ALEXANDRE GARCIA

ESTAMOS TERCEIRIZANDO A PROTEÇÃO DA INFÂNCIA DAS CRIANÇAS

O presidente Lula sancionou uma lei que é mais uma terceirização, para as redes sociais, de uma obrigação do Estado: cuidar das crianças. É aquela lei que surgiu do “PL da Adultização”. Mas, se é para terceirizar, por que fizeram o Estatuto da Criança e do Adolescente? Por que existe Conselho Tutelar? E, principalmente, para que existe pai e mãe? Para evitar a adultização. E quando o pai e mãe vestem uma menininha de 4, de 5 anos, com roupas de mulher adulta e sensual? E quando o pai e mãe permitem que a criancinha fique na frente da televisão aprendendo uma dança erótica, vulgar, horrorosa? Vão mandar o Conselho Tutelar na casa da família para dar uma multa aos pais?

Queria entender essa hipocrisia de empurrar a responsabilidade para os outros. A plataforma é responsável? E todo o resto, que vemos acontecer há décadas, no nariz dos pais, que não preservaram a inocência de seus filhinhos? Permitiram que roubassem a infância dessas crianças adultizadas precocemente e depois viraram adultos bobões de 40 anos, porque não tiveram infância.

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Ex-diretor da PF no governo Lula foi preso em investigação sobre esquema de corrupção com mineração

Rodrigo Teixeira foi diretor de Polícia Administrativa de Polícia Federal no governo Lula; depois, foi para a Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais. Nesta quarta-feira, ele foi preso pela PF na investigação de um esquema, ocorrido durante a gestão dele na PF e envolvendo também a Agência Nacional de Mineração e órgãos ambientais, para permitir a mineração de ferro em lugares onde a atividade não deveria ser permitida. Além dele, há muito mais gente envolvida.

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Recuo do “careca do INSS” mostra que há muita coisa oculta a investigar

Também tivemos duas prisões no âmbito das operações da Polícia Federal contra o roubo de 2,3 milhões de idosos, com envolvimento de criança doente, pegando dinheiro de benefícios e aposentadorias, somando R$ 6 bilhões ou mais. Além das prisões, em São Paulo e no Distrito Federal, houve 13 mandados de busca e apreensão. E eu me pergunto: o que aconteceu com o careca do INSS, que queria depor na segunda-feira e na última hora mudou de ideia e não quis mais depor? O que ele iria contar? O que temiam que ele contasse? Será que tem ingênuos na CPMI que vão deixar por isso mesmo e não irão atrás disso? Porque essa mudança foi um sinal evidente, uma bandeira vermelha gigante, mostrando que há coisas ocultas aí. Está agitadíssimo, esse mar da previdência. Não há dúvida de que há algo que precisa ser investigado.

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STF não tem base constitucional para frear anistia

Todos estão de olho nas consequências desse movimento na Câmara, que conseguiu mais de 350 votos na votação da blindagem: foram 353 votos contra 134, bem além dos 60% necessários para mudar a Constituição. Esse placar valerá também para a anistia? E é bom lembrar que o Supremo não tem base constitucional para impedir a anistia: os crimes que não podem ser anistiados estão no inciso XLIII do artigo 5.º da Constituição, e nenhum deles é crime contra o Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, muito menos pintar com batom estátuas de granito.

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

O TRIUNFO ILUSÓRIO DO ÓDIO INEGOCIÁVEL

Charlie Kirk

Charlie Kirk, em evento evento no Texas em 2023

O jornalista Eduardo Bueno, o Peninha, foi um dos primeiros a ironizar e celebrar a morte de Charlie Kirk. No vídeo que circulou, sua fala não deixa margem: era satisfação diante do assassinato. O tom de escárnio, a risada fácil, o gesto de quem encontrou na morte do outro um motivo de alívio e júbilo: “o mundo se tornou o um lugar melhor”. Não foi o único. Redes sociais registraram em sequência o desfile de comentários desse nível. A celebração se espalhou com a rapidez de uma catarse coletiva.

Essa reação diz muito sobre a cultura política de nosso tempo. Quando alguém é assassinado – sobretudo quando se trata de uma figura incômoda aos padrões amorosos da esquerda –, há sempre quem veja no acontecimento a oportunidade de confirmar suas próprias convicções. É a lógica de converter o trágico fim biológico em vitória ideológica. Isto é: a morte do adversário passa a servir de reforço para o conforto da própria posição política. Um gesto que revela mais do que incoerência – revela perversidade.

A imprensa, misericordiosamente, também se apressou a enquadrar Kirk. Os obituários o apresentaram como “figura controversa”, “defensor do armamento civil”, “aliado de Trump”. Em alguns casos, a sugestão implícita era clara: morreu pelo veneno que defendia. A moldura narrativa foi imposta antes de qualquer reflexão e pesar de quem luta o bom combate. Em resumo, o assassinato de Kirk deixou de ser um atentado político contra a vida democrática para se tornar uma consequência aceitável. O assassino desaparece. O crime se dilui na caricatura do morto. A vítima é o algoz de si mesmo.

