Mohammad Reza Pahlavi, derrubado pelos aiatolás
Meu interesse maior, nesta crônica, é compartilhar meus sonhos e resultados, com os leitores, para que tirem bom proveito dessa atividade, na certeza de que tais manifestações procedem de outra dimensão.
Tudo começou com a curiosidade em saber de onde vinham os filmetes que me chegavam através dos meus sonhos, os quais se tornaram cada vez mais intensos.
Em qualquer momento que eu me deitava, logo era transportado para uma outra dimensão, creio eu. Não havia como justificar para onde teria ido, quais as paisagens e cenas vividas e com quais pessoas havia conversado.
O fato é que durante o sono sempre desconfiei que não estava no mundo onde estou vivendo. Mas sim, em outra dimensão.
Às vezes me sentia apenas espectador de rápida cena; uma espécie de trailer. Noutras, protagonista de uma espécie de peça de teatro, com atores desconhecidos e histórias inverossímeis. Coisas ou fatos que não têm aparência de verdade.
Mas as histórias me intrigavam, sobretudo pelos cenários e fundamentos ocultos, como se fossem mensagens para uma vida melhor. Sinais de alerta. Porém, a parte perturbadora, viria em seguida.
Ao acordar, sentia que havia ido a algum lugar em tempo completamente desconhecido. De 1976 para os dias de hoje, a impressão sobre tais fenômenos continua para mim, um mistério, embora haja alguns palpites.
Hoje continuo sonhando, em qualquer hora do dia ou da noite. Na cidade onde vivo ou para onde esteja deslocado.
O interesse maior, entretanto, foi em fase muito anterior ao hoje em que vivo; foi quando passei a ter sonhos recorrentes e que predizem fatos. Bem, aí tive mesmo que me aprofundar na área da pesquisa que se entende por “Imaginário”.
Há exatamente 50 anos – quando comecei a desenvolver uma pesquisa científica, me impressionei tanto, que tive que buscar ajuda no Centro de Pesquisas sobre o Imaginário, divisão do Departamento de Antropologia do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, do Ministério da Educação e Cultura.
Trocamos correspondência, marquei entrevista e conversei longamente, com a doutora Danielle Perin Rocha Pitta, professora, pesquisadora e Coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre o Imaginário, do Instituto.
Danielle foi pioneira dos estudos do Imaginário no Recife e criou o Catálogo de História Oral. Trocamos ideias científicas sobre os acontecimentos oníricos que eu estava vivenciando; aqueles que são relativos, principalmente, aos sonhos que predizem ocorrências as mais diversas.
Sonhar, relembrar, anotar, interpretar e acontecer o que foi presenciado durante o sono, se tornaram fatores motivadores da busca do entendimento.
O mais profundo desejo do sonhador é conhecer os porquês da atividade, às vezes tão intensa que desenvolvemos quando sonhamos. Fui buscar no “Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre o Imaginário” melhores entendimentos, a fim de tratar os sonhos como ciência. Em paralelo mergulhei nos livros especializados.
Aprendi e realizei demorados exercícios diários: a fim de memorizar o que sonhava. Passei a anotá-los. Fiz a organização cronológica, numerando-os e gravando os horários em que acordava. Organizei até um gráfico-estatístico, a fim de fazer um estudo mais demorado. Não só anotava, mas comecei a numerá-los e registrar a hora que acordava.
Durante mais de dois anos – de 1976 a 1978 – assim procedi. Juntei tudo e encadernei 3 volumes. Só agora despertei para a necessidade de condensar o assunto em algumas publicações de jornais.
Em estado mais adiantado comecei a escrever verdadeiras crônicas sobre os filmetes mais significativos que eu havia presenciado e fiquei preocupado ao notar que parte daquelas coisas aconteciam. Ou seja, eu estava a caminho de perscrutar fatos. E comecei a guardar documentos a respeito.
Meus sonhos anteviam fatos! Em sua minoria eram premonitórios. Aconteciam. Era preciso realmente me dedicar a um trabalho científico. Fiquei convicto dessa realidade quando tive esta manifestação onírica:
Sonho nº 129 – Recife, 16 de janeiro de 1979. – Eu estava em um país estrangeiro participando de uma cerimônia de deposição de um monarca que tinha o nome de Reza, que era empurrado para um barranco, selando seu destino de imperador.
Alguns dias depois, o Diário de Pernambuco publicava a manchete: Mohammad Reza Pahlavi derrubado pelos aiatolás do Irã.
Guardei a folha do jornal durante muitos anos, como comprovante. Fiquei alegre porque tinha adivinhado um fato internacional. Momentos depois, preocupado, porque tendo vivido vários outros sonhos que prediziam os fatos, não seria agradável que eu me tornasse um “adivinhador”.
Mas não pude negar que esta foi minha principal viagem através dos sonhos.