ALEXANDRE GARCIA

BRASIL TEM DE SE MEXER PARA GARANTIR VENDA DE CARNE PARA A EUROPA

A agência Lusa, aqui em Portugal, noticiou algo que pode afetar muito o Brasil inteiro, a começar pelo agronegócio: uma proibição, com bases sanitárias, da compra de produtos brasileiros de origem animal, incluindo ovos e mel, em toda a União Europeia. O Piauí, por exemplo, é um grande produtor de mel, e pode sentir os efeitos a partir de setembro, quando a medida entra em vigor. Estão alegando exigências sanitárias para evitar contaminação; parece que nesta quarta-feira o Brasil já vai tentar reuniões com autoridades europeias da área da certificação de saúde animal.

Isso é muito sério porque o mercado brasileiro anual desses produtos está em quase US$ 2 bilhões. Eu vejo, por exemplo, nos restaurantes que servem carne aqui em Portugal, a propaganda da carne argentina e da carne uruguaia. Provavelmente, nos restaurantes que se anunciam como “churrascaria brasileira” ou “rodízio brasileiro”, a carne venha do Brasil. Mas ela não poderá mais chegar aqui a partir de setembro se o governo brasileiro, que foi surpreendido por essa medida, não se acertar no lado sanitário.

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Rússia testa novo míssil e assusta o mundo

Os países europeus estão todos à mercê das armas nucleares da Rússia, que investe na intimidação para o equilíbrio de forças no mundo. A Rússia está agora terminando os testes de um míssil que tem um alcance de 35 mil quilômetros. Como aprendemos na escola, uma volta à Terra pelo Equador tem 40 mil km, ou seja: esse míssil, que não vai circular a Terra por cima do Equador, pode atingir qualquer parte do mundo. A Otan está chamando esse míssil de “Satanás 2”; os russos o chamam de Sarmat. O que é isso? É Vladimir Putin se sentindo enfraquecido. Ele está há 26 anos no poder, pensou que fosse dobrar a Ucrânia em poucos meses ou em semanas, mas não conseguiu nada disso. Os ucranianos enfraqueceram as forças russas e o moral russo. Então, Putin surge com uma arma para assustar a Europa e o mundo.

Conversei nesta terça-feira com amigos portugueses, mais novos que eu, sobre armas e o poderio da China e dos Estados Unidos. Eu disse a eles que sempre foi assim. Os erros dos políticos, que flertaram com a guerra, resultaram na Grande Guerra, que depois passou a se chamar Primeira Guerra Mundial porque veio a Segunda Guerra Mundial – novamente causada por erros de gente como Chamberlain e Daladier, que acreditaram em Von Ribbentropp e nas garantias de que a Alemanha não invadiria nada. “Ganhamos a paz”, disseram, e em setembro de 1939 a Alemanha invadiu a Polônia e iniciou a Segunda Guerra Mundial. Assim foi com os franceses e os norte-americanos no Vietnã, com a guerra Irã-Iraque. Essas guerras são muito boas para a indústria bélica, mas nunca para a população, nem para os soldados. E é a população que fornece seus filhos para as guerras.

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Mesmo territorialmente longe das guerras, o Brasil sofre os efeitos

Aqui na Europa as pessoas se sentem mais próximas do perigo. No Brasil há um Oceano Atlântico a nos separar da Europa, ou, no caso de guerras na Ásia, um Oceano Pacífico, que fica mais longe ainda, do outro lado da América do Sul. Somos um país pacífico, mas temos de estar atentos às consequências econômicas das guerras, por exemplo no preço do petróleo. Enchi o tanque e paguei bem mais que no ano passado. Como estou perto da fronteira com a Espanha, já me aconselharam que por lá o combustível ainda está mais barato, porque estão segurando o preço. O mundo está todo interligado; o que acontece nas montanhas do Irã acaba, de um jeito ou de outro, batendo na Petrobras e nos postos de combustíveis no Brasil.

ALEXANDRE GARCIA

MINISTRO AJUDA A POLITIZAR CASO DA YPÊ

Quando eu soube da história da Ypê, que teve produtos recolhidos por ordem da Anvisa devido a uma bactéria, a primeira coisa que me ocorreu foi perguntar: desinfetante com bactéria? Isso é um paradoxo; desinfetante existe justamente para matar bactéria, como é que vai haver uma bactéria nadando lá no desinfetante? Ficamos pensando em sabotagem, qualquer coisa. Os produtos da empresa sediada em Amparo foram proibidos, mas depois a empresa conseguiu suspender a proibição.

A Ypê é um dos maiores fabricantes de desinfetantes, lava-louças e lava-roupas. Como os donos da empresa contribuíram para a campanha de Jair Bolsonaro em 2022, já se politizou tudo. Já imaginam que a Anvisa estaria dando um aviso para a próxima campanha eleitoral: “se patrocinar campanha de gente oposta a nós, vamos perseguir”. É o que ficou no ar.

