ALEXANDRE GARCIA

O QUE O EX-PRESIDENTE DO BRB VAI CONTAR NA DELAÇÃO?

delacao premiada brb

BRB tentou comprar Banco Master em 2025, mas negócio foi vetado pelo Banco Central

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Roberto Costa, que está preso na Papuda, encaminhou pedido ao ministro relator André Mendonça para fazer delação premiada. Ele quer ir para uma outra prisão, não ficar na Papuda, que ele deve conhecer bem, porque mora em Brasília. Espera-se que o ausente ex-governador Ibaneis Rocha apareça nessa delação. Ibaneis se licenciou para fazer campanha para o Senado, mas sumiu, nem campanha está fazendo. Estão até projetando “Onde está Ibaneis?” em prédios de Brasília. Deve surgir muita novidade, porque o ex-presidente do BRB não ficará sozinho nessa história de o banco estatal do Distrito Federal comprar o Banco Master.

* * *

Alta do endividamento é culpa do governo, não do Banco Central

O Banco Central informa que as famílias brasileiras estão cada vez mais endividadas. A renda familiar está comprometida em quase 30%, e o endividamento chega a quase metade do que as pessoas ganham; estão no vermelho. O problema é que isso aumenta a inadimplência e, com isso, os bancos também se protegem, dificultam cada vez mais os empréstimos, e a coisa só piora. Lula está preocupadíssimo com isso, está pensando em planos para renegociar dívidas, porque a campanha eleitoral se mistura com o desempenho do governo. E o responsável por essa situação de endividamento e inadimplência não é o Banco Central, é o desempenho desse governo gastador, que, para suprir o caixa, tem de lançar papéis no mercado e pagar juros. O Banco Central é obrigado a manter a Selic alta para não estourar ainda mais a inflação.

* * *

Correios pagam o preço das nomeações políticas

A administração do general Floriano Peixoto, no governo Jair Bolsonaro, rendeu lucro aos Correios, que vinham de déficit. Agora, os Correios estão novamente no buraco: só no primeiro trimestre deste ano já foram R$ 3,4 bilhões de prejuízo. No ano passado, foram R$ 8,5 bilhões. O que é isso? É consequência da nomeação de apadrinhados políticos e não de técnicos, que tenham condições de administrar o que não é deles, mas de todos nós. Os Correios, sendo uma empresa pública, pertencem ao público, ao contribuinte, ao eleitor e ao cidadão brasileiro.

Na Petrobras, é o povo brasileiro que tem a maioria das ações, por meio do Tesouro Nacional. É uma empresa de capital aberto, mas “meteram a mão” na Petrobras, como vimos na Lava Jato. O Supremo, por causa do CEP de Curitiba, acabou derrubando toda aquela sensação de que iríamos punir a corrupção, e deixou a sensação reversa, a da impunidade.

* * *

Gilmar Mendes virou cabo eleitoral de Romeu Zema

O ex-governador de Minas Romeu Zema esteve na Agrishow. Foi recebido lá, à custa de quem? Gilmar Mendes, que agiu como marqueteiro de Zema. O ex-presidente Michel Temer disse que Gilmar não deveria ter respondido. Pois o ministro não só respondeu como dobrou a aposta; deu muitas entrevistas detonando Zema. Virou um grande cabo eleitoral do mineiro; não era a intenção dele, mas foi, no mínimo, um pouco ingênuo da parte de Gilmar se expor nessas entrevistas.

* * *

Os caminhos estranhos do dinheiro que ligam a JBS, Toffoli e o Tayayá

Não tem como não ficarmos horrorizados com a notícia que o Estadão publicou, sobre os R$ 11,5 milhões da JBS e da J&F que foram para o escritório de advocacia de uma advogada desconhecida de Goiânia, que tinha movimentação mensal de R$ 9 mil. No mesmo dia, o dinheiro foi para um advogado que, tempos depois, comprou de Dias Toffoli as cotas do Tayayá. E, no mesmo mês em que o dinheiro da J&F entrou na conta da advogada, Toffoli perdoou uma multa de R$ 10,3 bilhões da J&F. Será que foi mera coincidência?

