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UMA FALA EM DEFESA DO COMPANHERO

Lula quer “extirpar” os “neofascistas” do Brasil

O descondenado foi mais longe na sua fala totalitária. Não chamou os investigados por injúria contra um ministro apenas de “animais selvagens”, mas também afirmou que “essa gente que renasceu no neofascismo colocado em prática no Brasil tem que ser extirpada, e nós vamos ser muito duros com essa gente para eles aprenderem a voltar a serem civilizados”.

Obviamente, ele se refere aos pelo menos 58 milhões de eleitores de Bolsonaro, que se opõe ao partido responsável pelo maior saque da história ao Estado, com objetivo de financiar ditaduras pelo mundo, e também instituir um regime ditatorial no Brasil.

Na abertura do Foro de São Paulo, Lula afirmou que tem orgulho de ser chamado de “comunista”. Ao chamar seus oponentes políticos de “fascistas” e desumanizá-los, o descondenado segue exatamente a cartilha comunista para justificar todo tipo de arbitrariedade contra eles, com o uso do estado para perseguir, censurar, encarcerar e até mesmo matar os não alinhados, ao arrepio de qualquer direito fundamental.

Não por acaso, Lula é aliado de primeira hora da narcoditadura comunista venzeulana, que seguiu exatamente esse caminho. Lula também não esconde seu apreço pela ditadura chinesa, que mantém campos de “reeducação” para “civilizar” os uigures, por exemplo, submetidos à tortura e trabalhos forçados.

Tempos sombrios, e sem perspectiva de mudança à vista. Como anunciou Dirceu, “nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição”. Tomado o poder, o próximo passo é a justiça revolucionária, com a criminalização de qualquer oposição. É o que está acontecendo.

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DEMOCRACIA INTOXICADA

Francisco Razzo

Lula participa do congresso da UNE, em Brasília em 13 de julho de 2023.

Lula participa do congresso da UNE, em Brasília em 13 de julho

Em eleições para presidente, a narrativa criada pelos petistas é a de que só Lula, e mais ninguém, unificaria e pacificaria o país depois do pesadelo Bolsonaro. “União e reconstrução”, dizia o slogan de campanha. Nas redes sociais, a expressão “o amor venceu” inundou postagens de uma esquerda que não teme mais dizer o seu nome.

Depois da vitória petista, a expressão “o amor venceu” tem sido adotada para satirizar o método de perseguição, que não prescinde de apoio institucional, contra tudo aquilo que não é espelho da esquerda petista. Ciro Gomes que o diga. Durante a campanha, sua reputação foi devidamente destruída por tal amor reconciliador. Se são capazes de fazer isso com os amigos, imagine a disposição para redimir inimigos? O amor petista não abre mão da política como guerra por outros meios. Trata-se, como já escrevi aqui, de uma forma muito específica de democracia domesticada. Nada há mais ingênuo do que cair nesse tipo de retórica.

A paz imaginada pela atual esquerda no poder é uma paz que só faz sentido com a ideia de que o inimigo precisa ser identificado, perseguido e destruído. Infelizmente, essa forma de se fazer política não é privilégio da esquerda no poder. Entretanto, o que chama atenção nesta esquerda no poder é o caráter vingativo. A política como vingança não é novidade no mundo político. A novidade, no nosso contexto, é o apoio social, institucional e até midiático que esta esquerda recebe para identificar e caçar suas bruxas. Mesmo depois de derrotar Bolsonaro nas urnas, a impressão que fica é de que Lula não descansará enquanto não expurgar o país do bolsonarismo. O problema é o que ele entende por “bolsonarismo” e, a partir disso, o que estará disposto a fazer para destruí-lo.

Em recente pronunciamento durante o 59.º Congresso da União Nacional dos Estudantes, Lula afirmou que os presentes “conheceram em quatro anos o nazismo e o fascismo e viram como pode-se destruir a democracia neste período”. Não citou Bolsonaro, claro. O recado fora dado com clareza:

“Voltei à Presidência pela luta de vocês junto a mim, para recuperarmos este país. Vocês precisam compreender a importância da democracia. Vocês conheceram, em quatro anos, o nazismo e o fascismo. Viram como pode-se destruir a democracia em quatro anos. Aprendemos que a democracia pode não ser a coisa mais perfeita, mas não há nada como ela, em que podemos ver a pluralidade. É na democracia que vemos as manifestações. Voltaremos a fazer mais escolas técnicas, laboratoriais e universidade.”

