DEU NO X

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A BIFURCAÇÃO DA VIDA

Por onde vou?

Diz, por onde vou?

Diz, onde estão as tormentas e as ondas que poderão me ceifar a vida.

Me diz os caminhos possíveis – sem que sejam os mais fáceis.

És a minha bússola e o meu caminho.

És o sol, e a luz da minha escuridão.

Orienta-me!

Ilumina-me, e aponta a direção mais possível – sem que seja a mais fácil.

És a minha bússola e o meu caminho.

És o oásis no deserto que me consome.

Dirige-me, como se eu estivesse num balão na Capadócia.

Sopra forte, e leva-me pelos caminhos mais possíveis – sem que sejam os mais fáceis.

Leva-me, sem precisar trazer-me.

Mas aponta os melhores caminhos – sem que sejam os mais fáceis.

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

LEVI ALBERNAZ – ANÁPOLIS-GO

Caro editor e leitores do nosso jornal,

É intrigante que Bolsonaro não precisa fazer nada contra tantos que se levantam contra ele

O tempo se encarrega de desmascará-los.

Para saber que o presidente está no caminho certo, é só observar quem faz oposição ao seu governo.

Uma lista fétida de idiotas e cafajestes.

Abraços para todos vocês!

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Oswald de Andrade

José Oswald de Sousa de Andrade nasceu em São Paulo, SP, em 11/1/1890. Poeta, escritor, advogado, jornalista e dramaturgo. Destacado integrante do modernismo literário brasileiro, é considerado -junto com Mário de Andrade- um dos “dínamos” da Semana de Arte Moderna de 1922. Era conhecido pelo estilo e temperamento irreverente, combativo e inovador. Suas ideias vieram a influenciar o Movimento Tropicalista em meados da década de 1970.

Filho de Inês Henriqueta Inglês de Souza de Andrade (irmã do escritor Inglês de Souza) e José Oswald Nogueira de Andrade, tradicional família paulista. Teve os primeiros estudos no Ginásio Caetano de Campos e iniciou no jornalismo em 1909, como colunista da seção “Teatros e Salões”, do Diário Popular. No mesmo ano ingressou na Faculdade de Direito, interropendo o curso diversas vezes. Em seguida, foi conhecer o Rio de Janeiro, onde ficou hospedado na casa do famoso tio escritor. Em 1911, com ajuda financeira da mãe, fundou o irreverente semanário O Pirralho, contando com a colaboração de Amadeu Amaral, Cornélio Pires e Alexandre Marcondes entre outros. Mais tarde, Di Cavalcanti veio a ilustrar as capas e conteúdo da revista.

Passou uma temporada de 7 meses na Europa em contato com artistas e escritores envoltos no “Movimento Modernista”, em 1912. A morte de sua mãe, apressou a volta, trazendo a tiracolo a estudante francesa Kamiá (Henriette Denise Boufflers), com a qual tem seu primeiro filho (Nonê), e reassume seu posto na redação d’O Pirralho. No ano seguinte, passa a frequentar reuniões de artistas e intelectuais na Vila Kirial e conhece o artista plástico Lasar Segall. Seu primeiro trabalho publicado se dá em 1913 com a peça A recusa, um drama em três atos. Em 1914 ingressa na Faculdade de Filosofia de São Bento e no ano seguinte torna-se membro da Sociedade Brasileira dos Homens de Letras, fundada em São Paulo por Olavo Bilac. Em 1917 namorou a jornalista Maria de Lourdes Olzani, e através dela conheceu Mário de Andrade. Conheceu também a pintora Anita Malfatti e, junto com Mário, defende a pintora das críticas acirradas feitas por Monteiro Lobato. Por esta época começa a se esboçar o grupo que viria a realizar a Semana de Arte Moderna. Em 1920 edita a revista Papel e Tinta e passa a colaborar no jornal Correio Paulistano.

Publicou o romance Os condenados em 1922 e inicia namoro com a pintora Tarsila do Amaral, seu relacionamento mais prolongado, que durou até 1929. Em novas viagens pela Europa, amplia o percurso pelo Oriente Médio e África. Em Paris participa de encontros com a intelectualidade francesa; dá palestra na Sorbonne e mantém amizade com o poeta Blaise Cendrars. De volta ao Brasil, publicou no Correio da Manhã o “Manifesto da Poesia Pau Brasil”, em 18/03/1924, no mesmo ano em que foi divulgado o “Manifesto Surrealista” de André Breton. Como se vê, o Brasil seguia os passos do movimento artístico das vanguardas mundiais. Neste ano integrou a “Caravana Modernista”, com Mário de Andrade, Tarsila do Amaral, Olívia Penteado, Blaise Cendrars, Goffredo Telles e René Thiollier, ao carnaval do Rio emendando até Belo Horizonte. Aí foram recebidos por Carlos Drummond de Andrade, Aníbal Machado e Pedro Nava e excursionam pelas cidades históricas. Em 1925 publicou Memórias sentimentais de João Miramar, viaja de novo pela Europa com Tarsila, monta apartamento em Paris, passa a frequentar a casa de campo de Blaise Cendrars e publica na França o livro de poemas Pau Brasil.