Estão politizando tudo no Brasil. A Anvisa disse que vai rever o caso. Mas para isso terão de trocar a equipe, e aí vai ser necessário um exame para saber se a equipe é isenta. Mas a razão pela qual eu trouxe esse caso aqui é que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também entrou na discussão.

Padilha, vocês se lembram, está sem visto para os Estados Unidos por causa do tráfico de escravos, os supostos médicos cubanos, que recebiam uma parcela mínima do salário enquanto o resto ia para a ditadura cubana, com a anuência, a concordância e provavelmente o estímulo do Brasil. O mesmo Brasil que recomendou à Odebrecht dar propina para a mulher do presidente do Peru, que hoje está abrigada em São Paulo – não sei quem está pagando, se somos nós ou não. O mesmo governo que patrocinou o Porto de Mariel, em Cuba, e obras e túneis lá na Venezuela. Governo que faz favores a ditaduras amigas – mas não podemos dizer que Lula é amigo do ditador; a Justiça proibiu, revogando a parte da Constituição que garante, no artigo 220, a liberdade de informação. Mas estou divagando.

Voltando ao ministro Alexandre Padilha, ele resolveu defender a Anvisa, dizendo que o caso da Ypê foi politizado na internet, que é uma barbaridade, que é desinformação. Mas a Anvisa é uma agência independente, ela não é vinculada ao Ministério da Saúde. Então, quando o ministro da Saúde vem a público defender a Anvisa e acusar a politização desse caso, é ele quem está politizando, tomando uma atitude política, ao assumir um assunto que é de uma agência independente.

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Deputado estadual petista corre risco de cassação por briga com manobrista

Vocês se lembram de Renato Freitas? Ele, quando era vereador em Curitiba, invadiu a igreja de Nossa Senhora do Rosário. Foi um sacrilégio. Ele foi cassado pela Câmara de Vereadores, mas o Supremo, novamente intervindo e interferindo no Poder Legislativo, anulou a cassação. Depois, ele se elegeu deputado estadual. E agora está correndo risco de ser cassado de novo, desta vez porque andou a socos e pontapés com um manobrista. Há também um outro pedido por causa de um protesto em um supermercado de Curitiba. A Comissão de Ética decidiu pela cassação por falta de decoro. Agora, o caso vai para a Comissão de Constituição e Justiça e, depois, para o plenário da Assembleia Legislativa.

Sempre digo que quem faz as leis e fiscaliza o governo tem de ser exemplo de decoro. Freitas é pré-candidato a deputado federal. Eu sei que falta muito decoro e muita conduta na política brasileira, mas espero que os eleitores, em outubro, façam uma filtragem e não deixem entrar (ou permanecer) gente de conduta indecorosa no Legislativo federal.

ALEXANDRE GARCIA

AS PESSOAS TÊM O DIREITO DE NÃO TRABALHAR E SEREM SUSTENTADAS PELO ESTADO?

Nove estados têm mais beneficiários do Bolsa Família do que CLTs

Nove estados brasileiro têm mais beneficiários do Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada

Uma ex-ministra, ex-deputada federal, Flávia Perez, antes Flávia Arruda, que era a primeira-dama de Brasília, casada com o governador José Roberto Arruda: vejam o drama dessa mulher. Flávia se casou com o CEO do Master, Augusto Lima, que depois foi preso lá na Bahia. Nesse meio tempo, o pai dela foi diagnosticado com leucemia e morreu imediatamente. E agora o irmão dela, o Fábio Perez, está envolvido no caso do BRB, e também foi preso. Imagino o que ela deva estar passando.

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Encontro entre presidentes

Teve gente que não gostou da avaliação que eu fiz do encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump. Eu pergunto se o Trump desmentiu alguma coisa que o Lula falou na entrevista, no relatório que ele prestou lá na embaixada? Não estou falando dos ministros, que fizeram uma louvação sabugenta – ministro é um mero auxiliar do presidente da República.

Aliás, acho horroroso que alguém abandone milhares de eleitores para ser ministro. Eu não entendo isso. Um deputado é muito mais que ministro; um senador, muito mais ainda. E o sujeito quer ser empregadinho do presidente da República. Incrível. Ele simplesmente abandona os seus eleitores.

Ele recebe uma procuração para fazer uma coisa em favor de seus eleitores. Prometeu: “Olha, vou representar vocês”. E não representa mais. Vai trabalhar para o presidente da República e fazer discursinho para elogiar o presidente. Mas o Trump não reclamou de nada.

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Reembolso na AGU

Mudando de assunto, queria saber como se sentem os advogados da União. Advogados da União são pessoas que estavam furiosas comigo porque eu elogiei o que o prefeito Diogo Siqueira, lá de Bento Gonçalves, estava fazendo para resolver a questão do Bolsa Família. Reduziu 40% do Bolsa Família lá.

