PROMOÇÕES E EVENTOS

DEU NO JORNAL

TORRANDO NOSSO DINHEIRO

O governo Lula reservou R$ 44,8 bilhões para emendas parlamentares no Orçamento de 2027.

O caminhão de dinheiro, que agrada senadores e deputados, é R$ 4 bilhões a mais que na proposta deste ano.

* * *

“Caminhão de dinheiro” no gunverno lulo-petralha.

Uma expressão perfeita.

Define com exatidão essa zorra das emendas parlamentares.

E sai tudo do bolso do contribuinte.

DEU NO JORNAL

TODO POLÍTICO ERRA, MAS A GRAVIDADE DOS ERROS IMPORTA E SEU VOTO DEVIA CONSIDERAR ISSO

Roberto Motta

O voto precisa distinguir políticos sérios dos que usam o poder em benefício próprio.

O voto precisa distinguir políticos sérios dos que usam o poder em benefício próprio

Os políticos não são todos iguais.

Todos os políticos cometem erros. Mas os erros não são equivalentes.

Não há santos ou anjos na política. Mas há políticos bons e outros ruins. E existem pessoas que usam a política para cometer crimes.

Talvez seja difícil determinar quem é realmente honesto. Mas os políticos desonestos não costumam esconder a desonestidade – ao contrário, a exibem como prova de esperteza e de poder.

As evidências mais claras de desonestidade são a mentira constante, a associação com pessoas desonestas e o enriquecimento na vida pública.

Fomos ensinados, treinados e doutrinados para dar um valor extraordinário à política e colocá-la no centro de nossas vidas. Essa é uma ideia que vem da Revolução Francesa, que criou o conceito do cidadão-ativista, permanentemente mobilizado pela atividade política.

Essa ideia beneficia principalmente os políticos. Em todas as democracias existe uma classe política que vive de extrair riqueza das pessoas e das empresas. Ela pratica aquilo que o sociólogo Franz Oppenheimer chamou de “meio político de ganhar a vida” (o outro meio de ganhar a vida é o econômico, através do trabalho e da prestação de serviços úteis).

Os políticos são os verdadeiros donos do país. Câmaras de vereadores, Assembleias Legislativas e o Congresso Nacional funcionam permanentemente como uma fábrica de leis, regulamentações e medidas que interferem com a nossa liberdade e autonomia. Políticos têm acesso às instituições do Estado, incluindo empresas estatais, agências reguladoras e, mais importante de tudo, aos tribunais.

Alexander Hamilton, um dos pais fundadores dos Estados Unidos, escreveu no Artigo Federalista número 78 que “a liberdade não tem nada a temer do judiciário, a menos que ele se junte com qualquer um dos outros poderes”. Aqui o topo do Judiciário se junta ora com o Legislativo, ora com o Executivo.

Não é preciso mais do que alguns minutos de reflexão para perceber que foi invertido o sentido essencial da democracia. Ao invés de eleger representantes que o servem, o povo coloca no poder espertalhões que se servem dele, e que colaboram para, ao longo do tempo, reduzir cada vez mais a liberdade.

Sempre chamo a atenção para o paradoxo do político rico. Como é possível que alguém que dedicou a sua vida inteira à atividade política tenha enriquecido? É claro que isso não acontece só no Brasil; os Estados Unidos estão cheios de políticos como a deputada democrata Nancy Pelosi, que exerce mandatos públicos de forma ininterrupta há 40 anos e tem um patrimônio multimilionário. Isso se torna um fenômeno ainda mais curioso quando o político é da extrema-esquerda. No Brasil há vários exemplos de políticos socialistas ou comunistas com um patrimônio considerável.

O panorama político do Brasil é terrível, e parece piorar a cada eleição. Mas, como disse no início desse artigo, os políticos não são todos iguais e os erros que eles cometem não são equivalentes.

Os inimigos da liberdade e da prosperidade procuram criar uma falsa equivalência entre todos os políticos. O objetivo é desanimar o eleitor e fazê-lo concluir que o voto é inútil, ou que os espertalhões têm o mesmo valor que os políticos sérios.

Mas, ainda que a política não deva ser o centro da vida de ninguém, e todas as promessas e ideias de políticos devam ser examinadas com ceticismo, a política continua sendo uma das ferramentas disponíveis para a proteção da liberdade e a promoção da prosperidade.

