Apesar de reclamar até das comidas palacianas dos anfitriões, a agenda de Lula revela o gosto que tem pelo exterior.
Desde que tomou posse, o presidente esteve em 12 países diferentes.
O mesmo número de estados visitados pelo petista, que só alcançou o número com a ida ao Rio Grande do Sul na sexta (30).
Desde janeiro, Lula já esteve em Argentina, Uruguai, Estados Unidos, China, Emirados Árabes, Portugal, Espanha, Reino Unido, Japão, Itália, Vaticano e França.
Ufa!
A agenda no exterior de Lula é tão extensa que o petista teve que adiar a ida à China após passar mal. Se medicou e, dias depois, alçou voo.
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Tá faltando mais uma viagem pra completar o número certo nesta primeira parte do ano:
12 + 1 = 13
Aí o ciclo estará fechado com coerência.
13 é o número da quadrilha comandada pelo Descondenado.
Até 2017 não se falava em Bolsonaro como uma opção de candidatura a presidente da república. Geraldo Alckmin, por exemplo, tratou sua candidatura como “folclórica” chegando a dizer que o Brasil tinha maturidade para não apoiar esse tipo de coisa. Diversos especialistas de programas de debates políticos, em diversos canais de comunicação, ironizavam suficientemente a proposta e concluíam, sempre, que “ele não tem a menor chance de ser eleito”. Contra todos os prognósticos, Bolsonaro foi eleito e desde 2018 duas palavras foram usadas largamente: bolsonarismo e fascismo.
Eu publiquei um texto no facebook mostrando o que era fascismo, segundo o Dicionário Político de Noberto Bobbio e enfatizando que o Brasil não tinha o ambiente descrito por Bobbio para justificar a denominação. Goiano Braga me respondeu que “fascismo era só a forma de se referir ao governo Bolsonaro”.
Ao longo de 2018, mais precisamente a partir do anúncio de vitória de Bolsonaro, o Brasil mudou “da água para o vinho” em diversos aspectos. O primeiro deles foi em termos econômicos. Na primeira semana de novembro de 2018 a Bolsa de Valores ultrapassou os 100 mil pontos. Veja bem: uma semana após a vitória e sem a diplomação! Já em janeiro, na primeira semana de governo, com Guedes no ministério da Economia, a Bolsa chegou a 115 mil pontos. A confiança da indústria voltou e a reconstrução de fundamentos econômicos levou o país a um crescimento econômico de 1,1%. Pouco? Certamente, mas possível dentro de um cenário catastrófico que o país saíra do governo de Dilma.
Do meu ponto de vista, o governo se sustentava em dois bons ministros: Sérgio Moro e Paulo Guedes, mas fui surpreendido rapidamente com a atuação de Tarcísio de Freitas e Teresa Cristina que, em dois setores importantes fizeram um desenho do que poderia ser o Brasil nas mãos daquela equipe. O primeiro fez obras no Brasil inteiro e terminou a transposição do rio São Francisco que estava parada desde o governo Lula. Teresa, incrementou políticas que solidificaram o agronegócio como o setor de maior contribuição para a balança comercial. Fechamos o ano com Paulo Guedes eleito o melhor Ministro da Economia do mundo. A política fiscal, calcada na redução da dívida via concessões e privatizações, começou a apresentar resultados e em 2019, Roberto Campos foi eleito o melhor presidente de Banco Central do mundo.
Foram inúmeras ações, foram inúmeras obras, devidamente, acabadas e eu gostaria muito que qualquer opositor a Bolsonaro dissesse o nome de uma única empreiteira que tenha levado vantagem com subornos. Eu posso citar: Odebrecht, OAS, UCT…, mas, estas eram empreiteiras dos governos do PT. Chegamos a 2020 e veio a pandemia com os efeitos esperados eram de recessão, mas o Brasil caiu menos que outros países em termo de PIB e chegou ao final de 2021 com inflação mais baixa do que Estados Unidos e Reino Unido só para citar dois casos.
No meio desse caminho, começa a surgir uma força externa que começou a limitar e interferir nas ações do governo: justiça brasileira, representada por essa estrutura desmoralizada chamada STF. Não vi a capacidade tão grande de reunir canalhas por metro quadrado como aquela. O STF começou a trabalhar para desestabilizar o governo. Na pandemia, deu aos governos estaduais mais poderes do que ao presidente da república. Vetou a indicação de nomeações que era prerrogativas do presidente. Passou, descaradamente, a fazer oposição ao governo, inclusive ameaçando o congresso com fez Barroso ao ameaçar os deputados que estavam tratando do voto impresso.
Não bastasse tudo isso era preciso um golpe de misericórdia: tirar Lula da cadeia, homologar a candidatura dele, fazê-lo presidente, caçar os inimigos de Lula, como Deltan e, por fim, tornar Bolsonaro inelegível por um crime que não está tipificado. Reunir-se com embaixadores é prerrogativa do presidente da república e emitir opinião sobre a fragilidade das urnas eletrônicas é um direito de expressão apoiado na carta magna. Mas, o pior ainda estava por fim: Zanin no STF. Ou seja, o fortalecimento da política protecionista a esse bandido descarado que preside o Brasil.
