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O DIÁRIO DE ANTHONY FAUCI E A CENSUAR AUTORITÁRIA NA PANDEMIA
Editorial Gazeta do Povo

Anthony Fauci se negou a responder a todas as perguntas que lhe foram feitas em audiência no Senado norte-americano
As controvérsias em relação a vários aspectos da pandemia de Covid-19 ressurgiram com força na semana passada, quando o senador norte-americano Rand Paul divulgou o diário com as anotações de Anthony Fauci, que comandou o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (Niaid, na sigla em inglês) até 2022 e, nessa condição, foi a principal autoridade dos Estados Unidos na definição de políticas de combate ao coronavírus. Também na semana passada, Fauci compareceu ao Senado norte-americano, mas ficou calado e não respondeu a nenhuma das perguntas que lhe foram feitas, invocando a Quinta Emenda da Constituição do país, que dá aos cidadãos o direito de não se autoincriminarem.
Nas cerca de 1,6 mil páginas, redigidas em computadores do trabalho de Fauci e armazenadas em servidores do governo – o que permitiu que elas se tornassem públicas –, o ex-diretor do Niaid manifestou dúvidas sobre a hipótese de surgimento acidental do Sars-CoV-2 (embora ela ainda fosse sua preferida); relatou uma internação por problemas pulmonares (ainda que não se possa concluir disso que fosse um efeito colateral da vacina contra a Covid) que, segundo o atual secretário de Saúde, Robert Kennedy Jr., foi ocultada do público; relatou casos em que foi chamado a aconselhar gestores públicos sobre o fechamento ou a abertura de escolas; e falou sobre o uso de máscaras como forma de reduzir o contágio. Ele ainda fez críticas ao então presidente Donald Trump, que governava os EUA quando a pandemia começou, e deixou implícita uma certa satisfação pessoal com o grau de destaque que a imprensa lhe concedia.
Não é nosso objetivo, neste momento, debater a veracidade ou a falsidade de tudo o que foi dito sobre esses assuntos ao longo da pandemia – até porque, em alguns casos, ainda há dúvidas pertinentes e faltam as evidências irrefutáveis para qualquer um dos lados. Tampouco nos interessa aqui analisar decisões de gestão tomadas por governantes que, em muitos casos, precisaram agir rapidamente com base no conjunto de informações de que dispunham no momento, diante de uma situação dramática. Mas é preciso, sim, chamar a atenção para uma situação gravíssima, que pode ter impedido decisões melhores: a completa supressão do debate, de forma autoritária, em nome de “consensos” que, como se vê agora, estavam longe de merecer tal nome.
Questionamentos legítimos – e cuja legitimidade, aliás, já existia muito antes de conhecermos o conteúdo dos diários de Fauci – a respeito da pandemia e das formas de combatê-la foram sumariamente proibidos. A defesa do isolamento dos grupos mais vulneráveis em vez de lockdowns generalizados; o alerta sobre possíveis efeitos colaterais das vacinas (um fenômeno que ocorre com todo medicamento e imunizante); a escolha pelo tratamento precoce com o uso off-label (outra prática relativamente comum na medicina) de fármacos como a ivermectina; a crítica ao fechamento das escolas e a medidas como os “passaportes de vacina”; perguntas sobre a origem laboratorial do Sars-CoV-2 – tudo isso foi desqualificado por autoridades sanitárias e parte da imprensa como “fake news”, “negacionismo”, “teorias da conspiração” e “postura anticientífica”, e associado a um determinado lado do espectro político-ideológico.
No Brasil, entretanto, esse processo foi ainda mais acentuado: as perguntas inconvenientes não foram apenas desqualificadas, mas praticamente criminalizadas, seguindo à risca o pensamento do então ministro do STF Luís Roberto Barroso, para quem “a difusão da desinformação, incentivando (…) posições anticientíficas, que levam à morte, isso não é neutro, não é protegido pela liberdade de expressão”. Em conjunto, Supremo e CPI da Covid trataram como potenciais criminosos os que promoveram – e os que prescreviam, pois os médicos também foram perseguidos – o tratamento precoce, os que manifestaram dúvidas sobre as vacinas, os que criticavam os lockdowns, e qualquer um que ousasse discordar do “consenso” sobre a pandemia: publicações e contas inteiras em mídias sociais foram censuradas, e brasileiros tiveram seus sigilos quebrados sem nenhum motivo razoável que o justificasse.
O abuso cometido durante aquela época é injustificável sob qualquer ponto de vista e não tem precedentes em nenhum outro momento da história. A crítica a políticas públicas e o direito de questioná-las sempre foram protegidos pela melhor doutrina e jurisprudência a respeito da liberdade de expressão, independentemente da existência de dados empíricos que embasem tal crítica ou da sensatez da opinião nela contida. Médicos e pacientes, de comum acordo, sempre tiveram o direito de, confrontados com uma doença para a qual não há medicamento específico, escolher de comum acordo um tratamento off label, cientes de que não há garantia de resultado. A ciência sempre foi construída no confronto de hipóteses, no teste, na tentativa e erro; pessoas geniais do passado já defenderam o que hoje é considerado “anticientífico”, enquanto o que hoje é considerado “científico” nem sempre foi visto assim. A busca da verdade – e isso inclui, evidentemente, a verdade sobre a Covid-19 – sempre exigiu o livre trânsito de ideias. Nenhuma emergência global de saúde, por mais grave que seja, é capaz de alterar essa realidade; mas políticos, magistrados, imprensa e Big Techs decidiram ignorá-la, escolhendo um lado “certo” e atropelando, de forma inconstitucional, todo tipo de liberdade e garantia democrática, inclusive por razões de antipatia político-ideológica.