Convém lembrar quem era Charlie Kirk em sua prática política cotidiana. À frente do Turning Point USA, seu movimento consistia em instalar tendas em universidades, abrir mesas e chamar estudantes ao debate. Virou uma febre que atraía milhares de estudantes. Era, em essência, um militante do confronto verbal. Alguém que acreditava no poder de colocar posições em choque e enfrentar a divergência sem pedir licença. Pode-se discordar de suas teses, pode-se rejeitar suas convicções políticas, mas é difícil negar que seu método era público, visível, assentado na palavra.

Kirk encarnava justamente a prática de levar ideias impopulares ao coração das universidades, com disposição de encarar a hostilidade dos ambientes mais refratários.

Esse detalhe não é menor. A reação ao seu assassinato – tanto na celebração de figuras públicas quanto na pressa da imprensa em rotulá-lo como extremista de direita – mostra como o debate se degrada quando a política é reduzida a ódio inegociável. Taylor Robinson, o assassino, teria escrito em mensagem para o namorado que seu ódio era inegociável. Detalhe na palavra “inegociável”. Essa palavra condensa a falência: quando o ódio se cristaliza a ponto de não admitir negociação, o espaço da política se rompe. Explico.

O grande sociólogo Max Weber, em sua conferência A política como vocação, mostrou que toda ação política vive na tensão entre ética da convicção e ética da responsabilidade. A convicção exige fidelidade a princípios absolutos. A responsabilidade exige ponderar consequências, assumir a culpa pelas escolhas, carregar o peso do possível. Ou seja, a política só existe quando convicção e responsabilidade permanecem em tensão. Convicção sem responsabilidade degenera em fanatismo. Responsabilidade sem convicção degenera em cinismo.

Antes de ser institucional, essa tensão entre convicção e responsabilidade deve ser interior. A política, no sentido profundo, é um exercício de vigilância constante contra o ódio que mora em cada um. A tentação é grande, porque o ódio simplifica. Ele transforma o adversário em inimigo, o debate em guerra, a divergência em ofensa pessoal. Resistir a essa tentação é a forma mais difícil de sobriedade. Aristóteles chamou sophrosyne (palavras muitas vezes traduzida por prudência) essa capacidade de manter medida, equilíbrio, vigilância. O contrário é a hybris, a arrogância desmedida que leva cidades e homens à ruína. A política, enquanto administração de ódios, é um esforço contínuo de sophrosyne.

O trágico é que vivemos numa época pouco preparada para esse exercício. Nossa geração foi treinada para reagir a tudo com a catástrofe fofa da hipersensibilidade. Sherry Turkle, em Alone Together, mostrou como a mediação das telas criou a ilusão de estarmos sempre juntos, quando na verdade permanecemos cada vez mais sozinhos. A vida digital permitiu editar sentimentos, encurtar silêncios, escapar do desconforto da presença. A experiência da alteridade foi domesticada pela falsa sensação de segurança. Quando tudo pode ser interrompido ou deletado por um clique, o outro efetivo deixa de ser alguém a enfrentar e passa a ser apenas uma interface descartável.

Jonathan Haidt levou essa análise ao campo da psicologia social. Em seu estudo sobre adolescentes intitulado Geração Ansiosa, ele demonstrou como a cultura das redes sociais ampliou a insegurança emocional, multiplicou quadros de ansiedade e depressão e reduziu a tolerância ao contraditório. Em suma, jovens foram educados para bloquear, silenciar, cancelar. Faltou-lhes justamente o exercício que sustenta a vida pública: suportar a presença do outro, inclusive quando essa presença traz o incômodo do antagonismo radical.

É nesse chão sujo que se compreende a reação à morte de Charlie Kirk. O contraditório é insuportável; então, o desaparecimento do adversário soa como vitória a ser celebrada. Nesse contexto, a política é o ritual de purificação, e a morte, ocasião de catarse.

O que se revela é a membrana frágil entre moral e política. A moral exige convicções. A política exige responsabilidade. Uma sociedade politicamente madura é aquela que consegue pôr na balança até suas convicções mais caras, sem por isso traí-las. Uma sociedade frágil é a que sucumbe ao ódio inegociável, que encontra prazer na eliminação do outro e disfarça o alívio como análise crítica.

Por isso, celebrar a morte de Charlie Kirk é sintoma dessa fraqueza desgraçada. É a incapacidade de sustentar o peso trágico da política. É sinal de uma geração que, hipersensível ao contraditório, busca no silêncio do outro a cura ilusória de sua própria miséria.

PENINHA - DICA MUSICAL