ALEXANDRE GARCIA

SABATINA E ANÁLISE DE VETO: SEMANA CHEIA NO CONGRESSO

congresso nacional dosimetria messias

Semana no Congresso tem sabatina de Jorge Messias e análise de veto de Lula à lei da dosimetria

A semana promete. Primeiro, teremos a sabatina de Jorge Messias e a votação no Senado. Se o Senado é quem aprova ministros do Supremo Tribunal Federal, também tem o poder de reprovar, se ele não tem mais a reputação ilibada – o que é o caso de dois ou três ministros do Supremo neste momento. Na sabatina precisam exigir notável saber jurídico: está no artigo 101 da Constituição. O indicado tem de ser praticamente um Rui Barbosa. Do contrário, o Supremo afunda, cheio de gente que só está lá por favorecimento, por ligação com o presidente da República. Ser advogado do presidente não significa que seja um notável jurista, e compete ao Senado avaliar isso.

* * *

Veto de Lula à dosimetria tem tudo para cair

Depois, na quinta-feira, teremos a votação da dosimetria. O Congresso aprovou lei dizendo que a pessoa não pode ser condenada e receber duas ou três penas por um único crime – ou um suposto crime, no caso desse golpe de Estado que não houve. Por exemplo, um homicida que usou um revólver ilegal não pode acumular as condenações por porte ilegal de arma, posse ilegal de arma e homicídio. Será condenado só por homicídio, que é o crime maior. Mas o presidente Lula vetou isso, e o veto certamente será derrubado. Basta somar os votos que aprovaram o projeto de lei na Câmara e no Senado.

Com o veto derrubado, as penas serão muito reduzidas e não teremos mais casos como o da dona Maria de Fátima, de Tubarão (SC), que foi condenada a 17 anos só porque disse que ia “quebrar tudo e pegar o Xandão” no 8 de janeiro. Isso é pena de homicida. Ela não estava armada, não sabe nem sequer o que é golpe de Estado. Certamente não estava envolvida em nenhuma conspiração; foi lá e se engajou naquele tumulto, furiosa. Interessante que, se ela disse que ia “pegar o Xandão”, o ministro Alexandre de Moraes não poderia ter votado para condená-la, porque ele seria a vítima do crime. É assim desde sempre, sabemos disso.

* * *

Lula boicota evento do agro, mas oposição prestigia em peso

Também nesta semana temos a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), um grande evento do agronegócio, que hoje é a atividade econômica mais importante do país. O agro garante que possamos importar, porque nos dá as divisas para a balança de pagamentos. A Agrishow começou no domingo; o presidente da República estava em São Paulo no domingo, mas voltou para Brasília, não foi ao evento. Lula não gosta do agro, já disse que o agro é “fascista”, e o agro também não gosta dele. Mas Tarcísio de Freitas estava lá, Flávio Bolsonaro foi nesta segunda-feira, Ronaldo Caiado e Romeu Zema também são esperados, vai todo mundo. É um acontecimento político e econômico da produção brasileira.

O setor produtivo, aliás, precisa estar atento – e o governo brasileiro também, porque estamos vendo um desestímulo à produção. De 123 países listados pelo FMI e pelo Banco Mundial, 111 cresceram mais que o Brasil entre 2010 e 2024. Estamos na rabeira. Se o Brasil quiser empatar em renda per capita com o Uruguai, terá de crescer mais de 9% por ano nos próximos dez anos, o que seria um milagre econômico. Vejam, então, a situação do Brasil. E ainda por cima a inflação já está voltando para perto do limite máximo da meta, o endividamento das famílias é crescente, os juros estão lá em cima. Por quê? Porque o governo gasta demais, gasta mal e não presta bons serviços públicos.

ALEXANDRE GARCIA

OS SINAIS QUE NÃO FECHAM

Está sendo muito falado mais um possível vínculo entre Moraes e Master, ou Moraes e Vorcaro. A partir daquela conversa entre Vorcaro e sua então namorada, em que ele diz que está recebendo, no apartamento em Campos — no caso, Campos do Jordão —, o ministro Alexandre de Moraes.

* * *

A conversa que levanta suspeitas

E ela pergunta: “e aí? Ele gostou do apartamento?” É uma pergunta que só cabe se alguém está vendendo o apartamento, alugando o apartamento ou, enfim, apresentando o imóvel para alguém.

Se eu fosse dar uma gravata para alguém, e depois essa pessoa comentasse com algum amigo meu, perguntaria: “e aí, ele gostou da gravata?” A menos que Moraes seja um admirador de decoração de interiores. Ficou estranho.

* * *

Contratos milionários sugerem possíveis contrapartidas

E o que está se noticiando é que a Polícia Federal está investigando para saber se Moraes, além do contrato de R$ 129 milhões, ainda recebeu imóvel ou imóveis. Lula recebeu um triplex no Guarujá, um sítio em Atibaia.

