SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

TARDE NO MAR – Florbela Espanca

A tarde é de oiro rútilo: esbraseia
O horizonte: um cacto purpurino.
E a vaga esbelta que palpita e ondeia,
Com uma frágil graça de menino,

Poisa o manto de arminho na areia
E lá vai, e lá segue ao seu destino!
E o sol, nas casas brancas que incendeia.
Desenha mãos sangrentas de assassino!

Que linda tarde aberta sobre o mar!
Vai deitando do céu molhos de rosas
Que Apolo se entretém a desfolhar…

E, sobre mim, em gestos palpitantes,
As tuas mãos morenas, milagrosas,
São as asas do sol, agonizantes…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

DEU NO JORNAL

SEM MOTIVO

O deputado Daniel Freitas (PL-SC) quer lei para regulamentar o ofício de primeira-dama no Brasil.

O objetivo é garantir publicidade de gastos etc., mas também proibir a mulher do presidente de torrar dinheiro público.

* * *

Não entendi…

Não sei mesmo a razão desta preocupação do senhor deputado.

Regulamentar o “ofício” de primeira-dama?

Por que será que ele quer tomar essa iniciativa?

Isso é totalmente sem motivo.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

JORNALISMO E OPINIONISMO

Os leitores merecem mais respeito por parte de alguns jornalistas! Nos dias atuais, vemos, com tristeza, verdadeiras agressões, no que diz respeito à informação pública, oportunidades em que se distorcem os fatos e predominam os comentários ideológicos.

A notícia se transformou em “opinionismo”. Deixou de ser o registro dos acontecimentos para se transformarem em opiniões sobre alguma coisa que aconteceu.

O jornalismo, ao que nos consta, se tornou um charlatanismo. Todo mundo virou “jornalisteiro.

Quantas saudades tenho do velho “Repórter Esso”, onde fiz estágio para redator, quando aprendemos a botar no ar a notícia correta ocupando breve espaço de tempo.

“Ontem, 25 de julho de 1966, no saguão do Aeroporto dos Guarapes, explodiu uma bomba, matando várias pessoas. Acredita-se em atentado. Logo mais, no “Jornal do Commércio no Ar”, apresentaremos os detalhes da lamentável ocorrência.”

Hoje, os procedimentos estão diferentes. Alguns profissionais e suas empresas – através dos editoriais – têm como meta básica, impregnar a população com suas mensagens, após bem estudadas formas para torcer os fatos, em troca de publicidade ideológica, quase sempre ocultas; ou propinas disfarçadas por “merchants”.

Os que se dizem jornalistas nestes tempos, aparecem como atores. Alguns programas de televisão assemelham-se a um teatro, cujos cenários são formados por telões, poltronas confortáveis e vários “opinadores”, que desenvolvem, entre si, comentários elaborados por um roteiro editorial previamente combinado.

Nem sempre estão habilitados a discutir assuntos mais relevantes. Por trás dos bastidores, acredita-se que estão ligados à política do “quem dá mais”. Tornaram-se marionetes; membros de um teatrinho de bonecos.

Apresentam versões determinadas pelos editores, fugindo da notícia real, muitas vezes requentando-as. E criminosamente torcendo o real pelo “imagional”.

Triste fim da notícia séria, verdadeira!

Alterada em sua essência, disforme do seu princípio básico de seriedade, bem poder-se-ia chamar, não jornalismo, mas, opinionismo!

PENINHA - DICA MUSICAL