Arquivo diários:11 de setembro de 2026
DEU NO JORNAL
JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO
OS DEUSES DO RISO
Lisboa. Estavam, à espera do elevador, alguns ministros do Supremo – Facchin, Gilmar, Zanin, todos rindo. E mais que todos, gargalhando, Alexandre de Moraes. Retratados por Brenno Carvalho, de O Globo.
Na Grécia antiga, são muitos os deuses ligados a uma cena como essa. Mais famosos deles Dionísio, deus dos vinhos e das festas; seu filho Como, espírito dos festejos e dos banquetes; e Momo, deus das sátiras. Além, claro, do deus Gelo, personificação do riso e das alegrias, com santuário em Esparta. Plutarco relata que o legislador Licurgo até lhe dedicou bela estátua.
Antecipando tragédia que o Brasil viveria, tempos depois, era íntimo de figuras sombrias como Tanatos (a morte) e Fobos (o medo). Rostos que, hoje, conhecemos aqui por nomes e sobrenomes.
O ministro Alexandre de Moraes, achando pouco tudo que fez (dentro e fora dos autos), incluiu na investigação que conduz (processo 4.781), há quase 8 anos, o ministro André Mendonça. Com o sonho de decretar sua prisão, provavelmente. Tivesse bom senso, deveria ter renunciado (para não correr o risco de ser preso). Assim protegendo o Tribunal em que trabalha e seus familiares. Como sabe que não vive em um país decente, sonha com o inverso; sair, do lamaçal, como o mais poderoso dos brasileiros.
Não sei se ainda riem tanto agora os tais ministros, depois que o Mendonça esta semana decidiu reagir. E tirou de seus cargos, por tramarem no caso Vorcaro junto a Moraes, dois parceiros do grupo – o Diretor de Inteligência Policial e o próprio Diretor Geral da Polícia Federal. Vejamos como isso acaba, o tempo é senhor da razão.
No andar da carruagem, uma pergunta me ocorre. Afinal riam do quê?, tão augustas e veneráveis figuras.
Riam, talvez, da esperança em conseguir que as escandalosas relações, entre Daniel Vorcaro e o ministro Moraes, nem sejam investigadas.
Riam, talvez, com a certeza de que Vorcaro vai permanecer em silêncio. Mudo. Sabe que o Sistema é forte e, no passado, livrou todos (inclusive condenados e presos) que hoje estão brilhando no poder. Como na Lavajato. Chegará sua vez de escapar, assim acredita, em razão de que jamais fará “Colaboração Premiada”.
Riam, talvez, do fato de que ninguém vai precisar explicar nada: nem o ministro Moraes, nem o ministro Toffoli, afora outros que ainda não apareceram nas gravações. Nem filhos. Nem mulheres. Posto que vem sendo essa uma regra, no Supremo, o do corporativismo mais despudorado, como se viu em todos os últimos escândalos.
Riam, talvez, do acerto entre eles para tirar esse processo das mãos do ministro Mendonça. Na Grande Mídia, o discurso está já bem afinado. Para proteger o Supremo, deveriam sair de cena os dois, Mendonça e Moraes. Passando a relatoria para um ministro amigo, claro!, comprometido com o Sistema.
Riam talvez porque se têm, nossos conhecidos ministros, como semi-deuses castos e puros, donos da verdade, seres perfeitos acima do bem e do mal. E não são, amigo leitor, pode acreditar. Não são.
Riam talvez, por fim, de nossa ingenuidade, em querer ver um país mais limpo. Com mínimos de ética. Onde a esperteza não dê as cartas; e com todos os corruptos, de ambos os lados, pagando pelo que fizeram.
E foi então que, usando palavras de Fernando Pessoa (Ode marítima), “de repente, mais de repente” (quase o mesmo que Vinícius depois escreveria, no Soneto da separação, “de repente, não mais que de repente”), deu-se um clarão. Um “Eureka”, como aquele de Arquimedes (de Siracusa). E tudo ficou claro. Luminosamente claro.
A pergunta está errada, esse o problema. Não é “riam do quê?”, como ela estava sendo feita. Mas “riam de quem?”. E a resposta certa, clara como o sol, eles riem é de nós.
DEU NO JORNAL
SÓ ISSO ???
COMENTÁRIO DO LEITOR
BANÂNIA
Comentário sobre a postagem ACORDE, VOCÊ ESTÁ NUMA DITADURA SOCIALISTA!
Monteiro:
Há países que dão certo (meio que, é verdade!) e países que não dão.
Banânia está na segunda categoria.
Que isto aqui se tornaria um cagadouro ao fim dos tempos já estava escrito nas estrelas, desde que Cabral bateu como os cornos nas praias de Pindorama.
