ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

O BELO, O BOM E O CERTO

Fim de semana quente aqui na gloriosa Campo Grande, e eu, caeté velho, com uma gripe de tirar pica-pau do oco. Havia horas que, estando com febre, sentia frio com um calor de 34 graus e sensação térmica de 39. Tomava um antitérmico e um banho e aí sentia calor. Fiquei até na dúvida se era melhor aguentar a febre e sentir frio, ou eliminar a febre e ser torturado pelo calor. E, ao mesmo tempo em que ficava nessa dúvida ricardiana, ia acompanhando a devastação de princípios executada pela esquerda contra o Brasil.

O esquerdismo, não importa onde se homizia – em Pindorama homiziou-se em todos os desvãos do poder -, possui alvos definidos, precisos para atacar e destruir. Toda ação esquerdista não é fruto de imperícia, ou mesmo imprudência. Apesar da canalhice histórica da esquerda, há sim, entre eles, pessoas inteligentes, porém malignas em suas almas, que usam seus intelectos e suas mãos, não para construir, para deixar um legado geracional. Todas as ações do esquerdista estão na contramão daquilo que é belo, que é bom e que é correto.

O ataque ao Belo – e tomo o Belo aqui no seu conceito estético hegeliano -, é patente na ação da esquerda. Quando a sociedade se escandalizou com aquele espetáculo no Ministério da Saúde e a – Deus que me perdoe -, música do “Baticu”, em que um sujeito sem talento nenhum para música ficava repetindo o mantra “baticu, baticu, baticu”, e uma moça ficava rebolando o traseiro e esfregando parte da sua anatomia que, por decoro deveria ficar comportada, pelo menos em um evento público, pago com os impostos do cidadão, não se estava apenas fazendo um evento cultural. Aquele espetáculo grotesco era mais um exemplo de como a esquerda busca a degradação do Belo, do estético.

Pode-se observar que, desde a volta da esquerda ao poder central, os financiamentos via Lei Rouanett, em sua maioria foram para espetáculo desse calibre. A “cantora” Anitta, em uma premiação no exterior, usando uma camisola transparente, uma roupa que nem uma “quenga” de posto de rodovia usaria, foi aclamada como símbolo da mulher brasileira. Eu não sei vocês, mas aqui na gloriosa Campo Grande, a mulher respeitosa, a mulher de valor, de caráter, jamais usaria um traje daquele, nem se estivesse em um puteiro. Aliás, mulher respeitosa, aqui, nem passa na mesma calçada onde existe um puteiro.

E os exemplos vão se acumulando, na música, na literatura, nas artes plásticas. Quem não se lembra daquela exposição porca bancada por um grande banco, em que o artista manchou hóstias da Igreja Católica, com sangue menstrual e as exibiu como mostra cultural, vilipendiando imagens sacras, princípios basilares da civilização cristã? Ou a dita exposição “criança viada”, em que o artista, um pedófilo que, na minha concepção deveria estar respondendo a um inquérito por pedofilia, usou imagens de crianças para promover a sua dita “arte”. O esquerdismo é amoral em relação ao Belo. Tudo que ele toca fenece, morre, apodrece, porque essa podridão moral está no interior de sua alma, e quanto maior for essa podridão, melhor para o esquerdista.

O esquerdismo possui uma deficiência moral. Ele não é imoral, mas sim amoral. Não existe um limite de moralidade, aliás, não existe um conceito de moralidade para ele. Sua tese basilar é “construir o novo homem”. Mas e se houver a necessidade de matar aqueles que não concordam com essa tese? Sem problemas. Exemplos há muitos: Stalin matou de 35 a 40 milhões de russos, Mao Zedong 70 milhões, Pol Pot 2,5 milhões, Kim Il Sung, cerca de 4,3 milhões, Fidel Castro 150 mil, e por aí vai.

Lembro-se-me certa vez que o atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad dizer, em uma entrevista que a superioridade moral de Stalin sob Hitler, embora ambos matassem seus opositores que escreviam qualquer coisa que não gostassem é que Stalin lia a obra antes de mandar matar a pessoa. Fiquei me questionando à época: Que diferença isso faz para aquele que vai receber o caroço de azeitona bem no meio dos cornos? A falta de um freio moral, de um limite moral gera esse tipo de barbaridade que as pessoas não param para refletir e perceber o quão perigoso é o esquerdismo para qualquer ser humano que habita este pedregulho que orbita o sol.