A Advocacia-Geral da União agora aparece nos jornais, inclusive nos editoriais e nos artigos, com uma vergonhosa inclusão de parentes afins para receber reembolso de tudo: inclusive academia, médico, dentista. Pode ser o sogro, o cunhado. Meu Deus do céu! O que estão pensando que é o imposto de quem paga imposto? Estão pensando o quê? Que são donos do mundo? Não, são empregados do povo! Porque, se são empregados do governo, são empregados do povo. Porque o governo está a serviço do povo. O Estado é uma instituição feita para servir à origem do poder, que é o povo. É de envergonhar.

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“Direito de não trabalhar”

Eu comentei essa questão do Diogo Siqueira, o prefeito de Bento Gonçalves, que mandou seu pessoal da área social visitar cada família que recebia Bolsa Família e saber se está todo mundo apto ao trabalho, se tem higidez física para trabalhar e se quer trabalhar. Querendo trabalhar, tem aqui um emprego.

A Advocacia veio me falar: “Não, mas as pessoas têm o direito de não trabalhar”. E eu respondi: têm, sim, desde que não seja com direitos sustentados pelo trabalho alheio, porque o Bolsa Família é pago pelo trabalho dos que trabalham e pagam imposto.

A Gazeta do Povo publicou uma reportagem sobre as consequências da obra do prefeito Diogo Siqueira. Mil cento e quatro pessoas que ganhavam Bolsa Família decidiram trabalhar e não ganhar mais o Bolsa Família. Lá no município de Bento Gonçalves tinha 2.115 famílias; agora tem 1.266 dependentes do Bolsa Família. O mais justo programa social se chama trabalho – trabalho e sua consequência, renda.

ALEXANDRE GARCIA

PILILI É UM DESASTRE DE COMUNICAÇÃO DE R$ 6 MILHÕES

pilili

Na última segunda-feira, o TSE lançou a mascote Pilili. Ao lado, a ministra Cármen Lúcia, a mesma que falou em censura “até as eleições” e criticou “200 milhões de tiranos” nas redes

Não sabia quanto tinha custado aquela criação da Justiça Eleitoral, o Pilili – quer dizer, a Pilili, porque é uma urna. A ministra Cármen Lúcia pode até dizer que não tem gênero, que é neutro, mas neutro não existe na língua portuguesa, que é o idioma oficial do Brasil segundo o artigo 13 da Constituição, que a ministra tem de respeitar. Ou é a Pilili ou é o Pilili, não tem neutro, não temos o “it” do inglês. E ainda assim o inglês chama navio de “she”.

Mas, voltando ao custo, a agência contratada para fazer a publicidade do TSE recebeu R$ 6 milhões. O TSE vende o quê? Vende voto, vende urna, vende eleição? Para quê um contrato de propaganda? Durante décadas e décadas, nunca vi a Justiça Eleitoral ou o governo fazer propaganda de si próprio. Governo não vende sabonete; governo “vende” serviços ou obras. E, quando oferece bons serviços e boas obras, nem precisa fazer propaganda, porque as ações do governo já falam por si, são a melhor propaganda.

Dizem que é a “propaganda da democracia”, mas é o contrário. Se isso é o símbolo da democracia, estão achando que a cidadania é um bando de bebês chorões, de crianças, porque aquilo ali está mais para Zé Gotinha. É algo feito para meninos e meninas de 5 ou 6 anos, que não votam. Cármen Lúcia diz que se dirige aos que vão votar aos 16. Mas todo mundo sabe que quem está no fim da adolescência detesta ser tratado como criança, quer ser adulto.

A Justiça Eleitoral tinha de se preocupar com a baixa confiança nas urnas, 53% em uma pesquisa Quaest de fevereiro. Essa Pilili – parece o Cebolinha dizendo que está com diarreia – é um desastre de comunicação de R$ 6 milhões, que saíram de onde mesmo? De Taiwan, de Marte? Não: foi do seu trabalho. E às vezes você nem nota, porque pode não pagar tanto imposto direto, mas paga em tudo o que consome. Algo que custaria R$ 50 sai por R$ 70 porque você teve de deixar R$ 20 para o governo. É assim que as coisas funcionam, e na hora de votar você tem de saber escolher uma pessoa que vai gastar bem o seu dinheiro em bons serviços públicos de segurança, saúde, ensino.