Enfim, indiretamente, sim, porque, com o dinheiro da mulher de Moraes, com aquele contrato, já recebeu no escritório da família. Foram R$ 80 milhões, e ele comprou uma mansão em Brasília de R$ 12 milhões.

Então, indiretamente, já foi um presente. Isso tudo está sendo investigado. Moraes e Toffoli estão em um beco sem saída, porque todo mundo viu Toffoli blindando, congelando.

* * *

O papel de Toffoli para travar o inquérito

Quando ele era relator do inquérito do Master, o inquérito não andava, estava tudo parado. A Polícia Federal não podia fazer nada.

Ele assumiu aquilo e disse: “é meu, esconde, esconde tudo, não mostra para ninguém; se fizer busca e apreensão, não mostra para ninguém, fica às sete chaves.”

Só depois, pelo ruído da opinião pública invadindo o Supremo, o tribunal colocou Toffoli em uma situação em que ele teve que abrir mão disso.

Se declarar, obviamente, impedido, já que a empresa dele e o Tayayá receberam aportes de R$ 25 milhões, R$ 30 milhões, R$ 35 milhões. Entre esses grandes aportes, constam os do próprio Master, do Vorcaro.

* * *

Delegado em missão nos EUA cometeu dolo eventual

Bom, e uma outra coisa: esse delegado que estava lá, arapongando, dedurando o ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos.

Foram investigar quem é o delegado Marcelo Ivo e descobriram que ele estava usando um carro importado que tinha sido apreendido pela Polícia Federal. Estava usando o carro, estava embriagado e atropelou uma pessoa — um vigilante —, que morreu.

Isso se chama dolo eventual, porque, ao beber, a pessoa assume o risco de causar dano a alguém ou a algum patrimônio. O nome disso é dolo eventual.

E, ainda assim, ele foi premiado com essa missão na Flórida, que dá direito a diárias, pagamento em dólar. Morava em um apartamento excelente, dava festas.

Parece que a arapongagem dele acabou por chamar a atenção para tudo isso — senão, passaria despercebido.

ALEXANDRE GARCIA

EX-PRESIDENTE DO BRB ACENA COM DELAÇÃO E PODE ESCLARECER CASO MASTER

Paulo Henrique Costa BRB delação banco master

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa

A cada dia que passa, descobrimos mais estragos causados por Daniel Vorcaro e pelo Banco Master. A Polícia Federal executou seis mandados de busca e apreensão no município paulista de Santo Antônio da Posse; R$ 13 milhões do fundo de previdência do município, dinheiro dos funcionários municipais, estavam no Master. Cinco diretores foram alvo de busca e apreensão para apurar se houve propina ou alguma outra ilegalidade; se a PF foi até lá, é porque há indícios muito sérios.

Em Brasília, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, que estava comprando o Master junto com o governador Ibaneis Rocha e está no presídio da Papuda, quer ser transferido para outra prisão, para fazer uma delação. Ele está disposto a contar tudo, e isso vai envolver muita gente em Brasília. Ibaneis, muito prevenido, já sumiu; ele já tinha se afastado do governo para ser candidato ao Senado, mas essa candidatura, pelo jeito, já era.

* * *

Continuam achando que vamos produzir a mesma quantidade de riqueza trabalhando menos

Passou na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara o fim da escala 6×1. Vamos trabalhar menos, 40 ou até 36 horas semanais em vez de 44. Passou em votação simbólica. Acho que a oposição está julgando que será bom discutir isso na campanha eleitoral, para ressaltar o absurdo de se imaginar que vamos trabalhar menos ganhando a mesma coisa. O empregador vai pensar: “por que eu vou pagar por horas que não foram trabalhadas?” Ele vai ter de aumentar o preço do que produz ou do que vende; não há outra saída. O povo todo vai pagar essa conta nos preços, ou a economia não resiste. Não há almoço grátis, não há como trabalhar menos, vender menos, produzir menos e ter o mesmo resultado. É impossível.

Essa discussão interessa ao país inteiro. A mudança na jornada afetará a economia como um todo, especialmente os empregos e salários. Será que uma empresa, para sobreviver, terá de demitir todo mundo e contratar quem aceitar receber menos para fazer aquele mesmo serviço?

