CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

A PALAVRA DO EDITOR

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

A BELA DA CAMBONA

Claudinha, a bela

Osório costumava usar terno, vestia-se elegante, bigodinho delineado e uma conversa cativante. Representante comercial, trabalhava viajando no meio do mundo. Vendia todo tipo de relógio, pulso, parede, despertador, ponto. Embolsava boas comissões das fabricas de São Paulo, excelente vendedor, conversador, simpático, convencia os clientes, lábia fina para negócios e para as mulheres. Ao retornar à Maceió, Osório entrava em maratona sexual na ânsia de engravidar a esposa, Claudinha, a bela. Consultaram médicos, fizeram exames. Nenhuma anormalidade, o casal em excelente saúde física.

Osório adorava a boemia, frequentador assíduo da Zona de Jaraguá, encrenqueiro, bebia, fazia arruaça, chegou a ser preso envolvido em briga. Entretanto, naquele fim de ano Osório comportou-se, era questão de honra engravidar a bela e gostosa esposa, Claudinha, a bela. Passou uma semana e meia de amor nos braços, abraços, carinho e amor da esposa, quase não saiu de casa, visitou poucos clientes. Claudinha, depois do amor, ficava deitada, pernas levantadas, pés nas paredes, instrução do médico para engravidar. Logo depois do ano novo Osório partiu para longa viagem na região do Cariri. Meado de janeiro apareceu a menstruação de Claudinha, uma tristeza, ficou deprimida, raiva do marido. Maldizia o sangue que acabava o sonho de ser mãe.

Ao cair da tarde, a bela triste, tinha apenas uma diversão, debruçar-se sobre a janela apreciando o movimento das ruas da Cambona, bairro aprazível. Os homens gostavam, fantasiavam peripécias nos fartos seios de Claudinha, beleza estonteante, atraente. As mulheres enciumadas, despeitadas, chamavam-na de sem-vergonha, quenga, entretanto, jamais alguém viu caso de traição.

Certa tarde o coração de Claudinha bateu mais forte ao reconhecer um ex-namorado da adolescência, Serginho. Ele ao avistar sua ex-namorada cumprimentou-a com vasto sorriso, parou, dois dedos de prosa na janela, continuou o caminho até sua casa à beira da Lagoa Mundaú. Toda tarde o jovem estudante de medicina, Serginho, saía em busca dos amigos e diversões de férias, passava invariavelmente pela janela de Claudinha. Certa vez, em conversa rápida, a serelepe informou que o marido estava viajando para as bandas do Cariri e convidou Sérgio para discreta visita noturna.

Combinaram entrar pelos fundos da casa às 19:00 horas, ela deixaria a porta aberta, conversariam no quintal. Entusiasmado com a aventura, Sérgio às 19:00 horas estava em frente ao portão do quintal. Não precisou bater, Claudinha, pontual, abriu o portão. Os dois se atracaram, muitos beijos, muitos desejos presos desde que eram inocentes namorados. Deitados no quintal fizeram amor noite à dentro. Serginho saiu da casa de madrugada e assim repetia várias noites frequentando o quintal da casa da Cambona.

Certa vez, uma vizinha percebeu um vulto entrando no quintal da Claudinha, ficou na espreita, reconheceu. A vitalina foi ao pai de Sérgio, alertando o perigo que o filho corria, o marido era valentão, arruaceiro; sabendo do chifre, não ia deixar por menos. Dr. José chamou o filho em particular. No quarto, o pai tirou do bolso três notas de R$ 100,00 (cem reais), lhe entregou, foi contundente no argumento: “Meu filho, Maceió tem quase um milhão de habitantes, desses, 500 mil são mulheres; dessas pelo menos 500 estão disponíveis no site da Internet. Procure uma delas, menos Dona Claudinha, meu filho, mulher casada tem gosto de bala!!!

Desde essa dia, Serginho não mais retornou ao quintal, percebeu o perigo da aventura. Dois anos depois, Osório largou a jovem esposa, arranjou outra, fez dois filhos. Claudinha terminou abraçando a carreira de GP (Garota de Programa). Serginho, hoje conceituado médico, recorda, nunca esqueceu as aventuras daquelas férias de verão, do quintal, dos beijos de Claudinha, a bela da Cambona.