A triste realidade é que a racionalidde não chegou a estas latitudes nas caravelas, nem nos navios negreiros, e continua não dando as caras, apesar do intenso consumo de querosene de aviação…
O que temos, ao fim e ao cabo, é um “território ocupado” (apud Sobral Pinto) por uma sopa de DNAs de todos os tamanhos e convoluções, com os 50, 500 ou 5000 tons de pardo, onde o mané contemplado com 50% de melanina na pele fica puto dentro das calças porque se julga discriminado pelo que só tem 40%, apesar de ele mesmo também discriminar o pobre mané que nasce com 60 ou mais por cento…
Assim, com uma população recheada de recalcados e ressentidos, com um QI médio baixo, são as irmãs siamesas – estupidez e pobreza – as que definem quem nos governa.
Um lula da vida, um stf e judiciário do calibre que temos, um legislativo onde os manés só estão preocupados com seus próprios interesses, etc. etc., são o que podemos ter.
O resto, como dizem, é conversa mole pra boi dormir…
VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO
ASSECLAS DE NERO
Entre as maldades do imperador romano NERO, conhecido na História pela sua tirania, está o incêndio de Roma, por ele provocado e ao qual ele teria assistido com indiferença, dedilhando sua lira.
Esse grande incêndio de Roma ocorreu em 18 de julho de 64, e depois de seis dias em chamas, a cidade estava com dois terços reduzidos a escombros.
Logo se divulgou o boato de que Nero teria mandado atear fogo em Roma, para apreciar o espantoso espetáculo e depois escrever um poema baseado na cruel realidade.
Para afastar de si as suspeitas, Nero tratou de atribuir a culpa aos cristãos. Daí, tiveram início as perseguições aos seguidores do Cristianismo. Homens, mulheres e crianças foram presos e condenados aos piores suplícios.
Sob o governo de Nero, Roma teria conhecido o clímax do desregramento moral e político.
Paulo, discípulo de Jesus, foi decapitado. Pedro teve a morte na Cruz. Muitos cristãos eram atirados às feras, no Circo Máximo, num espetáculo que visava acalmar a revolta do povo.
Após o incêndio, o imperador Nero iniciou, imediatamente, um grande projeto de reconstrução da cidade. Logo confiscou bens para construção de seu palácio, a “Domus Aurea” (Casa Dourada), que ocupava, com seus jardins, extensa área urbana.
O Brasil, atualmente, parece infiltrado de asseclas de Nero.
A política, no seu significado mais amplo e mais nobre, deveria ser, com efeito, a arte de organizar a vida coletiva e individual. Entretanto, ela não passa da mais despudorada mentira.
Estamos assistindo ao espetáculo de um “rei” desfrutar das regalias da Nação, num gasto sem freios, com aprovação dos vermes do poder.
Esse grupo domina e escraviza a grande massa da população. São algumas centenas de homens cavalgando bilhões, impiamente. E ainda por cima, eles chamam de ímpios aos que se revoltam contra os gastos desenfreados do dinheiro público.
Eles dispõem de tudo quanto racionalmente forma o grande patrimônio comum. Açambarcam o que seria o seu quinhão e o dos outros. Para eles, o aumento da abundância; para os pequenos, os horrores da miséria.
Não podemos caminhar, melhorar ou progredir, enquanto os nossos homens públicos continuarem se julgando uma casta à parte, bem acima da Nação.
Mas, inesperadamente, o redemoinho político que toma conta do nosso País, ao que tudo indica, começou a ser debelado. As injustiças e perseguições políticas, ontem, foram escancaradas, não dando mais para esconder.
As maldades praticadas contra cidadãos brasileiros cansados e aposentados da Previdência Social, foram descobertas e carecem de urgente reparo, tendo em vista que o dinheiro sugado dos aposentados representa carne e sangue, doados ao País ao longo de suas vidas e que hoje garantiriam a sobrevivência de cada um.
Os ofendidos e humilhados serão absolvidos das garras dos carrascos e poderão continuar vivendo com liberdade, saúde e sem humilhações.
O mal praticado contra os brasileiros, que tiveram seus anos de vida diminuídos pelo sofrimento e humilhação, somente Deus poderá perdoar. E o acerto de contas, o tempo fará. A Lei do Retorno existe.
DEU NO JORNAL
ESTAMOS BRILHANDO LÁ FORA!!!
DEU NO JORNAL
O COMEÇO DO FIM DO INQUÉRITO DAS “FAKE NEWS”
Editorial Gazeta do Povo
Um passo obrigatório para a normalização democrática do Brasil é o fim do inquérito das fake news, a abusiva investigação iniciada em 2019 por decisão do então presidente do STF, Dias Toffoli, sem provocação do Ministério Público, usando uma interpretação torta do Regimento Interno da corte, e entregue sem sorteio a Alexandre de Moraes. O inquérito já vinha causando mal-estar entre ministros havia algum tempo: em 2022, André Mendonça pediu ao então presidente da corte, Luiz Fux, que encerrasse a investigação; no fim de 2024, quando presidia o Supremo, Luís Roberto Barroso disse que ela estaria encerrada em 2025. Nada aconteceu.