Os políticos não são todos iguais, e nossa decisão de voto precisa refletir isso.

DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR

ESCOLA MILITAR

Comentário sobre a postagem A BOMBA

Mauro Moreira:

Boa noite, Carlos.

Lorena é realmente uma cidade muito aprazível, acolhedora, terra de gente boa.

Me adaptei bem aqui e lamento ter que retornar para São José dos Campos, onde se vive uma vida bastante agitada.

Você, obviamente, deve ter um orgulho muito grande de seu falecido pai, que viveu momentos históricos de nosso Brasil.

Na minha família, com 5 homens e uma mulher, somente e um dos irmãos não tivemos vida militar.

Três dos meus irmãos sim, um em Juiz de Fora, um em Resende, na AMAN e um em Lorena, no então 5° RI.

Me alistei na Escola de Especialistas de Aeronáutica de Guaratinguetá e fui dispensado.

Ainda sim, convivi um bom tempo com militares, pois trabalhei na Construtora Gama, em Cruzeiro-SP, onde residia.

Hoje já não existe, pertencia ao saudoso Cel. Estácio von Söhsten Gama, alagoano, engenheiro de minas e barragens formado pelo IME, que foi para a reserva quando servia no 5° RI. Um homem muito inteligente e uma das pessoas mais maravilhosas que conheci na minha vida.

Convivi também com o falecido Cel. Milton Molinaro, de Lorena, que gerenciou a construtora por algum tempo.

Muito bom prosear com ocê, Carlos.

Desejo-lhe uma semana de muita luz e paz.

Abração.

DEU NO JORNAL

CRITIQUEIRO

O governo Lula (PT) faz críticas às emendas parlamentares, mas é conversa mole: torrou quase R$ 25 bilhões para bancar emendas nos primeiros seis meses deste ano.

Mas o dinheiro acabou e desde o início de julho, quando se intensificou o período eleitoral, foram liberados “apenas” R$ 908 milhões, mas os políticos já estavam “abastecidos”.

Mas o ano não acabou e o Orçamento prevê desembolso de outros R$ 14 bilhões ainda este ano, que devem ficar para depois da eleição.

O governo Lula (PT) admite ter pagado outros R$ 9,4 bilhões este ano em emendas de anos anteriores, que não entram na conta oficial de 2026.

O governo Lula já é recordista nos gastos com emendas: R$ 32,5 bilhões em 2025 e R$ 31,4 bilhões em 2024, maiores valores da História.

* * *

Faz críticas às emendas e bate recordes em emendas.

Nada de anormal.

Tá tudo dentro do padrão luloso.

Quem encontrar alguma coerência na maneira de agir do Descondenado, mande aqui pra gente: vai ganhar um prêmio!

DEU NO X

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

MÃOS TALENTOSAS (2009) – UM FILME INTELIGENTE E HUMANO

O ator Cuba Gooding Jr. intérprete do Dr. Ben Carson na telona

“Mãos Talentosas”, dirigido pelo diretor americano Thomas Carter, narra a cinebiografia de Benjamin Solomon Carson (Cuba Gooding Junior), criança pobre de Detroit, que sempre levou uma vida desmotivada, já que tirava notas baixas e não tinha perspectivas de um grande futuro. O que ele e os que estavam ao redor não esperavam era que ele, Bem Carson, se tornaria um neurocirurgião de fama mundial, e aos 33 anos, se tornaria o Diretor do Centro de Neurologia Pediátrica do Hospital Universitário Johns Hopkins. E em 1987, alcançou renome mundial por seu desempenho na bem-sucedida separação de dois gêmeos siameses. Sua história, profundamente humana, descreve o papel vital que a mãe desempenhou na metamorfose do filho.

Filho de mãe solteira, negra e analfabeta, Bem Carson, é um menino que passa por muitas dificuldades nas aulas. Ele não consegue acompanhar a sala de aula no mesmo ritmo e não tem apoio da maioria de seus professores, figuras impacientes que o consideram um caso perdido, exemplo cabal de alguém incapaz.