DEU NO JORNAL

COMBATE AOS PEDÓFILOS: ACEITO PELA MAIORIA, MAS RELATIVIZADO PELA ESQUERDA

Nikolas Ferreira

Nesta quinta-feira (12) foi aprovada, na Câmara dos Deputados, a criação do Cadastro Nacional de Pedófilos, que disponibilizará dados, fotos, e demais informações, de criminosos condenados por crimes estabelecidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pelo código penal, como o estupro de vulnerável, corrupção de menores e exploração sexual. Também foi aprovada uma emenda que estabelece a castração química para quem comete crimes do tipo, e a esquerda, de forma previsível, votou contra.

Não é de hoje que sempre que há algum debate ou votação sobre o aumento de penas para bandidos, os progressistas inventam os mais mirabolantes argumentos para fazer oposição, e no caso dos pedófilos não foi diferente. 

Houve quem falou que a castração química seria um método cruel, porém são os mesmos que defendem o uso de bloqueadores hormonais em crianças e adolescentes para “tratar” disforia de gênero. Ou seja, apoiam intervenções em jovens, que já estão sendo questionadas em diversos países devido às dúvidas sobre a segurança dos procedimentos, mas para penalizar criminosos não demonstram o mesmo empenho.

Também apareceram políticos de esquerda com aquele mesmo discurso ultrapassado de que não se deve punir estes marginais e sim fazer campanhas de conscientização. Bom, há anos eles falam isso e até agora não vi, de forma isolada, resolver a situação. E não resolverá. É óbvio que o investimento em educação colabora, mas uma medida não anula a outra. Por que não defender tudo aquilo que pode ajudar a inibir condutas criminosas?

Sobre a questão dos custos envolvidos, bom, esta é uma das piores justificativas possíveis. No Brasil se gasta muito com questões inúteis, e pouco com o que realmente importa. 

Tudo isso ganha mais destaque nos governos do PT, em que móveis no Palácio da Alvorada, viagens, verbas da Rouanet e shows como o “Janjapalooza” são mais valorizados do que a saúde, a educação e a segurança dos brasileiros. Com tantos recursos públicos sendo jogados no lixo, tal preocupação se torna mera hipocrisia.

Claro que não poderia faltar a opinião da “foca” que é a grande especialista e sumidade em absolutamente todos os assuntos, sejam eles nacionais ou internacionais (ironic mode on). 

O mamífero marinho que virou notícia por fatos como trapacear no xadrez e ir jogar futebol na pandemia enquanto pregava o ‘’fique em casa’’ para os outros, já me bloqueou no X há um bom tempo, mas nem mesmo os títulos recentes de seu clube de futebol o fizeram me esquecer, pelo contrário, segue me acompanhando assiduamente e mostrando notória carência por atenção. 

Em resposta a uma publicação minha sobre os partidos de esquerda que votaram contra a castração química, o youtuber sócio da Play9 Produções, empresa que recebeu R$14,5 milhões em isenção fiscal via PERSE, postou que tal procedimento não funciona, que o “Maníaco do Parque” é impotente, e que são informações falsas e sem comprovação. 

Além disso, citou que é um projeto supostamente inconstitucional, já contando com a intervenção de quem há muito tempo não respeita a Constituição Brasileira e que isso seria uma pauta burra da “extrema-direita”.

Bom, de pautas burras a esquerda entende bem, a começar pela insistente imposição da linguagem neutra, amplamente rejeitada pela população e longe de ser unanimidade até mesmo entre eles, tamanha a inutilidade. 

Defender qualquer tipo de medida que ajude a deixar explícito que não queremos um Estado que facilite a vida dos criminosos, e que deixe a impunidade reinar no Brasil, não é algo supérfluo. Mas sim fundamental em um país com inúmeros cansados e revoltados com tamanha insegurança. Se ele queria “likes” até nisso perdeu quando o respondi.

Eu lembro quando, ainda em 2015, o “Humaniza Redes”, que pertencia à Secretaria de Direitos Humanos do Governo Dilma, fez uma publicação relativizando a pedofilia e tentando humanizar quem comete tamanha atrocidade, afirmando que nem todos que abusam de crianças e adolescentes seriam pedófilos. De forma mais que merecida, foram extremamente criticados na época.

Crimes como os estupros e abusos sexuais infantis merecem o mais alto rigor da nossa lei. Os mesmos que expõem casos relacionados vindo de dentro de igrejas se omitem quando isso parte de militantes ou políticos da mesma ideologia. 

Independente de qualquer coisa, incluindo cargos e ideologias, criminosos são criminosos e merecem penas adequadas aos delitos que cometeram. Sobre a pedofilia em específico, eu apoio tranquilamente a prisão perpétua por tamanha a gravidade.

Quem de fato quer colaborar para que isso seja minimizado ao máximo, trabalha de todas as formas possíveis para que isso aconteça e não inventa desculpas esdrúxulas para minimizar algo totalmente indefensável.

DEU NO JORNAL

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

COM A PALAVRA, OS LEITORES

O melhor, para quem escreve, é sentir a reação dos leitores. Seguem palavras deles, entre as tantas que recebi (aqui apenas trechos, pois a maioria trazia mensagens extensas), sobre artigo que escrevi na última semana dizendo como foram os negros anos da Ditadura Militar de 1964 e o terror do CCC, uma espécie de KKK tupiniquim. A favor ou contra, não importa, leitor aqui diz o que quiser. Sem nenhuma censura, claro, essa é a beleza da Democracia. Como em versos que escrevi lá atrás,

‒ Tem conversa sem um fim
Conversa na lei do cão
É um bom, outro ruim
Esse mundo é mesmo assim
Viva tu e viva mim
Viva Dom Sebastião.

Isso posto, vamos a alguns dos comentários:

ANTÓNIO DE ABREU FREIRE (da Universidade de Aveiro, Portugal): “Eu e outros companheiros europeus que ensinavam na PUC do Rio fomos obrigados a deixar o Brasil. O mesmo avião, tinha 2 motores a hélice, fez escala em São Paulo, onde recolheu outros indesejáveis, entre eles Fernando Henrique Cardoso, e nos despejou em Santiago do Chile. Estava lá Josué de Castro, com sua maleta de medicamentos para se manter vivo. Quase todos os companheiros desse tempo já zarparam do último cais para uma outra dimensão. Todos nós zarparemos também, um dia, cá deixando quem cuide do futuro”.

ANTÔNIO TORRES (imortal da ABL): “Na noite daquele 13 de dezembro (do AI5), estava no lançamento do livro 10 em Humor com Millôr, Stanislaw Ponte Preta, Ziraldo, Jaguar, Henfil, etc, no Bar Veloso, que depois virou Garota de Ipanema. Aí chegou um primo, chamado Humberto, que trabalhava no Jornal Nacional da Globo, com a notícia do AI-5. E tudo perdeu a graça”.

Desembargador EDILSON PEREIRA NOBRE (imortal da ALRN): “É preciso que muitos jovens, velhos no pensamento, tenham ideia mais clara do valor da democracia”.

FÁTIMA DINIZ: “Bom relato, melhor ainda porque nos relembra esse período que vivemos e nos anima para lutarmos contra a volta dessa época tenebrosa. No entanto, diante disso, não entendo como você não usou os seus brilhantes textos na época do impeachment da então presidente Dilma em que o ex, graças a Deus!, presidente fez a perversidade, a desumanidade, enfim o crime de em pleno voto homenagear o torturador Ustra na presença da própria torturada. Um horror!!!!”

FERNANDO GONÇALVES: “Fui amigo também de Cândido e seus irmãos Carlito (aviador já falecido), Célia, Clarice (médica já falecida que morava em Caruaru), Cláudio e Celso (professor UFPE e afilhado de meus pais). O Álvaro e a Dona Elinor eram amigos de meus pais e moravam perto da gente”.

Ministro FLÁVIO BIERENBACH: “Li sua crônica desta semana com lágrimas nos olhos”.

GIOVANI MASTROIANNI: “Tive irmãos, processados, que sofreram nas mãos de defensores da legalidade. Nem de processos penais escaparam, embora absolvidos, sob a alegação de tentarem descarrilar um trem de passageiros. Enterrei os livros que os manos costumavam ler. Hoje em dia devem ter sido diluídos com as intempéries da natureza. Não sobrou uma só página”.

