ALEXANDRE GARCIA

PROMOTORES DESISTEM DO COMBATE À CORRUPÇÃO DIANTE DA IMPUNIDADE

Gaeco Maranhão

Gaeco deflagrou a operação Tântalo II, que prendeu o prefeito e 11 vereadores de Turilândia (MA)

No Maranhão está acontecendo, com dez promotores de Justiça, algo que me lembra o que aconteceu com a força-tarefa comandada por Deltan Dallagnol na Lava Jato. O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Maranhão investigava desvios de R$ 56 milhões na prefeitura de Turilândia. Encontrou R$ 5 milhões em uma casa, e foram presos todos os 11 vereadores, o prefeito, a primeira-dama, a ex-vice-prefeita, um secretário municipal, empresários, servidores, todos envolvidos no desvio de dinheiro dos seus impostos – dos seus impostos; não é dinheiro que caiu do céu, nem dinheiro que o Lula inventou ou que Fernando Haddad imprimiu na Casa da Moeda. É dinheiro do seu suor, R$ 56 milhões.

Estavam todos presos, mas a Procuradoria-Geral de Justiça deu parecer para soltar todo mundo. O que fizeram esses dez promotores? Pediram para sair desse grupo de combate ao crime organizado, porque não adianta nada. É um escândalo isso. Com a Lava Jato foi parecido, e o próprio Dallagnol foi alvo de vingança. Foi o deputado federal mais votado do Paraná e perdeu o mandato. Este é o Brasil, minha gente, é o país onde acham que o dinheiro do pagador de impostos pode ser usado por qualquer um.

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Hacker Walter Delgatti vai para o semiaberto

Lembram do hacker Walter Delgatti? Daquele caso pelo qual Carla Zambelli foi condenada a mais de 10 anos de prisão como autora mandante. Ele entrou no sistema digital do Conselho Nacional de Justiça e emitiu uma ordem de prisão para Alexandre de Moraes. Pois agora o próprio Moraes o mandou para o semiaberto. Ele pode sair da prisão e voltar à noite. Delgatti foi condenado a oito anos e três meses, e o Ministério Público avisou que ele já havia cumprido 20%, podendo passar para o semiaberto.

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Irã enforca manifestantes para tentar conter protestos

Os manifestantes presos durante os enormes protestos de rua no Irã, que continuam crescendo, serão enforcados nesta quarta-feira, pela lei islâmica. Enforcamento público, para que as outras pessoas fiquem com medo de se manifestar. É mais ou menos o que se fez aqui no Brasil com o 8 de janeiro; a diferença é que ninguém foi enforcado – apareceu até um estudo sobre enforcar um ministro do Supremo, mas ninguém passou do risquinho; no iter criminis, isso ainda nem é crime, o sujeito pode ter até comprado a corda, mas não é crime, porque não houve o movimento em si de tentativa. O filho e herdeiro do xá Reza Pahlavi, que foi deposto em 1979, tentou um encontro com Donald Trump, mas o presidente americano disse não, ele quer deixar que o povo decida. O Irã tem a segunda reserva de petróleo do mundo, a primeira é a Venezuela – e os dois estão com um problema sério. A China, que compra petróleo de ambos, está temerosa e não vai fazer nenhuma aventura com Taiwan se não tiver garantia de fornecimento de petróleo. Isso é fundamental.

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Venezuela e Estados Unidos em fase de estabilização

A nova presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, vai a Washington na quinta-feira para um encontro com Trump; certamente vão reabrir as embaixadas em Washington e Caracas. EUA e Venezuela estão em uma espécie de acomodação – melhor seria falar em estabilização, uma primeira fase depois do rompimento da captura de Nicolás Maduro. Os americanos aceitam a vice de Maduro, que, assim como ele, não ganhou a eleição; mas é um caso de pragmatismo: Delcy e o irmão Jorge são os que têm condições de pilotar a política. Diosdado Cabello, que também é procurado pelos Estados Unidos, já disse que vão reabrir a embaixada, que estão soltando presos políticos, Daniel Ortega sentiu a proximidade e está soltando presos políticos também.

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Brasil segue empenhado em apoiar o que há de pior

No meio de tudo isso, houve uma reunião do ministro de Relações Exteriores do Brasil com o chanceler do Irã, condenando os Estados Unidos em relação à Venezuela, dizendo que os EUA não têm de se meter, e que é preciso estreitar ainda mais as relações Brasil-Irã. Não há nenhum pragmatismo nisso; parece que a política externa brasileira é movida apenas a emoções ideológicas.

Também não vi ainda as feministas brasileiras apoiando os protestos, porque os aiatolás não dão direito algum para as mulheres. Não podem nem fumar, precisam cobrir o corpo todo. Uma mudança no regime seria a libertação das mulheres no Irã; elas voltariam a ser seres humanos com direitos iguais aos dos homens, como era no tempo do xá Pahlavi, herdeiro de Ciro, o Grande.

ALEXANDRE GARCIA

CONGRESSO TERÁ FORÇA PARA DERRUBAR O VETO DE LULA À DOSIMETRIA?

O presidente Lula (PT) vetou o projeto de lei, aprovado pelo Congresso, da dosimetria. Quais são as chances de o veto do presidente ser derrubado? Estão aqui os números: esse projeto foi aprovado por 48 a 25 no Senado e por 291 a 148 na Câmara.

Para o Congresso Nacional derrubar um veto, basta a maioria absoluta, o que significa a metade do total de deputados e senadores, mais um. Numa reunião do Congresso, o resultado seria 339 votos pela derrubada do veto, no total dos 584 deputados e senadores. Tem voto suficiente para derrubar.

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CPMI do Banco Master pode derrubar os males do Brasil

Outra coisa é a CPMI para investigar o Banco Master. Está cheio de gente enrolada com o Master, gente importantíssima, tanto que a investigação tramita em sigilo. É sigilo de todo jeito, no Banco Central, no Supremo, até na CPI do INSS.