O sucessor de Barroso, Edson Fachin, listou recentemente o encerramento do inquérito como uma de suas prioridades, e chegou a receber uma indireta de outro ministro do STF por isso. Mas Fachin não ficou apenas nas palavras: na quarta-feira, ele tirou Alexandre de Moraes da relatoria e assumiu o comando do inquérito, deixando Moraes apenas à frente das ações penais que já tiveram denúncia recebida. É um primeiro passo para que, enfim, a aberração jurídica que está na raiz da nossa atual juristocracia deixe de pender como uma espada de Dâmocles sobre qualquer brasileiro que critique publicamente a suprema corte.
Dois dias depois de classificar o fim do inquérito das fake news como uma das “três metas urgentes” de sua gestão à frente do STF, Fachin foi alvo de uma indireta nada sutil de Flávio Dino, um dos aliados incondicionais de Moraes dentro do STF. “É possível a um julgador, qualquer que seja ele, ‘prometer’ o final de um inquérito, como se fosse um candidato ou para receber aplausos?”, perguntou Dino em seus perfis de mídias sociais, em uma referência óbvia. Evidentemente, Fachin não é candidato a nada, e tampouco precisa dos aplausos. Precisa apenas fazer a coisa certa, como fez ao dar o primeiro passo concreto para encerrar de vez o inquérito das fake news, tirando Moraes da relatoria.
Dino ainda tentou posar de paladino da institucionalidade e fomentador do debate jurídico. “Pessoalmente sou a favor da conclusão dos inquéritos, até porque eles foram feitos para terminar mesmo, mediante a propositura das ações penais ou dos arquivamentos cabíveis”, continuou, na mesma mensagem que ironizava a promessa de Fachin. E questionou: “um inquérito deve ser arquivado por motivo de tramitação longa? E quem decide o que é ‘tramitação longa’? Opiniões pessoais? Ou critérios legais e regimentais?” As respostas estão bem diante dele, ainda que ele não queira ver.
Há investigações que de fato se prolongam no tempo de forma justificada: a Lava Jato, por exemplo, era um caso em que, como diz a sabedoria popular, a cada enxadada da força-tarefa surgia uma minhoca nova; ela terminou não porque já não houvesse o que investigar, mas porque o então procurador-geral Augusto Aras quis acabar com a operação. Já o inquérito das fake news, para começo de conversa, jamais deveria ter sido aberto, e não demorou nada para que se revelasse em todo o seu autoritarismo: era um inquérito-coringa onde cabia absolutamente tudo que Moraes quisesse incluir nele; repetindo a comparação que fizemos dias atrás, quando o relator pediu até a inclusão de seu colega André Mendonça no inquérito, ele era a Casa Verde em que Moraes, o Simão Bacamarte do direito, internava todos os que considerava “ameaças à democracia”, sem ver que a real ameaça à democracia era ele mesmo. O inquérito das fake news precisa acabar não por causa de sua longevidade, mas principalmente porque ele é um instrumento ditatorial que só produziu arbítrio, pelas mãos de um único homem que acumulou ilegalmente as funções de vítima, investigador, acusador e julgador.
Ao longo desses quase sete anos e meio, o inquérito e seus filhotes, como as investigações dos “atos antidemocráticos” e das “milícias digitais”, resultaram apenas em frutos podres: censura de veículos de comunicação; abolição da imunidade parlamentar; criminalização da crítica legítima a autoridades; criação de “crimes de opinião” e até “crimes de cogitação”; censura prévia inconstitucional a sabe-se lá quantos perfis – pois até hoje não sabemos quantas vozes o STF calou –; e o bloqueio de uma rede social inteira, com direito à invenção de uma “obrigação de não fazer” sem lei que a determinasse, no caso do uso de VPNs. Inúmeros brasileiros perderam sua voz na arena pública e, em alguns casos, até os meios de subsistência, já que tiravam seu sustento de sua presença on-line. E quase tudo isso sob um sigilo inexplicável e abusivo, a ponto de muitas pessoas mal saberem pelo que eram investigadas.
Nunca foi “pela democracia”. À base de negritos, exclamações e mantras repetidos decisão após decisão, Moraes ergueu um regime de exceção, com a cumplicidade (ou pelo menos com a omissão) de colegas de corte, de parte da classe política e de formadores de opinião incapazes – seja por um preocupante déficit democrático, seja por cegueira político-ideológica – de perceber o paradoxo existente em uma “salvação da democracia” conduzida por meios tão antidemocráticos quanto a abolição de liberdades e garantias individuais. Que o mea culpa dos que exaltaram Moraes não leve outros sete anos e meio.
Se Fachin de fato colocar um fim no inquérito das fake news, só não poderemos falar em “página virada” porque não há como devolver aos brasileiros vítimas do arbítrio de Moraes tudo o que elas perderam com censuras, desmonetizações, cassações as mais diversas (de passaportes a mandatos) e outras medidas abusivas. Algum tipo de reparação, quando possível, será extremamente bem-vinda, pois não basta que Moraes caia – e motivos para isso não faltam –; será preciso, também, desfazer o seu legado.
PENINHA - DICA MUSICAL
CLARA NUNES
BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS
