando na questão. Vamos por parte, como diria Jack, o estripador de White Chapel.

Retomando o meu passado profissional, neste 2022 a. D (anno Domini), ou 466 d.S (depois de Sardinha), serão 31 anos de serviços dedicado ao povo do Glorioso Mato Grosso do Sul, com altivez e orgulho. Trinta e um anos que se darão no mesmo dia em que completarei “Uma Boa ideia”, 51 anos de vida bem vivida, com a barriguinha e os arrependimentos necessários. Talvez eu seja um dos poucos a ter o privilégio de comemorar duas datas no mesmo dia: tempo de serviço e idade.

E, nesses 31 anos de serviço público, pude acompanhar como nossos sindicatos profissionais foram perdendo relevância, importância, e até mesmo espaço na vida dos seus afiliados. Naquele ano de 1991, quando assumi minha cátedra na Educação, a primeira coisa que fiz, após tomar posse, foi filiar-me ao sindicato de classe. Foram tempos bons. Tempos de batalha, de lutas, de união, mas, acima de tudo, tempo de companheirismo, de camaradagem e coleguismo. Naquele tempo, ser “’do sindicato” era motivo de respeito, orgulho e até mesmo de certa vaidade.

Naquele ano de 1991 o nosso sindicato e a nossa federação estavam com uma campanha intitulada “Sindicalizando muda”!. Foi uma campanha gloriosa de filiações, de agregação de pessoas e profissionais que mudou mesmo nosso senso de organização profissional. Mas também trouxe dores. Nas nossas lutas eu, este caeté que vos fala, tal qual os professores que tomaram porrada mandado por Paulo Pimenta, também levou gás lacrimogênio nas fuças, cassetete de borracha das costas e cafungada de cavalo da tropa de choque no cangote. Mas, eram outros tempos. A causa era digna e a marcha valorosa.

Nossa luta à época era por condições dignas de trabalho. Não me envergonho em dizer que quando comecei a trabalhar ganhava cerca de 119 milhões de cruzeiros por mês. Em junho de 1994 meu último salário em cruzeiro foi de 798 milhões de cruzeiros. Quando a moeda virou Real, aqueles 798, mais 200 milhões a título de bonificação, viraram 17 reais. Com o salário mínimo a 65 reais mensais, continuamos com abonos e gratificações até chegar ao salário mínimo. Hoje, posso dizer que, no mês de outubro, professores no auge da carreira, aqui no MS poderão chegar a 14 salários mínimos por 40 horas de serviço semanal. Se tiver titulação de doutor, poderá chegar a 18 salários mínimos. Fruto de luta!

Todavia, não sei por que cargas d’água, o sindicalismo desandou, a receita micou, aquela força que tínhamos, para dizer em uma linguagem mais árida, perdeu seu momentum, e as bandeiras que mantínhamos erguidas caíram por terra. Aliás, sei sim, e posso precisar momentos em que o sindicalismo se deixou enredar por assuntos alheios e estranhos à sua pauta e à sua luta. Tão alheios que, na atualidade, as pessoas esconjuram e jogam sal por cima das costas quando se toca na palavra sindicato, no meio de professores.

O sindicato sempre foi uma entidade política. Por natureza e razão de ser, não podia ser diferente, ou mesmo, não podia ser igual a uma entidade amorfa. Porém, naquela época gloriosa as mais diferentes correntes políticas e ideológicas conviviam harmoniosamente já que tínhamos um objetivo em comum: PMDB, PT, PDT, PFL, PCO, PCdoB, PCB, PSDB, PRN. Havia espaço para todos. Mas a receita começou a desandar quando aquela quadrilha travestida de partido político, isso mesmo, o PT, começou a se infiltrar e dominar a direção sindical, tanto vertical, quanto horizontalmente. A cada nova eleição sindical manipulava o estatuto para impedir outras correntes ideológicas de comporem chapas, ou mesmo agregarem com outras chapas, e passaram a agir igual a Saddan Hussein, ou mesmo Hosni Mubarak, semre vencendo com margens de 98 a 99% dos votos válidos. Não somente impediam não petistas de concorrer, como de votar. Com o passar do tempo, o sindicato passou a ser apenas um satélite nas mãos do Partido das Trevas, e pau mandado do Luís Luladrácio da Silva.

Eu, quando vi essa situação ocorrer tentei montar chapa, agregando diversas correntes ideológicas no nosso sindicato. Todos estávamos aptos para votar e ser votado. O entanto, lembro-me muito bem que, a direção que estava concorrendo à reeleição, chamou uma assembleia em que só os que concordavam com eles souberam. Nessa assembleia, mudaram o estatuto da entidade, nossa chapa foi impedida de concorrer, bem como quase 60% dos filiados que não rezavam pela mesma cartilha. Se alembram do que falei sobre a campanha “Sindicalizando muda”. Pois então. No estatuto dizia que podia votar e ser votado quem estivesse em dia com suas contribuições sindicais e fosse filiado a, pelo menos, 180 dias. Na “reforma”, feita na surdina, passaram esse tempo para 3 anos, ou seja, a maioria era recém sindicalizado, e ficou fora do pleito. Muitos colegas, mais antigos, em protesto, coisa que sempre fui contrário, mas, em solidariedade, não votaram. E, com isso, o PT assumiu controle e nunca mais saiu da direção sindical.

Mas essa foi também a fase do declínio total do sindicato, pelo menos aqui no glorioso Mato Grosso do Sul. As pautas, antes voltadas para o interesse do professor, passaram a espelhar a mesma pauta que o PT defendia. Temas estranhos ao interesse sindical passaram a fazer parte de seu modus operandi. De sua dinâmica. A luta pela qualidade acadêmica, pela qualidade do local de trabalho, pela existência de materiais e recursos em quantidade e qualidade foram esquecidos. A pauta única era dinheiro, ou salário, como se salário alto fosse sinônimo de qualidade. Até mesmo a qualidade do docente foi esquecida. E então pautas do MTST, do MST, da demarcação de terras indígenas, da causa LGBT, do aborto, passaram a fazer parte da causa sindical, mas as causas dos interesses de professores foram esquecidas.

Lembro-me de certo fato ocorrido aqui no MS, quando o governo do Estado, para contratar professor temporário, fez uma espécie de avaliação da qualidade docente, com nota de corte com valor cinco, ou seja, se você acertasse 50% da prova estava apto. A surpresa geral foi que, teve professor de Matemática que tirou zero em Matemática. Professor de Língua Portuguesa que tirou zero em Língua Portuguesa, afora outras disciplinas. Esse concurso, por assim dizer revelou duas coisas: o mal que o petismo estava fazendo nas academias de licenciatura e o mal que estava fazendo nos sindicatos.

E, qual foi a postura do sindicato, já contaminado pelo petismo? Lutou para melhorar a qualidade desses docentes? Não. entrou na justiça para anular a avaliação e garantir a contratação de professores, mesmo daqueles que tiraram zero nas suas áreas de conhecimento, haja vista a maioria deles se ajoelhar ao mesmo deus pavoroso e rezar pela mesma cartilha do tinhoso de pé rachado e nove dedos.

