JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Ana Jansen

Ana Joaquina Jansen Pereira, conhecida como Donana por seus escravizados, nasceu em São Luís, MA, em 1798. Empresária e politica, rica proprietária de terras. Foi uma personagem controversa na história. Conta-se que devido a crueldade com seus escravizados, foi criada uma lenda sobre seu espírito vagando pelas ruas de São Luís, conduzindo uma carruagem fantasma.

Filha de Rosa Maria Jansen Muller e Vicente Gomes de Lemos Albuquerque, uma família descendente de holandeses e portugueses instalada na Província do Maranhão. Na adolescencia teve um filho de pai desconhecido, tornando-se “desonrada”, e expulsa de casa pelo pai com o filho recém-nascido. Após passar por uns perrengues e grandes dificuldades, tornou-se amante por muitos anos do rico coronel Isidoro Rodrigues Pereira, pertencente à família mais rica da região. Deste relacionamento duradouro, surgiram alguns filhos, passando de amante a esposa após a morte da primeira mulher do coronel, que aceitou criar seu filho sem pai. Ele a sustentava, lhe deu casa e uma vida digna para criar seu filho. No entanto, era alvo de preconceito por criá-lo sozinha, morando na casa cedida pelo coronel.

O relacionamento era mal visto pela vizinhança na sociedade moralista da época, personificada acima de tudo por sua maior inimiga: Dona Rosalina Ribeiro, que conservava a moral e os bons costumes com muito rigor. Não admitia uma mulher não ser casada, ter filho de um homem que ninguém sabe quem é e ser amante de outro, ainda casado. Tal comportamento chocava as mulheres da época, que se casavam cedo e levavam uma vida de submissão ao marido. Após a morte de sua esposa, o coronel assumiu oficialmente a relação e permaneceram juntos por 15 anos, até a morte do marido, que deixou 6 filhos para criar. Aos poucos, ela passou a ser aceita e até respeitada pela sociedade local. Assim, tornou-se uma viúva rica e poderosa senhora proprietária de terras, escravos e líder política até que chegou a ficar conhecida como “Rainha do Maranhão”.

Empreendedora e ciente de seu poder econômico, assumiu o controle da Fazenda Santo Antônio e tempos depois conseguiu triplicar a fortuna herdada. Em seguida passou a ser uma das maiores produtoras de algodão e cana-de-açúcar do Império, além de possuir o maior número de escravos da região. Implantou um sistema de distribuição de água substituindo o anterior, cobrando a população pela prestação deste serviço por um periodo de 15 anos. Perseverante e ambiciosa, transformou o dinheiro em poder, assumindo a liderança política da cidade e reativando o esfacelado partido liberal Bem-te-Vi (nome do jornal do partido), passando a comandá-lo.

Além de empresária, era hábil na política, costurando acordos nos bastidores entre alguns líderes locais. Durante a revolta da Balaiada (1828-1841), conta-se na história que ajudou a financiar o exército comandado pelo Duque de Caxias, enviado para conter a revolta, uma das mais longas durante o Império. No âmbito local, manteve forte rivalidade política com o Comendador Meireles, líder do Partido Conservador. Seu temperamento forte, explosivo e competitivo, além de sua capacidade de liderança, alcançaram a corte de D. Pedro II, onde ficou conhecida como “Rainha do Maranhão”. Passou, também, a ficar famosa pela dureza com que tratava os inimigos e pelo autoritarismo extremado com seus funcionários e escravizados. Era voz corrente entre seus opositores de que não tinha piedade de quem atrapalhasse seus planos, e açoitava os negros que não a obedeciam, mutilando-os.

Embora haja certo consenso sobre sua crueldade, de acordo com o historiador Rodrigo do Norte, muitos dos relatos seriam exagerados. Ela não era mais cruel que a média dos escravagistas de sua época. Com a fama espalhada na região, tornou-se vaidosa e requereu o título nobiliárquico de Baronesa de Santo Antonio, local onde mantinha a fazenda principal, ao Imperador Dom Pedro II, que lhe foi negado. Após a morte do coronel Isidoro, seu marido, ela foi amante, por alguns anos, do Desembargador Francisco Vieira de Melo e teve mais 2 filhos. Assim, foi matriarca de uma família de 11 filhos. Ela não via nada demais em ser amante e nem ligava para o que as mulheres casadas diziam. Sempre aparecia grávida diante todos, que ficavam chocados

Mais tarde, já aos 60 anos, casou-se pela segunda vez oficialmente com o comerciante paraense Antônio Xavier e faleceu em 11/4/1869. Atualmente, em São Luís, existem ruas com o seu nome e uma lagoa em sua homenagem: a Lagoa da Jansen, um dos principais pontos de lazer da cidade. No folclore de São Luís, existe uma lenda sobre a carruagem de Ana Jansen. De acordo com esta lenda, por maltratar seus escravizados, ela foi condenada a vagar perpetuamente pelas ruas da cidade numa carruagem assombrada. O coche maldito partiria do cemitério do Gavião, em noites de quinta para sexta-feira. Um escravo sem cabeça conduziria a carruagem, puxada por cavalos também decapitados ou uma mula-sem-cabeça em outras versões.

Ana Jansen ficou muito conhecida no Maranhão, fazendo com que a hsitória de sua vida fosse mitificada ao longo do tempo, levando a exageros ampliados pelo folclore. Diante de tais exageros, duas historiadoras -Elizabeth Souza Abrantes e Sandra Regina Rodrigues Santos- empreenderam uma pesquisa embasada em fatos e documentos, que resultou no livro A Senhora do Maranhão: uma biografia de Ana Jansen, publicado pela editora da UEMA, em 2023. A biografia foi resenhada e publicada – SALVE ANA, SALVE DONANA: um olhar sobre a biografia da Senhora do Maranhão, Ana Jansen – por Nila Michele Bastos Santos na revista Outros Tempos, vol. 21, nº 37, 2024, que pode ser acessada clicando aqui.

DEU NO X

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

EU TIVE UM SONHO

Guardadas as devidas proporções com o de Martin Luther King, eu também tive um sonho no amanhecer do Dia do Professor, 15 de outubro passado, um dia por mim reverenciado com muito orgulho e saudade de ter exercido uma atividade de muita valia.

Transcrevo, para a gente amada deste jornal muito arretado de ótimo, os itens principais do que foi sonhado por mim, objetivos recheados de muitas esperanças num Brasil recheado de gente de ótimo caráter político-administrativo, público, empresarial e partidário, sem cadeiradas nem acusações infundadas, sem impropérios e fake news, sem trumpalhadas nem maduradas, tampouco presepadas autoritárias negativistas que enxovalham civilizações tidas como do século XXI.

Listo os principais itens do sonhado e bem desejado:

a. Uma educação fundamental básica federalizada para todas as crianças até dez anos, proporcionando a todas elas uma caminhada cidadã sementeira que alicerce uma vida pessoal, familiar e profissional onde todos possam SER antes de TER.

b. Igualdade salarial para todos os gêneros e etnias, para o exercício de funções igualitárias.

c. Percentuais de aumento salarial para o setor público idêntico ao concedido anualmente ao salário-mínimo, sem mas nem meio mas.

d. Idade mínima criminal de 16 anos, idêntica à concedida para exercer o direito de votar.

e. Não reeleição para presidentes, governadores e prefeitos, seus mandatos sendo de 5 anos, igualmente dado aos demais políticos (senadores, deputados federais/estaduais e vereadores).

g. Castração física integral, com pena longa em regime fechado e sem atenuantes, para os condenados em última instância pelos de feminicídios e estupros contra crianças, adolescentes, senhoras, idosas e deficientes.

h. Reformulação integral dos Cursos de Pedagogia dos Sistemas Universitários, com QI mínimo para ingresso, favorecendo a emersão de uma Docência Crítico-Libertadora de excepcional qualidade.

i. Isenção de IR para maiores de 75 anos.

j. Imposto sindical optativo, proporcionando uma atividade sindical mais dinâmica e produtiva.

k. Penas longas e em regime fechado, sem saidinhas nem contemplações, para os provocadores de incêndios, desmatamentos e garimpos ilegais, contaminadores de rios e mares, invasores de propriedades indígenas, propriedades rurais e reservas florestais.

l. Instituição obrigatória de um percentual mínimo de áreas urbanas destinado ao lazer e atividades esportivas para todas as idades.

m. Instalação, nas cidades de mais de 300 mil habitantes, de bibliotecas públicas, favorecendo a Cultura Brasileira.

n. Internet 5G gratuita em todo o território nacional.

o. Ampliação do SUS para os municípios brasileiros de mais de 500 mil habitantes.

p. Dinamização do Sistema S – Sesi, Senac, Senai, Sesc e Senar, incentivando a inscrição da juventude nos seus Cursos Profissionalizantes.
q. Capacitação e melhoria salarial dos Sistemas Estaduais e Municipais de Segurança Pública.

r. Serviço militar obrigatório para a sexo feminino.

s. Tributação de todas as entidades religiosas.

t. Punição severa para quem produz, comercializa e exporta drogas e alucinógenos.

u. Multa mais rigorosa para quem deixa de votar sem justa causa.

v. Fortalecimento do sistema ferroviário nacional, potencializando as exportações e reduzindo a utilização das rodovias.

x. Potencialização do uso da energia solar.

y. Reestruturação dos Conselhos Profissionais, dotando todos eles de um maior poder de fiscalização, punição e cassação.

z. Maiores incentivos para os eventos culturais, mormente aqueles que favoreçam a criatividade empreendedora de participantes e assistentes.

Terminado de listar os sonhos em ordem alfabética, acordei com uma vontade arretada de ser cada vez mais brasileiro.

PENINHA - DICA MUSICAL

TEMAS DE FAROESTE – 7

Quero homenagear, durante esta semana, o nosso colega Cícero Tavares, o formidável crítico de cinema desta nossa gazeta.

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1965 – For a Few Dollars More – Ennio Morricone

No Brasil, “Por uns dólares a mais” estrelado por Clint Eastwood e Lee Van Cleef