DEU NO JORNAL
ALEXANDRE GARCIA
RECORDANDO JOÃO PAULO II, O PAPA QUE MUDOU O MUNDO EM QUE VIVEMOS

O papa João Paulo II durante visita à Espanha, em 1982
Este 2 de abril é Quinta-Feira Santa. E foi num 2 de abril, em 2005, que morreu um papa contemporâneo que está entre os maiores da Igreja Católica: João Paulo II, Karol Wojtyła. Ele foi ator antes de entrar no seminário, trabalhou em pedreira e em uma indústria química durante a ocupação nazista da Polônia, perdeu o pai (que era suboficial do exército) em 1941, e em 1964 já era arcebispo de Cracóvia. Wojtyła brilhou na Polônia defendendo sempre os direitos de liberdade e a democracia, foi eleito papa em 1978, morreu em 2005, aos 84 anos, e foi canonizado em 2014.
Em 1981, João Paulo II sofreu um atentado a tiros, cometido por um terrorista turco que depois lhe pediu perdão. Aquilo afetou sua saúde, mas ele ainda viajou muito. Em 1980, antes do atentado, veio ao Brasil, visitando 13 cidades em 12 dias. Eu acompanhei de perto essa visita, porque estava no Palácio do Planalto. O papa veio ao Brasil outras duas vezes, em 1991 e 1997. Eu lembro dos gritos lá em Porto Alegre: “Rei, rei, rei, o Papa é nosso rei”, “o papa é gaúcho”… Ele era de uma simpatia enorme, e o povo retribuía.
O mundo mudou graças ao papa. Foi um trio: João Paulo II, a britânica Margaret Thatcher e o presidente norte-americano Ronald Reagan. Eles acabaram com a União Soviética. E vejam que interessante: no dia seguinte ao Natal, 26 de dezembro de 1991, a força deles foi tamanha que a União Soviética acabou se dissolvendo. Hoje há uma guerra entre a matriz da União Soviética, que é Moscou, e um antigo Estado que integrava a URSS: Rússia e Ucrânia. Na verdade, a Ucrânia era o principal produtor de cereais e de bens da União Soviética. Ontem falei de Cuba, que virou uma “república democrática socialista” num 1.º de abril de 1961; não importa o que esteja no nome oficial: um regime socialista até hoje não tem como ser também democrático.
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Lula tem cada vez mais motivos de apreensão
A preocupação de Lula anda muito grande neste ano eleitoral. Ele está meio desesperado; não encontrou um partido importante – como um PSD, por exemplo – para fazer o vice da chapa, e terá de repetir Geraldo Alckmin, que é do PSB. Ele também está muito preocupado com a rejeição mostrada nas pesquisas. A última pesquisa em São Paulo já mostra uma distância maior: cinco pontos percentuais de Flávio Bolsonaro sobre Lula no segundo turno, e uma rejeição a Lula que é de seis a sete pontos maior que a rejeição de Flávio. E agora ainda apareceu um tertius muito comentado, que é Ronaldo Caiado.
A eleição será em outubro, e nós já estamos em abril. Daqui a pouco vêm as convenções. A eleição vai mexer com este país e será decisiva para o futuro, porque o eleitor tem de aprender a votar – o leitor que me desculpe, mas um eleitor que reelege Dilma e depois elege Lula, depois de ele ter sido condenado por nove juízes, ainda precisa aprender. Recordemos que houve as condenações, houve o recurso à segunda instância, houve a revisão, houve o recurso para a terceira instância e, ainda assim, Lula foi condenado. Só depois foi descondenado, anularam tudo, porque estavam com medo de Jair Bolsonaro. Agora, Bolsonaro está em prisão domiciliar e ungiu o filho como seu representante. É o que temos neste ano eleitoral.
Dados da pesquisa mencionada na coluna: Pesquisa Atlas/Estadão feita com 2.254 eleitores de São Paulo, entre 24 e 27 de março, por recrutamento digital aleatório. Margem de erro: 2,2 pontos porcentuais. Nível de confiança: 95%. Registros: SP-00899/2026 e BR-01079/2026
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
O TEU OLHAR – Florbela Espanca
Passam no teu olhar nobres cortejos,
Frotas, pendões ao vento sobranceiros,
Lindos versos de antigos romanceiros,
Céus do Oriente, em brasa, como beijos,
Mares onde não cabem teus desejos;
Passam no teu olhar mundos inteiros,
Todo um povo de heróis e marinheiros,
Lanças nuas em rútilos lampejos;
Passam lendas e sonhos e milagres!
Passa a Índia, a visão do Infante em Sagres,
Em centelhas de crença e de certeza!
E ao sentir-se tão grande, ao ver-te assim,
Amor, julgo trazer dentro de mim
Um pedaço da terra portuguesa!

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)
DEU NO JORNAL
DECLÍNIO
Exaurido por lacrações imbecilizadas que afugentam investidores e clientes, o Banco do Brasil trocou 9 das 12 diretorias.
Chamou quem sabe o que faz para tentar reverter o declínio do BB no governo petista.
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Essa nota aí de cima cita o “declínio do BB no governo petista”.
Fiquei curioso…
Alguém aqui sabe de algum setor onde não houve declínio neste gunverno?
Só se for no setor Corrupção e Ladroagem, que teve uma alta significativa.
Sem falar no Departamento de Mentiras…
JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE
AGRURAS DA LATA D’ÁGUA
DEU NO JORNAL
O AMOR VOLTOU COM FORÇA!
MAURINO JÚNIOR - SEM CRÔNICAS
A INÉPCIA DO DESGOVERNO BRASILEIRO: UM ESPETÁCULO DE HORROR E COMÉDIA
Ah, Brasil, gigante pela própria ineficiência! Um país de riquezas infinitas e administração inexistente; de potencial humano extraordinário e líderes cuja maior habilidade é transformar até o óbvio em desastre. Aqui, governar não é apenas difícil: é praticamente impossível, e talvez isso seja a intenção subliminar. Porque o que vemos não é governo, é um show de horrores travestido de política.
O desgoverno brasileiro é a personificação da incompetência elegante, uma orquestra de erros afinada na desafinação absoluta. Cada ministério funciona como empresa de caos terceirizado: ninguém sabe quem manda, ninguém sabe quem decide, mas todos sabem que o povo paga o pato — e a conta, claro, vem sem nota fiscal e sem prazo de vencimento. O cidadão, esse personagem relegado ao limbo, enfrenta filas épicas nos postos de combustível, supermercados vazios e hospitais que parecem cenários de filmes de terror distópico. Tudo isso enquanto ministros dão declarações que desafiam a gravidade, a lógica e a paciência de qualquer ser humano sensato. Eles falam com a convicção de quem entende o país como se fosse videogame, onde cada crise é apenas uma fase que se passa apertando botões invisíveis.
E que comédia! O governo anuncia soluções mirabolantes com a pompa de quem entrega Nobel de Administração Pública. Mas a realidade é outra: medidas improvisadas, planos que não funcionam e promessas que evaporam mais rápido que chuva em deserto. A propaganda oficial pinta um Brasil funcional, enquanto o Brasil real se afoga em filas, faltas de combustível e escassez de alimentos. A ironia é deliciosa: quanto mais prometem ordem e eficiência, mais caos e desespero surgem.
Na esfera econômica, então… ah, que espetáculo! Inflação que dança valsa com o salário mínimo, políticas que parecem escritas em códigos antigos e incompreensíveis, e uma gestão fiscal que é menos gestão e mais malabarismo circense com fogo e facas cegas. Cada decisão tardia é uma nova catástrofe; cada improviso, uma nova tragédia.
E não podemos esquecer a infraestrutura: estradas esburacadas que fazem qualquer pista de Marte parecer autopista; aeroportos e portos que funcionam em regime de adivinhação; e transportes que dependem de milagres ou de greves de caminhoneiros para se tornarem notícia. Todo o sistema grita desorganização, mas a classe política olha para o caos como se fosse obra de arte moderna. O ápice da ironia? A comunicação oficial. Um espetáculo de slides, slogans e falas prontas, enquanto o país real sofre — desabastecimento, serviços paralisados, impostos pagos e retornos nulos. A imprensa, muitas vezes cúmplice do circo, reproduz palavras sem contexto, transformando o horror cotidiano em manchetes que parecem trechos de folhetim barato.
E a população? Ah, a população! Ela assiste perplexa, entre o desespero e o riso nervoso, ao desfile da incompetência travestida de governança. Um povo resiliente, mas que cansa de rir do próprio sofrimento, e que percebe que cada crise é só um ensaio para o próximo desastre. Em suma, o desgoverno brasileiro é uma obra-prima do desastre: o triunfo da mediocridade, o banquete da negligência, a comédia mais trágica que o mundo já viu. Se existe uma lição aqui, é simples: não existe limite para a estupidez administrativa; não existe barreira para o improviso; não existe esperança de lógica quando a arte de governar se converte em espetáculo de horrores, de piadas e de tragédias. Não há fronteira entre arrogância e incompetência: cada decisão tardia, cada improviso absurdo é a assinatura de um desgoverno que desconhece o que significa governar. Universidades e pesquisas que são abandonadas enquanto se gasta milhões em propaganda e obras faraônicas que não funcionam — tudo isso é apenas um quadro do grande espetáculo chamado Inépcia Brasileira. Em última análise, o desgoverno do Brasil não é apenas falha; é arte pulhesca. Uma arte que machuca, humilha, subverte a lógica e desafia qualquer noção de responsabilidade. Governar aqui é sinônimo de fracassar, e fracassar, com estilo, é a especialidade. O país sonha com eficiência e acorda no inferno da mediocridade, enquanto líderes se deleitam no improviso e no caos.
Brasil, terra abençoada, governada por quem não lê mapas, não entende cronogramas e desconhece a palavra responsabilidade. Que ironia cruel: possuir tudo e receber nada; sonhar com eficiência e acordar no inferno da incompetência. Tenho dito.
DEU NO X
NEM PRECISAM PEDIR !!
DEU NO JORNAL
INDICAÇÃO FORMALIZADA
Editorial Gazeta do Povo
Quase seis meses depois de Luís Roberto Barroso ter aberto uma vaga no Supremo Tribunal Federal com sua aposentadoria antecipada, o presidente Lula finalmente formalizou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a cadeira na suprema corte, por meio de uma mensagem ao Senado Federal. O nome de Messias já tinha sido anunciado por Lula em novembro do ano passado, mas, diante da resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que preferia o colega Rodrigo Pacheco, o petista segurou o envio da mensagem, uma formalidade necessária para que o processo de aprovação, com a sabatina e as votações na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário, possa ter início.
A demora de Lula para enviar a mensagem é motivada, em parte, pela sensação de que o governo não tem os votos necessários para emplacar Messias no Supremo: 14 na CCJ e 41 no plenário – hoje, apenas 10 e 25 senadores, respectivamente, seriam voto certo para o atual advogado-geral. Apesar disso, haveria razões para Lula ter se cansado de esperar. O presidente da República também teria perdido a esperança de ver mais uma renúncia no Supremo – a bola da vez seria Dias Toffoli, enrolado até o pescoço no escândalo do Banco Master – que lhe permitisse indicar simultaneamente Messias e Pacheco, acalmando assim os ânimos de Alcolumbre. E, como o ex-presidente do Senado parece ter definido seu futuro político, trocando o PSD pelo PSB para, possivelmente, disputar o governo de Minas Gerais com o apoio de Lula, Alcolumbre teria menos razões, agora, para sabotar a indicação de Messias ao STF.
Independentemente das razões reais para o timing da indicação de Lula, ela oferece ao povo brasileiro uma chance valiosa de avaliar seus senadores neste ano eleitoral – e não um ano eleitoral como qualquer outro, mas um no qual dois terços do Senado serão renovados e a casa legislativa está no centro das atenções. A direita vem concentrando esforços para eleger uma maioria de senadores, capaz de cumprir o dever constitucional de servir de contrapeso aos abusos do Supremo. Caso a análise da indicação ocorra antes das eleições – pois antes da mensagem presidencial levantava-se a possibilidade de Alcolumbre deixar tudo para depois de outubro –, a maneira como o Senado conduzirá o processo dirá muito sobre a necessidade de renovação.
De novembro do ano passado até agora, nada mudou em relação aos motivos que justificam uma rejeição do nome de Messias. O escolhido por Lula não recuou um milímetro em sua postura liberticida em relação à internet, e a tal Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia (PNDD), o tentáculo do “Ministério da Verdade” dentro da AGU, continua funcionando. A omissão da AGU diante do escândalo das fraudes do INSS também nunca foi satisfatoriamente explicada – em fevereiro, surgiu a informação de que Messias teria orientado advogados públicos que atuavam em ações contestando descontos indevidos para que tentassem suspender os processos. E o parecer de Messias contra a resolução do Conselho Federal de Medicina que proíbe a cruel prática da assistolia fetal nos abortos tardios é mais um motivo para que o Senado não endosse a substituição de um abortista declarado por outro mitigado (ainda que Messias, evangélico, se diga pró-vida).
Barrar Messias, como afirmamos por ocasião da escolha de Lula, é uma responsabilidade cívica dos senadores. O voto na CCJ e no plenário é secreto, bem sabemos; mas uma eventual aprovação seria prova cabal de que o atual advogado-geral terá encontrado apoio substancial fora da órbita da esquerda. E esse seria mais um motivo para eleger em outubro um novo Senado, comprometido com a contenção do Supremo e com a escolha de ministros melhores para o STF, já que presidente da República eleito em 2026 fará ao menos duas indicações em seu mandato.
PENINHA - DICA MUSICAL