A amoralidade esquerdista é tão perversa que, para aqueles que possuem um pouco de massa cinzenta há de concordar comigo que, na década de 1960 o país teve que decidir: ou uma ditadura dos quarteis que matou, segundo os dados oficiais do Relatório Brasil: nunca mais! (1982), cerca de 600 pessoas, ou a ditadura de esquerda que se queria implantar, com um provável número de mortos na casa de milhões vidas. Um exercício matemático que fiz, apesar de eu ser um jumento batizado e crismado em cálculo, levando-se em conta que, na década de 1960 o Brasil possuía pouco mais de 70 milhões de habitantes, e levando-se em consideração que todo regime esquerdista, quando implantado elimina de 13% a 20% de sua população, podemos dizer, até com alívio que a ditadura militar foi um parque de diversão, em relação à ditadura esquerdista que se queria implantar em Pindorama.

A amoralidade esquerdista é como uma gangrena que corrói e apodrece um corpo, estando esse corpo ainda vivo. Sua meta é sempre rebaixar a moralidade de uma sociedade ao seu nível mais baixo. Como eles vivem em um lamaçal podre, em que o furto, o roubo, a corrupção, a mentira, a falta de compromisso, a desonra, a traição, a falsidade, o esbulho são tão naturais como o ar que respiram, é necessário que todos sejam iguais a eles, porque então não seria necessário tempo para dar justificativa à sua imundície moral e sua canalhice ética.

Veja-se o caso de Jair Bolsonaro. A esquerda não quer prender o Bolsonaro porque ele cometeu qualquer tipo de crime, seja político, seja jurídico, ou de qualquer outra natureza. O que eles querem é poder gritar: vejam… vocês também têm um ex-presidiário como líder. Seu líder também foi preso. Assim buscam nivelar aqueles que não concordam e não se chafurdam na lama em que eles chafurdam, com eles mesmo. A perseguição a Bolsonaro é a perseguição à decência, à moralidade, à honestidade, à conduta irrepreensível. Bolsonaro é apenas a quintessência construída em torno desses valores. Como a esquerda não consegue agregar esses valores do bem civilizatório em sua alma, então, é mais fácil nivelar o outro à sua corrupção moral do que se elevar até esse bem moral.

Por fim o Certo na visão esquerdista contradiz a censura feita por Ivan Karamazov – obra que eu recomendo, “Os Irmãos Karamazov” de Fiodr Dostoievsky – sobre o certo e o errado. Deus morreu. Então tudo é permitido? Ivan usou essa expressão com alto teor de censura. O esquerdista usa essa expressão com elevado grau de fé. Daí porque o esquerdista sempre apoiar ditadores, terroristas, assassinos, ladrões, narcoterroristas, bandidos de todas as espécies. Eles se espelham e se completam. O esquerdismo é como o deus Janos. Enquanto aquele deus olhava para o passado e para o presente ao mesmo tempo, com suas duas faces, o esquerdismo, com suas duas faces mira o mal e a tragédia como se ambos fossem um caminho virtuoso para a concretude de seus sonhos assassinos.

Não há, na mente esquerdista, um conceito de certo histórico e humanista. O certo para eles é aquilo que permite a empolgação e a manutenção do poder. Stalin fez isso, Mao Zedong fez isso, a família assassina dos Kim faz isso, o tarado orelhudo da Nicarágua faz isso, o gigolô da fome alheia da Venezuela faz isso, e a esquerda no Brasil também faz isso. Veja-se o caso do Nordeste do Brasil, o caso do Yanomamis, dos sem-terras. Jamais a esquerda os vai tirar dessa condição, pois precisam da miséria e da desgraça alheia para poder sobreviver. O certo para essa escumalha monstruosa é degradar o outro, a fim de que ela possa sobreviver, nem que para isso seja necessário matar todos aqueles que não se nivelem, reze, ou os aceitem como deuses e seus métodos como luz do mundo.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

NÃO MERECEM

Nestas últimas semanas passadas estive acompanhando os acontecimentos de Pindorama, suas ações, discursos, avanços, discursos irracionais e anticivilizatório, fazendo arder com mais força a fogueira da barbárie que nos move a um futuro incerto, a um porvir tenebroso, cheguei a um dilema que, se não filosófico, ao menos comportamental: a ideia de liberdade como direito inerente da pessoa humana e sua dinâmica no Brasil.