E, essa corrida ladeira abaixo vem sendo, cada vez mais veloz. Em 2019, quando o governo do Estado fez uma mudança no estatuto do Magistério estadual, a fim de economizar, rebaixando o salário do professor contratado em 45% menos que o do professor efetivo, o sindicato só ficou sabendo quando já estava sancionada a lei e publicada em Diário Oficial. Na reunião após essa hecatombe todos se perguntavam o que havia ocorrido. Pedi a palavra e disse, sem medir deseducações…. “aconteceu isso porque enquanto nosso sindicato e federação estavam fazendo caravana para ir até Curitiba dar bom dia a um ladrão lavador de dinheiro, o governador e seus apoiadores se movimentaram e aprovaram essa lei”. Fui, delicadamente convidado a me retirar do recinto, pois estava “tumultuando” as discussões.

E assim, chegamos a 2022, quando Lula, com sua voz infernal diz que pretende revogar a reforma trabalhista, porque os sindicatos precisam de proteção. Mentira. O que ele quer é a volta do imposto sindical. Lula e até as pedras de Marte sabem que é com o dinheiro do imposto sindical obrigatório que as direções de sindicatos, federações e confederações vivem uma vida de nababos, com carros luxuosos, casas grandiosas, viagens só de classe executiva, e outros mimos. O imposto sindical não é revertido para o sindicalizado; parte dele vai para sustentar a máquina de tramar traições dentro do PT. A justiça eleitoral sabe disso, os sindicalizados sabem disso. Até um alienígena que passasse uma semana em Pindorama ficaria ciente disso.

Os sindicatos querem o dinheiro forçado, já que o imposto é obrigatório, seja você filiado, ou não, dos trabalhadores brasileiros Quando esse famigerado imposto foi extinto, sindicatos, federações e confederações ficaram pendurados na brocha. Como eles teriam que trabalhar pelo filiado, e trabalhar é uma coisa que petista não sabe fazer, bateu o desespero, daí um investimento ilegal maciço para que o Luladrácio da Silva volte ao poder. O risco, aos curiboca, arariboia, potiguara, caeté, tupi, guarani, xingu, e outras nações de indiaiada, é que, dessa vez, chegando lá, eles não saem nunca mais. E aí, meu caro curumim, coitado dos doguinhos da terra brasilis.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

BENDITA GUERRA

Esta semana, como todo bom caeté que se presa, estava, novamente, em minha rede de imbira, coçando a carcunda de meus doguinhos e assuntando as notícias sobre a guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Lembre-se-me, então de uma conversa miolo de pote que tive com meu grupo de estudos na universidade, em 2020, antes do fechamento indiscriminado de tudo. Disse a eles que o século XXI estava chato, fragmentado, sem perspectivas de longo prazo, com grupinhos mimados que adotaram discursos vazios, mas perigosos, e que precisávamos de uma guerra para tentar botar ordem no caos. Fui recriminado, condenado. Só não levei solavanco de orelha, por ser já um senhor de fartas cãs (essa é para você Violante), e ter um ar venerando.

Os séculos XVIII, XIX e XX tiveram as guerras como seus grandes marcos divisórios e que direcionaram a humanidade para um objetivo maior e que, de uma forma, ou de outra, destruíram discursos piegas, eliminaram líderes fracos e frouxos e criaram uma dinâmica que trouxe a humanidade a um patamar de desenvolvimento tecnológico, bélico, e alimentar, sem comparação nos últimos cem mil anos.

A revolução francesa do final do século XVIII eliminou, de uma forma indireta, o discurso idílico do rococó e da lorota do “bom selvagem” contado por Rousseau, vendido como uma explicação salubre para os males da humanidade e como chave para a resolução de todos os nossos problemas. Bastava o homem deixar a cidade, se embrenhar no mato e voltaríamos à bondade natural de um “Adão” do paraíso perdido de Proust.

Já o século XIX com suas guerras napoleônicas e com as guerras de unificação da maior parte da Europa forjou o século, de início, e deu uma identidade e um protagonismo que Niesztche chamou de “Vontade de Potência”. Mas essa vontade de potência, na visão do filósofo se agregava a nações e povos. O século XX o agregou a pessoas que se tornaram líderes em momentos cruciais da história humanas. Líderes como Churchill, De Gaulle, Roosevelt, e mais tarde líderes como Ronald Reagan, Margareth Tatcher, Adolfo Suarez, só para ficar nos mais conhecidos.

O século XX com as duas grandes guerras criou o horror sobre a própria guerra, a ojeriza à matança, ao mesmo tempo em que deixaram claro que uma paz duradoura só se constrói e se mantém quando as nações falam em igualdade de condições, nem que essa igualdade seja em cima de armas de destruição em massa, ou de poder de fogo capaz de intimidar seu interlocutor – Vontade de Potência -.

Mas o século XXI começou estranho. Foi uma época de paz de fancaria. O ocidente foi contaminado com discursos, ideologias, cisalhamentos de culturas, divisões sociais e multiculturalismos que nos fez perder o senso de história, de evolução social e de buscas de melhoramentos de nossa própria espécie. Hoje, com a guerra entre Rússia e a Ucrânia, todo o arcabouço de discurso vazio que se construiu ao redor do chamado “ocidente civilizado” está indo esgoto abaixo.

Se a verdade é a primeira vítima, em uma guerra, esta que está ocorrendo em solo ucraniano está fazendo outras. E digo, cada vez que uma dessas vítimas cai por terra, eu comemoro, como um bom caeté. A segunda vítima foi a lorota desarmamentista. Os adoradores de uma população indefesa estão calados, agora que o comediante travestido de presidente da Ucrânia declarou distribuir arma à toda a população a fim destes defenderem seu país. Mas era ele um dos que gritava que a população não poderia ter armas, que a população precisava se desarmar. Houvesse a cultura de que um povo armado é um povo perigoso e Putin pensaria duas vezes antes de tentar invadir o país vizinho.

A terceira vítima foi o discurso inclusivista, a lorota de que “palavras machucam”. Não estou vendo nenhum xibungo pegar no pau de fogo e dizer… vamos defender nossa nação!. Mas, vejo como líderes fracos e frouxos, emasculados e que emascularam suas nações se tornaram inadequados, ineptos e deslocados para o tempo de crise que vivemos, sem saber o que fazer para resolver aquela crise e mais perdidos que filhos de puta no dia dos pais.

Governantes como Emanoel Macron, Boris Johnson, Justin Trudeau, Joe Biden, até mesmo o inepto António Guterres da ONU demonstraram inépcia e incompetência. Líderes como Wladimir Putin e Xi Jinpin viram como o ocidente se tornou fraco, feminilizado, em sua face mais perniciosa, e estão avançando pelo mundo, destruindo a liberdade e aterrorizando o mundo.

O discurso da “masculinidade tóxica” e da “testosterona tóxica” que era e é ao gosto de um grupo que tenta de tudo para destruir o modelo de sociedade baseada na cultura judaico-cristã está mostrando seus efeitos destrutivos para a sociedade. De uma forma, ou de outra, estão conseguindo concretizar seus intentos. Líderes emasculados, aliados a discursos frouxos, e sem nenhuma autoridade moral do homem, ou macho alfa, é um convite para nos tornarmos escravos daqueles que não renunciaram essa condição evolutiva do ser humano.

Em um mundo dividido entre aqueles que ainda acreditam em um processo evolutivo em que machos alfas assumem a condição de liderança e levam suas nações à protagonismos mundiais, que defendem seus interesses e percebem que o discurso da tolerância, da inclusão, da diversidade e da flexibilização de suas fronteiras existenciais põe, no longo prazo, riscos á sua própria sobrevivência, e aquelas que adotam esse discurso e o colocam em prática, o resultado é o que estamos vendo agora. Um ocidente vítima de suas próprias incongruências, contradições e tolerância contra aquilo que é evolutivamente intolerável.