O telefone do Daniel Vorcaro é uma caixa de Pandora: se abrir, vão sair todos os males do Brasil. Até sábado (10), a CPMI do Master tinha as assinaturas de 208 deputados e 37 senadores. Então, já tem número suficiente para abrir uma CPMI sobre a atuação de Vorcaro.

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Advogado de Lulinha conversa com chefe da PF. Não é coação?

Uma coisa muito estranha foi aquela conversa ao pé do ouvido, literalmente, no evento esvaziado que Lula inventou para comemorar, para lembrar o 8 de janeiro de 2023, entre o advogado do Lulinha e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, gravada por um câmera do SBT.

E se fosse Eduardo Bolsonaro ou Flávio Bolsonaro que tivessem ido conversar com o chefe da Polícia Federal? Que escândalo. O Eduardo Bolsonaro foi sancionado por isso, por supostamente fazer pressão e coação sobre a Justiça.

E os 40 influenciadores contratados pelo Master para fazer campanha contra o Banco Central e a favor do Master? Que tal? Isso não é coação? Mais o ministro do Supremo Dias Toffoli que chamou para si um inquérito que estava na primeira instância e impôs sigilo. Outro ministro, Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), que foi se meter onde não deveria ter se metido.

Agora, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para saber por que o ministro do TCU cometeu essa inconstitucionalidade contra o Banco Central e a credibilidade do Sistema Financeiro Nacional. Tomara que não fique por aí. A CPMI do Banco Master pode investigar o porquê de tudo isso.

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A “estreita cooperação” entre Brasil e Irã após ação dos EUA na Venezuela

Na política exterior, Lula reagiu a uma postagem do presidente argentino, Javier Milei, e mandou retirar o Brasil da custódia da embaixada Argentina na Venezuela, que foi esvaziada pelo ditador Nicolás Maduro, em Caracas. Os brasileiros saem e entra a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, que vai botar a bandeira tricolor italiana na embaixada, a pedido do Milei.

Ao mesmo tempo, enquanto acontecem essas manifestações no Irã para derrubar a ditadura teocrática dos aiatolás, a tal República Islâmica, os ministros de Relações Exteriores do Irã e do Brasil conversaram sobre o “sequestro” de Maduro.

Segundo nota do Irã, trata-se de uma cooperação próxima para enfrentar políticas unilaterais, isto é, enfrentar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Incrível. Eles dizem que a captura de Maduro foi uma clara violação à Carta da ONU.

Enquanto isso, a própria presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, vai para Washington conversar com Trump. Já está libertando os presos políticos, ou seja, está confessando que tinha presos políticos no país. E o Brasil vai para o lado do Irã, que está em queda.

Até domingo (11), já havia mais de 500 mortos nas manifestações no Irã. Uma imagem fabulosa mostra um, provavelmente, iraniano que subiu correndo, escalou a fachada da embaixada do Irã em Londres e substituiu a bandeira dos aiatolás pela bandeira da monarquia.

Enquanto isso, o herdeiro da coroa — é uma coroa de cerca de 2.500 anos, que vem da Pérsia — mora na Virgínia, pertinho de Washington, e queria conversar com Trump. Trump disse que agora não é conveniente e que é melhor deixar que o povo decida.

O Brasil eu não entendo, mesmo as coisas mais prosaicas e claras, é hora de não se meter a se aproximar ainda mais do Irã, mas estão se aproximando. O xá Reza Pahlavi foi casado com a imperatriz Farah Diba e, anteriormente, com a princesa Soraya Esfandiary-Bakhtiari. Um monte de crianças brasileiras receberam o nome Soraya por causa da mulher do xá do Irã.

Ele morreu com 60 anos — morreu cedo — no Egito. Lembro de uma foto dele acendendo o cigarro da Soraya. Não vejo uma feminista brasileira fazendo manifestação em favor da volta dos direitos das mulheres, que na República Islâmica não têm nenhum direito, zero, e tinham todos os direitos no tempo da monarquia.

ALEXANDRE GARCIA

STF EXIBE LADO POLÍTICO EM ATO SOBRE 8 DE JANEIRO

edson fachin stf 8 de janeiro

O presidente do STF, Edson Fachin, em ato alusivo aos três anos do 8 de janeiro, realizado na sede do Supremo

Na quinta-feira Lula fez uma manifestação, no Palácio do Planalto, pelos três anos do 8 de janeiro, e o Supremo fez outra, à tarde. Que Lula faça isso tudo bem, ele é político; mas que um tribunal, ainda mais no topo do Judiciário, faça isso contrasta com a ideia de que a Justiça tem de ser imparcial, isenta, e não se meter em assuntos políticos. No seu discurso, Edson Fachin, presidente do Supremo, confirmou a politização do STF. Ele disse que “o dever desta corte é ir de encontro às palavras do nosso maior escritor” – acho que ele quis dizer “ao encontro”; eu até pesquisei e vi que estava escrito “de encontro”, mas “de encontro” é chocar, é contrariar, então Fachin provavelmente quis dizer “ao encontro”. Ele justifica o evento: “evitando que o tempo faça desaparecer não apenas a memória do malfeito praticado, mas de quem se levantou contra ele”. Está mostrando que o Supremo se levantou contra o malfeito praticado. Então, o Supremo foi ativista, quando quem tem de ser ativista é o autor da ação, que é o Ministério Público.

E tudo tem de ser feito sob a égide da Constituição, que exigiria julgamento na primeira instância, inclusive para dar direito aos condenados de recorrer por todas as instâncias, segunda, terceira, última. Mas foi muito difícil recorrer; o amplo direito de defesa previsto na Constituição também não valeu. Fachin ainda elogiou o trabalho de Alexandre de Moraes. Para registrar os números, em 1.734 processos, 1.399 pessoas foram condenadas, 179 estão presas; 387 réus foram condenados a penas de 12 a 27 anos. O senador Esperidião Amin já protocolou uma proposta de anistia, e a oposição diz que vai derrubar o veto do presidente Lula ao projeto de lei da dosimetria, diminuindo as penas para crimes contra o Estado.