Como caeté que ainda anda pelado, carregando uma borduna, com um belo canitar de penas de arara no calcanhar, pintado com tinta de urucum, que me deito todo dia em uma rede de imbira, meu maior prazer é coçar a carcundinha de meus cachorros, catar os carrapatos nas orelhas deles enquanto fico cuidando o braseiro onde asso a pancetta do honorável bispo português, não sou de dar bola às conversas fiadas que os arariboias de BrasILHA dizem a respeito de nossas liberdades.

Um povo que troca seu voto por uma promessa de picanha assada e cerveja gelada prometida por um ser mentiroso, cujas falsidades estavam patentes, não somente nos olhos, mas até no modo como falava não merece liberdade. Merece ser escravo sempre, como dizia Machiavelli.

Um povo que troca seu voto por uma centena de tijolos, dez telhas de fibrocimento, um par de chinelos, uma dentadura, um tapinha nas costas, uma visita de quatro em quatro anos, com direito a beber café em um copo de extrato de tomate, e recebe os políticos como se estivessem recebendo o Divino Pai Eterno, e não o seu servidor, não merece ser livre.

Um povo que, quando vai ser contratado para um serviço, a primeira coisa que pergunta é sobre seus direitos e benefícios que a empresa pode dar, que fica com olhos cúpidos no calendário civil buscando as datas em que cairão os feriados, a fim de poder espichar a folga semanal, e não se preocupa com sua produtividade, compromisso, ação positiva no seu local de trabalho, não merece liberdade.

Um povo que faz uma fila de dobrar quarteirão, que passa um fim de semana em uma fila de Centro de Apoio Social para receber seu “bolsa esmola estatal”, mas não tem paciência de ficar 10 minutos em uma fila de emprego, ou mesmo em uma fila de votação no dia de uma eleição, não merece liberdade.

Um povo que se diz isento em questões políticas, que não toma lado em uma discussão que definirá o futuro de sua nação, que se omite em discussões que busca traçar as linhas futuras da educação de sua nação, que prefere ligar a televisão, ver um jogo de futebol bebendo uma cerveja e pouco está se lixando para o que seus filhos aprendem na escola, não merece liberdade.

Um povo que terceiriza a educação de seus filhos, transfere para a escola a função de educar sua prole, e em casa deixa essa função para a internet, que não acompanha o que seus filhos estão aprendendo nas salas de aula, que aceita passivamente todo o entulho ideológico que as escolas de hoje transmitem a seus filhos, não merece liberdade.

Um povo que aceita que as leis que regem seu país sejam violadas por aqueles que, em tese deveriam ser ultimo bastião dessas leis, que aceita que juízes criem leis, façam prejulgamentos sobre assuntos que irão julgar, que aceita que ministros da mais alta corte do país mintam, usem de um vocabulário que fica mais adaptada na boca de meliantes, que aceita que funcionários públicos se acumulem de privilégios, de auxílios, de recomposições salariais, ou de gratificações para fazerem aquilo que são regiamente pagos para fazer, não merece liberdade.

Um povo que acredita que praia e carnaval são o ápice de sua evolução, que acredita que equidade social se dá na base de cotas, de reservas de vagas, de tribunais raciais, que acredita que o mérito, o esforço individual, que o intelecto, que o “nerd” é uma aberração, enquanto o jeitinho, o troco para a cerveja, o agrado para o guarda de trânsito é uma característica do brasileiro, não merece liberdade.

Um povo que fura o sinal vermelho, que não respeita a placa de “Pare”, que buzina em zona de silêncio, que, ao ver um amigo no início da fila, pede para ele pagar as suas contas, e aquele que aceita também fazer isso, que não respeita a vaga para o idoso nos bancos de ônibus, ou na fila de um banco. Um povo que arruma uma criança de colo para passar à frente dos outros em uma fila qualquer, não merece liberdade.

Um povo que, ao ver um caminhão tombado na estrada, corre, não para ajudar o acidentado, ou desobstruir a pista para dar segurança aos demais motoristas, mas corre de maneira ávida para saquear a carga tombada, não merece liberdade.

Um povo que, quando um prefeito faz um bolo gigante para comemorar qualquer data desimportante, com o intuito de humilhar o cidadão e revelar o seu caráter incivilizado, se submete a essa humilhação e participa de maneira alegre dessa injúria, não merece liberdade.