Há quem trate a pandemia não apenas como a catástrofe sanitária que ela realmente foi, mas também como um grande experimento social, em que o mundo inteiro foi testado a respeito de sua capacidade de aceitar bovinamente qualquer restrição estatal. Sem chegar a esse ponto, podemos afirmar que, ao menos no que diz respeito à liberdade de expressão, de fato os censores puderam considerar a experiência bem-sucedida, tantos foram os que aprovavam e defenderam a censura, o arbítrio e a postura – esta, sim, totalmente anticientífica – de eliminar as perguntas e o debate. Entre esses houve, inclusive, profissionais como jornalistas e cientistas, cujo trabalho, na essência, exige a liberdade cuja supressão eles defenderam. É fundamental que haja um mea culpa. Não falamos de reconhecer um eventual erro sobre vacinas, tratamento precoce, lockdowns ou algum outro aspecto específico da pandemia, mas do reconhecimento de sua cumplicidade com a instauração de um ambiente de censura e perseguição, que cassou a liberdade de expressão em nosso país e legou aos brasileiros o pior “efeito colateral” prolongado que a Covid-19 poderia deixar.
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
SCHIRLEY – CURITIBA-PR
PENINHA - DICA MUSICAL
MERLE HAGGARD & JANIE FRICKE
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A PALAVRA DO MINISTRO DA DEFESA
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LULA QUESTIONA DEBATES ELEITORAIS
Guilherme Fiuza

Pelo menos três debates na TV já estão marcados entre agosto e outubro, mas Lula não garante presença
O presidente Lula disse, em entrevista, que não vale a pena participar de debate eleitoral para ficar ouvindo “bobagem”. O entrevistador concordou. Um interlocutor compreensivo faz toda a diferença. Lula sabe onde pisa.
A notícia principal não é a que parece. Claro que um candidato à reeleição presidencial indicar que não pretende debater com os concorrentes é uma notícia e tanto. Apesar de o entrevistador ter achado aquilo normal, numa democracia não é normal — mesmo já tendo acontecido algumas vezes. E a forma que Lula encontrou para dizer isso foi a menos convincente possível: a premissa usada foi a de que candidatos sem cargo são, ou podem ser, franco-atiradores.
Nessa linha, o presidente se disse preocupado com “o nível” dos debates, complementando que nem sabe ainda quem serão os candidatos. Ou seja: quem um postulante qualquer pensa que é para criticar livremente uma autoridade — sem ter nada a perder?
Lula, portanto, não estaria disponível para debates eleitorais com o intuito de proteger a instituição da Presidência. Esse tipo de discurso jamais colaria alguns anos atrás. Mas parece que as coisas estão mudando velozmente. O entrevistador do podcast, por exemplo, não viu problema nenhum nessa premissa.
Mas a notícia principal, como dito acima, é outra. Qualquer candidato, estando ou não no cargo, só pensa em faltar a debates eleitorais se considera suas chances de vencer claramente superiores às dos demais. Sem a certeza de um favoritismo expressivo, ninguém evita debates. Em outras palavras: com todas as informações e projeções de que dispõe um presidente da República, Lula tem a convicção de que está com a mão na taça.
Pesquisas e levantamentos de intenção de voto são falhos e têm margens de erro muito largas — eventualmente em favor do contratante. A pré-campanha presidencial deste ano foi especialmente pródiga em desencontros de projeções — tanto dos institutos mais conhecidos como das informações vazadas de sondagens internas. Banco Master, INSS, Michelle Bolsonaro, Trump e outros temas capazes de influenciar ou modificar a propensão do eleitor foram “lidos” de maneiras diversas e até opostas entre si.
O quadro das projeções eleitorais está confuso. Ninguém arrisca dizer ao certo quais acontecimentos ou escândalos abalaram quais candidaturas. Mas o Palácio do Planalto não só parece estar tirando o time de campo dos debates, como também decidiu que Lula começaria a falar explicitamente dessa intenção. É coisa de quem está muito seguro do que faz.
O presidente tem estado à vontade até para falar das suspeitas que recaem sobre seu filho no caso do INSS. A rede de blindagem propagandística do lulismo na imprensa e na elite da sociedade é algo impressionante. Com as obras completas do PT no poder, as peripécias da Lava Jato e todo o quadro de deterioração macroeconômica atual, Lula parece ainda conseguir sustentar um frescor de cavaleiro contra o fantasma da ditadura.
De passagem pelo Brasil para a convenção do maior partido de oposição, o presidente argentino Javier Milei resolveu dar uma trombada nesse status quo. Foi uma postura tão diversa do que se vê por aqui que acabou sendo tratada até como um evento exótico por parte da imprensa. O ministro da Fazenda chamou-o de “palhaço”.
Os próximos dois meses precisarão mostrar onde está o circo e onde está a realidade.
SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO
NA CATAÇÃO
LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