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Se deixarem a Polícia Federal trabalhar, vai ter muito fio para puxar no caso do Banco Master

A CPMI do INSS está bem animada, porque ficamos sabendo que a Polícia Federal está investigando as ligações do Lulinha – o Fábio Luís, filho de Lula – com o “careca do INSS”, que teria pago mesadas astronômicas para o Lulinha. Quem também anda pagando mesadas astronômicas é Daniel Vorcaro, do Banco Master. A Polícia Federal também deve investigar esse caso dos influenciadores, que foram muitos, segundo Malu Gaspar, de O Globo, com contratos altíssimos. Um vereador de Erechim (RS), que é um influenciador importante, denunciou, disse que foi contatado; tem influenciador que está mais para hipnotizador, criticando o Banco Central e defendendo o Banco Master. A PF vai investigar se foram todos comprados pelo Vorcaro. É um bom início, porque daí em diante vai-se puxando a corda, o fio de Ariadne, e vão aparecendo os outros, vamos ver se houve pagamentos de Vorcaro a pessoas contratadas para pressionar o Banco Central.

A Polícia Federal está investigando a venda para o Banco de Brasília, que é um banco estatal, de uma carteira fajuta de R$ 12 bilhões em créditos. E o resto já sabemos: Dias Toffoli, depois de voar com um dos advogados do Master, pôs completo sigilo em torno do assunto, que devia ter toda a transparência prevista no artigo 37 da Constituição, inclusive sobre o celular valiosíssimo do Vorcaro. Da mesma forma, todos ficamos sabendo daquele contrato do Banco Master com o escritório de advocacia da família de Moraes, ao custo de R$ 3,6 milhões por mês. Depois veio aquela acareação, tentando constranger o diretor de Fiscalização do Banco Central. Por fim, temos o ministro do TCU Jhonatan de Jesus, ex-deputado, formado em Medicina, que acabou voltando atrás naquela inspeção totalmente despropositada. O TCU não tem nenhuma competência para se meter na autonomia do Banco Central.

São coisas que estão saltando aos olhos. Por isso é muito boa essa investigação da Polícia Federal para, enfim, mostrar tudo que uma CPI ainda haverá de mostrar, porque já existem assinaturas suficientes para isso. Não podemos conviver com estripulias que fazem mal para o sistema financeiro do país, para as nossas contas bancárias, para o nosso crédito.

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Indicado por Lula para presidir a CVM já tomou decisões favoráveis ao Master

Saiu no Diário Oficial que Lula indicou um novo presidente para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), dizem que por influência de Ciro Nogueira, presidente do Partido Progressista, e de Davi Alcolumbre. Otto Lobo já é um dos diretores e está como interino na presidência; agora, vai ser submetido à sabatina do Senado. A CVM é uma autarquia com autonomia administrativa e orçamentária, vinculada ao Ministério da Fazenda, e que cuida do mercado de capitais, como certificados de depósito e ações. O indicado por Lula, segundo a Folha de S.Paulo, já teria brecado decisões desfavoráveis ao Master na CVM, por exemplo no caso do Carbono Oculto, sobre ligações com o PCC, no caso da Reag e fundos de investimento. Esse Master está em todas.

ALEXANDRE GARCIA

SÓ COM MUITA PRESSÃO MINISTRO PERMITE TRATAMENTO HUMANO

Jair Bolsonaro

Depois dos absurdos cometidos por um ministro do Tribunal de Contas da União, o ex-deputado e médico Jhonatan de Jesus, o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, também médico e também ex-parlamentar, está dizendo que deve recuar da inspeção no Banco Central, ordenada dentro do caso do Banco Master. Aí ficamos pensando em como o Supremo faz as coisas. Alexandre de Moraes não tinha permitido atendimento hospitalar para Jair Bolsonaro, que havia sofrido uma queda na Polícia Federal, mas acabou concedendo; acho que depois da candente entrevista da mulher de Bolsonaro, Michelle, ele acabou cedendo. Bolsonaro foi ao hospital, não se constatou lesão dentro do crânio, nem causa de convulsão. Descobriram que ele tentou caminhar e caiu.

Bolsonaro está com tonturas, tem labirintite, apneia do sono, refluxo, está tomando vários medicamentos antidepressivos e para controlar a musculatura dos soluços, tem problemas no trato intestinal, está convalescendo de duas cirurgias no abdômen, na região inguinal… tudo isso recomendaria prisão domiciliar. Vejamos o que Moraes decide.

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LinkedIn diz que Filipe Martins não entrou na plataforma; e agora?

Além de Bolsonaro, Moraes tem outro caso exigindo decisão rápida, o da prisão de Filipe Martins, ordenada por ele. Primeiro, Martins foi investigado, foi condenado, porque estaria em uma reunião da qual não participou. Depois, foi preso porque teria desembarcado nos Estados Unidos, quando na verdade desembarcou em Ponta Grossa. Ficou em uma solitária porque se negou a fazer delação premiada. Mais recentemente, ele estava com tornozeleira, mas foi posto em prisão domiciliar, sem poder sair de casa, porque Silvinei Vasques fugiu para o Paraguai, ou seja, pagou pelo que outro fez. Agora, foi recolhido a um presídio, porque um coronel dedo-duro da FAB, chamado Ricardo Wagner Roquetti, disse que Martins tinha acessado o LinkedIn dele. Mas a plataforma informa que Filipe Martins não fez isso. E agora?

Se antes de ordenar a prisão Moraes tivesse exigido uma comprovação do acesso por parte do LinkedIn, não teria mandado Martins para a cadeia. Quando Bolsonaro tem uma queda e pede para ir para o hospital, Moraes exige primeiro o laudo médico; para mandar prender Filipe Martins, não pediu nada. E agora, vai fazer o quê? E esse coronel da reserva, vai explicar como?

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Poder cubano sobre Venezuela é assunto pouco explorado após prisão de Maduro

Hugo Chávez, vocês se lembram, morreu em Cuba, onde estava se tratando. E Nicolás Maduro saiu de lá já ungido – foi por Chávez ou foi pelos cubanos? Maduro já veio nomeado pelos cubanos, um interventor cubano na Venezuela. Era Diosdado Cabello quem tinha as Forças Armadas; esperava-se que fosse ele a tomar o lugar de Chávez. Mas Maduro chegou já com segurança cubana. Morreram 32 seguranças cubanos no ataque norte-americano de sábado. Quem eram eles? Agora ficamos sabendo que, oficialmente, eles estariam em Cuba, mas sua missão era tão secreta que estavam na Venezuela. E não são seguranças quaisquer: são formados em forças especiais, em inteligência. Eles, na verdade, não só davam segurança para Maduro: eles o vigiavam, informavam tudo que Maduro fazia e conversava. Mas, com a prisão de Maduro, esse aspecto do poder cubano sobre a Venezuela ficou bastante desfocado.

E essa escolha dos irmãos Rodríguez? Delcy, que assumiu no lugar de Maduro, é irmã de Jorge, presidente da Assembleia Nacional. Ela recebeu a lealdade das Forças Armadas, e certamente tem a lealdade de todos os comissionados bolivarianos que estão no governo da Venezuela. Delcy foi escolhida para negociar com os americanos e já está tomando medidas. Pediu às forças policiais que prendessem todos os que apoiaram a prisão de Maduro, mas não vimos nenhuma notícia de prisões.

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Traficantes venezuelanos também estão no Brasil

O grande repórter Alexandre Magnani está em Washington e foi à Drug Enforcement Administration (DEA), o departamento norte-americano que cuida do combate às drogas, já que Maduro é acusado de tráfico. O governo venezuelano era um virtual cartel de drogas, embora os norte-americanos tenham tirado a referência ao Cartel de Los Soles no processo. Mas há também o Tren de Aragua. Aragua é o nome de um estado importante, Maracay é a capital, e esse grupo está lá em Roraima, tem ligações com o Comando Vermelho e o PCC aqui no Brasil. Então, também temos permissividade com essa gente. Trump disse que o Tren de Aragua está aterrorizando comunidades americanas; será que está falando de bairros que os traficantes vão dominando, como tomam conta de bairros aqui no Brasil, inclusive na Amazônia?

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EUA deixaram venezuelanos “tontos” durante ataque

Por fim, vejam o poderio americano nessa ação que prendeu Maduro. Os EUA cortaram todos os sinais de internet e de radar, confundiram as comunicações, os Sukhoi-30 comprados da Rússia ficaram no chão, os imensos blindados T-72 não serviram para nada, a artilharia antiaérea ficou cega, surda e muda. Agradeço a meu amigo Fabián Calle, argentino, que fez excelentes relatórios a respeito disso tudo. Tenho ainda o relato do conhecimento das Forças Armadas brasileiras sobre a Venezuela, mas fico devendo essa por hoje porque a conversa já vai longa.

ALEXANDRE GARCIA

TENTARAM ATÉ RECRUTAR INFLUENCIADOR PARA DESMORALIZAR O BC

Entrada do Banco Master em São Paulo.

Banco Master, em São Paulo

O Estadão é um dos principais jornais deste país e está acompanhando bem o escândalo gigantesco que está se tornando essa liquidação do Banco Master. Eu já falei aqui que eu não vi nenhum tipo de interferência quando liquidaram o Econômico, que tinha Antônio Carlos Magalhães e Ângelo Calmon de Sá, que era ministro; o Nacional, que tinha Magalhães Pinto, ex-governador, ex-presidente do Senado, ex-ministro; ou o Bamerindus, que tinha Andrade Vieira, ex-ministro da Indústria e Comércio. Ninguém fez nada.

O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, no Estadão, conta essa mesma história sobre a liquidação de outros bancos, com políticos de muito peso; ninguém tentou blindar ou atrapalhar a liquidação, nem se meter no Banco Central, que hoje tem autonomia, mas na época daquelas liquidações ainda não tinha – e, mesmo assim, ninguém se meteu. O governo Fernando Henrique, por exemplo, respeitou a ação do Banco Central, que é muito criteriosa. Por que, então, toda essa história com o Master?

Um vereador em Erechim (RS), influenciador com 1,7 milhão de seguidores, contou ao Estadão que foi procurado para ganhar dinheiro dizendo que o Master é vítima de perseguição do Banco Central. Isso foi no dia 20 de dezembro, mais ou menos um mês depois de o Master ter sido liquidado pelo BC. Isso é Daniel Vorcaro com seus tentáculos, seus amigos, e aqueles que ele tem no bolso. No dia em que ele falar, decerto vai atrapalhar a vida de muita gente. Tem aquele contrato com o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes, de R$ 3,6 milhões por mês, que ninguém consegue explicar transparentemente. Tem Dias Toffoli levando para o Supremo um caso que estava na primeira instância, e botar um sigilo absoluto por cima.

E agora vem o Tribunal de Contas da União, como se houvesse dinheiro da União no Master, quando é exatamente o oposto: o Master é que certamente deve ter comprado muito papel do Tesouro Nacional. O TCU não tinha nenhum motivo pra se meter nisso. É um órgão do Legislativo, que já está tomando providências, já tem assinaturas suficientes para fazer uma CPI e investigar essa história. E a Polícia Federal vai ouvir outra vez o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, diretores do Master e do BRB, para apurar por que o BRB queria tanto comprar o Master. Que motivação havia, a ponto de a bancada governista ter sido mobilizada para aprovar no Legislativo do Distrito Federal a compra do Master, considerada um grande negócio.