Em 1928 divulgou o “Manifesto Antropófago” na Revista de Antropofagia, criada junto com os amigos Raul Bopp e Antônio de Alcântara Machado. A ideia do Movimento Antropofágico era assimilar, deglutir outras culturas, mas não copiar. Na crise econômica mundial de 1929, deu-se uma crise também no seu casamento e no relacionamento com o amigo Mário de Andrade. Seu novo amor agora é uma jovem de 20 anos: Pagu, com quem se casou em 1930. O “casamento” se deu no Cemitério da Consolação, causando certo alvoroço na imprensa. No mês seguinte, a união foi oficializada na igreja e no cartório, com Pagu já grávida do filho, que foi batizado com o nome Rudá Poronominare Galvão de Andrade. O primeiro nome significa o deus do amor e o segundo o nome indígena para um ser malicioso. Com Pagu, uma moça politizada e ligada ao teatro, ele aproxima-se da política, torna-se militante do Partido Comunista e fundam o jornal O Homem do Povo, que durou até 1945.

Em 1933 publicou o romance Serafim Ponte Grande e patrocinou a publicação do livro Parque industrial, romance de Pagu. No ano seguinte, deixa Pagu e une-se à pianista Pilar Ferrer. Publica A Escada Vermelha, terceiro romance d’A trilogia do exílio, e O homem e o cavalo. Quando Lévi-Strauss esteve em São Paulo, em 1935, foi seu cicerone e acompanhou-o numa excursão até Foz do Iguaçu. Passa a escrever sátira política para a revista A Platéia; integra o movimento artístico cultural “Quarteirão” e a tocar sua vida boêmia. Em dezembro de 1936, aos 46 anos é hora de casar-se mais uma vez, agora com a escritora Julieta Bárbara Guerrini, tendo como padrinhos o jornalista Casper Líbero e o pintor Portinari. Seu estilo de vida boêmia era conhecido de todos, tanto como casamenteiro em grande estilo.

Passa a residir no Rio de Janeiro e em São Paulo simultaneamente. Sua atuação política se dá com artigos publicados na revista Problemas. Na área da dramaturgia, sua peça mais conhecida é O rei da vela, publicada em 1937 e representada apenas em 1967 pelo Grupo Oficina, com direção de José Celso Martinez Corrêa. Em 1943 começou a publicar a coluna “Feira das Sextas” no Diário de São Paulo e casa-se com Maria Antonieta d’Alkmin. No ano seguinte reúne no volume Ponta de Lança artigos esparsos publicados na imprensa. Pouco depois ciceroneou Pablo Neruda em visita ao Brasil e iniciou a organização da Ala Progressista Brasileira, reunindo alguns políticos num programa de conciliação nacional. Em seguida lançou um “Manifesto ao Povo de São Paulo” e rompeu com o Partido Comunista em 1945. No final da década publicou na revista Anhembi o ensaio O modernismo e manteve contato com um outro modernista. Recepcionou o escritor Albert Camus e realizaram uma excursão à Iguape, em 1949, para assistir às tradicionais festas do Divino. Como bom anfitrião, foi encarregado de receber o escritor francês de passagem por São Paulo para fazer conferências.

Em fins da década de 1940 e início de 1950, dedicou-se mais ao jornalismo e manteve a coluna “3 linhas e 4 verdades” na Folha de São Paulo e a série “A Marcha das Utopias” n’O Estado de São Paulo. Em 1954, a saúde sofre uns abalos e passa a escrever o primeiro volume de sua autobiografia: Memórias: Um homem sem profissão, publicado pela José Olympio Editora. Por esta época o escritor Marcos Rey foi encontrá-lo para tratar da edição de um livro de depoimentos e entrevista, que não chegou a ser concluído. Via-se que não ia bem de saúde e veio a falecer pouco depois, em 22/10/1954. Veja sua última entrevista clicando aqui. Sua trajetória ficou registrada no trabalho de Maria Augusta Fonseca – Oswald de Andrade – Biografia -, publicado em 1985. Um trabalho que segundo ela: “o resgate da vida do artista não leva apenas às suas agruras pessoais, mas recobre uma parte substantiva da tumultuada história do país, que vai de fins do século XIX à primeira metade do século XX”.

DEU NO X

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

DITOS BINOCULIZADORES

Nos dias da folia momesca deste ano, suspensos por causa de uma pandemia assassina, me recolhi no Portal de Gravatá com a companheira Sissa e uma cunhada querida, para lá levando um livro diferente. Uma coletânea de frases geniais, selecionadas pelo Mestre de Informática Paulo Buchsbaum, um colecionador de frases de personalidades internacionais, inclusive algumas de sua própria autoria. Pensamentos dos mais variados tipos, desde eruditos até molequeiros, desses que deixam a gente com uma vontade danada de sair espalhando por aí, aos quatro ventos, favorecendo a erradicação dos fingimentos, das hipocrisias e dos moralismos escrotos que “astravancam o pogreço”, favorecendo a ampliação de uma estupidez planetária de altíssimo potencial destrutivo, impossibilitando a chegada de amanhãs mais criativos e de muitas pensações evolucionárias.