Sua mãe, mesmo diante de tantas limitações, surge em cena como sua maior incentivadora. Ela o encaminha para a leitura, forçando-o a entender a biblioteca como um espaço de aprendizagem a ale da burocracia da nota. Ao propor ao filho a leitura de dois livros por semana como projeto de vida, numa função empreendedora e educativa, a sua matriarca lhe permite a pavimentação de um caminho que o leva ao Hospital Anthony Hopkins, numa jornada inicialmente complexa e com fortes indícios de desistência, perspectiva turva que logo se transforma e permite ao personagem se tornar um dos mais renomados neurocirurgiões de sua época.

Benjamin (seu nome completo), é fruto de um lar marcado por abandono. No trabalho de sua mãe, a casa de uma viúva, teve a oportunidade de aprimorar a leitura. Em sua caminhada de muito estudo, investigação científica e aplicação de metodologia da pesquisa diante de cada caso médico que lhe vinha como desafio, Bem Carson consegue alcançar metas muito além daquilo que inicialmente havia planejado para sua vida.

Seu auge foi em 1987, quando alcançou renome numa cirurgia delicada que marcou para sempre a vida de todas as pessoas envolvidas, a separação de gêmeos siameses, unificados pela parte superior da cabeça, um processo considerado inimaginável para muitos profissionais de seu segmento. Foram árduos cinco meses de preparação, num procedimento que durou em média 22 horas e contou com apoio de 70 profissionais de saúde. Aos 33 anos, tornou-se chefe da neurocirurgia pediátrica, tendo ficado conhecido por introduzir o coração dos pacientes à hipotermia, estratégia que manteve o coração dos bebês parados, evitando perda de sangue e, consequentemente, dando chance ao processo de reconstrução do sistema circulatório do cérebro de cada um dos gêmeos separados nesta jornada revolucionária.

Interessante observar que mesmo pressionado pelo desestímulo que vinha de vários lados de seu cotidiano, o anseio pela pesquisa e pelo conhecimento era algo integrado no protagonista, uma figura que precisou de orientações para conseguir driblar as suas incertezas. Quando criança, Ben se envolveu com uma pesquisa sobre rochas que o levou a ler, analisar, desenvolver senso crítico e pesquisar para aprimorar as suas habilidades interpretativas. Ademais, em Mãos Talentosas: A História de Ben Carson, podemos observar como a questão da leitura, tema polêmico e geralmente desanimador, é um forte elemento empreendedor em nossas vidas. No filme, compreendemos que ler não é devorar e memorizar bibliografias, mas assimilar o seu conteúdo e aplicar na transformação da informação em conhecimento. Via de inclusão social, a leitura permite a ampliação do nosso repertório cultural, dando maior embasamento para o que produzimos dentro de nossas respectivas áreas de atuação cidadã.

Sem curva dramática exponencial demais, tampouco pontos de virada emocionantes, o roteiro de John Pielmeier para Mãos Talentosas: A História de Ben Carson segue um fluxo linear, com alguns flashbacks explicativos, se mantendo no mesmo nível do começo ao fim. Apropriado por pessoas no campo da administração, psicologia, pedagogia e até mesmo no meio dos doutrinadores evangélicos, o trajeto biográfico de Benjamin Carson é uma narrativa de numerosas possibilidades reflexivas, tendo no entretenimento um produto acima da média, com bons momentos dramáticos, desempenho esforçado do elenco e concepção estética dentro de seus limites, não sendo uma obra-prima do cinema, mas contendo em si méritos que atendem ao que a sua estrutura propõe. Dentro os principais pontos de vista, como já mencionado, é uma história para pensarmos superação, mas também a importância da leitura como meio canalizador de novas aprendizagens sempre, bem como desenvolvimento do raciocínio.

Aqui, concluímos que ler não apenas decodificar símbolos, mas generalizar, sintetizar, propor hipóteses para o que é debatido, num diálogo com aquilo que está escrito e exposto para nossa interpretação. Em seus 86 minutos, Mãos Talentosas: A História de Ben Carson funciona como uma narrativa de entretenimento médio, estruturada por um tecido dramático coeso e simples, sem grandes momentos para a história da dramaturgia, mas com uma trama que evita o tom novelesco geralmente prejudicial da linguagem de muitos telefilmes. O direcionamento narrativo é direto, objetivo, prende o espectador e permite reflexões sobre as nossas vidas, independente do ponto em que nos encontramos localizados, tanto para quem começou o seu projeto de vida por agora quanto para aqueles que já estão avançados, firmes, isto é, estabelecidos nesta vida em que nada é uma certeza absoluta e tudo pode mudar num segundo. Lembra-se da pandemia que nos pegou em 2020? Pois é, prova cabal de que nada pode ser mais tão estagnado como pensávamos.