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Depois das brigas, Lula e Trump ensaiam aproximação

Lula e Donald Trump estão em uma fase de abertura. Lula fez questão de repetir várias vezes na entrevista que deseja recuperar a parceria histórica e a amizade entre Brasil e Estados Unidos. Somos do mesmo continente, do mesmo mundo ocidental, compartilhamos dos mesmos valores judaico-cristãos. E temos uma história de parceria. Os norte-americanos foram os primeiros a reconhecer os nossos sistemas de governo. Estivemos juntos tanto na Primeira quanto na Segunda Guerra Mundial – na Primeira, mandamos um bom contingente de médicos e enfermeiras e alguns poucos oficiais; na Segunda Guerra, enviamos a Força Expedicionária Brasileira e o Grupo de Aviação de Caça, e deixamos quase 500 brasileiros que entregaram a vida pela libertação da Europa do jugo nazifascista.

Neste 8 de maio, comemora-se a vitória aliada na Europa; o último a assinar a rendição pelos alemães foi o marechal-de-campo Wilhelm Keitel — o general Alfred Jodl havia assinado na véspera. O terceiro escalão de brasileiros da FEB, acho que com 1,6 mil combatentes, desfilou em Lisboa (de onde eu falo agora), a pedido de António Salazar e com o aval de Eurico Dutra, ministro brasileiro da Guerra, e depois presidente da República. Nós desfilamos na Avenida da Liberdade, com todo o significado que isso tem. O interessante é que desfilamos diante de um ditador, e no Brasil também havia um ditador semelhante, Getúlio Vargas, que foi derrubado logo depois, muito por causa do que havia ocorrido na Europa: como tínhamos derrotado ditaduras na Europa, não fazia sentido ter uma ditadura no Brasil.

ALEXANDRE GARCIA

COMO É QUE AINDA NOS DEIXAMOS ENGANAR PELOS PROGRAMAS ELEITOREIROS?

lula desenrola

O presidente Lula discursa no lançamento do novo Desenrola

Eu tenho falado aqui sobre esse Desenrola, e os números mostram como a situação piorou. Hoje, há 82,3 milhões de brasileiros endividados; isso equivale a 49% dos brasileiros adultos. É muita gente! E então, quando chega a época da eleição, Lula vem com esses programas. Quando lançou o primeiro Desenrola, os endividados eram 15 milhões. Como a renegociação facilita, as pessoas se endividam mais. Mas eu não imaginava que o salto fosse tão grande. Pensei que o número de endividados havia dobrado, mas não: mais que quintuplicou, quase sextuplicou. O programa abrange quem ganha até R$ 8.105 por mês, e a dívida média é de R$ 6,3 mil – mesmo assim, é dívida que não está sendo paga.

E falam em usar dinheiro do Fundo de Garantia. Mas o FGTS é para comprar o que chamamos “bem de raiz”. A pessoa usa o FGTS se ficar doente, ou se aposentar, precisar do dinheiro, não tiver mais renda, ou para comprar um imóvel, um bem de raiz que não vai se deteriorar – pelo contrário, em geral vai se valorizar. Agora, usar para pagar dívidas? Isso se chama volatização do Fundo de Garantia. É mais uma das muitas irresponsabilidades do governo, que vão se somando por causa das medidas eleitoreiras, demagógicas e populistas. Nós conhecemos essa história há quase 30 anos, mas continuamos insistindo. Será que não usamos o cérebro que Deus e a natureza nos deram, para pensar a respeito? Estamos sendo enganados; não somos gente, somos cordeirinhos conduzidos.

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Alguém vai bancar o Desenrola; você imagina quem é?

Também não sabia que, além do Fundo Garantidor de Crédito – aquele que vai ter R$ 50 bilhões de prejuízo com Daniel Vorcaro –, existe um outro, o Fundo de Garantia de Operações, que deve ser usado no novo Desenrola. É claro que você sabe de onde vêm esses fundos. Não é de Marte, nem de Taiwan. Vêm das pessoas que investem no mercado financeiro. Sempre se retira um pouquinho para bancar esses fundos garantidores. Alguém sempre vai pagar o almoço, porque não existe almoço grátis.

Isso tudo deveria nos mostrar a importância de administrar a nossa vida financeira. Eu vejo tanta gente devendo e lembro do meu avô, que sempre me ensinou: não dê o passo maior que as pernas, porque senão rasga as calças. Há momentos em que talvez seja necessário fazer uma dívida, mas o ideal é a emprestarmos dinheiro para o banco; o banco empresta para os outros e nos paga juros. Viramos sócios do banco – mesmo que um sócio menor, já que o banco sempre fica com a melhor parte.

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Deputado petista segura pedidos de informação na Câmara

O editorial do Estadão, um dos mais importantes jornais do país, está falando de um deputado do PT que faz parte da Mesa Diretora da Câmara como primeiro-secretário: Carlos Veras. O jornal fez um levantamento e apurou que, de 1 mil pedidos de informações sobre coisas do governo – incluindo o escândalo do Master – feitos por deputados, 600 estão parados na gaveta dele. E o Estadão pergunta no editorial: sem informação, como haverá fiscalização? Isso é uma espécie de censura, uma blindagem ilegal, porque o artigo 37 da Constituição menciona a publicidade como um dos princípios do serviço público. Tudo é público, e a fonte do poder e do dinheiro tem todo o direito de saber o que estão fazendo com o dinheiro e com o poder.