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Lewandowski e Haddad estão de saída

O presidente Lula vai ter de achar um ministro da Justiça e um ministro da Fazenda, porque Ricardo Lewandowski e Fernando Haddad vão cair fora. Lewandowski era ministro do Supremo; ele não viu que a Constituição diz “República Federativa do Brasil”, e fez um projeto de segurança pública que esquece a Constituição. Segurança pública é com os estados, mas Lewandowski estava praticamente transformando a Federação em república unitária. Claro que os governadores não quiseram saber. Esse protesto vem desde sempre no Brasil: o governo central se metendo demais nos estados.

Haddad deve estar dando graças a Deus que vai embora. Não conseguiu resolver os problemas, inventou aquele arcabouço, uma espécie de camuflagem para acabar com o teto de gastos estabelecido no governo Temer – uma das melhores coisas que foram feitas naquela época. E o resultado está aí, um déficit imenso. Se Lula tivesse juízo, seria até divertido: chamaria Paulo Guedes, que botou tudo em ordem com pandemia em metade do mandato; ainda assim, fechou com superávit. É possível fazer; basta aplicar o “mais Brasil e menos Brasília”.

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História do passaporte de Eliza Samudio é coisa de mistério policial

É enredo para um filme ou livro de mistério policial essa história da descoberta, em uma pensão em Portugal, do passaporte de Eliza Samudio. O ex-goleiro Bruno, do Flamengo, foi condenado a 22 anos pela morte dela; não se achou o cadáver até hoje. Isso faz 15 anos, e agora aparece um passaporte em Portugal. Não é para a gente imaginar mil coisas ou fazer um enredo de ficção, de mistério?

ALEXANDRE GARCIA

BANCO MASTER

banco master

Ministro do TCU determinou inspeção inédita no Banco Central por causa de liquidação do Banco Master

Estou escandalizado com o tratamento de proteção ao Banco Master e, mais do que isso, aos envolvidos com Daniel Vorcaro. Qualquer pessoa que não seja ingênua ou desinformada está percebendo isso. Agora é o Tribunal de Contas da União atrapalhando a estabilidade financeira do país por meio de um dos seus ministros, o ex-deputado do União Brasil de Roraima Jhonatan de Jesus (assim, com um H depois do J). Ele insiste: pediu informações ao Banco Central, o Banco Central respondeu, mas ele não ficou satisfeito. Agora, ele quer uma inspeção urgente e aprofundada para refazer os caminhos que levaram o Banco Central a decretar a liquidação do Master. Muita gente acha que o BC até demorou, mas Jhonatan de Jesus acha que não, que foi muito rápido, que havia soluções na iniciativa privada. Ele diz que tem de saber quais foram os motivos, se as decisões foram coerentes e proporcionais.

Enquanto isso, no Judiciário, o ministro Dias Toffoli chamou para o Supremo um assunto que estava na primeira instância, como se Vorcaro fosse presidente da República, senador, deputado federal. Usou como pretexto a história de que um deputado estava para fazer um negócio com o Master e não fez. A quem interessa o sigilo imposto por Toffoli? O artigo 37 da Constituição diz que essas coisas devem ter publicidade – inclusive e principalmente porque afeta milhares de investidores, vai torrar R$ 41 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos, é muito dinheiro.

Quem está sendo protegido nessas movimentações? A Febraban, representando 757 instituições financeiras e bancárias, está dizendo que o Banco Central tem autonomia, tem independência para fazer o que fez, que fez na hora certa e fez muito bem. Todos sabem que o Banco Central não brinca com essa história. E o TCU vai se meter nisso? Eu não sei se vocês conhecem a expressão Ne sutor ultra crepidam. Um escultor estava esculpindo uma estátua, passou um sapateiro e disse “essa sandália está mal feita!” O escultor agradeceu ao sapateiro e corrigiu a tira da sandália. Então, o sapateiro se achou no direito de dizer: “não gostei desse nariz”. E o escultor respondeu: “Sapateiro, não vás além da sandália”. Há sapateiros aí que estão indo além da sandália. Deixem que o Banco Central faça o seu trabalho.

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Bancos presididos por gente poderosa já foram liquidados, e ninguém interferiu no BC

Só para vocês compararem, eu vi muitas liquidações de bancos. No governo Fernando Henrique Cardoso, foi o Banco Econômico, da Bahia. Antônio Carlos Magalhães estava envolvido; o presidente do banco era Ângelo Calmon de Sá, ministro da Indústria e Comércio no governo militar. Mesmo assim, ninguém se meteu a impedir a liquidação. Depois, foi o Banco Nacional, de Minas Gerais, que patrocinava Ayrton Senna, fundado por Magalhães Pinto, grande figura política, governador, senador, deputado, ministro; ninguém se meteu também. Mais recentemente, em 2009, foi o Bamerindus, presidido por Andrade Vieira, também ex-ministro; ninguém tentou barrar a liquidação. O que está acontecendo agora?

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Arrumar motivos para um ditador não ser deposto é defender a ditadura, diz venezuelana

Maria Messano é uma venezuelana que trabalha em São Paulo, com estética feminina. Ela fugiu da Venezuela. Agora, gravou um vídeo, dizendo que “quem defende a ditadura é cúmplice do sofrimento do povo venezuelano. Não é petróleo, é nossa liberdade, democracia, eleições livres. O petróleo nosso foi usado para manter outras ditaduras, como a de Cuba”. E questiona: não podem tirar a ditadura em nome do direito internacional? Mas isso é uma defesa da ditadura, não é?

