RODRIGO CONSTANTINO

UM CANCRO MALDITO: SOBRE O QUE 2024 TROUXE

À medida que o ano de 2024 se aproxima do fim, somos levados inevitavelmente a refletir sobre sua retrospectiva. E lamento o spoiler: estamos num filme de terror sem fim. O Brasil caminha para uma nova desgraça, e nada disso pode ser surpresa para quem tem um mínimo de atenção e honestidade.

Há dois anos, a militante petista Eliane Cantanhede escreveu: “O Brasil voltou! Lula montou uma equipe que traz competência, segurança, diversidade e o necessário equilíbrio de forças políticas. Um viva especial para as onze ótimas ministras! É animador”. Esse era o clima nas redações. Mas era pura alienação somada a uma torcida insana.

Quem fez o L tinha a obrigação moral de saber o que estava fazendo: recolocando o ladrão na cena do crime, como disse seu próprio vice. Só que era um Lula ainda mais raivoso e vingativo, sem qualquer projeto de governo, que trazia junto uma deslumbrada Janja. O que poderia dar errado, não é mesmo?

A revista Veja fez uma lista com os recordes negativos do governo este ano: Mortes por dengue (400% mais mortes do que em 2023); Área queimada (acréscimo de 93% em relação a 2023, mais da metade na Amazônia e o equivalente ao território do Rio Grande do Sul); Dólar em alta (bateu R$ 6,30 sem pandemia); Previdência (fila do INSS, que Lula prometeu zerar, chegou a 1,7 milhões de pedidos em espera e tempo médio para concessão do benefício aumentou para 41 dias); Estatais voltaram a sangrar (R$ 3,3 bilhões de rombo, o maior dos últimos 15 anos); Desaprovação de Lula aumenta como resultado (48%, um recorde do próprio Lula).

Isso tudo num ambiente de total esgarçamento do tecido social e institucional. O STF, cúmplice lulista, segue protegendo marginais perigosos e perseguindo inocentes. O governo faz de tudo para dificultar a vida da polícia e beneficiar bandidos. Não há mais qualquer resquício de republicanismo na postura das autoridades. Está tudo dominado!

O povo consciente chega ao fim de 2024 com aquela sensação de pesadelo constante e impotência, vendo uma quadrilha destruir toda uma nação que estava em rota de prosperidade com o governo anterior. O Brasil termina o ano como um pária mundial, atraindo congratulações de ditadores como Putin e Xi Jiping, mas afastado dos valores ocidentais. É um quadro bem “animador”. A esperança vem de Trump, e ponto.

Em nível pessoal, recebi a má notícia de um câncer no finalzinho do ano. Mas esse cancro eu tenho certeza de que consigo enfrentar e derrotar. Sei do que se trata e como agir. Bem mais complicado é derrotar o câncer do lulismo, já em total metástase e sem tratamento disponível.

Ou melhor, até conhecemos bem o processo de cura. Mas aqueles que poderiam ter colaborado no tratamento resolveram fazer o L e alimentar o maldito cancro. Agora estão aí, preocupados, com medo, falando em “oportunidade do centro”, fingindo que não ajudaram a destruir novamente nosso país abençoado por Deus, mas amaldiçoado pelas elites podres.

É preciso seguir em frente, porém, e sempre com esperança. Dentro do possível, portanto, um Feliz 2025 a todos!

DEU NO X

DEU NO JORNAL

DOIS ANOS QUE EXIGIRÃO UMA LONGA RECONSTRUÇÃO

Editorial Gazeta do Povo

O terceiro mandato de Lula na Presidência da República chega à metade, e os indicadores econômicos registrados ao fim desses dois anos – mesmo aqueles que em outras circunstâncias mereceriam comemoração efusiva – apresentam um panorama que, infelizmente, apontam para um futuro bastante turbulento. Com um crescimento baseado especialmente no estímulo ao consumo e a irresponsabilidade fiscal como regra, os resultados se fizeram notar de forma mais contundente na escalada da inflação, dos juros e do câmbio ao longo das últimas semanas.

O ano que agora termina foi marcado pela desmoralização definitiva do arcabouço fiscal aprovado em 2023. O mesmo governo que propôs a âncora fiscal e conseguiu sua aprovação no Congresso tratou de transformá-la em ficção em velocidade recorde. Um texto que já nasceu muito fraco, incapaz de frear o aumento do gasto público, com metas medíocres de resultado primário, foi torpedeado com políticas como a valorização real (acima da inflação) de vários benefícios sociais e do salário mínimo. Em abril, o governo propôs a redução das metas para 2025 e 2026, que passaram a ser de déficit zero e superávit primário de 0,25% do PIB, respectivamente. Enquanto isso, outras despesas eram colocadas à parte do cálculo, em uma maquiagem orçamentária legalizada. Não foi suficiente, já que o ritmo alucinado do aumento da despesa governamental continuou ameaçando o cumprimento da meta já desidratada. O ano terminou com o anúncio de um pacote fiscal frustrante, que, em vez de cortar gastos, apenas reduzia a velocidade com que o gasto público aumentaria.

Como resultado, um dos indicadores que o ministro Fernando Haddad mais apontava como demonstração do resultado do arcabouço também está escapando totalmente do controle. Quando apresentou o arcabouço, em março de 2023, Haddad afirmava que ele garantiria a estabilização da dívida pública a partir de 2026. Isso não ocorrerá – pelo contrário, a tendência é de que ela siga crescendo e atingindo níveis mais alarmantes que os atuais. A Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado, prevê que a Dívida Bruta do Governo Geral feche 2024 em 78,3% do PIB e termine 2026 em 86,3% do PIB. Para que a dívida pública fique estável no mesmo nível de 2023 (73,8%), seria preciso que o país tivesse uma sequência de superávits primários de 2,4% do PIB ao ano – algo inimaginável para um governo que não consegue entregar nem mesmo um resultado zerado após dois anos.

A disparada do câmbio, a inflação acima do limite máximo de tolerância da meta e a escalada dos juros, com a promessa de ao menos dois novos aumentos substanciais nas primeiras reuniões do Copom em 2025, são mera consequência do descaso fiscal. A desconfiança no Brasil – o que fez do real a moeda mais desvalorizada entre as 20 mais negociadas em todo o mundo no ano que agora termina – não é mitigada nem mesmo por dados como os do PIB, que deve crescer bem acima do que se previa no início deste ano; isso porque os dados mais detalhados indicam que esse crescimento é movido, em boa parte, pelo estímulo ao consumo do governo e das famílias, repetindo a estratégia da Nova Matriz Econômica lulopetista. O modelo gestado no fim do segundo mandato Lula e que ganhou força total nos mandatos de Dilma Rousseff levou o Brasil à pior recessão de sua história após também ter entregue bons resultados no curtíssimo prazo, incluído aí o índice de desemprego, que teve o menor número da série histórica no trimestre encerrado em novembro.

O estrago feito apenas nesses dois anos já é grande o suficiente para exigir uma longa reconstrução – basta lembrar que, quando a pandemia atingiu o mundo em 2020, o Brasil ainda estava no quarto ano de recuperação da catástrofe petista. No entanto, Lula e o PT ainda têm mais dois anos para seguir destroçando a economia brasileira enquanto colocam a culpa em todos os demais, da “Faria Lima” a memes de internet – apenas o Banco Central deve ganhar algum alívio, agora que será presidido por um indicado de Lula. Quanto mais tempo o governo passar aprofundando a irresponsabilidade e fechando os olhos para suas consequências, mais trabalhoso e dolorido será o conserto.

PENINHA - DICA MUSICAL