SONETO DE AMOR é um belo poema de intensidade física e espiritual que exalta a entrega carnal e comunhão profunda entre os amantes, de forma direta, sem rodeios e sem o uso de subterfúgios ou palavras excessivas.
Nesta obra o poeta faz um apelo ao silêncio, propondo que a amada abandone as palavras e as expressões poéticas tradicionais, preferindo o contato físico direto e sincero.
Os versos descrevem o abraço íntimo, os beijos e o toque de forma crua e sem receios morais e sociais.
Após o clímax da entrega, o poema retorna à serenidade do olhar mútuo, onde a vida se expressa de maneira pura e sem disfarces.
Aqui o tom é direto, o discurso é papo reto, e o poema é papo dez.
Rodam, tardas, gemendo, as rodas, arrastando os pesados pranchões de pau-d’arco. Angustiado ora altivo e roufenho, ora moroso e brando, todo carro de bois é um soluço abafado…
A hora viúva e glacial do crepúsculo quando o sol desce, o seu canto é tão doce e magoado que ora nos prende à terra, ora nos vai levando na asa de oiro de sonho a um longínquo passado.
Choram, tristes, à frente, os bois mortos de sono… Há uma vaga tristeza, uma ansiedade em tudo e a paisagem dir-se-ia um por-de-sol, no outono…
Oh! Natureza – Mãe! Sei quanto sofres, pois vejo, ansioso, rolar todo o teu pranto mudo pelos bons olhos melancólicos dos bois.
Otacilio Ferreira de Azevedo, Redenção-CE (1892-1978)
Dia sim e outro também a gente toma um sobressalto com tudo que acontece nesse país. Não parece termos outro assunto que não envolva o STF, particularmente, Alexandre de Morais. O que mais me surpreende é que tudo isso que envolve o banco Master, no discurso dos candidatos do governo atual é obra da extrema direita desse país. A culpa pelo volume de corrupção impetrada por Daniel Vorcaro é de Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, poque foi durante sua gestão que Vorcaro teve autorização para adquirir o banco Máxima e daí passou para Master.
Dois fatos, creio, devem ser analisados com bastante cuidado. O primeiro foi noticiado por William Waack no seu programa da CNN e relatava que o STF, através do marqueteiro da campanha do atual presidente, mandou um recado duro e seco: “Não se afaste do STF. Nós temos mais da metade do PT da Bahia em nossas mãos e você só governa com a nossa ajuda.” A gente poderia dizer que isso é estarrecedor, mas é apenas fruto de um país que não soube, e não sabe, escolher seus representantes.
Isso traz para centro do debate uma questão de fundamental nas eleições desse ano, mas que deveria ter sido observada nas eleições anteriores: a eleição para o senado é muito mais importante do que a eleição para a presidência. O presidente do senado, Davi Alcolumbre, nunca terá coragem de aceitar um pedido de impeachment de nenhum dos ministros do STF porque ele sabe que no dia seguinte seus processos sairão das gavetas e irão ao plenário e serão julgados em uma semana.
Ao longo do tempo, o Brasil tem eleitos pessoas entranhadas com atos ilícitos. Tanto o presidente da câmara, Hugo Mota, quanto o presidente do senado – do congresso – são políticos com o rabo preso por desvios de conduta com a coisa pública. Semana passada teve uma famosa reunião na casa de Alexandre de Morais, reunindo o presidente da república, seu advogado que virou ministro e os presidentes da câmara e do congresso. Qual o foi prato principal? Uma forma de escapar desse lamaçal que envolve todo mundo.
É nesse ponto que apresento o segundo fato: o pedido de Alexandre de Morais para que o presidente do STF incluísse André Mendonça no inquérito das fake News ou como é conhecido, no inquérito do fim do mundo. Sem esquecer que a PGR solicitou o arquivamento das denúncias contra Morais alegando vício no processo, dentre os quais a ausência da PGR e do Ministério Público na denúncia, como se isso fosse algo inédito no Brasil. O próprio inquérito do fim do mundo, foi aberto no STF, sem PGR e sem MP, por Dias Toffoli e entregue a Alexandre de Morais, sem a distribuição aleatória. Com base nele, a fonte de um jornalista maranhenses foi exposta violando o sagrado direito constitucional do anonimato.
A ameaça a Lula preocupa porque ter um presidente submisso ao judiciário, que deve inúmeros favores ao que fizeram por ele não apenas no campo político, mas também no pessoal como a mudança do foro da lavo jato ou mesmo os R$ 18 milhões de impostos que a receita entendeu que seria devido pelo instituo do presidente, posto que como empresa sem fins lucrativos, não poderia haver distribuição de lucros. Esse processo foi anulado por Gilmar Mendes.
Esse cenário mostra duas coisas preocupantes: a primeira é o presidente sem moral diante das investidas do STF e nesse instante ele precisa cegamente do supremo para livrar seu filho das denúncias de tráfico de influência e de enriquecimento ilícito no caso que envolve o INSS e as influência intensa de Roberta Luchsinger. É preciso ter esses ministros para dizer que não há provas com o filho do presidente e que tudo não passou de meras ilações para atrapalhar sua reeleição.