* * *

Xingar o presidente dos Estados Unidos é coisa de república de bananas latino-americana

Em mais um vexame para o Brasil, nosso presidente imita Nicolás Maduro nos xingamentos a Donald Trump. Já repararam que o russo e o chinês não fazem isso, só o latino-americano? Abaixa o nível, pega mal. E Lula, nesta viagem pela Europa, criticou os Estados Unidos até pela a invasão do Iraque, porque alegaram que Saddam Hussein tinha armas químicas, mas não tinha. Mas George W. Bush confidenciou a Lula no fim de 2002 que iria invadir o Iraque, e Lula não disse nada. Foi em um encontro na Casa Branca, e uma pessoa, que estava presente nesse encontro, me fez o relato: “Bush confiou em Lula dizendo: ‘Nós vamos invadir o Iraque. Não se meta. Mas a gente não se mete também com o Chávez. Lide você com Chávez’’. O Brasil acabou ficando amigo de Chávez e, depois, de Maduro, dando um vexame atrás do outro na política internacional.

ALEXANDRE GARCIA

SUPREMO QUIS SER TRIBUNAL POLÍTICO E AGORA PAGA O PREÇO

stf tribunal político

Vejam só a tragédia do Supremo, que se tornou um tribunal político. Todas as suas manifestações são as de uma corte política. No entanto, os ministros não tiveram o voto da origem do poder, que legitimasse um poder político. O STF deveria ser um tribunal técnico; ao menos é o que está na Constituição. Mas Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes estavam imaginando um papel político para o Supremo e assumiram isso; assumiram até o poder – que eles não têm – de mudar a Constituição, de fazer leis, de impedir que o presidente da República fizesse nomeações para cargos de confiança, como foi o caso de Alexandre Ramagem na Polícia Federal. E os ministros estão pagando por isso agora, porque, ao se tornarem políticos, tornaram-se violáveis.

O ex-governador Romeu Zema vem falando nos “intocáveis de Brasília”. O Supremo era respeitado como tribunal; os juízes atravessavam uma ruela que passava entre o plenário e o prédio principal, e as pessoas cumprimentavam. Os ministros do STF frequentavam shoppings em Brasília e eram muitas vezes abordados para uma foto, ou muitas vezes não eram nem sequer reconhecidos. Hoje todos sabem quem são, e eles não podem sair para a rua. Estão pagando o preço da vulnerabilidade de ser políticos.

O próprio ministro Alexandre de Moraes definiu isso uma vez: quem não quiser ser criticado, ser satirizado, ironizado, que não se meta na vida pública, disse ele. Pois os ministros resolveram assumir o papel político, e deu nisso: deixaram de ser respeitados, embora Zema esteja demonstrando que eles se consideram intocáveis. Ficou mal para o Supremo se tornar um tribunal político.

* * *

Abortismo de Jorge Messias o desqualifica para ser ministro do STF

Jorge Messias quer esse papel também, quer ser ministro do Supremo. Ele é o advogado-geral da União, foi advogado auxiliar de Dilma Rousseff. Ninguém nem sabia quem ele era, a ponto de todos terem entendido “Bessias” naquele telefonema em que Dilma avisava sobre um termo de posse para Lula virar ministro e escapar da Lava Jato em Curitiba. A Constituição exige notável saber jurídico, mas Messias nem notável é, quanto mais ter notável saber jurídico. Não é uma referência na academia, nos tribunais, em publicações, em defesas de teses; não é um grande nome do mundo jurídico brasileiro.

Mas há outras coisas graves que o desqualificam, e um amigo meu que escreve no Estadão abordou esse aspecto: é o caso da assistolia fetal, a prática em que um bebê no útero da mãe é assassinado com uma injeção no coração. O Conselho Federal de Medicina proibiu terminantemente os médicos de cometerem esse assassinato, sob pena de perder o registro. Mas houve reação – sempre da esquerda ou da extrema esquerda –, o caso foi ao STF, pediram um parecer da AGU, e Messias respondeu que o CFM está errado, que pode matar, que não tem problema.

Isso é gravíssimo porque atenta contra o direito à vida, garantido no artigo 5.º da Constituição, cláusula pétrea, além de ser do direito natural. Se o feto não tiver cérebro, se a mãe puder morrer por causa da gestação, ou em caso de gravidez resultante de estupro, a lei não pune. Mas abortar simplesmente porque é a vontade de alguém que deseja se livrar da gravidez, isso é assassinato. Assim como também foi assassinato – e eu assisti a isso – quando se dizia na televisão que não havia tratamento para a Covid. Quantos milhares não morreram porque não quiseram lhes oferecer o tratamento? Não dá para esquecer disso.

ALEXANDRE GARCIA

MASTER E BRB: INVESTIGAÇÃO EXPLODE NO GOVERNO DO DF

BRB

BRB venderá R$ 15 bilhões em ativos herdados do Master à gestora Quadra Capital para tentar conter crise de liquidez

Mais uma vigarice envolvendo o Banco Regional de Brasília (BRB), desta vez ligada a Daniel Vorcaro e ao Banco Master, teria ocorrido no segundo semestre de 2024. O Banco de Brasília, instituição estatal, comprou R$ 9,9 bilhões em títulos. No entanto, o valor real seria entre R$ 2,2 bilhões e R$ 2,4 bilhões menor. Apenas nessa operação, alguém teria recebido um ágio de R$ 2,4 bilhões. É o que aponta a Polícia Federal.

O governador Ibaneis Rocha se licenciou para disputar o Senado, mas sumiu. A vice-governadora Celina Leão (PP) assumiu o comando e deve estar em desespero, já que a situação do banco piora a cada dia. Ficou muito claro que o governo de Brasília se empenhou e pressionou a Câmara Legislativa para aprovar a compra do Banco Master.

Não se tratava da compra dos títulos, que já haviam sido adquiridos anteriormente, mas da aquisição do próprio banco, após a operação marcada pela diferença de R$ 2,4 bilhões. O governo encaminhou a proposta ao Legislativo, pressionou e conseguiu aprová-la por 14 votos a 10. Ainda assim, a compra não saiu por causa do Banco Central.

* * *

Inflação pressiona governo Lula e cenário eleitoral

A situação também se complica para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O boletim Focus, do Banco Central, projeta inflação fora da meta e já acima do máximo admissível. A meta oficial é de 3%, com tolerância de até 4,5%. Porém, a partir de junho, esse teto deve ser rompido, avançando na direção de outubro e, consequentemente, das urnas.

Lá atrás, Lula foi beneficiado pela conjuntura econômica. Não tinha relação direta com isso, mas foi beneficiado. Agora, ao que tudo indica, a conjuntura voltou para cobrar a conta.

* * *

STF, código de ética e desgaste institucional

O PT cobra um código de ética para o Supremo Tribunal Federal (STF) e se posiciona ao lado de Edson Fachin, em oposição a Flávio Dino. Isso porque Dino teria apresentado uma proposta que embute críticas ao projeto de Fachin e, na prática, amplia ainda mais o poder da Corte. Para o Supremo ter mais poder, seria preciso perguntar ao povo se ele deseja conceder esse poder adicional.

As pesquisas indicariam justamente o contrário: a população confia cada vez menos no Supremo. A falta de confiança já teria ultrapassado a metade dos brasileiros, reflexo de uma atuação que deveria enquadrar as leis na Constituição, e não enquadrar a Constituição nos desejos do próprio Supremo.

A Constituição é intocável. Só pode ser modificada, desde que não envolva cláusulas pétreas, por aqueles que detêm o poder constituinte derivado: os representantes eleitos no Congresso Nacional. Por isso, qualquer mudança exige votação em dois turnos e apoio qualificado de 60% dos membros de cada Casa Legislativa.

E o código de ética, afinal, serviria para quê? Para fazer moda durante alguns anos, cortar penduricalhos, afastar parentes e fechar escritórios ligados a familiares. Advogados reclamam da concorrência desleal desses escritórios. Faz-se então uma devassa, uma caça às bruxas e, depois, com o passar do tempo, tudo cai no esquecimento e volta a ser como antes. Pelo menos é o que eu tenho visto nesse tempo de vida desde 1940.

ALEXANDRE GARCIA

RESGATAR O ÓBVIO: A DEFESA DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO NO BRASIL

No Brasil, é preciso resgatar o óbvio, defender a verdade e a Constituição diante da distorção dos fatos, dos excessos de poder e da tentativa de calar o pensamento crítico

O óbvio é aquilo que não precisa de comprovação: é evidente, não precisa passar pelo filtro da dúvida; por si só se explica. No Brasil de hoje, o óbvio precisa ser defendido, pois, todos os dias, tentam nos convencer de que uma mentira é uma verdade, de que um corrupto não é um bandido, mas apenas um trabalhador, de que um assaltante tem o direito de nos roubar — e tratam de embrulhar o absurdo tão bem que ele fica disfarçado de bem. Para conseguir enganar, é preciso desestimular o pensar, a dúvida, a crítica.

Quando os poderosos, que desejam dominar as pessoas, punem exageradamente, é porque querem convencer os atemorizados de que o melhor cidadão é o passivo, o que se mantém quieto e silencioso, pagando seus impostos, fazendo o seu trabalho e votando convenientemente naqueles que o enganam com palavras bonitas e mentirosas.