Para este primeiro domingo pós carnavalesco, apresento abaixo algumas das frases do livro FRASES GENIAIS, Paulo Buchsbaun, 4ª. ed., Rio de Janeiro, Ediouro, 2004, 439 p., com três propósitos basilares. O primeiro, ampliar a cidadania dos cesatentos que ainda não atentaram para o crescimento da violência planetária em termos de guerras, racismos, fascismos, segregacionismos discriminatórios, machismos e outras estrovengas criminosas. A segunda, causar uma potencialização do humor em todos aqueles que estão ansiosos pela chegada de novos tempos para toda a face terrestre, ampliando uma convivencialidade fraternal entre povos e nações. O terceiro é proporcionar aos leitores fubânicos, uma oportunidade de conhecer pensamentos diferenciados dos modismos internéticos atuais, hoje sem as tiradas geniais que, outrora, consagraram gregose troianos.
Ei-los, com seus respectivos autores:

– “A única coisa sem mistério é a felicidade porque ela se justifica por si só”, (Jorge Luís Borges, poeta argentino (1899-1986).

– “Felicidade é o desejo pela repetição”, (Milan Kundera (1929), escritor tcheco.

– “Um único raio de sol é suficiente para afastar muitas sombras”, São Francisco de Assis, italiano (1181-1226), religioso.

– “Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento”, Adriana Falcão, brasileira, escritora.

– “Nada na vida é para ser temido, é apenas para ser entendido”, Marie Curie, polonesa (1867-1934), física, química, prêmio Nobel.

– “O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não”, Mahatma Gandhi (1869-1968), indiano, ativista social.

– “Falar muito sobre si mesmo pode ser um meio de se esconder”, Friedrich Nietzsche (1844-1900), alemão, filósofo.

– “É preciso parar de encarar a Internet como uma rede de computadores. Ela é uma rede de pessoas”, David Siegel, americano, consultor e webdesigner.

– “A máquina não isola o homem dos grandes problemas da natureza, mas o insere mais profundamente neles”, Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), francês, escritor, autor do famoso O Pequeno Príncipe.

– “Sei que o meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele, o oceano seria menor”, Madre Teresa de Calcutá (1910-1997), religiosa albanesa, prêmio Nobel da paz.

– “A única coisa bem distribuída no mundo é a burrice”, George Bernard Shaw (1856-1950), irlandês, dramaturgo, prêmio Nobel de literatura.

– “O fanático é o sujeito que não muda de ideia e não pode mudar de assunto”, Winston Churchill (1874-1965), estadista inglês, prêmio Nobel de literatura.

– “O diploma não encurta as orelhas de ninguém”, Barão de Itararé (1895-1971), brasileiro, humorista, jornalista, pseudônimo de Apparício Torelly.

– “Num mundo culto temos uma conduta florida, e num mundo inculto temos discursos floridos”, Confúcio (551 – 479 a.C.), chinês, filósofo, fundador do Confucionismo.

– “E ninguém é eu, e ninguém é você. Esta é a solidão”, Clarice Lispector (1925-1977), escritora ucraniana radicada no Brasil, autora de A Hora da Estrela.
– “A simplicidade é o último degrau da sabedoria”, Kahlil Gibran (1883-1931), escritor sírio, filósofo indutor do amadurecimento de milhões.

– “Quero sentir a delícia de poder sentir as coisas mais simples”, Manuel Bandeira (1886-1968), poeta brasileiro, pernambucano, autor de Estrela da Vida Inteira.

– “E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando a vida dos insetos…”, Mário Quintana (1906-1994), poeta gaúcho, cronista, autor de Apontamentos de uma História Sobrenatural.

– “Cada dia que surge constitui uma nova vida para quem saber viver”, Horácio (65 – 8 a.C.), poeta romano.

– “Fé que não duvida é fé morta”, Miguel de Unamuno (1864-1936), filósofo e romancista espanhol.

– “Época triste a nossa. È mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito”, Albert Einstein (1879-1953), físico alemão, autor da Teoria da Relatividade.

– “Um povo ignorante é instrumento cego de sua própria destruição”, Simón Bolívar (1783-1830), general venezuelano.

– “Necessidade nunca faz uma boa barganha”, Benjamin Franklin (1706-1790), americano, cientista, político e filósofo.

Espero que os leitores fubânicos assimilm bem as pensações acima, favorecendo um redimensionamento radical de suas caminhadas em direção de um mundo futuro de muita paz, trabalho, democracia, liberdade e renda, sem desmatamentos criminosos nem escroqueria políticas, favorecendo um melhor caminhar de todos em direção à Luz, posto que já dizia um saudoso amigo meu, Dom Hélder Câmara, dois oportunos balizamentos caminheiros:

– “Depois de toda escuridão, eis que surge uma radiante madrugada”.

– “Até um relógio parado, tem razão duas vezes ao dia”.

E ele sempre concluía suas falas com a expressão Até Sempre! E aqui, o imitarei:

Até sempre, leitores deste jornal sempre arretado de muito ótimo!!!

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA