Lula (PT) disse ontem que “o Brasil está pronto” para o fim da escala 6×1.
Ele nem sabe o que diz, na busca da transformar em votos o projeto oportunista, mas especialistas advertem: os índices brasileiros de produtividade do trabalho no Brasil estão estagnados há décadas, e em padrões muito baixos, com quedas em segmentos como indústria e serviços.
Em termos relativos e de eficiência agregada, a produtividade no Brasil está em patamares próximos ao final dos anos 1950. Vexame.
Para aumentar a produtividade, o Brasil precisa de tudo que Lula não faz: reformas estruturais, educação de qualidade, infraestrutura, investimento.
Reduzir jornada para 40 horas, mantendo salário, exige ganhos reais de eficiência para evitar pressão inflacionária, desemprego e informalidade.
Dados do Observatório Regis Bonelli (FGV) apontam crescimento médio anual irrisório da produtividade brasileira, de 0,2% a 1%.
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Logo no início dessa nota aí de cima, está dito que o Descondenado “nem sabe o que diz”.
Isso é o óbvio ululante.
A gente sabe que ele não sabe o que diz.
Isso é parte integrante do atual gunverno banânico.
Há frases que soam arrogantes à primeira vista. Esta é uma delas: “A humanidade está perdendo a guerra contra a estupidez.” O leitor apressado já prepara a réplica. Imagina tratar-se de mais um lamento elitista, de mais um intelectual ressentido reclamando das massas, de mais uma manifestação de soberba travestida de análise. Nada disso. Na verdade, o problema é muito pior. Porque a estupidez que ameaça a civilização não é a falta de inteligência. Não é a falta de diplomas. Não é a falta de acesso à informação. Não é sequer a ignorância. A ignorância é antiga. É quase inocente.
Durante milhares de anos, os seres humanos ignoraram a existência das galáxias, dos microrganismos, da evolução biológica, da mecânica quântica e da expansão cósmica. E, apesar disso, construíram cidades, ergueram civilizações, produziram arte, filosofia e ciência. A ignorância nunca foi o verdadeiro inimigo. O inimigo sempre foi outra coisa. A estupidez. E a estupidez possui uma característica peculiar: ela não sabe que é estupidez. A ignorância pode aprender. A estupidez raramente deseja fazê-lo. A ignorância pergunta. A estupidez afirma. A ignorância duvida. A estupidez sentencia. A ignorância procura. A estupidez conclui. Eis a diferença.
O ignorante pode se tornar sábio. O estúpido acredita já ser. Nunca houve tanta informação disponível. Nunca houve tantos livros. Nunca houve tantas universidades. Nunca houve tantos cursos. Nunca houve tantos especialistas. Nunca houve tantos meios de acesso ao conhecimento. E, paradoxalmente, nunca foi tão fácil encontrar pessoas absolutamente convencidas de coisas que não compreendem. A humanidade produziu telescópios capazes de observar galáxias a bilhões de anos-luz de distância. Produziu aceleradores de partículas. Produziu computadores quânticos. Produziu inteligência artificial. Produziu modelos matemáticos capazes de descrever fenômenos que desafiam a imaginação. Mas também produziu um exército crescente de indivíduos que acreditam que uma pesquisa de cinco minutos os transforma em autoridades sobre qualquer assunto.
Vivemos a era da confiança sem competência. E talvez esta seja a definição mais elegante da estupidez moderna. Antigamente, para espalhar uma ideia absurda, era necessário esforço. Hoje basta uma conexão de internet. A tecnologia realizou um milagre extraordinário. Democratizou a palavra. Infelizmente, a sabedoria não acompanhou o mesmo ritmo. Pela primeira vez na história, bilhões de pessoas podem falar simultaneamente. Mas a capacidade de falar jamais foi prova de capacidade para pensar. O resultado é uma cacofonia global onde opiniões circulam com a mesma velocidade dos fatos, e frequentemente com muito mais sucesso. O conhecimento exige disciplina. A opinião exige apenas vontade. O conhecimento exige estudo. A opinião exige impulso. O conhecimento cobra humildade. A opinião recompensa o ego. E o ego, meus caros, é um dos maiores aliados da estupidez.
A história humana está repleta de indivíduos brilhantes que passaram a vida reconhecendo suas limitações. Sócrates admitia nada saber. Newton comparava-se a uma criança recolhendo conchas à beira do oceano da verdade. Einstein falava do mistério do cosmos com reverência quase religiosa. Os gigantes intelectuais costumam demonstrar uma estranha característica: humildade. Já os tolos frequentemente exibem uma confiança inabalável. Existe uma razão para isso. Quanto mais alguém aprende, mais percebe a vastidão do que desconhece. Quanto menos alguém sabe, mais simples o mundo parece. A estupidez prospera em territórios de simplicidade artificial. Ela odeia complexidade. Detesta nuances. Tem alergia à dúvida. Despreza a incerteza. Seu habitat natural é a certeza absoluta. Por isso ela floresce em tempos de ansiedade.
O ser humano cansado prefere respostas rápidas. Prefere culpados claros. Prefere narrativas fáceis. Prefere explicações compactas para problemas gigantescos. A realidade, porém, raramente coopera. O mundo é complicado. A sociedade é complicada. A economia é complicada. A natureza humana é complicada. O Universo é absurdamente complicado. Mas a estupidez oferece conforto. Ela promete que tudo pode ser reduzido a slogans. Que todo problema possui um único culpado.
Que toda questão complexa possui uma solução simples. E milhões de pessoas aceitam a oferta. Não porque sejam más. Mas porque a simplicidade seduz. A verdade exige esforço. A mentira frequentemente oferece descanso. A estupidez não destrói apenas o conhecimento. Ela destrói a curiosidade. E uma civilização que perde a curiosidade começa a envelhecer intelectualmente. Observe os grandes avanços da humanidade. Todos nasceram de perguntas. Jamais de certezas. A ciência não surgiu porque alguém declarou possuir todas as respostas. Surgiu porque alguém admitiu não possuí-las. A filosofia nasceu da dúvida. A ciência nasceu da dúvida. A investigação nasceu da dúvida. A descoberta nasceu da dúvida. A estupidez, porém, considera a dúvida uma fraqueza. Por isso ela jamais descobre. Apenas repete.
Mas existe uma ironia ainda mais perturbadora. A estupidez não está apenas entre os incultos. Ela também habita os instruídos. Habita os acadêmicos. Habita os especialistas. Habita os jornalistas. Habita os empresários. Habita os políticos. Habita os religiosos. Habita os ateus. Habita os conservadores. Habita os progressistas. Habita qualquer lugar onde a convicção se torne mais importante que a realidade. A estupidez não possui partido. Não possui religião. Não possui nacionalidade. Não possui classe social. Ela é democrática. Distribui-se com admirável imparcialidade. E talvez seja exatamente por isso que seja tão difícil combatê-la. Porque ela não mora apenas nos outros. Mora em todos nós.
Cada vez que rejeitamos um fato porque ele contradiz nossas crenças favoritas. Cada vez que preferimos aplausos à verdade. Cada vez que confundimos emoção com argumento. Cada vez que tratamos discordância como heresia. Cada vez que transformamos opiniões em identidade. A estupidez avança. Um centímetro de cada vez. A guerra contra a estupidez nunca foi uma guerra contra pessoas. É uma guerra contra impulsos humanos. Contra a preguiça intelectual. Contra a arrogância. Contra a vaidade. Contra a ilusão de que já compreendemos suficientemente a realidade. E essa guerra está longe de ser vencida. Na verdade, talvez esteja sendo perdida. Porque vivemos numa época em que a ignorância pode adquirir aparência de conhecimento. Em que a superficialidade pode adquirir aparência de profundidade. Em que a confiança pode adquirir aparência de competência. E em que a popularidade pode adquirir aparência de verdade.
Talvez a maior ameaça à civilização não seja a falta de inteligência. Talvez seja a abundância de certezas. Porque toda grande descoberta começou com alguém disposto a dizer: “Posso estar errado.” E toda grande estupidez começou com alguém convencido de que jamais poderia estar. A humanidade não está perdendo a guerra contra a estupidez porque existem pessoas ignorantes. Está perdendo porque cada vez mais pessoas transformam suas opiniões em fortalezas e suas certezas em divindades. E quando a dúvida desaparece, a inteligência não tarda a acompanhá-la. A partir daí, resta apenas o ruído. Muito ruído. E uma espécie que aprendeu a dividir o átomo, medir a idade das estrelas e sondar os limites do cosmos continua tropeçando no obstáculo mais antigo de todos:
A incapacidade de reconhecer a própria estupidez. Essa é, talvez, a forma mais perigosa de estupidez. Porque ela vem acompanhada da convicção de que pertence sempre aos outros.
Dia desses andei relendo esse livrinho e me encantei, de novo. 30 conversas interessantes com gente do Nordeste, tipo Dom Hélder, Manoel Bandeira, Luiz Gonzaga, João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, Jackson do Pandeiro, Sivuca, dentre outros.
Como se não bastasse tem prefácio e apresentações de Dr. José Paulo Cavalcanti Filho, Maciel Melo, Luiz Berto e Paulo Rocha.
Gostei e recomendo.
É só pedir pelo imeio xicobizerra@gmail.com – que eu entrego em todo o Brasil.
Dario Durigan vem tentando convencer o mercado financeiro de que Lula não tem nada a ver com a inflação e os juros altos
Dario Durigan está em campanha – não para si, mas para seu chefe. Catapultado ao comando do Ministério da Fazenda com a saída de Fernando Haddad para disputar o governo de São Paulo, Durigan foi encarregado por Lula de fazer a interlocução com o mercado financeiro e convencê-lo de que os juros altos, a inflação persistentemente acima da meta, a explosão da dívida pública, os recordes de endividamento e inadimplência, e os sucessivos déficits primários são culpa de tudo e de todos, menos do presidente da República e de sua gastança. Uma tarefa ingrata, sem dúvida; e, ainda que Durigan acredite piamente na lorota que vem contando, aqueles que ele deveria convencer vêm mostrando que não estão dispostos a acreditar no ministro.
Poucos dias atrás, durante um evento do Banco Santander, Durigan afirmou que, “se a gente pegar todas as Leis de Diretrizes Orçamentárias desde 2023, temos projetado um caminho para o superávit fiscal, desde sempre”. Se é que esse caminho existe, no entanto, o governo se desviou dele há muito tempo, pois o Brasil só registrou déficits primários desde que Lula subiu a rampa do Planalto, e o próprio Ministério da Fazenda estima que 2026 não será diferente. E isso, recorde-se, considerando que inúmeras despesas não são incluídas para efeitos de cálculo e cumprimento da meta fiscal, o que transforma o dado oficial em ilusão pura que a maioria dos economistas já nem considera em suas análises, como afirmou em novembro de 2025 Marcos Lisboa, que trabalhou com Lula no primeiro mandato do petista.
Mais recentemente, em entrevista, o ministro da Fazenda também tirou do governo a culpa pela inflação e pelos juros altos: “não é o governo que gasta, é a guerra feita pelo governo dos Estados Unidos no Irã, apoiada pelo bolsonarismo, que está trazendo aumento de preço no país”, disse, sem resistir à tentação eleitoreira de mencionar os adversários políticos de Lula. Esta é uma tecla em que Durigan vem batendo ao menos desde julho, quando disse algo parecido em outro evento do mercado financeiro. A este respeito, no entanto, muito mais certeiro tem sido o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central; seus integrantes (todos indicados por Lula) de fato concordam que a guerra afeta os preços, e seria insensato negar essa realidade, mas recentemente eles têm sido mais explícitos quanto aos efeitos nefastos da gastança do governo. Desde junho, os comunicados e atas passaram a mencionar, como risco de alta para a inflação, os “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial” – uma referência direta às bondades eleitoreiras de Lula.
Não contente em vender ao mercado financeiro uma narrativa que não condiz em nada com o presente das contas públicas, Durigan também inventa um futuro em que um Lula reeleito conduzirá um ajuste fiscal. Aqui, o ministro terá de brigar com o próprio plano de governo do presidente-candidato, segundo o qual “o resultado fiscal virá, como fizemos até aqui, da retomada do crescimento econômico, do controle do aumento do gasto primário, investindo na melhoria da eficiência e da qualidade do gasto público, da promoção de justiça tributária e do combate aos privilégios e às distorções” – o “como fizemos até aqui” importa, pois, fazendo o que fez até aqui, o governo só colheu resultados negativos e aumento alarmante da dívida pública como proporção do PIB, apesar de bater recordes seguidos de arrecadação.
A resposta da “Faria Lima” ao discurso de Durigan tem sido pragmática: “precificar” a vitória do petista, elevando juros futuros e posicionando carteiras de modo a transformar limão em limonada, na medida do possível, diante da manutenção de uma política fiscal expansionista e que reduzirá o valor da moeda brasileira. Os poucos que falam em um ajuste durante um eventual “Lula 4” o fazem não por imaginar um petista subitamente convertido à responsabilidade, mas por julgar que a deterioração será tão severa que não haverá outra opção, como Dilma Rousseff teve de fazer em 2015 ao trocar Guido Mantega por Joaquim Levy. Como aquela história terminou, todos sabemos; acreditar que desta vez será diferente é ingenuidade pura.