Um filme inteligente e humano. História de um homem que fez história como médico, pobre e negro.

Fica a reflexão.

Trailer Oficial de Mãos Talentosas

História de Ben Carson

CPB notícias – Entrevista exclusiva com Dr. Ben Carson – Parte 01/04 – exibida na TV Novo Tempo

 

DEU NO X

DEU NO JORNAL

AS PECs

Editorial Gazeta do Povo

pecs segurança pública escala 6x1

Os senadores Randolfe Rodrigues (à esq.), líder do governo no Congresso, e Omar Aziz (à dir.), relator da PEC do fim da escala 6″1

Câmara e Senado reservaram apenas duas semanas de “esforço concentrado” para os trabalhos do Congresso neste período eleitoral, que dura de agosto até as eleições de outubro, para que, no restante do tempo, os parlamentares possam se dedicar às campanhas, próprias ou de aliados. Que isso ocorra dessa forma já é um acinte, uma demonstração de desprezo para com o pagador de impostos que banca os salários dos parlamentares para que eles atuem no Congresso, e não para que saiam em campanha. No entanto, o “esforço concentrado” da semana que passou tinha contornos ainda mais preocupantes, que só foram frustrados no último momento.

Como consequência das reuniões de “pacificação” entre Lula e os presidentes do Senado e da Câmara – uma delas organizada por Alexandre de Moraes, ministro do STF que assume claramente um papel de articulador político –, emergiu uma pauta dita “prioritária”, mas que traduzia não as prioridades do país, e sim as prioridades das próprias autoridades envolvidas, especialmente Lula, que desejava alguns trunfos para exibir ao eleitor nas próximas semanas, como a PEC da Segurança Pública, a PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1, e o fim da “taxa das blusinhas”. Estes e outros projetos haviam sido destinados por Hugo Motta e Davi Alcolumbre a uma análise a toque de caixa, como se houvesse uma obrigação legal ou moral de aprová-los na semana que passou.

Para acelerar a tramitação, os relatores das duas PECs – Omar Aziz (PSD-AM), no caso da escala 6×1; e Rogério Carvalho (PT-SE), no caso da PEC da Segurança – haviam decidido rejeitar todas as propostas de alteração, mantendo integralmente os textos aprovados pela Câmara. O objetivo era simples: impedir que as PECs, se aprovadas no Senado, não tivessem de retornar para a análise dos deputados, o que impediria sua aprovação definitiva antes das eleições. Um truque barato, e que rebaixava o Senado como um todo.

Suponhamos, apenas por um minuto, que os textos vindos da Câmara fossem de fato excelentes e que, após uma discussão séria, os senadores concluíssem pela sua manutenção integral, sem alterações. É algo que de fato pode ocorrer. Mas o que estava acontecendo no Senado era diferente: era a supressão do debate, descartando-se de antemão todas as emendas apenas para evitar que as propostas voltassem à Câmara. Não se podia argumentar que as PECs já foram discutidas pelos deputados. O Brasil tem um Congresso bicameral justamente porque o Senado não é um cartório encarregado de autenticar aquilo que a outra casa decidiu. Em 2019, o rito de tramitação de medidas provisórias foi alterado exatamente porque senadores costumavam receber as MPs da Câmara faltando poucos dias ou até horas para caducarem, e tinham de correr com sua análise, reclamando do fato de se tornarem meros “carimbadores” de textos vindos da Câmara – o mesmo papel que, agora, Aziz e Carvalho haviam decidido voltar a exercer.

E, na quarta-feira, parecia que a estratégia estava destinada ao sucesso. A PEC do fim da escala 6×1 foi aprovada com facilidade na Comissão de Constituição e Justiça, que também aprovou o texto-base da PEC da Segurança Pública, faltando apenas a apreciação de três destaques. Ao menos no caso da escala 6×1, a bancada governista e Aziz não escondiam a intenção de liquidar a fatura, com a realização dos dois turnos de votação no plenário, ainda naquela tarde ou noite. A oposição, no entanto, conseguiu esvaziar o plenário, deixando os governistas na dúvida sobre quantos votos teriam. Após consultar o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), Alcolumbre resolveu não colocar a PEC na pauta do plenário. A PEC da Segurança Pública também acabou não indo a plenário devido às pendências da tramitação na CCJ.