Onde estão o Greenpeace, a Greta Thumberg, a Malala Youzafsai, o Rio da paz e outros luminares da boa vontade e do belo, do justo e do bom? São vítimas de seus próprios discursos e do declínio da masculinidade ocidental que contaminou nossa classe dirigente e nos tornou alvos fáceis daquelas nações que não renunciaram a essa condição natural dos povos.

Uma outra vítima ainda se faz evidente. É uma vítima e uma lição. A vítima é o próprio povo e a lição é que não se brinca com o futuro de uma nação quando temos que escolher quais líderes políticos vão comandar a nação. A Ucrânia, de maneira insensata escolheu um palhaço de televisão, em um voto de protesto. Hoje está colhendo a consequência de sua irresponsabilidade. É uma grande lição, principalmente para as tribos de Pindorama. O tal voto de protesto, ou voto útil é uma armadilha que cobra um preço alto. Talvez alto demais para a nação. O preço é a escravidão a líderes ineptos, frouxos e corruptos que venderiam seu próprio país para salvar a pele do rabo.

Outras vítimas ainda virão, afinal, como dizia o bigodudo tarado da Geórgia: quantas divisões blindadas esses sujeitos têm? O que vemos é uma guerra, guerra!, e não guerra de informações como o MBL e um deputado de São Paulo quer nos fazer pensar. E, essa guerra vai provar que a “masculinidade tóxica” é uma condição essencial que nos faz falta, que o homem alfa que fala grosso para defender os seus é necessário. Que a emasculação do ocidente pelo discurso fácil da inclusão, da diversidade, da tolerância, do multiculturalismo é um abismo chamando outro abismo, e que, se o ocidente não abrir os seus olhos, vai cair nele, sem possibilidades de resgate.

Talvez essa guerra possa fazer o século XXI voltar a seus trilhos e abandonar discursos e comportamentos infantilizado e mimado que fatalmente estão nos levando para a destruição irreversível. Quando o ocidente abandonou a Doutrina Dulles abriu as portas de um abismo que agora escancara suas “inguinoranças” nas nossas bochechas. Quando o discurso da inclusão, da diversidade contaminou nossas instituições, abriram-se as portas para lideranças fracas e frouxas que se provam, neste atual momento, inadequadas para este século.

Que se preparem os palcos para os próximos atos!

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

SINDICALISMO

Este fim de semana estava cá, eu, balangando na minha rede de imbira, debaixo de minha taba, espantando mosquito com abano de folha de jissara e coçando a carcundinha de meus cachorros, ao mesmo tempo em que prestava atenção no que uns caraíbas traziam a respeito da fala do Luladrão e o seu pau mandado e boneco de ventríloquo, a senhora Amante, ou Coxa, também conhecida como Gleisi Hoffman a ladra de velhinhos do INSS. A conversa que eu estava assuntando era sobre a reforma trabalhista e a promessa de que, se o corrupto de Garanhuns voltar à presidência, vai anular essa dita reforma. E, na toada da manada, o sindicalismo tupiniquim está mais ouriçado do que formiga quente em dia de correição. Mas, explico, e aí peço ao curumim, um pouco de paciência com este velho caeté.

Dois dos pontos mais importantes da reforma, tanto para o empregador, quanto para o empregado, foi a adoção de critérios mais equilibrados nas demandas da justiça do trabalho (em minúsculo mesmo. Recuso-me a tratar no maiúsculos entidades parasitárias do estado Tupinambá). Com esses critérios, a judicialização de demandas trabalhistas passaram a tratar as partes com maior equilíbrio. Um grande amigo que trabalha na justiça do trabalho aqui do glorioso Mato Grosso do Sul, disse-me que as demandas caíram cerca de 80% de 2018 para cá, tão logo ficou claro que o lado que perdesse pagaria as custas processuais e os honorários. Isso em uma vara, segundo ele, 95% das ações era de má-fé, ou apenas vingança contra o contratador.

O segundo ponto, e talvez o mais significativo, e é aí que Amante e o Ladravaz mais se empenham é o famoso “imposto sindical”. Uma excrescência do tempo daquele Tcholo (índio dos pampas argentinos), o Getúlio Vargas, que atrelava os sindicatos às suas birras. Depois esse imposto virou fonte de arrecadação bilionária para a manutenção de uma estrutura parasitária, inepta, corrupta e antitrabalhador de Pindorama. Era descontado um dia de trabalho de todo trabalhador brasileiro, fosse ele sindicalizado, ou não, para o sustento de uma máquina que, em tese, deveria ser seu porta-voz.

Acontece que o sindicalismo brasileiro perdeu o rumo, perdeu seu norte magnético e sua bússola moral e ética. O sindicalismo brasileiro atrelou-se a uma visão de mundo que não existe mais. Deixou de ser a voz do trabalhador, na busca de melhoria da qualidade do ambiente de trabalho e de qualificação do trabalhador para ser, por um lado, apenas uma banca assistencialista e de distribuição de pão e circo, e, por outro lado, apenas o braço operante de uma quadrilha que se travestiu, há 42 anos, de partido político.

Aqui no Mato Grosso do Sul, o governo do estado conseguiu aprovar uma lei, em 2017 em que o professor que trabalha no regime de contrato passaria a ganhar cerca de 47% menos que o professor efetivo, mas fazendo o mesmo trabalho, com a mesma qualificação e a mesma carga horária. Quando nosso sindicato resolveu fazer uma assembleia para discutir o assunto, Inês já era morta. Ao se questionar porque isso ocorreu, pedi a palavra e disse que, enquanto nossos dirigentes sindicais estavam organizando excursões para ir até Curitiba para dar “bom dia” a um ladrão e corrupto, o governador do estado estava tramando essa crocodilagem. Fui convidado, gentilmente, por dois leões de chácaras, a deixar o recinto, pois, segundo os dirigentes sindicais eu estava tumultuando a reunião.

E essa situação não é exclusiva do sindicato que participo, mas sim, uma realidade nacional. O sindicalismo brasileiro deixou de ter foco no seu sindicalizado. O sindicato, para a maioria dos dirigentes sindicais é apenas uma desculpa para não trabalhar e para usar o sindicalizado como trampolim para o mundo da política. A federação de professores aqui do Mato Grosso do Sul tem, vejam bem, 42 anos de existência. Nesse tempo todo, somente duas pessoas ocuparam a presidência do mesmo. O primeiro, trabalhou apenas 3 meses em sala de aula, se aposentou como professor na direção da federação, depois partiu para ser secretário de educação, logo em seguida deputado federal e sumiu na currutela. O atual já disse que vai lançar-se candidato a deputado estadual (adivinhem por qual partido? Isso mesmo, a quadrilha travestida de partido político), e vai deixar a direção sindical.

Nosso sindicalismo recusa-se a deixar as fraldas. Teima em não crescer. Chama o trabalhador de proletário. Esseoutro dia, conversando com um amigo sindicalista, veio com essa lorota de proletário. Olhei para ele e disse para ele ir em uma empresa como Kepler Weber, International Paper e perguntar lá, quem é proletário. É bem possível que ele saia escorraçado com os ouvidos ardendo de “proletário é a p….”. Deixa pra lá! Esse sindicalismo não quer sindicalizados para lutar por eles. Quer apenas a bolada que o imposto sindical dispunha a cada ano. O sindicalismo brasileiro embarcou na canoa da esquerda para se transformar em entidades parasitas, cheia de vagabundos não sabem o que é local de trabalho, mas que decoram uns bordões tacanhos que seduzem outros que, de maneira vagabunda já perceberam o grande negócio que é um cargo sindical.

Entidades como CUT, Força Sindical, UGT, CGT et caterva estão pouco se lixando para o trabalhador. Apoiam o Ladravaz e sua sanha em desfazer a reforma trabalhista, não porque estejam preocupados com o trabalhador, mas sim com a volta desse famigerado imposto. Isto porque, sem esse dinheiro fácil, eles, em tese, teriam que trabalhar pelo filiado. Vejam como era a situação. Até 2017, o sindicato trabalhando, ou não pelo sindicalizado teria uma boa grana garantida. Aqui, a nossa federação tinha uma bolada de 79 milhões de reais garantidos, após 2018 caiu para menos de 53 mil reais. Por isso estão tão alvoroçados com a promessa de “desfazer” a reforma trabalhista. Não é pelo interesse em proteção aos direitos, que não são direitos, do trabalhador, mas sim pelo dinheiro fácil do imposto sindical.

Como sou caeté e gosto de provocar Nhambiquaras, Tupinambás, Kadwéus, Borôros, entre outros, em uma palestra aqui como senhor Carlos Gabas, aquele guabiru píu grasso do “Consórcio Nordeste”, que pagou uma bolada por respiradores artificiais, para uma empresa com o nome de maconha, durante a pandemia e nunca recebeu os aparelhos e nem o dinheiro pago, sobre a reforma trabalhista e a “perca” de direitos, no arremedo de português que eles usam, em uma universidade daqui de Campo Grande, ouvi esse senhor por 45 minutos falar que a reforma tirou direitos dos trabalhadores, que escravizava o trabalhador, sendo aplaudido pelos alunos profissionais integrantes de DCE.

Depois de toda a verborragia, sendo aberto espaço para questionamentos – questões a favor do palestrante, diga-se de passagem -, pedi espaço, saquei uma constituição que carrego no meu embornal – pode parecer absurdo, mas sou caeté, e como o saudoso Mario Juruna, ando precavido -, abri o capítulo 7 da Magna Carta e pedi ao senhor Gabas que apontasse quais dos 34 direitos inscritos ali, na Constituição de 1988 estava sendo abolido. Disse ainda que, como Direitos Trabalhistas é assunto constitucional, lei ordinária é inepta (caeté também é erudito) para modificar texto constitucional, e depois questionei se ele estava sendo apenas mentiroso, ou canalha? O resultado vocês já sabem. Fui expulso da palestra e solicitado a não mais botar os pés naquela universidade que diz pregar pela pluralidade e tolerância de pensamentos e ideias.

É nesse barco que nosso sindicalismo está. Precisamos, urgentemente, de um novo sindicalismo que se faça pelo sindicalizado e não se torne o algoz do sindicalizado para sustentar uma ruma de vagabundos e parasitas do trabalhador brasileiro.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

ELES TAMBÉM QUERIAM

Este fim de semana, estando eu na minha taba, coçando as carcundinhas de meus doguinhos, por algum abusão do Anhangá estava vendo as diatribes de petistas e defensores dessa seita satânica, sonhando com a volta do ladrão de estimação deles ao poder em Pindorama. São centenas, milhares de fedorentos e desocupados que sonham em transformar o Brasil em uma imensa Venezuela, ou mesmo em uma Coreia do Norte de proporções continentais.

Nessa hora, lembrei-me de um aforismo do facínora furunculoso, também conhecido como Karl Marx, quando analisando a França imperial de Luís Napoleão, ou Napoleão III, disse, e com bastante propriedade que a história se repete: primeiro como drama, depois como farsa. Nada mais verdadeiro e exemplar para os tempos que estamos vivendo, com a América Latina escorregando para a ditadura esquerdista.

Eu ouço o discurso de alguns desses acéfalos que acreditam na inocência do ladrão de nove dedos e fico a pensar: o que esse pessoal pretende ganhar com a defesa estúpida, insana e homicida de uma ideia que, na sua essência louva a morte, a despersonalização do indivíduo, a destruição da sociedade e a dilapidação do patrimônio do povo.

Possivelmente essas pessoas, principalmente estudantes profissionais que, já estão com cabelos brancos, pele enrugada, mas nunca saíram dos bancos universitários, nunca buscaram devolver à sociedade aquilo que foi investido em sua formação, mas acreditam que todos aqueles que trabalham e produzem algum tipo de riqueza, têm uma dívida histórica com eles. Escoram-se em discursos falaciosos de correção de injustiças sociais, de vitimização e glamourização da preguiça, do parasitismo e do “dolce far niente”, desde que seja com o dinheiro dos outros.

Esses tipos profissionais da esquerda acreditam que, uma vez havendo a ascensão de um regime totalitário, com um governo esquerdista, esses mesmos inúteis que não tem capacidade laboral alguma, serão alçados à direção de empresas estatais, de órgãos governamentais que decidirão o futuro de toda a nação. Que farão parte da nomenklatura partidária, encastelados em altos escalões, usufruindo de datchas, escolas e mercados privativos da elite.

Bem, crianças, deixem-me dizer uma verdade. É apenas um sonho. Foi um sonho durante o drama, e será um sonho durante a farsa. Explico-me. Após o golpe de estado russo em 1917 e superada a guerra civil, quando o desocupado invejoso, que atendia pelo nome de Lênin foi despachado para o quinto dos infernos, o tarado bigodudo da Geórgia começou a fazer aquilo que todo comunista mais sabe fazer: matar. Os seus cupinchas como Leon Trotsky, Lazar Kaganovich, Sergei Kirov, Lev Kamenev, Dimitri Zinoviev, todos queriam estar lá no alto, tornando-se dirigentes do partido e da nação.

Trotsky foi morto com uma picaretada nos cornos a mando de Stalin, Kirov tomou um tiro no quengo a mando de Stalin, Kamenev, Zinoviev acabaram quebrando pedra na Sibéria acusados de traição e Lazar Kaganovich desapareceu. Possivelmente abduzido por alguma raça alienígena comunista de algum universo paralelo. O recado de Stalin estava dado: o poder na União Soviética era dele, e quem quisesse seria, no máximo, guarda de trânsito em Moscou.

Em Cuba ocorreu a mesma coisa. Quando Fidel consolidou seu poder, mandou Camilo Cienfuegos em uma missão suicida dentro do país. Fidel sabia que Cienfuegos teria a mínima chance de sair vivo da situação, mas mesmo assim o mandou. O mesmo ocorreu com o porco fedorento que, segundo seus cupinchas tinha cheiro de rim cozido. Depois da aventura africana, mandou El Chancho para uma aventura na selva boliviana até o militar Mario Terán mandar ele fazer revolução na casa do capeta.

E a história vem se repetindo em todos os países em que a ideologia comunista é implantada. Uma vez que o tirano chega ao poder ele o toma para si. Não existe essa história de que o tirano comunista vai dividir o poder com alguém. A única coisa que ele vai dividir com seus comparsas é um campo de concentração, ou um ambiente de trabalhos forçados.

Mas a farsa tende a se repetir. Esses que defendem regimes assassinos como o comunismo serão recompensados sim. Alguns podem até chegar a ser prefeito de algum grotão perdido no meio do nada, mas para a maioria, o que vai sobrar será ser capataz em alguma fazenda coletiva, onde esse defensor, frustrado com a não realização de seus sonhos, despejará todo o seu ódio nos escravos que o regime terá.

E assim, crianças, dentro da farsa histórica que se desenha na América Latina, e, se não tomarmos cuidados, também no Brasil, o que veremos será uma horda de Mengheles, de Barbi, de Heydrich matando e se regozijando com o sofrimento dos escravos. A história se repetirá como farsa, mas para aqueles que viverão essa realidade dantesca, essa farsa será amarga.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

O HOMEM E A HISTÓRIA

Hoje fui novamente ao meu médico psiquiatra – médico de gente doida, em caeté popular -, ajustar medicamentos, conversar fiado e ser aconselhado por um profissional que tem idade para ser meu filho. Mas deixa isso para lá. Eu, e minha fiel escudeira, a Renata, afiliada de nossa confraria também foi, afinal, até o médico a gente partilha.

E, jogando conversa fora, observando o movimento da rua e fazendo maledicências que só cabem dentro do carro fui vendo a quantidade de venezuelanos nas ruas de Campo Grande. Em cada esquina, semáforo, ou cruzamento, há aquela placa com os dizeres “Sou venezuelano e estou com fome!”. Visto isso, não dei de ombro, mas desestimulo quem quer que seja a dar qualquer óbolo (gostou, Violante?). E tenho minhas razões e vou mais além: a minha total oposição ao programa do governo federal chamado Acolhimento.

Esse programa é, basicamente, abrir as fronteiras para que venezuelanos que estão fugindo da ditadura comunista do Maduro possam entrar, e aqui recebem apoio, relocação para outros centros urbanos, moradia e emprego. Aqui, na gloriosa Campo Grande, o governo municipal também lançou uma campanha de desestímulo a esmola, ao mesmo tempo em que oferece, via secretaria de assistência social, moradia, encaminhamento para emprego, roupas, roupa de cama e alojamento até a família se estabilizar.

Alguém pode pensar que eu sou de coração duro, um caeté insensível. Tudo bem… sou canibal. Gosto do Sardinha ao ponto, mas até para um canibal há limites. E, um desses limites se chama história. E explico, ao pequeno curumim que está sentado à beira da fogueira, ao meu lado, esperando o antebraço do Sardinha ficar pronto.

Lembro-me nos anos entre 1996 e 1998 quando o coronel tapado de Caracas que atendia pelo nome de Hugo Chavez tentou dar um golpe de Estado, foi preso, depois se convenceu que só poderia destruir a democracia, se estivesse dentro das entranhas desse processo. E, assim o fez. Com seus plebiscitos, consultas revogatórias, eleições até para o guarda de trânsito, foi roendo a democracia venezuelana, até ela ruir completamente.

Porém, o problema não era Chavez, mas sim quem o apoiava: Eram estudantes universitários, professores universitários, advogados, a imprensa em sua quase totalidade, os burgueses com vergonha e com remorso de serem ricos, mas que nunca trabalharam para conquistar essa riqueza, só receberam dos pais, os funcionários públicos daquele país quase todos seduzidos pelo canto de sereia, do dito “socialismo do século XXI”, todos os sindicatos com viés esquerdistas – que belo oxímoro -, parte significativa da hierarquia católica daquele país, professores da Educação Básica, doutrinados naquelas universidades que formavam militantes, mas deixaram de formar uma elite intelectual.

Pois bem…. quem a gente vê nas ruas do Brasil? Exatamente aqueles que faziam protesto a favor do chavismo, aqueles que apoiavam Hugo Chavez e sua loucura de socialismo do século XXI. Recentemente fui abastecer meu Poizé (assim chamo meu carro) e quem me atendeu foi um frentista venezuelano. Puxei conversa e fiquei sabendo que lá, no país dele, era engenheiro de petróleo e trabalhava na PDVSA – a Petrobrás da Venezuela -, tinha um salário e um padrão de vida invejável para a maioria da população, cheio de benesses. Sindicalista, apoiou o chavismo, até a hora em que a realidade o atropelou.

E, nas minhas andanças aqui pela gloriosa Campo Grande, já conheci professores universitários venezuelanos trabalhando como garçom, frentista. Já encontrei advogados, engenheiros, economistas venezuelanos trabalhando como pintores, serventes de pedreiro, encanadores, garis. Nenhuma dessas profissões é indigna quando exercidas com ética, seriedade e senso de dever. Todo dinheiro ganho com o fruto de seu trabalho é decente, limpo e glorioso. Mas, o que me incomoda é saber como essas pessoas estão fugindo de suas próprias histórias e da história do próprio país que eles ajudaram a escrever,

A onda de refugiados não é formada por pobres e miseráveis lá da Venezuela. Esses não tem para onde ir. Sua miséria é a prisão perfeita da vontade, da mente, da liberdade. Não. Esses que hoje estão chegando ao Brasil, e também na Colômbia, são exatamente aqueles profissionais e estudantes que, no passado levantaram a bandeira do chavismo, e lutaram pelo tirano. Conheço um jornalista, que trabalha como funcionário de mercado, aqui do bairro. Ele me contou que a redação do jornal dele era a mais militante por Chavez, na Venezuela, inclusive publicando somente notícias favoráveis. Hoje, esse mesmo jornalista pragueja Chavez e o deseja no “malebouge”, lá depois dos sete círculos infernais de Dante.

Em outras palavras, os venezuelanos fizeram todas as cagadas possíveis no país deles. Quando a coisa ficou feia, fugiram. Aqueles que podiam, naturalmente, já que um atravessador cobra até dois mil dólares para trazer eles próximos à fronteira do Brasil. E, dois mil dólares é coisa que nenhum pobre, seja de lá, ou de cá tenha. Ninguém foge à sua história, eu sempre digo isso. Os venezuelanos estão aprendendo da maneira mais dura possível, que defender o indefensável tem consequências. O que me incomoda é a visão de crianças esquálidas, quase esqueletos humanos com uma pele por sobre o corpo. Isso me dói na alma.

No entanto, sou da posição de que, você tem que ser responsável pelos seus atos e pelas suas escolhas. E, fica um recado para Pindorama e para aqueles que estão namorando com o totalitarismo e com a volta do petismo: ninguém foge à sua história. Com a América Latina quase toda nas mãos dos esquerdistas só sobraram o Paraguai e o Uruguai, mas acredito que, tal qual eu, eles não estão dispostos a receber, como onda de refugiado aqueles que, deliberadamente colocaram o lobo para tomar conta do redil.

Ninguém foge à sua história. Professores, sindicatos, profissionais liberais, estudantes. Essa é uma lição ao vivo que o socialismo está dando a todos, Deixar ser seduzido, ou não só depende de abrir a janela do carro, quando estiverem nas ruas e ler, com atenção aqueles cartazes garatujados, muitas vezes com um pedaço de carvão: Sou venezuelano e tenho fome! Essa é a lição que a história da Venezuela está dando ao povo dela. Essa é a lição que a Venezuela está dando a nós, brasileiros, em 2022.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

BENESSES

Janeiro começou bem, aqui no glorioso Mato Grosso do Sul, terra de gente brava, heroica, mas também de pulhas e safados, mas não quero falar sobre isso agora. Isso é assunto para outras quizílias. A que eu quero debater me deixou emputiferado por demais, não só pela cara de sem-vergonha que o “gunvernador” e seus puxassacos, também chamados de deputados estaduais fizeram com a população, sob aquele manto de “benefício social”. Benefício social é aquele tipo de mentira pregada por político que, aparentemente é um gesto de bondade destinado a uma determinada parcela da população, mas que, depois que se fazem as contas, vê-se que se colocou a pica do Polodoro, sem dó e sem vaselina no furico de toda a população estadual.

Neste ano de 467 d.S (depois de Sardinha), o nosso ilustre, magnânimo, benfazejo, altruísta, pundunoroso (de novo Violante…), excelentíssimo governador sancionou a lei que exime do pagamento de conta de energia elétrica aquelas famílias que já pagam a chamada tarifa social, ou que consomem até cerca de 100Kw ao mês de energia, por 12 meses, ou seja, 2022 todo. Nada a ver que este ano seja eleitoral, e que o governador quer a proteção da imunidade parlamentar, uma vez que a PF está até babando de desejo de botar as mãos nele, por causa de desvios de dinheiro do povo em várias malfeitorias no Estado e que envolvem até a mãe dele, como laranja.

A sanção da lei, acompanhada de um bando de “dirceus borboletas” – uma pequena alusão ao original Dirceu Borboleta, personagem vivido pelo grande Emiliano Queiroz e que defendia Odorico Paraguaçu em todas as suas safadezas e artimanhas -, todos se esfregando atrás do governador, buscando a melhor posição para as fotos, em que sairiam secundando (de novo!!!) o chefe. Aconteceu esse anúncio em um Centro de Exposições aqui de Campo Grande. Foi noticiado em jornais, em rádios, na televisão e até mesmo na infernet.

Dizem que “bom cabrito não berra”, mas, eu sou cabrito de outro redil e basta eu ver algo anormal para sair me esguelando como um doido. E, nesse caso, à revelia de outros cabritos, bodes, traíras, guaxinins, raposas e morcegos de outras opas, deitado na minha rede de imbira, coçando a carcunda dos meus doguinhos, catei a calculadora – caeté também é inclusão digital – busquei fazer as contas dessa “benesse dada” pelo governo. E aqui, crianças, vão desculpar, mas serei obrigado a recorrer a números para poder ficar melhor entendido.

A dita tarifa social, no MS varia entre 65 e 100 reais mensais de consumo de energia, então vamos tomar pelo valor máximo esse consumo. De acordo com a lei assinada, cerca de 190 mil unidades consumidoras deixarão de pagar, por 12 meses a tarifa de energia. Então vamos fazer as contas? 190.000XR$100,00 é igual a 19 milhões de reais por mês. Agora pegue esse valor e multiplique por 12, ou seja, 19 milhõesx12 é igual a 228 milhões de reais por ano que a empresa de energia deixará de arrecadar.

Mas não para por aí, há que se levar em conta a parte do Estado, que também come desse bolo, sem levantar um dedo para produzir algo de útil. Vamos ficar apenas no famigerado ICMS, ou Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviço. No MS, a tarifa desse imposto é de 23,47% sobre o valor total da energia consumida. Veja que aqui está excluso a Taxa de Iluminação Pública e a “Contribuição Social” para a expansão da iluminação rural. Numericamente são 1,3% de Iluminação e 17.73% da contribuição da eletrificação rural. Mas, vamos arredondar o ICMS para 23%.

Agora sim…. pegue esses 19 milhões mensais e faça uma regra de três bem simples, assim: 19 milhõesx23/100 é igual R$ 4.370,000,00, ou seja, quatro milhões e trezentos e setenta mil reais só de ICMS que o Estado vai deixar de arrecadar, afora os tributos municipais e as ditas contribuições. Mas, não acabou…. pegue esses 4.370,000,00×12, que é a quantidade de meses que o tributo não será recolhido e teremos R$ 52.440,000,00, ou seja, cinquenta e dois milhões e quatrocentos e quarenta mil reais de imposto.

Mas, alguém pode me perguntar: E, daí, Caeté? Ora, meu caro. Primeiro, a empresa de energia não vai abrir mão desse recurso, porque seus dirigentes não são burros, muito menos franciscanos, ou carmelitas descalços. Se eles tocam um empreendimento querem lucrar com sua atividade. Aí eu digo, como diria aquele coronel da novela: É justo, é muito justo, é justíssimo. Se a empresa não vai abrir mão desse recurso, quem vai pagar a ela? Tcharam!!!! O Estado! Mas, como o Estado não gera riqueza, não produz dinheiro, não cria um miserável centavo de renda, quem vai pagar são os demais Nhambiquaras, ou seja, toda a sociedade que não está enquadrada na dita “tarifa social”.

Além do mais, empresas que já pagam uma conta salgada de energia, e vai ter que pagar mais, desestimulando a geração de emprego. Posso dizer a vocês. Minha conta de janeiro, de energia, chegou a 500 reals (em caeté popular), facim, facim. Mas há empresas no Estado que consomem esse valor em energia, por dia. Eu vou ter minha conta de energia aumentada, além dos 23% autorizados pela Aneel, neste ano de 2022, para “ressarcir” a empresa de energia e ela poder continuar a prestar serviços de distribuição às ditas “unidades consumidoras”, um eufemismo para casas e empresas.

Parou por ai? Nada. Não se esqueçam que o Estado também não arrecadará cerca de 52,4 milhões de reais em um ano. Ah, então ele vai enxugar as suas despesas, economizar e reformar seus gastos? Como diria Haroldo, o hétero: Tolo, tolinho! Estado, ou Poder Público, seja de que esfera for nunca prima pela economicidade, pela racionalidade. Lembro-me até em uma discussão no meu grupo de doutorado. Um colega estava dissertando sobre a literatura erótica e pornográfica. Disse a ele que, se quisesse ler pornografia pesada, bastava acessar o Diário Oficial, da União, dos Estados e mesmo dos municípios. Não há, nesses jornais, uma linha sequer escrita que não implique em gastos, em onerar o cidadão que paga para um bando de desocupados e preguiçosos passarem o dia sem nada fazer.

Então, de onde vocês acham que sairá, também, o dinheiro para cobrir os milhões deixados de arrecadar, só com o ICMS? Se alguém disser, o otário contribuinte do Mato Grosso do Sul vai ganhar uma espiga de milho, com tripla função: limpa, coça e penteia. Sendo um pouco mais aberto, até aqueles, supostamente beneficiados deixando de pagar conta de energia, terão que gramar para pagar comida mais cara, transporte mais caro, combustível mais caro, material escolar mais caro, etc.

Isso nos deixa uma profunda lição. Toda vez que um político propor uma benesse, ou um benefício tendo em mente altos padrões de moralidade, em beneficiar a camada mais pobre da população, e vier falar isso para você, meu caro curumim, olhe bem nos olhos dele e mande ele procurar o Polodoro, se é que vocês me entendem. Chega dessa hipocrisia de se criar benefícios, apenas para posar de bom e amigo do pobre e do necessitado. Eu acredito que governo que propor uma medida dessas deveria ser pendurado pelos calcanhares em praça pública. Ele não quer te beneficiar coisa nenhuma, ele quer é tirar proveito da sua miséria e da sua indigência. A conta, depois, fica salgada demais para ser paga.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

QUI-QUI

Essa eu ouvi já a um bom tempo, quando eu ainda tinha cabelos negros, conseguia mijar na altura dos ombros e fazia concurso de quem pinchava a gala mais longe. Hoje, se eu não mijar nas minhas pernas, e somente nos meus pés já é lucro. Isso para que vocês saibam quando eu ouvi essa história, e que, por sinal já era dos tempos de antanho (Esse preciosismo é para a Violante Pimentel!) – eu acho que aconteceu mesmo – em uma dessas cidadezinhas do interior daqui do Mato Grosso do sul, região que os soldados de Lopes chamavam de Ñe Guaçu, antes de serem tomadas por Caxias. Lugar em que as pessoas usavam portas e janelas só porque nas cidades grandes se usavam. Hoje se tem a mania de colocar grade, cadeado, fechadura com trava eletrônica e segredo e transformaram as praças e jardins em depósito de lixo e as casas em casamatas.

