PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

DEU NO JORNAL

GARGALHADA NA ESCURIDÃO

Paulo Briguet

A cena de Orwell parece se repetir no Brasil: enquanto o povo enfrenta seus problemas, os poderosos riem e se distanciam da realidade

“Lá dentro, em volta de uma mesa grande, estavam sentados meia dúzia de granjeiros e meia dúzia de porcos dentre os mais eminentes, Napoleão no lugar de honra, à cabeceira. Os porcos pareciam perfeitamente à vontade em suas cadeiras. O grupo estivera jogando cartas, mas havia interrompido o jogo por instantes, evidentemente para os brindes. Ninguém notou as caras admiradas dos bichos, que espiavam pela janela.”

Assim George Orwell escreve no último capítulo da fábula “A Revolução dos Bichos” (Animal Farm), publicada há 81 anos. Muitos veem a obra de Orwell apenas como uma alegoria da Revolução Russa de 1917 e identificam seus principais personagens — os porcos — com os principais líderes comunistas — Lênin, Stálin e Trotsky. No entanto, o que Orwell pretendeu com seu pequeno livro — uma leitura indispensável para qualquer terráqueo do nosso tempo — foi retratar metaforicamente todo e qualquer processo revolucionário de tomada do poder. Ali está o destino de todas as revoluções políticas. E o Brasil não foge a essa regra.

Olavo de Carvalho sempre dizia que a realidade política sempre reproduz algo que já estava na literatura — ou seja, no imaginário cultural da humanidade. Nesta semana, os ministros do Supremo Soviete Federal foram flagrados reproduzindo quase que literalmente a última cena do livro de Orwell:

“As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco.”

A gargalhada de Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Edson Fachin, captada pelas lentes de um fotógrafo pelas frestas de uma janela do STF, é a imagem do pesadelo que estamos vivendo no Brasil. Enquanto o povo brasileiro padece com os cinco C’s diabólicos — crime, corrupção, custo de vida, carga tributária e censura —, eles dão risada de nossa cara.

É uma gargalhada na escuridão. A nossa escuridão. É uma mensagem clara para que continuemos calados, trabalhando e pagando nossos impostos, enquanto os porcos, ou melhor, os chefes, seguem sugando as últimas forças vitais do país e cometendo crimes em série.

Porque, ao fim das contas, “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”.

COMENTÁRIO DO LEITOR

ESQUEMA

Comentário sobre a postagem TÁ PROVADO: SÓ FALA VERDADES!

João Bosco de Lima:

Já admirei esse homem, durante 25 anos falava de honestidade.

Ao assumir o governo, montou o maior esquema de ladrões do mundo.

Hoje petista é sinônimo de ladrão.

É tanto que ao ver a palavra ladrão escrita em qualquer lugar já associamos a lula.

Depois da admiração tive pena , hoje tenho nojo.

DEU NO JORNAL

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

CORAÇÃO BOLSO

Eu sou um homem vivendo do que levo no alforge do meu coração, e não no bolso. E quando olho para trás, até me parece, que sempre foi assim.

Porque eu já passei alguns momentos… Se eu não vivesse pelo que molha meu coração transbordando pelos olhos, teria sucumbido à secura do bolso.

Um dia eu percebi que a minha roupa estava desbotada. Podia ter ficado envergonhado. Mas, olhei para o meu interior e enxerguei meu peito inflando. Não era orgulho. Eu não tinha muito do que me orgulhar. Era de consciência! Era de dignidade!

Naquele dia, especialmente, eu andava por um corredor de shopping ignorando o meu saldo bancário negativo.

Olhei-me na vitrine espelhada de uma loja, e lá estava minha camisa desbotada. Sentei. Ao meu redor passavam homens de ternos impecáveis. Eu me perguntei “esses caras têm alma?” Porque me pareceu, observando-os, que suas almas na verdade eram de livros-caixa passeando apressados. Talvez mentalmente contassem dinheiro e, em breve, eu pensei, poderiam estar contando infartos.

Naqueles dias eu não contava nada. Apenas sentia. Sentia o mundo.

Sentia o amor copulando com a esperança, para gerar fé. Sentia a minha dificuldade e a dificuldade de algumas pessoas ligadas a mim. Mas eu não estava alheio a outros sentidos e percebia o sofrimento do menino no sinal, por exemplo, calção desbotado, nu da cintura para cima, descalço sob os calcanhares. Eu tinha minha camisa desbotada, porém estava calçado.

E ali, diante de outros “sentidos”, eu raciocinei que a humanidade moderna não perdoa o luxo das emoções. O único que eu podia ter naqueles dias. Afinal, quem vive apenas de sentimentos, vive à margem.

Para o gerente da loja de marca cara, à minha frente, encarando-me desconfiado, talvez eu fosse uma aberração ambulante, ou um cadáver social mal vestido no caixão das elegâncias.

Eu ri para ele e pensei que, naquele mesmo instante, muitos ricos estavam afogando suas angústias em uísque doze anos, embebedando suas úlceras nervosas.

Eu não! Eu apenas sangrava sentimentos pelas feridas do que havia dentro do meu peito, com a sensação de uma dignidade exasperante que o dinheiro é incapaz de comprar e, quando a falta dele deixa de importar, passa a ser só uma sensação gelada no que os olhos veem. O coração só esfria se for fraco.

Eu sou um homem vivendo do que tenho no coração, e não no bolso. Sou para mim mesmo – e isso me basta – um herói respeitado, porque já vivi o trágico, quase obsceno para a minha época e, também, para o meu lugar. Essa província de tantas exposições financiadas.

E eu ainda cometo o maior dos pecados modernos: a audácia de ser sentimental numa sociedade que só aprendeu a contar. E a contar vantagens que, às vezes, nem existem.

Nem por isso eu deixo de buscar aquilo que os antigos celtas vaticinavam às pessoas próximas e amadas: caminhar com “o coração leve e o bolso pesado”.

Somente para o que for necessário.

Talvez para não andar mais desbotado.

Talvez. Afinal, eu nunca liguei para isso mesmo.

Porque o importante eu levo dentro do peito.