O segundo fato é tão preocupante quanto. O próximo presidente do STF será Alexandre de Morais e seu poder será 9 vezes maior do que hoje apresenta. Embora se tenha inúmeras provas materiais de sua participação apoiando Daniel Vorcaro, como a questão da revisão do contrato entre o banco e escritório de sua mulher, todo dia surge um fato novo: seus filhos ganharam o cartão de crédito com limite de R$ 300 mil. Só isso. Tudo pago pelo banco Master, mas a culpa é da extrema direita.
O risco mais intenso que o Brasil corre agora é que Alcolumbre aceite um pedido de impeachment contra André Mendonça. Não custa lembrar que quando André foi indicado, o presidente do senado era Alcolumbre e ele segurou por mais de 3 meses a votação por puro sentimento de vingança. Seu argumento era que André Mendonça, como ministro da justiça havia apoiado a lava jato.
Esse é Brasil atual. O caso do Master ainda vai respingar em muita gente. Nicolas Ferreira, por exemplo, teve áudio divulgado em conversa com Vorcaro. Certa ocasião foi divulgada uma notícia que dizia que o número do telefone de Nicolas estava na agenda de Vorcaro e aqui mesmo, nesse espaço, eu disse que isso significava pouco. Nicolas não tinha capacidade de influenciar nenhum interesse de Vorcaro junto ao governo. Agora, André Mendonça mostrou nota fiscal de uma compra feito numa alfaiataria e imediatamente divulgaram que pessoas ligadas a Vorcaro estiveram nessa alfaiataria com Mendonça e que após essa sua visita a alfaiataria recebeu R$ 500 mil do banco Master.
Enquanto o Brasil não definir o papel das relações de empresas com o governo, a gente vai se chocar com os labirintos podres da corrupção. Enquanto elegermos corruptos, não teremos chance de mitigar a corrupção. Cada eleição é uma oportunidade. Vota num cara e se ele fez merda, não vota mais. É simples.
Alguém viu ou ouviu, no século XX, cachorro ou gato sendo chamado de “pet”?
Alguém considera “isso” uma evolução?
Arre égua!
Não faz tanto tempo assim, na noite das sextas-feiras, antes de irmos para casa ou, no máximo na manhã do sábado seguinte, passávamos numa Locadora e alugávamos trocentas fitas de filmes épicos que assistíamos nas tardes de sábado ou de domingo ao lado da família.
Agora, existem dezenas de empresas com combos (esta denominação também é nova e faz parte da “evolução”) de ofertas de canais pagos com aqueles filmes que víamos nas fitas alugadas nas locadoras.
Isso é evolução?
Pode ser.
Temos “perdido” muitos excelentes atores e atrizes – alguns pela doença popularmente conhecida no Maranhão como “veieira”, que só acomete aqueles que passam dos 80.
O jovem está adoecendo e morrendo aos magotes, mas é por outra doença – o uso de drogas ilegais – que acaba por se tornar incurável e ainda conta com o beneplácito (que eu chamaria de falta de porradas) dos pais.
Quadro negro ou lousa das escolas antigas
Mas, claro, há quem entenda que “evoluímos” na educação. Mas, o que eu vejo é que, a cada dia, os professores sabem menos o que ensinam do que os alunos. Método Paulo Freyre, dizem.
Começo pelo quadro-negro, que também chamávamos de lousa. Ali naquele retângulo – alguns afixados na parede – os professores escreviam com giz branco. Alguns até desenhavam formas geométricas, marcando com giz colorido os pontos de destaques.
Era assim nas aulas de Trigonometria, ou, no ensino colegial, quando escreviam as complicadas fórmulas químicas, que a gente sequer aprendia a desenhar.
Hoje, o quadro-negro não é mais negro. É branco. Os professores não escrevem mais com giz. Escrevem com canetas e tintas “hidrocor”.
Evoluímos?
Tenho minhas dúvidas porque, na moda antiga ou atual, o objetivo era transmitir algo que ajudasse o aluno a compreender.
Aluno à moda antiga escrevendo ou apagando com o “apagador”
No ensino de hoje, raramente o Professor chama o (a) aluno (a) para ir ao antigo quadro-negro ou lousa. Com base em ideias da Teoria da Libertação, o aluno estará sendo “constrangido” ou qualquer outra perseguição da vida moderna.
O “Professor” do método Anísio Teixeira, que, diga-se de passagem, não usava tatuagens nem “dreads”, sabia que o aluno, então reconhecidamente aprendiz, não tinha habilidade para desenhar fórmulas químicas ou geométricas. No máximo, o aluno seria chamado apagar os desenhos das fórmulas.
Evoluímos?
Aparentemente sim. Até por que o(a) aluno (a) vai estar com fones de ouvido escutando o que lhe convier.
Isso, afirmam, é evolução.
Aí aconteceu um salto-triplo do Século XIX para o Século XXI!
Giz de gesso usado pelos professores que não conheciam a hidrocor
Afinal, chegou a hora de perguntar: evoluímos ou involuímos?
O que as escolas e os professores estão ensinando aos alunos?