ALEXANDRE GARCIA

MADURO E CILIA DEVEM SER CONDENADOS À PRISAO PERPÉTUA

maduro

O ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores terão a primeira audiência em Nova York nesta segunda

Nesta segunda-feira (5), ao meio-dia no horário de Nova York – 14h no horário de Brasília –, Nicolás Maduro e Cilia Flores estarão numa audiência de custódia com o juiz federal do Distrito Sul de Nova York. Os dois estão presos; Maduro está numa prisão federal no Brooklyn.

A expectativa é de que sejam condenados à prisão perpétua pela quantidade de crimes ligados ao narcotráfico. Sobrinhos de Cilia já tinham sido presos, condenados e confessaram o envolvimento dela. Ela é a cabeça do governo Maduro, o cérebro. Já foi presidente do Congresso Nacional da Venezuela, da Assembleia Nacional, já foi procuradora-geral, foi advogada do Hugo Chávez. Ela está muito envolvida.

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Trump e a oposição venezuelana no pós-Maduro

O interessante é que Donald Trump parece não querer muita negociação com María Corina Machado, Prêmio Nobel da Paz, que foi afastada pela Suprema Corte venezuelana para não ser candidata – porque aí o resultado seria pior ainda para Maduro.

O resultado real, até os 80% de apuração da eleição de 28 de julho de 2024, era de 67% para o embaixador Edmundo González e cerca de 30% para Maduro. Foi aí que ele interrompeu a apuração e autoproclamou-se presidente.

Não sei por que Trump não quer muita conversa com a María Corina e quer que Marco Rubio converse, como já conversou, com a Delcy Rodríguez, que é a vice-presidente de uma eleição fraudada, não legítima. Talvez não queiram provocar alguma guerra civil na Venezuela, porque obviamente há divisão. Há uma maioria contra Maduro, a eleição mostrou, mas há pelo menos um terço de bolivarianos, apoiadores de Chávez, de Maduro e chavistas.

É isso que está acontecendo lá. Hoje vai ser um dia de muita negociação. Segundo Trump, a Delcy Rodríguez já teria conversado com Marco Rubio e dito a ele: “olha, a gente vai fazer o que vocês acharem certo”. O governo americano disse: “se não fizer o que acharem certo, a gente vai continuar agindo”.

Na ação, que foi rápida, mostrou-se que a Venezuela não tem nenhuma condição de falar em soberania, a não ser com a saliva. Porque não houve nada, não aconteceu nada. Deram uns tiros num helicóptero e não adiantou nada, o helicóptero continuou na operação. Foi tudo paralisado: Exército, Marinha e Aeronáutica. A incompetência das cabeças militares, que se tornaram ideológicas e não profissionais. Foi um zero. Para falar em soberania, tem que ter defesa nacional. Tem que poder exercer soberania, senão não existe.

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A nova prisão de Filipe Martins

Queria passar para o Brasil e falar um pouco do Filipe Martins, que foi preso agora porque um coronel da reserva da Aeronáutica – talvez por vingança, porque foi demitido no início do governo Bolsonaro (ele tinha um cargo de confiança no Ministério da Educação) –, chamado Ricardo Wagner Roquetti, fez um relatório minucioso delatando.

Ele inclusive diz: “tipo de manifestação: denúncia”, delatando que alguém de nome Filipe Garcia Martins acessou seu perfil e que ele sabia que estava proibido de acessar perfil na rede social. Então, estava denunciando para o Supremo. Imaginem só. Que vergonha.

E pediu sigilo. Aí eu acho que Moraes, ou algum assessor de Moraes que deve detestar dedo-duro, anexou a mensagem dele, e todo mundo ficou sabendo do nome dele: Ricardo Wagner Roquetti.

Filipe Martins foi preso. Ele já estava em prisão domiciliar, mas aí foi para a prisão atrás das grades. Imaginem só o destino de Filipe Martins. Primeiro, ele foi investigado, processado e condenado por estar numa reunião onde ele não estava. Depois, foi preso por ter desembarcado na Flórida, onde não desembarcou. Depois, foi para a solitária por não ter querido delatar ninguém – talvez não tivesse nada para delatar.

Depois, foi recolhido na casa dele; estava de tornozeleira, mas podia sair de casa. Aí foi recolhido, confinado na casa dele, porque um outro fugiu para o Paraguai, no caso o Silvinei Vasques, da Polícia Rodoviária Federal. Foi ele que pagou. E, por fim, agora, com a delação desse coronel da reserva.

Não vou pôr nenhum adjetivo nele, não vou fazer nenhum julgamento. Mas eu fico pensando: o que o marechal do Ar Eduardo Gomes pensaria dele? O que o brigadeiro Nero Moura, meu conterrâneo de Cachoeira do Sul, que foi ministro da Aeronáutica, pensaria disso? O que meu querido amigo Délio Jardim de Mattos, tenente-brigadeiro que foi ministro da Aeronáutica, pensaria dele. Eu nem vou pensar.

ALEXANDRE GARCIA

MANICÔMIO TRIBUTÁRIO

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Antonio Alban, disse em uma entrevista recente que em 2026 as empresas brasileiras vão viver um manicômio tributário, porque vem aí dois impostos novos.

Um é até falsamente chamado de contribuição. Que contribuição? É imposição, portanto é imposto.

Teremos a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que vão conviver com o ICMS, o IPI e outros impostos. Ainda não vai haver o recolhimento, mas já tem que fazer, calcular.

O Banco Mundial mostrou, antes da reforma tributária, que as empresas brasileiras gastavam em média 1.500 horas por ano para preparar o pagamento dos impostos. É um absurdo!

O governo deveria facilitar, porque a pessoa está entregando parte do seu trabalho para sustentá-lo. Deveria vir de joelho: “Olha, não quero atrapalhar nada. Eu vou facilitar o pagamento”.