O “causo” foi que ocorreu um crime de sangue em uma cidadezinha aqui do Mato Grosso do Sul – cidadezinha educada, criada a licor mimoso, dada a esses educativismos e vassalagem só registrada em contos da carochinha. Cidades dessas onde as pessoas dão bom dia até para sombra de cavalo, onde as véias são os melhores circuitos de segurança do que qualquer tipo de tecnologia inventada, ou Xing ling.

Pois bem, feita a diligência do caso, preso o acusado, que gramou duas tardes e duas noites no justo corretivo do delegado Irineu Bacamarte. Para o delegado, não importava o confessionismo gratuito do meliante. Todos passavam na palmatória, para melhor ofício da justiça e do bom ministramento da lei. Feita a confissão, com o réu mais escangalhado que armarinho de berloques em lojas de trapizongas onde se acha de tudo, armou-se o circo, digo, armou-se o júri para a execução da justiça dos homens, já que a justiça divina, segundo o delegado Irineu, era lá do agente criminosista com Nosso Senhor Jesus Cristo. O juiz, desses de fornada nova, com os canudos ainda úmidos das sabatinas, sério e fechado mandou o meirinho, uma vez formado o picadeiro do julgamento, fazer a chamada dos jurados, tudo em ordem alfabética, formado pelos mais ilustres cidadãos da cidade.

Cidadãos importantes, com as burras forradas de várias pelegas de cem mil réis, com mando até na capital e em sala e saleta de governo. Alguns ainda cultivavam aqueles bigodes encerados à brilhantina, bota de couro e cinto de fivela grande. Todos assentados, começou o meirinho a fazer a chamada dos jurados que iriam ser o juiz de fato da questão. Delegado Irineu sentava-se na primeira fileira de bancos, repimpado, com os dois colt prateados com cabo de madrepérola no coldre, feliz por ter “abrido” e “fechado” – palavras dele – o caso em somente dois dias, vinte oito dias aquém do prazo dado pelo juiz. E começou a dita chamada:

– Arnaldo Faria de Souza;

– Presente!

– Bento de Lima Albuquerque.

– Presente!

– Cacildo de Souza Teixeira;

– Presente!

– Deusdélio dos Santos Ximenes;

– Presente!

– Fortunato Jaguariúna Cornélio;

– Presente!

– Qui…Qui…

E pulou esse nome….

-Robércio de Moura Matos

– Presente

– Waldir de Lima Constante;

– Presente!

– Zenóbio de Frias Cançado;

– Presente.

– Qui…Qui… perdão meritíssimo, mas não vou ler esse nome, não.

– Pois é uma ordem, se é um jurado tem que ser chamado, fuzilou o juiz, por baixo de um bigodinho que parecia um caminho de lacraia, e que depois o Coronel Ponciano, chefe político da cidade chamava de safadeza sem-vergonhista.

O meirinho encheu o peito, pigarreou e tascou lá….

– Senhor Quinhentos Réis de Bosta;

– Um bigode graúdo, desses que se pode fazer três perucas e um espanador com os cabelos das ventas, levantou-se do lá do fundo do banco dos jurados, colocando seus dois metros de responsabilidade em cima das botinas e respondeu…

– Presente, sob protesto meritíssimo…. meu nome é Quirino Reis de Bastos.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

FAMOSO… QUEM?

467 d.S. começou estranho para este caeté. Andei sumido um par de semanas, pois estava fazendo o kuarup com alguns colegas Xingu, lá no alto do Mato Grosso, comemorando a passagem de alguns membros da oca para o plano espiritual e para junto de Tupã. Mas, como tudo que é bom dura pouco, tive que voltar à minha taba, à minha rede de imbira, e se arresolvi passear pelas ditas redes sociais, pelas páginas de fofoca e pelas inutilidades que a botocúndia sempre nos presenteia. E, lá, tomei contato com o mundo dos famosos, mas famosos quem, mesmo?

A sensação do final do ano passado foi uma tal de G kay….até fiquei-se-me intrigado…. quem, em sã consciência adota como nome uma queda??? Esse Kay aí, seria mais um cai, mesmo. Mas como estava espiritualizado peguei-se-me pensando que, talvez deveria ser alguém que descobriu algo de fenomenal, criou uma ferramenta que revolucionou o mundo, trouxe benefícios para toda a humanidade, propôs uma teoria que modificou radicalmente nossa visão do universo.

Depois, para a minha decepção…. enchi o quengo de caium quando soube a verdade….descobri que a tal da G Kay é famosa porque é uma “influencer” na língua de Chaucer, ou seja, uma influenciadora digital, seja lá o que isso signifique. E, ficou famosa porque fez uma farofada que custou cerca de dois milhões de reais, onde o parâmetro de façanha era ter dado, ou comido o maior número, não de prato de farofa, mas de gente. Nesse rega-bofe para o qual não fui convidado, e se serviu Sardinha à rodo, cozido, grelhado, assado, frito, e até mesmo cru, teve gente que saiu se “gambando” de ter “ficado com 22 pessoas durante a festa. Haja bacurinha para aguentar 22 em uma noite.

E esse assunto continua rendendo até hoje e tem artista e subcelebridade já na expectativa de ser convidado para a próxima festa da tal da G Kay, seja lá o que isso significa. Nessa eu to fora. Apesar de gostar de farofa, ela me dá azia. Prefiro o tutano do Sardinha com batata…. tem mais sustância!

Depois fui ver a fofoca que contava que uma artista… quem mesmo??? Foi levada de avião para as Bahamas pelo filho do Faustão, e que dali sairia um namoro. Li aquilo como que, meio não acreditando… mas, depois perguntei de mim para mim mesmo…. e daí??? Esse é o tipo de informação mais importante do que conhecer a lei da gravidade, ou mesmo em saber as leis de trânsito da caetelândia, que já não são grande coisa, mas ainda nos mantém como botocudos meio abestalhados, achando que somos civilizados.

Não sei quem é o filho do Faustão, que instrumento ele toca, e nem mesmo quem é essa moça que ele tá doido para passar a piroca nela. Não sei e nem quero saber. Mas, o que impressiona é que televisão, canais do iutube, facebugre, e outras presepadas do tipo dão importância a algo como isso. Fico a pensar…. se o Sardinha estivesse vivo hoje, ia ser preferido ser comido de novo a ler tamanha quantidade de bobagem. E, mais uma vez se me perguntei: esses são os famosos quem mesmo?

Uma última informação – na verdade fofoca -, foi feita com a família Pôncio e a separação do cantor Saulo Pôncio e sua mulher. Ele e a família são os ditos evangélicos…. eu os chamo de “kakangélicos”, do grego khakós… mau, horrível, feio. Desse tipo de gente que frequenta essas bocas de fumo espiritual, que eles chamam de igreja, cantam umas músicas de verso de pé quebrado, sem conteúdo espiritual, mas fazem muita fama e sucesso no mercado dito gospel.

E, mais uma vez, confessando toda a minha “inguinorância” caeté se me perguntava…. mas, afinal, quem são esses Pôncios, o que eles fazem e porque esse estardalhaço. Aí matei a charada. A moça casada com esse tal Pôncio levou uma nascida de galhada bem no meio do quengo, e descobriu os chifres, não no recesso do lar, mas em rede social, como aliás, os chifres são postos e descobertos nesses chatos anos 2000.

Então, chegando em casa e vendo essas fofocas e “notícias” das mídias, eu me senti mais por fora que dedão de franciscano, apesar de ser caeté, e os únicos missionários cristão que chegaram por essas bandas, a gente jantamos eles, arrodeados na fogueira, que como todos vocês, crianças, sabem, foi o bispo Sardinha. Esperamos que esses ditos, famosos quem, mesmo? por aqui apareçam. Temos um bom espeto para eles. Enquanto isso, vou contibuar catando carrapato na carcunda dos meus cachorrinhos, vendo o circo brasilis pegando fogo.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

GERAÇÃO SUICIDA

Esta semana fiz algo que detesto… fui fazer o meu “rancho” mensal em um atacadista e, de quebra, fui ao shopping em anexo, junto com a Renata. E, ficamos a observar as crianças e adolescentes, os chamados de “millenials”, ou seja, aquelas pessoas nascidas do ano 2000 para cá. Crianças, adolescentes e jovens andando pelas lojas, nas praças de alimentação, saindo de academias com suas roupas de marca, seus Iphones com numeração que chega ao milhão, mas que é igual ao anterior, só o preço é que é estratosférico.

E, nesse pensar, peguei-se-me matutando nessa geração e cheguei a uma constatação estarrecedora e preocupante: o ocidente está prestes a ver o número de suicídio de jovens e adolescentes crescer de maneira exponencial em relação às gerações passadas. Não quero aqui trazer dados estatísticos, ou mesmo falas de especialistas como uma forma de comparação entre uma e outra situação. O que quero é fazer uma reflexão com vocês sobre como essa geração, e de forma mais aguda, a próxima, será campeã em suicídios.

Mas, como todo bom caeté, é necessário a gente comer o Sardinha por partes, assim não estraga a carne e nem os demais indígenas da taba Pindorama ficam com indigestão. Há uma base bastante sólida nesta minha digressão para afirmar, ainda que de forma temerária, essa constatação que é fruto de um processo pensado para se chegar a esse estado de coisa que está se aproximando de nós. Apesar disso, ainda temos alguns bastiões de serenidade em Pindorama, alguns pontos de resistência que estão sendo atacados de forma encarniçada, todos os dias, a toda hora.

A geração “millenial” pode ser caracterizada como um movimento que não é etário, mas sim comportamental, social e judicatório. A geração que hoje está entre 07 e 20 anos cresceram em um ambiente em que dizer “NÃO” se tornou quase um crime. Um ambiente em que regras, limites, posturas, fronteiras, simplesmente não existem. Os seus pais caíram na lorota de que impor limites é “castrar” a criatividade, os sonhos e as potencialidades dos seus filhos. O resultado é uma geração mimada, que não sabe ouvir não, infantilizada, melindrosa e fútil. Uma geração cujo mundo não passa da tela de um celular e cujas experiências da vida são aprendidas em redes sociais. E é aí que mora o perigo.

Os pais dessa geração, contradizendo toda a educação que receberam, deixaram que a televisão, as redes sociais, psicólogos, pseudofilósofos, educassem seus filhos. E, essas pessoas foram minando a estrutura da família, de maneira que os filhos passaram a ser um sol em que todos devem gravitar ao seu redor, e suas vontades devem ser feitas, quase que de imediato. Nas escolas, a figura do professor, até então, detentor do saber formal, foi contaminada com a lorota de que “aquele que ensina, de repente, também aprende”, nivelando todos em um igualitarismo absurdo e sem sentido.

O resultado é que, nas escolas, o professor perdeu o seu status de “professor”, e passou a ser “educador”, assumindo a responsabilidade de ensinar respeito, civilidade, limites, honra, ética, para seus alunos, enquanto seus pais, os legítimos responsáveis por essa educação, ficam confortavelmente prometendo viagens, celulares novos, férias em praia caso seus rebentos passem de ano e não deem dor de cabeça a eles. Os pais dessa geração criaram crianças e adolescentes para os quais estudar não é uma forma de crescimento intelectual e pessoal, mas somente um meio de se conseguir satisfazer desejos mesquinhos e fúteis.

Aliada a essa visão de mundo, o movimento politicamente correto, associou-se ao sindicalismo comportamental militante e criou outros melindres e absurdos que essa geração tem consumido e adotado como se sua fosse sua: chavões absurdos como “palavras machucam”, “dívida histórica”, “coitadismo”, “vitimismo social”, “respeito às minorias”, “aceitação” a comportamentos que, na minha geração, eram inaceitáveis, já que faziam parte da vida privada, e sua demonstração pública era vista como algo censurável. Não por causa das pessoas em sim, mas por causa do respeito às demais que estavam ao redor.

Na manhã de hoje estava vendo duas situações absurdas nos jornais: a primeira, o depoimento de uma mãe que declarou criar sua filha sem nenhum limite: sem horário para dormir e acordar, sem obrigação de ir para a escola, sem imposições de limites, sem disciplina entre atividades diária. E ainda declarou: “Se ela quiser dormir às cinco da manhã e acordar às quatro da tarde, não há problema”. O segundo caso foi de outra mãe dizendo sentir-se orgulhosa do filho de cinco, isso mesmo CINCO anos de idade, sentir-se uma menina e apoiar ele a fazer a transição de comportamento. Recuso-me a usar gênero: Na espécie, somos de um único gênero; o humano. E, no cotidiano, apenas palavras possuem gênero. Seres biológicos possuem sexo, e quero ver quem me prova o seu contrário.

Essas coisas que vi e li aprofundaram ainda mais a minha reflexão sobre essa geração chamada “millenial”. Posso dizer, com certeza, que se trata de uma geração fraca, frouxa, infantilizada, feminilizada no homem e masculinizada na mulher, com uma erotização precoce de crianças. Ontem no referido shopping vi meninas entre 7 e 11 anos vestindo-se de uma forma sensual que não entendo. Micro shorts, micro blusas, maquiagem carregada. Os meninos entre 9 e 13 anos, vestindo quase roupas femininas e com comportamento feminilizado.

Sem os pais, com celulares do momento nas mãos, tirando fotos – alguns chamam de selfies, mas no meu tempo era fotografia mesmo -. Captei parte do boquejar deles… assunto insosso, sem sentido algum, sem perspectiva alguma, sem desejos de futuro algum. Foram apenas momentos e fios de conversa que meu ouvido vadio ouviu, mas já deu para perceber uma coisa: essa geração não conversa com seus pais, não questionam seus pais, não se aconselham com seus pais. Mesmo porque os pais preferem dar dinheiro, presentes caros, badulaques para os filhos e se furtar à tarefa de educá-los e prepará-los para o mundo.

O corolário de tudo isso é que essa geração, ao não ter limites, a não aceitar um não, ao primeiro revés que a vida der, não irá aguentar. Se hoje, qualquer contrariedade é motivo para se correr ao psicólogo, ao terapeuta, amanhã, quando a Vida der as primeiras cacetadas, não haverá papai, nem mamãe, nem psicólogo. Uma geração que não aprendeu a ter limites, que não aprendeu a lidar com negativas e com frustrações do cotidiano, que não aprendeu a se calejar e a engrossar o couro na lida diária de não. Não pode. Não vai. Não dá. Não permito! Estará fadada a cair em uma espiral de depressão e frustração, cuja única saída será o suicídio.

Esse é, para este velho caeté, o maior temor que a geração de “millenials” deixará para o futuro dela mesma!