GIRLEY BRAZILEIRO: “Na minha colação de grau fizemos tudo às escondidas. O paraninfo foi Celso Furtado e o homenageado era Dom Helder. Faça ideia da situação”.

HELENO VENTURA: “Na Faculdade de Direito da UFPE, também tive colegas proibidos de estudar. Época difícil. As portas da Harvard, amigo José Paulo, lhe fizeram bem”.

JOÃO FRANCISCO: “Há quase 60 anos, quando o Brasil vivia um regime militar, a cidade do Recife foi palco de diversos atentados. Mas a incursão do dia 25 de julho de 1966 entrou para a história, com bomba em pleno Aeroporto dos Guararapes. Houve excessos por parte dos militares? Evidente que houve; porém, repito, era uma guerra assimétrica. Hoje eles estão no poder e as liberdades acabaram. Posso ser preso pelo que coloco aqui pelo inquérito do final do mundo ‒ o atual A1-5”.

JORGE GEISEL: O preço da liberdade é a eterna vigilância, alertou Thomas Jefferson. Que estejamos vigilantes para não cairmos na armadilha do autoritarismo das normas excessivas, disfarçado de segurança coletiva para defesa da Democracia de fancaria”.

Desembargador JOSÉ LÁZARO GUIMARÃES: “É muito importante lembrar aquele tempo terrível. Lembrei de Cândido, vítima da ditadura, em ação contra a União, que julguei procedente, na JF-BA, por volta de 1983.

JOSÉ NIVALDO JÚNIOR (imortal da APL): “A única coisa que aproxima José Paulo do comunismo é o gosto por charutos cubanos”.

MARCO ALBANEZ: “Sincera e francamente, não tenho nem ideia do quê você pensou, como ministro ‒ quando estava no palanque ‒, vendo os militares, hoje, melancias, lhe prestando continência… (pensei, mestre, que o futuro de um povo deve se construir olhando mais que tudo para a frente). Sem comparação ao meu caso, 1970, já que tive ajuda do então Capelão do Exército padre João Barbalho, meu padrinho…”.

MARCOS ANDRÉ M. CAVALCANTI: “Hoje, o AI-5 está sendo reeditado sem precisar decretar, pelo STF/TSE e o governo Lula. A famosa ditadura alertada por Ruy Barbosa. Contra ela, não se tem a quem recorrer”.

Desembargadora MARGARIDA CANTARELLI (imortal da APL): “Quem não viveu esse tempo, não tem a menor ideia. Gerson Maciel e Egídio, meus professores queridos, sem poder mais dar aulas. Cheguei a visitar Candinho no hospital, levando uns lanchinhos. Depois, o perdi de vista. Quantas lembranças vieram com seu artigo”.

RAUL CUTAIT (do Hospital Sírio Libanes, SP): “Tempos tristes. Contemporâneos universitários que fomos, na fase da vida onde se começa a descobrir o que é liberdade, sob todos os aspectos, a pressão e a repressão da ditadura militar, com mortes de colegas e amigos”.

TEOLINDA GERSÃO (escritora portuguesa): “Nessas andanças de juventude e nos perigos que correu, o caráter moldou-se e o destino também. Festejamos agora 100 anos do nascimento do nosso Mário Soares, a quem nunca agradecemos bastante”.

WELLINGTON SARAIVA: “É extremamente importante que esses relatos se façam, para registro histórico e para que esses pedaços de verdade ajudem a construir e manter nossa ainda um tanto frágil democracia”.

XICO BIZERRA: “Elucidativas as palavras do Mestre José Paulo. Retrata razões para que sequer pensemos na volta ao passado, no retrocesso que seria reviver os tempos sombrios do período abordado”.

* * *

NATAL. O risco de recitar versos, nessa época do Natal, está bem descrito (em Versiprosa) pelo mestre Drummond

‒ Menino, peço-te a graça
De não fazer mais poema
De Natal.
Uns dois ou três, ainda passa…
Industrializar o tema, eis o mal.