Decididamente, Bolsonaro perdeu uma grande oportunidade enterrar de vez as pretensões da esquerda nesse país. Perdeu chance quando colocou Braga Neto como vice mesmo tendo Teresa Cristina como um cabo eleitoral excelente. Seu enfretamento foi feito de forma desorganizada e infantil. Poderia ter trabalhado mais ao invés de ficar perdendo tempo com bobagem.
Quem nega tudo isso pode ser chamado de negacionistas? Não creio. As pessoas que votaram em Lula, fizeram-no porque queriam tirar o “fascismo” do país, mas isso veio acompanhado de argumentos fortes dados pelos próprios eleitores de Bolsonaro que ao invés de externar políticas e resultados que estavam sendo alcançados, preferiram ficar postando mentiras e bobagens sem pé nem cabeça.
A reconstrução do Brasil está apoiada no governo de Tarcísio de Freitas. Só temos uma opção para 2026: Tarcísio e Zema. Ambos têm caráter e votos. Governam os dois maiores colégios eleitorais do Brasil. Se não abraçarmos já esta ideia, vamos ver merda feder por mais tempo. E até lá os donos do poder se sentirão donos do Brasil.
A chuva é a mensageira Da bonança pro roceiro É o bem mais prazenteiro Para o povo da ribeira Que quando olha a biqueira Colhendo o que foi mandado Por Deus Pai santificado Fica muito agradecido Como é bonito o tinido Da chuva sobre o telhado.
Teresa Margarida da Silva e Orta nasceu em São Paulo, SP, em 1711. Reconhecida como a primeira romancista em língua portuguesa, era irmã do filósofo Matias Aires e escrevia sob o pseudônimo de Dorotéia Engrassia Tavareda Dalmira, um anagrama perfeito de seu nome. Teve uma produção de obras autônomas e independentes e pode ser considerada, também, a primeira feminista brasileira.
Sua mãe era brasileira e o pai português -José Ramos da Silva- minerador e um dos homens mais ricos do Brasil Colonial. Aos 5 anos, a família mudou-se para Lisboa, onde viveu e publicou toda sua obra. Teve uma vida atribulada, mantendo bom relacionamento com a corte portuguesa e com o Marquês de Pombal. O pai internou-a num convento, mas ela saiu de lá para casar-se com alguém de sua escolha, algo incomum para a época, quando os casamentos eram arranjados. Após a morte do pai e do marido, lutou pelo direito de acesso aos bens da família e mais tarde foi presa sob a acusação de mentir à corte por defender o casamento do filho com uma nobre cuja família não aceitava a união.
Em 1752 publicou o romance político e feminista As aventuras de Diófanes, o primeiro da língua portuguesa escrito por uma mulher. O romance traz como pano de fundo ideias que subvertem os padrões absolutistas de Portugal, do século XVIII, num enredo cheio de imprevistos e reviravoltas. Suas ideias, insubmissas para a época, pregavam a educação igualitária entre meninos e meninas e trabalho para as mulheres, numa crítica à ociosidade que lhes era imposta. Tais ideais estavam afinados com o Iluminismo, que descortinava e se constituía num posicionamento contrário ao Absolutismo praticado por Dom João V. Tais ideais eram compartilhados por seu irmão e seu amigo, o diplomata Alexandre de Gusmão.
Num romance didático e moralizante, como era o costume no século XVIII, temos um diálogo retórico, onde a autora apresenta suas máximas de virtuosidade: “São inumeráveis as heroínas que se tem visto tão inteligentes que umas têm parecido o milagre das artes e outras têm dado a entender que eles julgam ignorância o que são efeitos da modéstia.” Em algumas partes, ela deixa claro a reinvindicação pela igualdade de direitos das mulheres: “Não resplandece em todas a luz brilhante das ciências porque eles ocupam as aulas em que não teriam lugar se elas frequentassem, pois temos igualdade de almas e o mesmo direito aos conhecimentos necessários.”
Sobre o direito ao conhecimento, ela ressalta: “Nós não temos a profissão das ciências nem a obrigação de sermos sábias; mas também não fizemos voto de sermos ignorantes.” Seu feito é excepcional até mesmo na questão de gênero literário. Na época era incomum que as mulheres escrevessem em prosa, dedicando-se mais à poesia. Assim, foi precursora na literatura e no feminismo que se estendeu até o século XIX e ficou mais ou menos esquecida, mesmo com a reedição de sua Obra reunida, em 1993, pela Graphia Editorial.
Não obstante sua classe social e os elogios recebidos após a publicação do romance, a condição feminina relativizou a autoria de sua obra. Na terceira edição seu romance foi publicado como se fosse de Alexandre Gusmão, o que revela a noção inferiorizada que se tinha da mulher. Entre nós, ela é considerada pela Academia Brasileira de Letras como a primeira romancista do País. Assim, conforme os críticos, pode-se dizer que apesar de não ter vivido aqui, seus questionamentos se relacionam com o Brasil do século XVIII e, logo, não é totalmente alheio ao cenário nacional da época. Faleceu em Lisboa, em 24/10/1793.
Seu pioneirismo não passou despercebido no meio acadêmico aqui e em Portugal. Em 2004 Eva Loureiro Viralhele apresentou trabalho no VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais, na Universidade de Coimbra, um questionamento intitulado “Fabricação de ideias e identidades na historiografia literária luso e brasileira: Começa a literatura brasileira com um romance, feminista e político escrito por uma mulher?”, disponível clicando aqui. Em 2006 Sofia de Melo Araújo publicou na Revista da Faculdade de Letras, Línguas e Literatura (Porto), vol. 23, o artigo “Aventuras de Diófanes de Teresa Margarida da Silva e Orta – Os ideais de Climenéia e Diófanes à luz dos tempos”, também disponível clicando aqui.
Entre nós, temos a dissertação de Tania Magali Ferreira Furquim, defendida, em 2003, na Unicamp: “Aventuras instrutivas: Teresa Margarida da Silva e Orta e o romance setecentista”. Mas, por enquanto, a primeira romancista em língua portuguesa, que é brasileira, está aguardando os biógrafos nativos com uma biografia a altura de sua importância para as letras brasileiras. Foi homenageada em São Paulo, nomeando uma EMEF-Escola Municipal de Ensino Fundamental, no bairro Campo Limpo.
Um homem de meia idade, morador da periferia de uma região metropolitana, vendia cachorro-quente a preços bastante acessíveis. Era meio surdo e detestava rádio, não lendo jornais porque sofria da vista, uma miopia braba que o atormentava desde a juventude. Mas tinha aprendido com seus avós a fazer um tipo de cachorro-quente que era muito consumido, sem segundo lugar, tido e havido como o melhor de todos os bairros que constituíam a área sul da capital.
Diante do sucesso de suas vendas, tinha afixado uma tabuleta à beira da avenida, onde apregoava a boa qualidade do seu produto. E ainda bradava, nos horários de maior trânsito e com uma frequência que até incomodava, uma frase de efeito:
– Cachorro-quente dezoito quilates, o melhor do Nordeste!
Aumentada a freguesia, e, consequentemente, a compra de carnes e pãezinhos, resolveu adquirir um fogão maior, a fim de atender melhor os clientes, novos e veteranos. Conversando com um vizinho, desses que veem o mundo permanentemente nas trevas, tudo na mais absoluta escuridão, dele recebeu uma advertência:
– Amigo, não tens ouvido rádio? Dizem que o dinheiro está rareando, que todo mundo ficará em má situação, acontecendo uma grande crise, os negócios indo por água abaixo.
Aí, o cachorroquenteiro, que detestava rádio e ainda ouvia pouco, míope da gota serena, resolveu não mais adquirir ums fogão maior. Apressou-se em diminuir as compras de carne e pãezinhos e ainda pôs abaixo o cartaz pintado a óleo que era seu chamariz principal. E não mais gritou, apregoando as boas qualidades do seu produto.
Com as vendas em declínio, o nada-fazer foi se instalando no seu pedaço existencial, o vizinho se tornando um grande identificador de crises homéricas. Os dois passaram a prognosticar uma época de muitas incertezas, um futuro depressivo para os diferenciados ramos de negócio, posto que o fim dos tempos se aproximava.
A motivação voltou quando o cachorroquenteiro ouviu de um neto o que estava escrito num canto de um jornalzinho de uma localidade próxima:
“Quando triunfar, vai fazer falsos amigos e verdadeiros inimigos, mas continue em frente. O que leva dias para construir pode ser destruído num instante, mas construa assim mesmo. Dê ao mundo o que tiver de melhor, pois você colherá o que semeou.”
Todo negativista é recheado de mil e um complexos, é autoritário, inculto e detesta ver o sucesso dos outros, sempre se acercando de incompetente babaovistas que não possuem pensar crítico, sempre se comportando como boi de boiada, sempre segurando o “aquilo” dos chefes imediatos.
Todo negativista pouco se lixa para toda MDI – Metodologia de Desabestalhamento Integral, preferindo conviver com alucinados aplaudidores frenéticos, igualmente idiotizados, que nunca leram a declaração-prognóstica do ex-ministro da Educação Darcy Ribeiro, fundador da Universidade de Brasília:
“Três direitos fundamentais precisam ser devolvidos ao Brasil excluído: O direito de saciar a fome, O direito de ter uma casa decente, e o Direito à escola boa para todas as crianças.”
Saibamos efetivar sempre a diferença entre inteligências decisórias que dignificam e merdalidades posturais que apenas humilham povos e nações.