Um povo que rejeita a cultura, que torce o nariz para o Belo, mas aplaude ninfetas seminuas, cantoras que exaltam o que Mikhail Bakthin chamou de “baixo material corporal”, ou seja, a bunda e suas adjacências, que conhece mais sobre letras sexualizadas, mas não conhece uma estrofe inteira de seu próprio hino nacional, não merece liberdade.

Liberdade é uma conquista de todos. Liberdade dada não é liberdade, é graça. Graça não é dom do homem, mas divino. Liberdade é uma conquista. Liberdade é fruto da percepção individual de que o seu estado natural é de injustiça, pobreza e acomodação, e luta, em conjunto, como um só homem, para garantir que, nas diferenças individuais, a busca de uma equidade para todos é o fim máximo de uma sociedade.

Liberdade é dizer não ao arbítrio, mesmo para aquele com quem se tem discordância irreconciliáveis, mas luta para que esse outro tenha o direito total de dizê-las onde quer, quando quer, como quer, sem que sofra sanção por causa disso. Liberdade é a conquista máxima do homem e que nunca deve ser negociada, pois é princípio e fundamento de todas os demais direitos que advém com ela. Um povo que não tem esse princípio em mente merece ser escravo. A liberdade é algo estranho para quem não tem em sua alma a consciência de que enquanto não apagarmos a fogueira irracional caeté que arde em cada um, continuaremos sendo escravos e merecemos essa escravidão.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

EU NÃO ACREDITO!

Este último fim de semana, aqui na minha taba, coçando a carcunda de meus cachorros, estava escuitando as ditas análises de “especialistas” em relações internacionais das redações bananeiras sobre as falas do descondenado fantasiado de presidente, tanto no Egito, quanto na Etiópia. Refiro-me à pergunta sobre quanto tempo que a oliveira levaria para dar um cacho de uva e a comparação do direito de defesa de Israel e a busca em acabar com o terrorismo, com o regime assassino de Adolf Hitler.

Quase todos os ditos analistas, ou mesmo professores especialistas de universidade prestigiosas, acabam por creditar essas bizarrices ditas pelo ex-condenado fantasiado de chefe da nação, suas falas toscas, grosseiras e ofensivas à sua ignorância histórica, a sua falta de conhecimento formal e à sua enganosa desenvoltura em lidar com outros chefes de Estado e de Governo.

Sinceramente, eu não acredito e não dou uma agulha quebrada para quem defende essa tese, porque ela não se ajusta e não se adéqua à realidade, ou mesmo a um simples raciocínio lógico, do tipo um mais um. Lula não é um ignorantaço movido por uma visão bonachona de mundo, que quer o bem de todo o ser humano que ainda respira neste planeta. Lula não é esse ser desconectado do chamado “concerto entre as nações”, ou mesmo desconectado das posições e interesses da diplomacia brasileira.

Todas as vezes que vejo esses especialistas atribuindo à ignorância de Lula essas falas irresponsáveis e bizarras, volto à memoria a entrevista de um professor, fundador do PT, e que, em uma entrevista ao Programa Roda Viva, da TV Cultura, disse com todos os efes e erres: “Lula é um mal caráter”. E é, a partir dessa fala que muito fiquei pensando e analisando a vida de Lula e suas falas, desde quando eu passei a me interessar por política, quando tinha treze anos.

Lula só é contido quando está rodeado de assessores e quando tem um discurso escrito, por algum funcionário com alma a soldo de vários contos de réis por mês. Tal qual a estocadora de vento que dizia que uma bola feita de folha de bananeira era o ápice de nossa evolução, Lula, em estado natural traz para a superfície todo o seu lixo interior e todos os seus preconceitos, sem filtros e sem freios.

Lula é homofóbico em sua essência. Quem tem um pouco mais de memória RAM disponível e consegue fazer um panorâmico histórico dos últimos vinte e cinco anos poderá constatar o que falo. Em uma ocasião, estando no Rio Grande do Sul, sem qualquer papel nas mãos, Lula soltou seu famoso “Pelotas é um polo exportador… de viados”. Não foi piada, não foi ato falho, não foi um momento de relaxamento. O que se viu ali foi a exposição daquilo que Lula guarda bem no fundo de sua alma. O mesmo ocorreu quando ele estava próximo a ser preso, quando perguntou onde estavam as “mulheres de grelo duro”, referindo-se de maneira grosseiras às lésbicas filiadas ao PT, que deveriam sair em defesa de sua liberdade.