ALEXANDRE GARCIA

O NOVO DESENROLA INCENTIVA A CULTURA DO “RESOLVE DEPOIS”

Lula, na cerimônia de assinatura da Medida Provisória referente ao Novo Desenrola Brasil

Bom dia.

Vejo muitos órgãos de informação dando ampla cobertura ao “Desenrola”. Na verdade, o programa tem uma essência negativa, porque estimula o endividamento. Dirão: “Ah, está oferecendo crédito, está ajudando a resolver”. Sim, mas o primeiro Desenrola, lançado às vésperas da eleição anterior — portanto, com caráter eleitoreiro, na eleição municipal de 2024 —, já lidava com 15 milhões de endividados. Agora, esse número mais que dobrou. Por quê? Porque se oferece crédito fácil e, depois, tenta-se resolver o problema.

É isso que vemos no país: facilita-se no início, e a situação piora depois. Quando se solta um condenado, o crime piora; a corrupção também, porque se transmite a ideia de que alguém pode cometer diversos crimes, ser condenado em várias instâncias e, ainda assim, ser solto. A mensagem que fica é: “Vamos fazer de novo”. Enquanto isso, retiram-se bilhões dos aposentados da Previdência, e o Poder Judiciário acaba aceitando situações questionáveis, como se tudo fosse simples.

Os juros são altos por causa dos gastos do governo. Isso é amplamente conhecido: o governo precisa tomar dinheiro emprestado no mercado, emitir títulos e pagar juros. Sendo o principal devedor — com uma dívida que supera os 10 trilhões de reais —, o Estado brasileiro pesa diretamente na definição das taxas. Ainda que o Banco Central faça um grande esforço para controlar o crédito e a inflação, esta deve ultrapassar o teto da meta neste ano.

É o resultado de um governo que gasta demais e, ao mesmo tempo, estimula excessos. Não existe almoço grátis. A riqueza não surge do nada. A geração de renda depende da combinação de natureza, capital, trabalho e tecnologia. Não há outro caminho. A normalidade está na economia de mercado, nas leis de oferta e demanda, nessa “mão invisível” que regula a produção e o consumo de bens e serviços.

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Perseguição contra famílias

Há ainda outra questão, que já mencionei e volto a destacar, por me tocar particularmente: conheço muitas famílias que educam seus filhos em casa, com excelentes resultados. Além disso, as crianças ficam menos expostas a influências externas indesejadas. No entanto, em Jales, um juiz condenou um casal — pais de duas meninas — porque elas não frequentam a escola. Estudam em casa, com a mãe e duas professoras, apresentando alto rendimento.

O ponto levantado foi o fato de as meninas não gostarem de funk, o que o juiz considerou discriminatório. O Ministério Público pediu a absolvição dos pais, mas, ainda assim, eles foram condenados a 50 dias em regime semiaberto. A pena pode ser suspensa caso matriculem as filhas na escola, mas ainda terão de prestar serviços à comunidade. Trata-se de uma decisão que provavelmente será revertida em segunda instância, por carecer de fundamento razoável. Há, ao que parece, um viés ideológico nesse caso.

Vale lembrar que o ensino domiciliar, ou “homeschooling”, já foi aprovado na Câmara dos Deputados em 2022 e agora está em análise no Senado. É hora de pressionar para que o projeto avance.

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Astronauta ausente

Também comentei sobre o chamado “senador astronauta”, que explicou por que não votou. Ele afirmou que estava presente, mas optou por não votar para não favorecer a indicação de Messias, que precisava de maioria simples. Ao se abster, contribuiu para que o resultado esperado não fosse alcançado. Trata-se de uma estratégia pouco compreendida, o que gerou cobranças.

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Lula, Trump e Leão XIV

Para encerrar, há a questão envolvendo PCC, Lula e Trump. Lula viaja nesta quinta-feira para Washington, onde se encontrará com Trump, que deve cobrá-lo sobre esse tema. O presidente brasileiro busca algum tipo de acordo no combate ao narcoterrorismo.

Chega-se a questionar se haveria intenção de proteger facções como o Comando Vermelho ou o Primeiro Comando da Capital, o que não parece plausível de forma tão explícita. Outro ponto curioso é que Marco Rubio não deve participar da reunião, pois será recebido pelo Papa, no Vaticano, no mesmo dia.

O Papa Leão, de origem americana e com experiência missionária no Peru, fala também espanhol. Fica a curiosidade sobre o idioma da conversa. Na véspera do encontro, Trump voltou a criticar o Papa, sugerindo que ele não se oporia ao Irã possuir armas nucleares. No entanto, o Papa nunca afirmou isso. Sua posição é pela paz. Trump interpreta que buscar diálogo com o Irã equivale a permitir o avanço nuclear, o que não corresponde ao que foi dito.