A pausa na tramitação é providencial. Ambas as PECs tratam de temas bastante complexos, de consequências e impactos muito significativos sobre a vida de todos os brasileiros. São assuntos controversos, nos quais há muita divergência de posições legítimas, e que tocam áreas de interesse absolutamente prioritário. Era nada menos que irresponsável, portanto, a intenção de aprová-las de maneira açodada, sem debates sérios, e especialmente com um regime de tramitação que dispensava a análise das comissões temáticas, que podem explorar com mais profundidade as inúmeras dimensões que cada proposta comporta.

Sabemos que muitos brasileiros veem com bons olhos o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho, quando consideradas de forma abstrata. Essa posição é bastante compreensível – afinal, quem não gostaria que milhões de trabalhadores tivessem mais tempo para o descanso, para suas famílias, para seus filhos? Mas temos de repetir uma pergunta que já foi feita neste espaço: esses mesmos brasileiros continuariam favoráveis se descobrissem que essa mudança pode aumentar o desemprego e reduzir as oportunidades de ganhar mais e crescer profissionalmente?

Não se trata de catastrofismo. Embora não seja certo que tais consequências necessariamente ocorrerão, os riscos são sérios a ponto de serem mencionados por muitos economistas e pelo setor produtivo. E justamente por isso não havia condições de votar a PEC – uma mudança constitucional, portanto – da escala 6×1 sem um debate sério, com oportunidade para o contraditório, que inclua economistas de todas as vertentes, traga dados para análise, ouça trabalhadores e empresários (grandes e pequenos), examine experiências internacionais, estime efeitos, discuta regras de transição e avalie alternativas.

O mesmo ocorre com a PEC da Segurança Pública, com uma pressa ainda mais difícil de compreender. Trata-se de um dos problemas que mais angustiam os brasileiros. Facções criminosas se expandem, dominam territórios e atividades econômicas, atravessam fronteiras estaduais e nacionais. Há problemas de inteligência, de coordenação das polícias, de financiamento, no sistema penitenciário. E existem divergências importantes sobre quanto poder deve caber à União, quanto deve permanecer com os estados e qual deve ser o papel dos municípios.

A PEC mexe em tudo isso no exato momento em que o Brasil começa uma campanha presidencial em que a segurança pública será um dos grandes temas. Candidatos apresentam propostas diferentes, governadores que administraram seus próprios sistemas de segurança participarão do debate, especialistas serão ouvidos, e a sociedade terá a oportunidade de comparar diagnósticos e soluções. A PEC, no entanto, cristaliza uma única visão, a de alguém que talvez nem saia vitorioso nas urnas. Não havia motivo para antecipar esse debate, muito menos de constitucionalizar uma determinada solução, poucas semanas antes de os brasileiros escolherem quem governará o país pelos próximos quatro anos. Não havia urgência.

O calendário eleitoral não pode dominar, e muito menos substituir o processo de deliberação. O Congresso não existe para atender às conveniências de uma campanha eleitoral, e senadores não são integrantes do comitê eleitoral de candidato algum. Foram eleitos para examinar projetos, ponderar suas consequências e votar de acordo com o que consideram melhor para o país. Lula e outros políticos de esquerda já começaram a culpar a oposição pela pausa forçada na tramitação do fim da escala 6×1; no entanto, os senadores que obstruíram a votação não encontrarão dificuldade em explicar ao eleitor que se deseja melhorar a vida dos trabalhadores, mas que antes de alterar a Constituição é preciso saber que efeitos essa medida terá sobre o mercado de trabalho.

Lula e a esquerda não desistirão, e Randolfe já fala em uma sessão extraordinária ainda em setembro ou, na pior das hipóteses, antes do segundo turno da eleição, em outubro, de forma que ainda seja possível colher dividendos eleitorais da aprovação, mesmo que na reta final da campanha. É preciso manter a guarda. A eleição termina em outubro, mas emendas à Constituição permanecem, bem como as suas consequências. E, se elas forem negativas, os responsáveis hão de ser cobrados pelo que fizeram ao país.