É por isso que eu encontro tanta gente como um brasileiro que encontrei em Tampa, na Flórida: “Lá eu sonegava tudo que podia. Aqui eu tenho uma lojinha, eu pago cada centavo e acho pouco. Porque tem bons serviços públicos de limpeza, de segurança, de escola para os filhos. E o imposto, mesmo assim, é pequeno”.

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Curva de Laffer: a lição que o governo ignora

Quando se tira muito dinheiro do cidadão, chega um ponto – a curva de Laffer mostra isso – que o excesso de imposto faz com que a pessoa não aguente mais e passe a produzir menos, a vender menos e a pagar menos impostos. E aí cai a arrecadação.

Será que não se dão conta disso? Não, não se dão conta. Porque cada vez mais o governo gasta mais. Dívida federal de trilhões pagando um juro imenso chamado serviço da dívida.

É dinheiro morto. E ainda assim tem que cobrar mais imposto, porque se criou quase 40 ministérios. Burocracia não produz riqueza, só consome riqueza.

Quanto menor o Estado, mais ágil e mais dinâmico ele é… Mais estímulo para a economia. Mas, enfim, é uma conversa que eu queria ter com vocês nesse início de ano, porque não vai ser um ano fácil, não.

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Um governo que vive à base de gasto com propaganda

Eu vejo um governo que vive por propaganda. “Menor índice de desemprego”. Claro, só se considera desempregado quem está procurando emprego. Quem não está não entra nessa conta.

Treze estados do norte e nordeste têm mais Bolsa Família do que carteira assinada. Muitas pessoas desses estados não estão procurando emprego, mas também não estão trabalhando, não estão produzindo riqueza, não estão oferecendo trabalho, nem estão procurando.

É uma coisa muito triste o que a gente está vendo, e o governo segue gastando dinheiro de impostos com muita propaganda. Eu não sei por que um governo tem que ter propaganda. Governo não vende nada – não vende sabonete, não vende carro, mas gasta com propaganda para banco de fomento. Para que o Banco do Nordeste precisa de propaganda se o concorrente dele é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES)?

Propaganda de governo deve ser a prestação de um bom serviço público: saúde pública funcionando bem, escolas públicas ensinando, limpeza e segurança pública funcionando. Essa deve ser a única propaganda de um governo.

ALEXANDRE GARCIA

A QUEM INTERESSA O SIGILO DO CASO MASTER

banco master

O deputado Carlos Jordy (PL-RJ), vice-líder da oposição, anunciou na quarta-feira (31) que já há assinaturas suficientes de deputados e senadores para abrir uma CPI sobre o Banco Master. O objetivo é saber quem quer blindar o Master, a quem interessa o sigilo em torno do banco, quem são os amigos de Vorcaro que receberam favores, o que há por trás desse contrato gigantesco de R$ 129 milhões, de janeiro de 2024. No relatório que mandou para o TCU, o Banco Central mostra que as principais irregularidades, as trapaças, foram feitas entre junho de 2023 e junho de 2024. Janeiro de 2024, data do contrato, é bem no meio desse período.

Já há 177 assinaturas de deputados. Bastaria um terço dos 513 deputados, ou 171. Já tem a mais. E um terço do Senado é 27, mas já tem 28 senadores. Então vai depender agora, já que é CPI mista, do presidente do Congresso, que também é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Até as pedras da rua estão gritando que é necessário esclarecer essas histórias do Banco Master, o maior escândalo financeiro que eu já vi na minha vida.

Maior em tamanho, em bilhões envolvidos, assim como aconteceu há pouco o maior roubo da história, em que idosos da Previdência foram vítimas de descontos de grão em grão, até que a galinha ladra encheu o papo. Tiraram mais de R$ 6 bilhões de aposentados e pensionistas. O governo já devolveu uma parte, mas não foi o dinheiro dos ladrões que o governo pegou, é o dinheiro dos pagadores de impostos, certamente.

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Lula novo Biden?

Aí eu vejo, nessa discussão toda, uma reportagem da revista The Economist, que é a principal revista de finanças do mundo, dizendo que é um risco, na idade de Lula, querer reeleição. Ele está com 80 anos e, em outubro, quando houver a eleição, já terá completado 81. Já entra no 82º ano de vida.

A reportagem cita Joe Biden, dizendo que carisma, no caso de Lula, não protege do declínio cognitivo. Além, diz a revista, de estar sobrecarregado por escândalos. Eu lembrei de citar isso, porque eu falei no escândalo do INSS. Escândalos de corrupção, diz a revista.

Aí a Gleisi Hoffmann, ministra, veio em defesa de Lula e parece que ela não está bem, porque ela foi defender o Lula e fez propaganda pro Tarcísio. Eu não entendi, simplesmente não entendi. Ela é experiente? Eu não sei. Ela disse que a revista é a porta-voz do sistema financeiro global e prefere Tarcísio Freitas, governador de São Paulo. Se eu não quisesse Tarcísio, eu nem ia citar o nome, claro, fazer propaganda. Então, estamos aqui agora falando de Tarcísio por causa da Gleisi.

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Bolsonaro

Outro que está com problema é Bolsonaro, que tem 70 anos. Não resolveram o soluço, ele está com anemia, problema de hemácias, apneia do sono, esofagite e, por isso, volta o soluço e o que está no estômago, e ele pode respirar isso e entrar para o pulmão e dar uma pneumonia por aspiração, como ele já teve. Aí, resultado? Está numa solitária, com depressão. Depressão também causa soluço. Está desse jeito, os médicos reconhecem. Com base nisso – e certamente o Moraes vai pedir um laudo médico –, os advogados de Bolsonaro estão pedindo prisão domiciliar, benefício que o Collor e o general Heleno conseguiram.

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(In)civilidade nos aeroportos

Eu queria mencionar aqui, só como exemplo, um turista de Florianópolis, Santa Catarina, que fez uma bagunça no aeroporto Guararapes, de Recife. Ele foi para a sala vip, bebeu, perdeu o avião e começou a quebrar tudo. Chamaram a segurança, tiveram que jogar spray de pimenta, e ele reagiu, esperneou, deu pontapé, se agarrou. Me chamaram a atenção de algumas coisas: ele não estava vestido para sentar ao lado de outra pessoa. Estava de camisa regata e calção, como se fosse para a praia ou para a churrasqueira da casa dele, não para dentro de um avião, sentar-se naquele aperto ao lado de outra pessoa. Isso é desconsideração com a sociedade. É falta de civilidade e de urbanidade.

Eu vejo muito no aeroporto a pessoa que não sabe andar pela direita e prejudica todo mundo que está com pressa. Vai pela esquerda, batendo de frente com as outras pessoas. Fora quando entra numa esteira rolante e fica parada, como se estivesse num ride da Disney. Pensa que ali é para passear. Não, é para caminhar e ficar do lado direito. Porque se tiver gente que está com mais pressa ainda, que quer caminhar com mais rapidez para não perder o avião, tem que encontrar o lado esquerdo livre. Assim como nas escadas rolantes, deixa-se o esquerdo livre em qualquer país civilizado do mundo, só para lembrar.

Ou a pessoa vai para o avião e começa a falar alto. Aliás, falar alto é falta de educação em qualquer lugar! Mas tem lá alguém quer dormir, e o sujeito atrás falando alto, ou dando pontapé no encosto da frente. Aproveito para fazer essas queixas de coisas que a gente vê…

Ele foi levado para um juiz, para a audiência de custódia, e o juiz disse que ele tem que ficar 30 dias na comarca de Recife. Ele está lá sob medidas cautelares por depredação de patrimônio público, ação que pôs em perigo outras pessoas.

ALEXANDRE GARCIA

BRASILEIRO ESTÁ PAGANDO EM DOBRO PELO ROUBO DOS APOSENTADOS

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Pagadores de impostos, e não os fraudadores, estão bancando a devolução do que foi roubado de milhões de aposentados

O governo federal disse ter devolvido parte do dinheiro roubado de aposentados e pensionistas: foram R$ 2,82 bilhões para 4.137.951. Como a devolução foi solicitada por 6.362.898 pessoas, ainda falta devolver um pouco mais de R$ 3 bilhões para uns 2,2 milhões de aposentados. Apenas 131.522 informaram ter autorizado algum desconto. E de onde saíram esses R$ 2,82 bilhões? Do bolso ou das contas bancárias dos ladrões? Do patrimônio comprado com o que roubaram? Acho que não. Saiu das contas públicas, não foi? Pagamos em dobro, portanto.

Esperamos que a Polícia Federal e a CPMI do INSS apurem, encontrem os responsáveis e os obriguem a devolver tudo – e não só isso; essas pessoas precisam ser punidas por esse roubo escandaloso. É até caso de aplicar o Estatuto do Idoso, porque os fraudadores se aproveitaram da idade das pessoas, que não ficaram pesquisando o contracheque deles para ver o que eram aqueles descontos, precisou haver denúncia para isso.

Mesmo assim, ainda está cheio de gente blindada pela bancada governista, para não depor na CPMI. Isso é cumplicidade com a crueldade. E tomara que mais tarde o Supremo não decida que vão devolver a devolução e perdoe todos os ladrões, porque andamos assustados com a impunidade na Lava Jato.

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PT transformou estatais em saco sem fundo

As estatais que não têm capital aberto – a Petrobras, por exemplo, está fora dessa contagem – estão com um déficit, até 30 de novembro, de R$ 6,3 bilhões. Os Correios vão pegar R$ 12 bilhões de empréstimo e estão querendo mais R$ 8 bilhões. Vão fechar mil agências – ou seja, vão faturar menos – e demitir muita gente; vamos ter de bancar as indenizações desse saco sem fundo.

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Depois de caos em aeroporto, Portugal retoma controle de imigração antigo

Quem viaja nas férias e não quer ser agredido em praia brasileira, não quer ficar ombro a ombro com os outros em uma praia lotada, não quer ficar embaixo do sol quente, não quer ver bebê passando muito tempo no sol (como aconteceu em Balneário Camboriú, a ponto de a polícia ter de intervir), quem não quer nada disso e prefere ir para o frio do Hemisfério Norte, na Europa, costuma entrar por Lisboa. E o caos por lá já dura meses: as pessoas estão esperando por horas na fila – agora, no Natal, eram oito horas de espera na imigração. Sem banco para sentar, em pé, independentemente da idade; quem quiser ir ao banheiro tem de sair da fila; sem lanchonete por perto para comer alguma coisa, sem nem sequer um bebedouro. A pessoa fica em pé por oito horas em uma fila que vai serpenteando, em zigue-zague.

O caos foi tanto que na terça-feira, antes que terminasse o ano, Portugal suspendeu a tal identificação biométrica, com impressão digital e leitura facial. Era preciso fazer o registro, e isso estava levando muito tempo. Retornaram com o método antigo, que já provocava filas, mas não tão grandes. Essa nova identificação está vigorando em todos os 29 países da União Europeia, que inclui Portugal, mas lá não deu certo; não sei como está nos outros países.

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Toffoli viu que fez bobagem com acareação no caso do Banco Master

Jair Bolsonaro fez mais uma intervenção, a terceira, por causa de soluços, e estamos esperando o resultado. Como também estamos esperando no que vai dar o teatro de Dias Toffoli no Supremo; ele viu que a acareação estava pegando muito mal, recuou e decidiu que vão colher depoimentos primeiro. Enquanto isso, o FMI e o Banco Mundial estão preocupados com o sistema financeiro brasileiro. É o que acontece quando o Senado não sabatina direito os indicados ao STF para saber se eles realmente têm notável saber jurídico – ou pelo menos algum saber jurídico.