A missão do Papa é promover a paz. Sua mensagem é, essencialmente, de amor e reconciliação.

Essa é a mensagem.

ALEXANDRE GARCIA

PREVISÕES PARA A INFLAÇÃO DE 2026 NÃO PARAM DE SUBIR

previsões inflação 2026

Gasolina voltou a ser o item que mais influenciou o IPCA em março

Todas as segundas-feiras sai o Boletim Focus, do Banco Central, que faz uma pesquisa com mais de 100 agentes do mercado financeiro sobre expectativas para a economia brasileira. E a previsão para o IPCA deste ano continua crescendo; agora, é de 4,89%. A inflação está acelerando mesmo: foi de 0,7% em fevereiro e 0,88% em março. No acumulado dos últimos 12 meses, ainda está em 4,14%. A meta de inflação é 3%, admitindo-se um máximo de 4,5%, mas nas previsões esse limite já foi estourado, pois a estimativa é de quase 5%. Isso serve de alerta para o Banco Central, que cuida do crédito e da moeda.

Enquanto isso, o presidente Lula está propondo um plano de rolagem de dívida, para facilitar o pagamento dos endividados. Delfim Netto dizia, ironicamente, que dívida é para ser rolada, não para ser paga. Pois a dívida do Estado brasileiro está em R$ 10,356 trilhões. São papéis jogados no mercado, pelos quais o Estado paga juros para poder cobrir suas dívidas, porque gasta demais. Os municípios têm superávit; já no governo federal, o déficit primário de março foi de R$ 80 bilhões. Não sei como a economia brasileira resiste.

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Atenção às promessas mirabolantes na campanha eleitoral

Margaret Thatcher dizia que não existe dinheiro público; o que existe é uma parte do trabalho das pessoas que vai para o Estado. E quando acabar esse dinheiro, como é que o Estado faz? Essa é uma questão muito séria, pois veremos muitas promessas e mentiras durante a campanha eleitoral, e é bom que fiquemos com todos os pés atrás em relação a promessas e discursos de políticos. Como eleitores e pagadores de impostos, temos de endurecer a espinha; não dá para nos curvarmos só porque o sujeito é político. O político é nosso empregado, nosso mandatário. Os mandantes somos nós. O poder emana do povo, que o exerce através de seus representantes, diz a Constituição. Eles são nossos procuradores, é bom ficarmos repetindo isso para fixar na mente. E agora temos uma voz pública, uma voz digital; todos podem nos ouvir, não dependemos mais de uma estação de televisão ou de um meio específico. A ágora digital está disponível para todos criticarem, reclamarem e cobrarem daqueles que se dispõem a nos representar.

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Dinheiro de emendas não compra mais a lealdade dos congressistas?

Falando em gasto público, é interessante essa história de liberar verbas em momentos de votação, como aconteceu nas votações da semana passada. Lula liberou R$ 12 bilhões em emendas, mas pelo jeito os que receberam as emendas, de um modo geral, disseram “não estamos mais à venda”. Tomara mesmo que isso seja verdadeiro.

ALEXANDRE GARCIA

A JUSTIÇA PRECISA AGIR COM ISENÇÃO, NÃO COM RAIVA

Nas galerias da Câmara, a derrubata do veto de Lula ao projeto da dosimetria foi celebrada.

Nas galerias da Câmara, a derrubata dos vetos de Lula ao projeto da dosimetria foi celebrada.

Talvez o maior assunto do momento seja como vai ser a adaptação das penas aos condenados do 8 de janeiro que foram presos naquela ação de perfídia. Não dá para a gente esquecer dessas coisas, de pessoas que estão respondendo por fatos que não cometeram. Associação criminosa armada, quando não tinha ninguém armado; ação violenta para derrubar o Estado de Direito, quando foi uma bagunça, uma manifestação. Aqueles que deterioraram e estragaram o patrimônio público têm que pagar: pagar, indenizar e, ao mesmo tempo, receber a punição.

Mas o exagero foi tanto que, num passo para a anistia, fez-se essa lei da dosimetria que foi aprovada pela maioria do Congresso Nacional. Lula vetou e o Congresso derrubou o veto por mais votos ainda. E agora, quem calcula isso? Seria o Alexandre de Moraes, o relator de tudo do inquérito do fim do mundo, ou seria cada juiz de comarca, cada juiz de execuções criminais das comarcas onde estão os condenados? É uma questão a ser considerada.

Infelizmente, tem alguns que foram condenados à morte, como é o caso do Clezão. Clezão precisava de tratamento e não teve. Houve seis ou sete ou mais avisos de sua defesa encaminhados à Procuradoria, que encaminhou ao relator, e a resposta foi a negativa. Ele acabou morrendo sob a custódia do Estado. O Estado é responsável por essa morte e alguém que está no Estado tem que ser responsabilizado.

Essa questão tem que ser resolvida, pois, do contrário, o cálculo demorará dez anos por envolver muita gente. Isso vai estimular a pressa por uma lei de anistia para simplesmente anular tudo o que foi feito. E, depois de anular, restará saber quem indeniza as pessoas que perderam a liberdade, perderam meses e anos de vida, além dos prejuízos às famílias. É muita injustiça a ser corrigida, porque isso foi feito com raiva. A Justiça não tem que ter raiva nenhuma; a Justiça tem que ter isenção, ouvir a acusação e a defesa, tomar uma decisão e aplicar a lei. Mas isso não foi feito porque entraram emoções. E emoções não é algo de juiz. Emoção é coisa de pessoa que não amadureceu o suficiente para manter a cabeça fria no momento em que precisa.

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Celebrações de Primeiro de Maio foram esvaziadas

Falando um pouco sobre o Primeiro de Maio: um feriado esvaziado, com manifestações em que vemos a tentativa de não mostrar o vazio. As fotos oficiais focam apenas em quem está discursando ou em quem está no primeiro plano; não abrem a câmera para não mostrar que há um vazio muito grande. É a falta de capacidade de mobilização da esquerda e também dos sindicatos. Inclusive, há uma grande reivindicação que é trabalhar menos. Trabalhar menos para receber a mesma coisa resultará, obviamente, em vender menos, produzir menos, fabricar menos e ter menos renda. Não tem como ser diferente.

E aqui está o resultado: a dívida pública está em 10 trilhões e 356 bilhões. A gente não sabe nem quanto é 1 bilhão, imagine 10 trilhões. A dívida pública são os papéis que o Estado brasileiro emite para poder pagar suas despesas, porque gasta demais. O último déficit primário foi de 80 bilhões e 700 milhões. Essa dívida pública é o motivo pelo qual você paga um juro muito alto.

Vejam outra coisa: a renda per capita média do mundo é de US$ 26.188; a do Brasil é de US$ 23.380. Tem 111 países que crescem mais que o Brasil e a nossa renda per capita está abaixo da média mundial. De 1980 até o ano passado, a renda cresceu 675% no mundo, enquanto no Brasil cresceu 428%. Perdemos a oportunidade na globalização porque ficamos com medo e fomos contra ela. Perdemos a chance. Somos o país das oportunidades perdidas por despreparo de cérebros e ideologia misturada aos fatos e ao pragmatismo. Tudo isso junto.

ALEXANDRE GARCIA

A MATEMÁTICA DE ALCOLUMBRE FUNCIONOU, E O SENADO RECUSOU MESSIAS NO STF

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Davi Alcolumbre, presidente do Senado, durante análise do veto de Lula à Lei da Dosimetria

“Eu acho que vai perder por oito”, disse o presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre, para o líder do governo, Jaques Wagner, antes da votação. 42 menos 34 dá oito. Foi 42 a 34, e Alcolumbre sabia exatamente quem ia votar e como. E Jorge Messias foi rejeitado depois de esperar cinco meses desde a indicação de Lula. Lula perdeu, o governo perdeu. Para comparar, dos que estão atualmente no Supremo, o mais votado foi Luiz Fux, que passou por 68 votos a 2. A votação mais apertada foi a de André Mendonça, aprovado por 47 a 32. Tivemos quatro ausências. Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) e Cid Gomes (PSB-CE) estavam fora de Brasília. Mas o que eu não entendi foram as ausências do Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) e de Wilder Morais (PL-GO), que estavam no Congresso e não votaram.

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Articulação política, aborto e censura pesaram contra Messias

Não se tratou de avaliar o notável saber jurídico de Messias; foi uma votação política. Mas o fato é que o governo perdeu, e Messias caiu também por causa daquele parecer sobre o aborto, e pela censura promovida por aquele órgão que ele criou dentro da AGU para fiscalizar redes sociais. A Constituição garante, no artigo 220, a livre manifestação do pensamento e das notícias.

O Conselho Federal de Medicina, aliás, ao ver toda essa mobilização contra Messias por causa do parecer que resultou na suspensão da proibição da assistolia fetal, foi ao Supremo pedindo que a corte decida isso de uma vez. A resolução do CFM está suspensa desde 2024 por uma liminar de Alexandre de Moraes, que ainda não foi submetida ao plenário. Já está na hora, porque já se passaram dois anos. Quantos bebês morreram nesse período, pelo método da assistolia fetal?

