Quem mente sobre o que está documentado em fotos descredibiliza o resto do que diz na mesma conversa.
Foi o que aconteceu na noite de quinta-feira (27) e, pior, na emissora de maior audiência, quando Lula mentiu dizendo que “nunca vi essa moça na minha vida”, referindo-se a Roberta Luchsinger, lobista sócia do seu filho Lulinha.
Não só a viu como a recebeu até em festinha familiar, tipo aniversário. Mentiu também sobre o filho, as investigações, os dados da economia, sobre o seu governo.
Desta vez o arquivo visual estava à mão de qualquer um com acesso ao Instagram, e logo viralizaram os flagrantes de mentira, um vexame.
Diante da câmera da TV, Lula preferiu o risco da mentira óbvia ao ônus de admitir proximidade com quem hoje está no centro de três inquéritos.
Ao mentir, o presidente não protegeu Lulinha e nem desfez as suspeitas da Polícia Federal. Apenas as reforçou de modo que pode não ter volta.
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Tudo dentro padrão luloso.
Nada de espanto ou surpresa.
O Descondenado seguiu o Regimento Petralhista.
Mentiu com a cara mais lisa do mundo e tendo certeza de que seu rebanho acreditaria no que ele falou.
Pode-se observar facilmente que se uma pessoa disser em quem vai votar na próxima eleição, é possível adivinhar com facilidade a opinião dessa pessoa sobre assuntos tão diversos quanto mudanças climáticas, guerra da Ucrânia, idade mínima da maioridade penal, direitos dos imigrantes e o uso do banheiro feminino. É como se todos esses assuntos não fossem questões separadas, mas apenas diferentes manifestações de um mesmo conflito básico entre dois grupos. Na verdade, é isso mesmo que acontece.
O cientista norte-americano Thomas Sowell escreveu, em 1987, o livro Um Conflito de Visões. A idéia central do livro é que existem duas formas fundamentalmente diferentes de enxergar a sociedade e os problemas que a afligem. Sowell chama essas duas formas de “visão restrita” e “visão irrestrita”. A palavra “restrito” tem o sentido de acreditar que nosso comportamento é limitado, ou restrito, por defeitos que são inerentes à natureza humana. O lado “irrestrito”, por sua vez, acredita que a natureza humana pode ser “melhorada” até o ponto de se livrar destes defeitos.
A visão restrita vê os problemas sociais como resultado de características humanas básicas. As pessoas são naturalmente egoístas, o conhecimento é limitado e disperso, os bens naturais são limitados. Não podemos mudar esses fatos, podemos apenas criar instituições que se adaptem a eles. Essa visão se alinha com pensadores como Adam Smith, Edmund Burke e Friedrich Hayek.
A visão irrestrita vê os problemas como falhas da vontade ou do conhecimento. Com os líderes certos, a educação certa e o sistema certo, os problemas podem desaparecer. É a visão do “bom selvagem” de Rousseau, que é corrompido por instituições ruins dentro da sociedade.
A visão restrita acredita em uma sociedade mais livre, onde cada pessoa busca seu modo de vida, seus valores e seus objetivos. A visão irrestrita acredita em uma sociedade planejada, onde todos compartilham os mesmos valores e ideais. A visão restrita coloca o indivíduo acima do coletivo, a visão irrestrita coloca o coletivo acima do indivíduo.
Como isso se manifesta na prática? Os partidários da visão irrestrita dizem que saúde e educação gratuitas são “direitos” que devem existir para todos, e se isso não acontece é por “falta de empatia” ou ausência de “políticas públicas” adequadas. A visão restrita pergunta “quem paga”, “quem controla” e “quais as alternativas”. É óbvio que nenhum dos lados sequer entende o que o outro está dizendo, porque estão olhando coisas completamente diferentes. Um lado se preocupa com boas intenções, o outro se preocupa com consequências (intencionais e não-intencionais).
Politicamente, a visão restrita se manifesta no chamado liberalismo clássico, que defende livre mercado, livre comércio e mínima participação do estado na economia ou nas relações sociais. Nesta visão, o governo é um conjunto de órgãos encarregados de atender necessidades específicas, como infraestrutura, defesa ou relações internacionais. Essa postura já foi chamada de “direita”, mas hoje isso não é mais correto.
A visão irrestrita, ao contrário, enxerga o governo como uma liderança que deve ser obedecida em todas as áreas. Seus partidários acreditam que dando poder aos líderes certos será possível “melhorar” a sociedade através de um meticuloso planejamento, implantado através de “vontade política” e controle centralizado do sistema escolar, da mídia e da imprensa. Isso, naturalmente, pressupõe controles que incluem a censura, que será sempre justificada alegando-se as maiores boas intenções. Uma frase de Sowell ilustra bem o desejo subjacente desta visão: “Muitas pessoas parecem pensar que o governo existe para impôr seus preconceitos aos outros através da lei.” Este desejo de melhorar a sociedade ocupa hoje quase todos os espaços da política; esquerda e direita divergem nas preferências, mas são iguais no método e nas convicções: não existem idéias diferentes, apenas idéias erradas.
Sowell não arrisca dizer em que proporção as visões restrita e irrestrita ocorrem na sociedade, mas para mim parece óbvio que o lado irrestrito está crescendo, por uma razão muito simples: este lado favorece os governos, e apóia governos fortes. Governos fortes farão de tudo para aumentar ainda mais seu poder, e o melhor método para fazer isso é doutrinar as pessoas para que acreditem que governos fortes são bons e necessários – em outras palavras, visão irrestrita. Esta doutrinação começa na infância e se prolonga por toda a vida escolar, complementada pela mídia e pela imprensa. Em alguns lugares, como nas famosas “redes sociais”, a visão restrita já está quase extinta, e o pouco que resta é tratado com uma mistura de violência e escárnio pelo outro lado. No campo que os jornalistas chamam de “cultura” – cinema, teatro, literatura, música – o domínio também é quase completo. Na verdade, não é exagero dizer que a humanidade está entrando em uma era absolutista, onde a individualidade do ser humano é esmagada pela padronização de pensamento. Será que teremos que esperar por um novo iluminismo?
Meu interesse maior, nesta crônica, é compartilhar meus sonhos e resultados, com os leitores, para que tirem bom proveito dessa atividade, na certeza de que tais manifestações procedem de outra dimensão.
Tudo começou com a curiosidade em saber de onde vinham os filmetes que me chegavam através dos meus sonhos, os quais se tornaram cada vez mais intensos.
Em qualquer momento que eu me deitava, logo era transportado para uma outra dimensão, creio eu. Não havia como justificar para onde teria ido, quais as paisagens e cenas vividas e com quais pessoas havia conversado.
O fato é que durante o sono sempre desconfiei que não estava no mundo onde estou vivendo. Mas sim, em outra dimensão.
Às vezes me sentia apenas espectador de rápida cena; uma espécie de trailer. Noutras, protagonista de uma espécie de peça de teatro, com atores desconhecidos e histórias inverossímeis. Coisas ou fatos que não têm aparência de verdade.
Mas as histórias me intrigavam, sobretudo pelos cenários e fundamentos ocultos, como se fossem mensagens para uma vida melhor. Sinais de alerta. Porém, a parte perturbadora, viria em seguida.
Ao acordar, sentia que havia ido a algum lugar em tempo completamente desconhecido. De 1976 para os dias de hoje, a impressão sobre tais fenômenos continua para mim, um mistério, embora haja alguns palpites.
Hoje continuo sonhando, em qualquer hora do dia ou da noite. Na cidade onde vivo ou para onde esteja deslocado.
O interesse maior, entretanto, foi em fase muito anterior ao hoje em que vivo; foi quando passei a ter sonhos recorrentes e que predizem fatos. Bem, aí tive mesmo que me aprofundar na área da pesquisa que se entende por “Imaginário”.
Há exatamente 50 anos – quando comecei a desenvolver uma pesquisa científica, me impressionei tanto, que tive que buscar ajuda no Centro de Pesquisas sobre o Imaginário, divisão do Departamento de Antropologia do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, do Ministério da Educação e Cultura.
Trocamos correspondência, marquei entrevista e conversei longamente, com a doutora Danielle Perin Rocha Pitta, professora, pesquisadora e Coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre o Imaginário, do Instituto.
Danielle foi pioneira dos estudos do Imaginário no Recife e criou o Catálogo de História Oral. Trocamos ideias científicas sobre os acontecimentos oníricos que eu estava vivenciando; aqueles que são relativos, principalmente, aos sonhos que predizem ocorrências as mais diversas.
Sonhar, relembrar, anotar, interpretar e acontecer o que foi presenciado durante o sono, se tornaram fatores motivadores da busca do entendimento.
O mais profundo desejo do sonhador é conhecer os porquês da atividade, às vezes tão intensa que desenvolvemos quando sonhamos. Fui buscar no “Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre o Imaginário” melhores entendimentos, a fim de tratar os sonhos como ciência. Em paralelo mergulhei nos livros especializados.
Aprendi e realizei demorados exercícios diários: a fim de memorizar o que sonhava. Passei a anotá-los. Fiz a organização cronológica, numerando-os e gravando os horários em que acordava. Organizei até um gráfico-estatístico, a fim de fazer um estudo mais demorado. Não só anotava, mas comecei a numerá-los e registrar a hora que acordava.
Durante mais de dois anos – de 1976 a 1978 – assim procedi. Juntei tudo e encadernei 3 volumes. Só agora despertei para a necessidade de condensar o assunto em algumas publicações de jornais.
Em estado mais adiantado comecei a escrever verdadeiras crônicas sobre os filmetes mais significativos que eu havia presenciado e fiquei preocupado ao notar que parte daquelas coisas aconteciam. Ou seja, eu estava a caminho de perscrutar fatos. E comecei a guardar documentos a respeito.
Meus sonhos anteviam fatos! Em sua minoria eram premonitórios. Aconteciam. Era preciso realmente me dedicar a um trabalho científico. Fiquei convicto dessa realidade quando tive esta manifestação onírica:
Sonho nº 129 – Recife, 16 de janeiro de 1979. – Eu estava em um país estrangeiro participando de uma cerimônia de deposição de um monarca que tinha o nome de Reza, que era empurrado para um barranco, selando seu destino de imperador.
Alguns dias depois, o Diário de Pernambuco publicava a manchete: Mohammad Reza Pahlavi derrubado pelos aiatolás do Irã.
Guardei a folha do jornal durante muitos anos, como comprovante. Fiquei alegre porque tinha adivinhado um fato internacional. Momentos depois, preocupado, porque tendo vivido vários outros sonhos que prediziam os fatos, não seria agradável que eu me tornasse um “adivinhador”.
Mas não pude negar que esta foi minha principal viagem através dos sonhos.