Num ano eleitoral como este, é preciso resgatar o óbvio. O voto vai ajudar as pessoas a se libertarem do jugo da dominação das mentes. Nesse conjunto de absurdos, toca-me especialmente a Constituição que vi ser gerada por 22 meses. E acompanhei, conduzindo um programa na TV chamado “Brasil Constituinte”, que, a cada semana, discutia com um relator o tema que estava sendo escrito na Lei Fundamental.

No topo de importância, veio à luz o artigo 5º e seu enunciado: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Claro e óbvio. Não exige mais explicações.

Ninguém é diferente do outro perante a lei por causa da cor da pele, da raça, do sexo, de suas preferências pessoais. Só que fazem leis contrariando a Constituição, e nada acontece. Mas, quando estados e municípios fazem leis proibindo tratamento diferente por causa do sexo ou da cor da pele, o Supremo as derruba, como foi o recente caso de uma lei de Santa Catarina vedando cotas raciais. Aliás, racismo é crime.

Lembro do quanto se discutiu o artigo 53, da imunidade parlamentar. Os parlamentares têm liberdade absoluta em palavras, votos e opiniões, porque representam a fonte do poder. É a imunidade dada aos que falam por milhares. Por isso, está na Constituição que “deputados e senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer palavras, votos e opiniões”.

O Supremo finge que não sabe disso e censura e pune parlamentares por suas palavras. O Supremo tem o poder de declarar leis como inconstitucionais, mas tem declarado inconstitucional parte da própria Constituição, como na questão da terra indígena, ou a tem mudado sem ser constituinte — a função constituinte é exclusiva do Congresso Nacional.

Já foram punidos, nos julgamentos do 8 de janeiro, até mesmo aqueles que sonhavam com golpe, mas não o realizaram. Um estudante de direito sabe que a caracterização de crime não começa com o desejo de cometê-lo.

O chefe do Poder Executivo, por sua vez, sonha em censurar as redes sociais, que são a voz digital do povo. E lembro como foi essencial marcar, na pedra do inciso IV do art. 5º, que é livre a expressão do pensamento, vedado o anonimato.

Estamos lutando pelo óbvio, neste período de exceção, porque o óbvio está no Direito Natural. Esse óbvio é como a luz do dia e o ar que respiramos.

ALEXANDRE GARCIA

OS IDOSOS

Uma notícia especial para quem tem mais de 60 anos: nós somos um em cada quatro eleitores no Brasil. Temos uma força tremenda como eleitores, só que, como força financeira e econômica, isso só agora está sendo discutido.

Vejam só: sabem quanto movimentam 33 milhões de idosos com mais de 60 anos? R$ 2 trilhões. Eu acho muito pouco; poderia ser o dobro disso, R$ 4 trilhões. Por que não movimentam?

Está aqui o depoimento de uma pessoa de 70 anos que foi abordada e perguntaram: “Como é que você é recebido?”. Ela respondeu: “Os vendedores não dão muita bola, porque veem meus cabelos prateados; não me dão muita importância, preferem atender os mais jovens”.

Será que são tão burros assim? Porque os mais jovens consomem pizza e Coca-Cola. Já os mais velhos tomam vinho, pedem pratos melhores, gastam mais, vão para hotéis melhores, têm mais disponibilidade de renda, porque, afinal, já trabalharam, no mínimo, 40 anos e tiveram a oportunidade de fazer um bom pé de meia para gastar agora, seja porque não estão mais trabalhando, seja como um presente para si próprios.

Os marqueteiros estão perdendo essa oportunidade, inclusive na propaganda — principalmente aquela dirigida aos jovens —, que deixa de oferecer bens e serviços claramente procurados por pessoas mais velhas. Digo isso falando em causa própria.

* * *

Ex-policial condenado pelo 8/1

Quero mencionar agora uma pessoa de 56 anos que está doente. Foi presa e ficou dois anos detida por causa do 8 de janeiro. Segundo ele, não tem relação com invasão, quebra-quebra ou golpe de Estado; ainda assim, ficou preso dois anos sem denúncia sequer.

Depois, foi para casa, passou a usar tornozeleira e, só então, foi condenado. A Polícia Federal foi até a casa dele, retirou-o e o levou de volta à prisão. Ele afirma que não aguenta mais. A mãe dele relata que nunca havia visto o filho com sintomas de esquizofrenia, quadro que ele teria desenvolvido nos dois anos em que esteve afastado da sociedade. O nome dele é Marco Alexandre Machado de Araújo.

Vejam só: imaginem o desespero de tantas famílias que aguardam, agora, no dia 30, a votação para derrubar o veto de Lula sobre a dosimetria, que estabelece que uma pessoa não pode ser condenada por crimes semelhantes de forma cumulativa.

Isso pode mudar muita coisa. Há quem calcule que a pena de Bolsonaro, por exemplo, poderia cair de 27 para 2 anos. Estamos discutindo penas indevidas e condenações injustas, quando, obviamente, deveriam ser alvo de investigação — e talvez de condenação — aqueles que depredaram o patrimônio público.

Sim, o que vimos foi uma manifestação — uma manifestação que perdeu um pouco o rumo —, mas, em geral, eram manifestantes, puramente manifestantes, que acabaram sendo todos condenados.

ALEXANDRE GARCIA

IBANEIS ROCHA SUMIU NA VÉSPERA DA PRISÃO DO EX-PRESIDENTE DO BRB

O ex-governador de Brasília Ibaneis Rocha

O ex-governador de Brasília Ibaneis Rocha sumiu, e sumiu na véspera da prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Interessante: ele pode ter tido informação de que o ex-presidente do banco seria preso e imediatamente sumiu. Ninguém sabe onde ele está.

Eu estou na França, quem sabe eu dou de cara com ele por aqui. A gente sabe por que ele sumiu: foi medo de ser preso. Ele imaginou que, prendendo o ex-presidente do BRB, o prenderiam também.

É uma atitude que o incrimina, porque ele reconhece que tanto o ex-presidente do Banco de Brasília como ele têm responsabilidade sobre a tentativa de compra do Banco Master, para aliviar o Daniel Vorcaro do banco quebrado.

Ele estava comprando R$ 12 bilhões em títulos podres. Os dois convenceram o Legislativo de Brasília a aprovar, por 14 a 10 — em um total de 24 deputados distritais —, a compra do banco, que o Banco Central vetou, porque ia contaminar o banco estatal do Distrito Federal, que é um dos poucos estatais de unidades da federação que ainda subsistem. Ninguém sabe que fim levou Ibaneis. Ibaneis sumiu.

* * *

STF dá mau exemplo

Vejam só o mau exemplo, de impunidade, que o Supremo Tribunal Federal (STF) deu na Operação Lava Jato, ao livrar a maior parte das pessoas, principalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Transmitiu a mensagem para os mal intencionados de que corrupção fica na impunidade.

O Maurício Camisotti, ligado ao Careca do INSS, foi preso, fez delação premiada e se comprometeu a devolver R$ 400 milhões. Ou seja, ele tem R$ 400 milhões, cash à vista, depositados à vista em algum paraíso fiscal para devolver. Isso só aconteceu na Lava Jato, mas foi um décimo disso: foi o Pedro Barusco, gerente da Petrobras, que se comprometeu a devolver cerca de R$ 40 milhões.

Quer dizer que essa gente vai levando, vai levando e depositando num banco fora do Brasil. É o crime compensando. Depois que Lula foi solto, depois que o Dias Toffoli liberou a multa da JBS — uma coisa que todo mundo tomou como um escândalo, multa de bilhões.

* * *

Universidade é progressista só no nome

Universidade Federal do Rio Grande, da cidade de Rio Grande (RS): fazia 43 anos que a Marinha subsidiava todas as viagens para a Antártida para o curso de Oceanologia daquela instituição, que é um curso brilhante, só que agora não vai ter mais esse financiamento e aporte material.

Por quê? Porque retiraram o título de doutor honoris causa do almirante de esquadra Maximiano da Fonseca. A Marinha reagiu. O almirante Marcos Sampaio Olsen, que é o comandante da Marinha, disse que a Marinha está (vou colocar ipsis litteris aqui) “muito incomodada” porque a universidade negligenciou as contribuições de um homem honrado, de uma vida dedicada ao país.

Eu sou testemunha dessa vida de Maximiano da Fonseca. O almirante Olsen recebeu isso com profundo desagrado, e tem toda a razão.

Aquela universidade que está totalmente aparelhada por uma ideologia retrógrada, não tem nada de progressista. Se chama de progressista exatamente pelo mesmo motivo pelo qual o lado de Berlim, o da Alemanha ligada à União Soviética, se chamava República Democrática da Alemanha. Quando precisa dizer que é, é porque não é. “O homem que diz ‘sou’ não é, porque quem é mesmo não diz”, escreveu Vinícius de Moraes.

Fez muito bem a Marinha, que recebia a universidade lá na estação da Antártida, que dava todo o apoio, que criou o programa especial para beneficiar os estudos da universidade, que agora fica sem isso; prefere ficar no palanque ideológico retrógrado, apoiando ditaduras.

* * *

Congresso vai votar derrubada de veto ao PL da Dosimetria

Está marcada para o fim do mês a votação que pretende derrubar o veto do presidente da República ao projeto que se convencionou chamar de PL da Dosimetria, que foi aprovado por 339 deputados e senadores e teve um total de 173 deputados e senadores contra. É esse o escore que espera o exame dos vetos de Lula, que certamente serão derrubados.

ALEXANDRE GARCIA

GUERRA AFETA FORNECIMENTO DE FERTILIZANTE PARA O AGRO, MAS GOVERNO NÃO SE MEXE

Aplicação de fertilizantes em Chapadão do céu (GO): Brasil importa 85% dos adubos químicos utilizados na agricultura

A Confederação Nacional da Agricultura, há uns 40 dias, alertou o presidente Lula sobre o fornecimento de fertilizantes. A CNA pediu que o presidente, tão amiguinho dos aiatolás do Irã, mobilizasse a diplomacia brasileira e garantisse a passagem, pelo Estreito de Ormuz, da matéria-prima para os fertilizantes da agricultura brasileira. Nós, infelizmente, até temos essa matéria-prima, mas boa parte está em território indígena e não podemos usar; precisamos importar, e ficamos dependentes.

Quando há uma guerra, o problema aumenta. A menos que o presidente da República resolva, como Bolsonaro resolveu: foi a Moscou conversar com Vladimir Putin – que até pôs cadeira e mesa para ficar bem pertinho de Bolsonaro e conversar bastante – e garantiu o fornecimento dos fertilizantes que vêm de lá. Agora estamos com um problema sério de preço de fertilizantes, porque este governo simplesmente não gosta do agronegócio, e aí não se mexe.

* * *

Desenvolvimento tecnológico do agro brasileiro cria demanda para novas profissões

Nosso agro é moderníssimo. Nos anos 70, eu cobria a Bolsa de Chicago e o Meio-Oeste dos Estados Unidos produzir muito mais o agro brasileiro, que naquela época estava concentrado nos estados mais ao sul. Agora nós temos o nosso Centro-Oeste, que está mais avançado que o Meio-Oeste americano. Somos exemplo. Muita gente na cidade não sabe, mas o “Agro 4.0” está usando muitos drones. Só neste ano os produtores deverão comprar 15 mil unidades, além das 35 mil que já estão operando. E o potencial é de 200 mil drones para pulverização da lavoura. Em geral, drones transportam 20 litros de defensivos, mas há modelos que transportam até 100 litros.

O que está faltando é o operador, o piloto para os drones. É preciso atrair jovens para essa nova atividade. O mercado de trabalho é assim, vai criando novas atividades na medida em que outras vão ficando para trás. O agrimensor, por exemplo, ficou obsoleto depois do GPS, mas em compensação temos aí essa demanda nova por pilotos e operadores de drones, para cuidar dos alimentos que a terra produz para os brasileiros e para o mundo todo – de cada cinco pratos no mundo, um tem comida brasileira.

* * *

Ainda dá tempo para senadores colocarem a mão na consciência e rejeitarem Messias

O vídeo do presidente da Gazeta do Povo está martelando na consciência de muito senador que, segundo as notícias, já estava pronto para aprovar Jorge Messias no Supremo. Mas assim não se renova a corte, nem se recupera a instituição Supremo Tribunal Federal. Só se muda com pessoas que realmente tenham notável saber jurídico e reputação ilibada. Mas Messias ficaria quase 30 anos no STF, e será submisso àquele que o indicou. Lula já nomeou um advogado do PT, Dias Toffoli; seu advogado na Lava Jato, Cristiano Zanin; e seu ministro da Justiça, Flávio Dino; agora está indicando o advogado-geral, o mesmo que anos atrás estava levando uma nomeação da Dilma Rousseff para livrar Lula da Lava Jato em Curitiba.

Esse é o homem que deveria ter notável saber jurídico. Ainda é jovem; difícil ter notável saber jurídico e ao mesmo tempo ser um desconhecido. Quando Dilma pronunciou o nome dele no telefonema, ninguém nem sabia quem era Jorge Messias, todos entenderam “Bessias”. O relator já disse que por ele está tudo bem, que Messias pode ser submetido à sabatina. A sabatina é para saber se o indicado tem notável saber jurídico; não é para fazer perguntinha política, para saber se apoia ou não apoia essa ou aquela fofoca.