Na prática da Medicina, o médico já não tem ensinamento para detectar um simples estado febril. Para tudo “pede” exame laboratorial e os contatos dos séculos XVIII e XIX não existem mais. Agora, quase tudo é pela robótica. Melhor seria, entendo, em vez de estudar medicina, o aluno estar no SENAI.
Conclusão de minha inteira responsabilidade: não evoluímos PN!
Zé Vicente da Paraíba e Louro do Pajeú, em São José do Egito-PE, no ano de 1978. Foto de Paulo Carvalho.
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Há muita sabedoria Num cantador nordestino.
Mote deste colunista
Pense num cabra sabido É o cantador de viola Em nada ele se enrola Toca no tom sustenido Cordas de aço fundido De longe se escuta o tino Toca salmo, toca hino E até a Ave-Maria. Há muita sabedoria Num cantador nordestino.
Poeta Nascimento
Um ser muito inteligente Com o dom que recebeu Falo isso porque eu Também sei cantar repente Deus afina a minha mente Quando a viola eu afino Quando eu começo, termino, Não deixo pro outro dia. Há muita sabedoria Num cantador nordestino.
Poeta Gilmar de Oliveira
Fala sobre agricultura, Sobre pecuária e reisado, É quase pós-doutorado Nas temáticas da cultura. Conhece toda estrutura Da obra de Vitalino, De Lins do Rêgo, “Menino De Engenho”, que contagia. Há muita sabedoria Num cantador nordestino.
Margarida Maria Alves nasceu em 5/3/1932, em Alagoa Grande, PB. Trabalhadora rural e sindicalsita, foi uma das pioneiras dirigentes sindical no País. Sua história de luta inspirou a criação da “Marcha das Margaridas”, em 2000, um evento realizado de 4 em 4 anos, organizado pela Contag-Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura.
Filha de Alexandrina Inácia da Conceição e Manoel Lourenço Alves, uma família de 9 irmãos, viveu no Sítio Jacu até os 22 anos, quando foram expulsos da terra e passaram viver na periferia da cidade. Estudou até a 4ª série do Ensino Fundamental já na fase adulta; participou do movimento sindical rural e tornou-se presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, em 1973, aos 40 anos.
Em sua gestão batalhou pela conquista de direitos trabalhistas, como carteira de trabalho assinada, 13º salário, jornada de trabalho de 8 horas, férias e licença maternidade. Também lutava pelo fim do trabalho infantil e a criação de escolas. Criou um programa de alfabetização de adultos, inspirado na pedagogia de Paulo Freire, voltado aos trabalhadores. Moveu mais de 100 ações na Justiça do Trabalho, enfrentando os proprietários de terras e usineiros de açúcar, particularmente, os donos da Usina Tanques.
Em seu discurso no Dia do Trabalho, em maio de 1983, pronunciou a frase que ficou retida na memória do movimento: “Da luta eu não fujo. É melhor morrer na luta do que morrer de fome”. Neste ano o Ministério Público contava com 72 ações na Justiça do trabalho contra fazendeiros e usineiros, movidas por ela. Por esta época, foram intensificadas as ameaças de morte por telefone e cartas, até que em 12 de agosto daquele ano um pistoleiro contratado bateu na sua porta, perguntando: “É a dona Margarida?”. Foi morta alí mesmo enquanto seu fllho brincava na calçada.
O crime teve grande repercussão nacional e internacional e foi denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. O fato deu mais força de mobilização às organizações de trabalhadores rurais de todo o Brasil e resultou na criação da “Marcha das Margaridas”, um evento de grande visibilidade e a mais notável expressão de luta por direitos das trabalhadoras do campo. Em 1985 o Ministério Público denunciou 3 pessoas que poderiam estar envolvidas no crime, mas foram absolvidas.
Em 1988 deu-se uma nova acusação envolvendo outros fazendeiros como mandantes do assassinato. Apenas uma pessoa ficou presa durante 3 anos e em 2001 foi absolvida. Assim, o crime político nunca foi resolvido. A casa onde morava foi comprada pela Prefeitura e virou museu em 26/8/2001. Na fachada ficou registrada sua conhecida frase: “Da luta não fujo. É melhor morrer na luta do que morrer de fome”. Abaixo de uma das janelas tem uma placa: “Aqui foi assassinada em 12/08/1983 a líder sindical Margarida Maria Alves”. Na sala da casa/museu consta a reiteração de sua frase em letras garrafais: “Da luta eu não fujo”.
12 de outubro, o dia do seu assassinato, foi instituído pela Lei nº 12.641, como Dia Nacional dos Direitos Humanos. Além desta homengem e ter seu seu nome dado à “Marcha das Margaridas”, recebeu postumamente o Prêmio Pax Christi Internacional, em 1988. Pouco depois, o Arcebispo da Paraíba, Dom José Maria Pires, mudou o nome do Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Arquidiocese da Paraíba para Fundação de Defesa dos Direitos Humanos Margarida Maria Alves, em 1994. Em agosto de 2023, ela passou a constar no “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria”, conhecido como Livro de Aço, aberto à visitação pública no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Em 2017 o cineasta Barak Fernandes produziu o documentário Nos caminhos de Margarida.