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Depois de perder com Messias, Lula perdeu na análise do veto à dosimetria

A derrota do governo se repetiu na quinta-feira, quando o Congresso derrubou o veto do presidente, por uma votação ainda maior que aquela que aprovou a Lei da Dosimetria, vetada por Lula. Eram necessários 257 votos de deputados para derrubar o veto, e foram 318 – na aprovação da lei haviam sido 297. No Senado, eram necessários 41 votos para derrubar o veto, e foram 49; na votação que aprovou a lei foram 47. O Congresso falou forte e o governo mostrou que está sem força – um motivo para Lula avaliar bem a sua vontade de ser reeleito.

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Empreiteiro da “farra dos guardanapos” também estava no jatinho que veio de Sint Maarten

Falei aqui ontem do “aviãozinho do tigrinho” que veio de um paraíso fiscal do Caribe, trazendo o presidente da Câmara, Hugo Motta, o senador Ciro Nogueira, e mais dois deputados, com malas que não passaram pela alfândega. Não comentei, mas lembrei depois, que entre os passageiros também estava Fernando Cavendish. Você se lembra dele? Foi ele quem fez a dancinha em Paris, com guardanapo na cabeça, ao lado de Sérgio Cabral, e que estava envolvido na Lava Jato e foi condenado. Para vermos que a nossa crise é de falta de vergonha também. As pessoas se expõem, acham que isso é normal essa falta de boa conduta, de decoro.

ALEXANDRE GARCIA

A FARRA DOS JATINHOS FICOU INTERNACIONAL

hugo motta sint maarten

Deputados e senadores voltaram de Sint Maarten, no Caribe, em jatinho de empresário de bets

Vamos falar mais uma vez desses aviõezinhos executivos com os quais empresários transportam autoridades dos três poderes. É ministro que vai de carona, ministro do Supremo que voa no avião do Vorcaro, e presidente da Câmara que pega carona no avião de um sujeito ligado ao “jogo do tigrinho”. E foi para ir à Las Vegas do Caribe, a Sint Maarten, uma ilha cuja metade é holandesa e tem três grandes cassinos.

A bagagem da turma – além de Hugo Motta, foram o senador Ciro Nogueira e os deputados Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões — estava toda escrita em um bilhete; além de tudo, há as imagens. O bilhete dizia que o auditor-fiscal Marco Antônio Canella (que já está respondendo a inquérito por causa disso) liberou todas as malas e bolsas que tinham eletrônicos e garrafas de belos vinhos, uísques e outras bebidas, certamente.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, disse que fez tudo de acordo com a lei. Na verdade, passaram por cima da lei; todos os brasileiros estão sujeitos a terem as malas abertas, a passar pelo raio-X, mas tudo isso foi dispensado. O jatinho já desceu em um lugar conveniente; não foi Guarulhos, nem Congonhas, nem Galeão, mas o aeroporto de São Roque, provavelmente já com essa intenção, depois de terem passado uma boa estada lá na ilha dos cassinos.

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Autoridades não podem estar imunes à fiscalização

Eu vi, pela lista de passageiros, que as respectivas mulheres foram junto. Que boa vida! Digo isso porque a necessidade de decoro, de postura e de bom exemplo se multiplica quando alguém está representando o povo e tem o poder de fazer leis, de mudar leis, de cancelar leis, de fiscalizar os outros. Eles precisam ser fiscalizados também.

Falo na qualidade de mandante. Nós todos somos mandantes, temos de colocar isso na cabeça na hora de votar. Nós os sustentamos com nossos impostos, nós os nomeamos com o nosso voto, e nós devemos fiscalizá-los. Devemos pensar um milhão de vezes antes de escolher o candidato, para não acontecer que pessoas como essas sejam eleitas por milhares de pessoas e não estejam à altura desses eleitores porque não se dão conta do que é decoro, do que é postura, do que é vida ética, civilizada.

Isso não acontece aqui na Europa, onde estou. Se acontece, a punição é severa. No Japão é ainda mais rígido: o próprio sujeito, para não envergonhar a família, pratica aquilo que os japoneses chamam de harakiri. Temos de registrar isso porque não é só o jato do sujeito do tigrinho; temos o jatinho do Vorcaro também. Malu Gaspar está cansada de mostrar como funcionam essas combinações: uma hora é Dias Toffoli, outra hora é Alexandre de Moraes. E esses favores caem muito mal.

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O agente público que aceita favores fica devedor, não tem escapatória

Passei um ano e meio no Palácio do Planalto, de 1979 para 1980, e recebi muitas ofertas; não aceitei nenhuma. No momento em que se aceita um presente estando em um cargo público, eu fico devedor e preciso retribuir o favor a esse doador bondoso, e vice-versa. Estou há mais de 50 anos em Brasília, mantendo distância sanitária do poder. A relação é respeitosa, é profissional, pode ser até amistosa, mas jamais pode ser íntima, com trocas de presentes ou favores. Não funciona. Há uma coisa chamada ética, necessária para que as coisas corram de modo normal.