Para ser democrática, a experiência política precisa incorporar em seu interior a dissidência e o contraditório. O bolsonarismo já foi vencido nas urnas. O que mais o petismo deseja? Minha pergunta aqui foi retórica. Eu sei o que o petismo deseja.

Recentemente, terminei de ler o excelente O império do politicamente correto, do filósofo canadense Mathieu Bock-Côté. Para termos uma visão mais ampla do que está acontecendo no mundo das ideologias, eu recomendo muito a obra. Nas últimas páginas, Bock-Côté traz uma visão muito boa a respeito do valor genuína da democracia. Reproduzo na íntegra:

“A democracia não poderia prescindir do conflito, mas deve civilizá-lo, a fim de torná-lo criativo. A conversa cívica não é uma simples discussão civilizada, e quem sonha em reduzi-la a isso quer na realidade torná-la asséptica. Alain Finkielkraut nos põe na pista correta: ‘deixei de conceber a política como um face a face entre a humanidade e seus inimigos’. Toda a genialidade da democracia liberal consiste em evitar a conversão do adversário em inimigo. Não se deve descartá-la, e sim restaurá-la. Seria preciso reaprender a refletir sobre um conflito político real, substancial, e até passional, mas emancipado do imaginário da guerra civil e capaz de levar os homens a prosseguir, apesar de tudo, a obra comum que torna possível a comunidade política.”

Na verdade, o maior risco para a democracia consiste em identificar adversários políticos como a encarnação do mal absoluto. No imaginário público, os termos “nazismo” e “fascismo” se referem à presença desse mal, e a banalização desses termos se presta justamente a esse propósito. Por esse aspecto, quando Lula ataca seus adversários como “fascistas” e “nazistas”, ele não defende a democracia – ao contrário, ajuda a intoxicá-la.

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NÃO EXISTEM MAIS GARANTIAS

Claudia Wild

O Brasil mergulhou inexoravelmente em um regime ditatorial. E não falamos apenas dos presos políticos e das perseguições ideológicas promovidas pelo Judiciário, mas da gama de ações ilegais que tem se multiplicado no país. O desmonte do ordenamento jurídico é nefasto, joga o indefeso cidadão na arena do feroz leão estatal. Em nome de um suposto “bem maior” ou de “salvar a democracia”, cometem os mais perversos absurdos.

Não existem mais garantias legais ou normas do devido processo legal – um marco civilizatório de qualquer nação. Há apenas o arbítrio dos tiranos.

Um simples crime de injúria – descrito antigamente na lei penal como “atribuir palavras ou qualidades ofensivas a alguém, expor defeitos ou opinião que desqualifique a pessoa, atingindo sua honra e moral” – pode ensejar uma medida cautelar de busca e apreensão. Um descalabro nunca dantes visto nos tribunais brasileiros.

A história mostra que, o uso indevido de instrumentos coercitivos (ou da força policial) como forma de intimidar e constranger, constitui uma das mais abjetas arquiteturas da manutenção de um regime autoritário. Em vez de seguir a lei, segue-se a sede de justiçamento da tirania.

O mais grave vivido atualmente no Brasil é o silêncio dos juristas e dos operadores do direito, com relação ao que se passa na caótica órbita jurisdicional brasileira. O silêncio dessa gente prolongará o estado de putrefação da nação brasileira. Preferiram, com o aval covarde e militante da mídia nacional, fazer de conta que vivemos uma normalidade institucional, quando na verdade vivemos uma desordem jurídica sem precedentes.

Assistimos à ruína completa de qualquer tênue vestígio de civilidade que o país já tenha tido. Resta repetir o básico: o Leviatã não perdoa ninguém! Em algum momento também mostrará suas garras aos covardes.

Vale, mais uma vez, lembrar que nação nenhuma prospera ou prosperou sob uma tirania. No máximo, ela consegue emplacar uma boa propaganda capaz de convencer ignorantes e seus aliados ideológicos.