Mas peço licença para lembrar o amigo Fernando Pessoa (no Cancioneiro), ao escrever sobre esse Natal

‒ Nasce um Deus. Outros morrem. A verdade
Nem veio, nem se foi: O Erro mudou
Temos agora outra eternidade
E era sempre melhor a que passou.

E é mesmo uma injustiça não lembrar também Carlos Penna Filho (Natal)

‒ Sino claro sino
Tocas para quem
Para o Deus menino
Que de longe vem…

E que lhe ofereces, velho pescador?
Minha fé cansada,
Meu vinho, meu Pão,
Meu silêncio limpo.
Minha solidão!

Que o Natal consiga tocar no coração de todos e cada um dos brasileiros num tempo tão complicado, em que desejamos sobretudo paz. O país reconciliado. Mais fraterno. O silêncio e a solidão de um povo dando vez a um riso limpo. Feliz Natal!!!

DEU NO JORNAL

ALEXANDRE GARCIA

NINGUÉM MAIS ACREDITA QUE O GOVERNO TENHA COMPROMISSO FISCAL

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Gabriel Galípolo rechaçou hipótese de ataque especulativo como explicação para a disparada do dólar

Esfarelou-se o pacote fiscal do governo, aquela história de cortes. Não aconteceu nada. Como foi com o arcabouço fiscal, lá atrás, que serviu para derrubar o teto de gastos. A regra para limitar os gastos do governo, feita no governo Temer, era essencial, mas Lula eliminou porque queria gastar. Criou ministérios – eram 22, viraram 39. Isso custa dinheiro. De tanto gasto, gasto e mais gasto, vem o desequilíbrio, que resulta nesse dólar que está aí. Passou de R$ 6 e não volta mais. Tanto que o Banco Central botou US$ 8 bilhões à venda em leilão, e vendeu tudo, porque as pessoas acham que vai subir mais ainda e pretendem ganhar dinheiro.

O futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicado por Lula, já disse que não há especulação nisso. É a reação do mercado à pressão inflacionária, à pressão dos juros, e principalmente ao crescimento da dívida pública. O governo vai ter de pagar cada vez mais juros para pôr seus papéis no mercado e ter dinheiro para bancar suas despesas. E, como Lula não tem maioria no Congresso, mesmo tendo liberado emendas, já houve a desidratação das propostas do governo. O pacote fiscal já nasceu fraquinho, e nem isso vai conseguir aprovar.

Por isso vamos ter de aprender a lidar com o novo dólar. Por causa dos desequilíbrios. E o principal problema do governo vai ser a economia. O governo Lula é bom de propaganda, mas, quando as coisas não dão certo, a pessoa sente no bolso na hora de fazer as compras. Agora mesmo, por exemplo, já se sabe que a ceia vai custar 10% a mais que no Natal do ano passado – subiu mais que o dobro da inflação oficial.

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Lei sobre celular na escola corre sério risco de não pegar

O Congresso aprovou a lei proibindo o uso do celular nas escolas, deste o infantil até o fim do ensino médio. Só ficou de fora o ensino superior. A lei proíbe o uso, mas não proíbe a entrada do celular na escola. E cria uma infração, que é usar celular no banheiro, escondido, atrás da árvore, onde for. Por que, então, a lei não impediu a entrada do celular na escola de uma vez? Que botem algum detector ou coisa parecida, porque do contrário vamos ter fiscal de celular no banheiro, no intervalo, no corredor, porque é proibido usar em qualquer lugar da escola.

A lei tem de ser exequível, para que naturalmente possa ser cumprida, do contrário ela vai ser deixada de lado. E abre exceção: o professor pode um dia fazer uma pesquisa que precise do uso de celular, ou um aluno pode alegar que estava usando o celular por causa de uma emergência, um caso de doença em casa, alguma coisa assim. Leis assim são teoricamente muito bonitas, mas têm de funcionar.

É como no livro O Pequeno Príncipe, que tinha um planeta cujo rei era tão poderoso que podia mandar o sol se pôr. Mas antes ele recorria à astronomia para saber exatamente a hora do pôr-do-sol. Assim como não adianta estar querer mandar o sol se pôr sem consultar a astronomia, não adianta fazer leis desconsiderando a natureza das crianças, dos jovens, dos adolescentes. Não vai dar certo.

DEU NO X