Outra situação, também grotesca e asquerosa foi quando comparou os presos políticos cubanos aos criminosos brasileiros, também presos, nivelando-os na mesma categoria de malfeitores e bandidos condenados, seguindo todos os processos legais de uma democracia. Nessa fala, Lula trouxe para o exterior o seu lixo autoritário e exterminador que o faz aliar-se às piores ditaduras e aos piores violadores dos direitos humanos que ainda existem em nosso mundo.

Lula é racista até o tutano. No caso daquela fala grotesca que comparou uma menina negra, estagiária de uma multinacional, que chegou lá pelos seus méritos e competências, ao batuque e samba, pois para o larápio de Garanhuns, preto, ou está numa roda de samba, ou cantando axé, ou ainda, quando muito auxiliar de serviços gerais. Não passa pela alma de Lula que um negro, um índio, um gay, um pardo conseguir ser reconhecido por seus próprios méritos. Para Lula, um negro, só pode chegar a uma posição intermediária se ele permitir, através das suas bolsas e cotas e reservas. Para Lula, qualquer um que destoe desse mundo de pesadelo que ele criou e tenta implantar, é uma falha que deve ser corrigida e eliminada, assim que possível.

Lula é violador de Direitos Humanos em sua essência, só não teve, AINDA – vejam que grifei em caixa alta -, a oportunidade de trazer todo esse monturo fedorento para Praça dos Três Poderes. Ao relativizar ditaduras, ditadores, violadores de direitos humanos, sugerindo a construção de uma “narrativa” palatável pelo jornalismo sabujo, e para os catequizados da seita petista, está, de fato, justificando e se colocando no mesmo espectro políticos desses assassinos. Não há uma fronteira, para Lula não ultrapassar porque o seu mau caratismo já sufocou todas as vozes morais interiores, se é que um dia teve um caráter.

Ao comparar as ações de defesa de Israel ao que o nazismo fez com os judeus, gays, ciganos e outras minorias e indesejáveis na Europa, durante a Segunda Guerra Mundial, Lula não está relativizando nada. Simplesmente está trazendo para o exterior aquilo que ele acredita, aquilo que é a essência de seu ser, aquilo que é o seu caráter e seu desejo máximo no poder: eliminar todos aqueles que ele e seu PT desprezam. Não há ato falho ali, não há ignorância histórica, ou ignorância política, muito menos esperteza política. Há somente o monstro imoral que tem uma visão particular de mundo, que deve ser reconstruída à sua imagem e semelhança, com a eliminação de todos aqueles que ele não considera digno de viver neste planeta.

O caso da oliveira que produzirá uvas também não é fruto de uma ignorância biológica. Se fosse uma criança de três anos de idade que produzisse essa pérola poderia, até dar um desconto, mas não a um homem com mais de setenta anos, cujas experiências de vida já criaram uma forma de conhecimento, ainda que empírico, da vida, da sociedade e da história. O que vejo ali é apenas um “boi de piranha” que chamará a atenção da mídia, dos ditos analistas, dos comentadores políticos, para que estes se esqueçam de voltar suas atenções para a análise que importa: como o mau caratismo de Lula está rebaixando a moralidade do país, tanto interna, quanto no exterior, buscando cauterizar os limites e as fronteiras morais e éticas da sociedade para que seu projeto de eternização do poder possa ser executado.

O que percebo, no país, é que fomos condicionados, principalmente pelos jornalistas comprometidos com esse projeto de poder, a minimizar e aceitar a monstruosidade de Lula a uma desculpa como “ignorância”, ou “falta de estudos formais”. Meu pai estudou até a segunda série primária, mas possuía uma consciência histórica, um padrão moral e uma postura ética inflexíveis, sempre repudiando o arbítrio, os preconceitos e os regimes de força. Seu Benedito (meu pai), peão de fazenda que até hoje não se adapta à cidade construiu esse caráter. Por quê Lula, não o faria? A resposta não é porque ele não teve tempo. Ele não quis, já que essa aquisição iria contra a sua natureza, contra a sua essência.

Então, não me venham com essa de “ignorância”, “falta de conhecimento histórico”. Lula, quando não está sob supervisão traz, para o exterior, toda a monstruosidade e amoralidade natural dele. Bebês degolados, mulheres estupradas, velhos assados vivos em fornos, tortura, prisão e eliminação de preso político, que para qualquer ser humano moral gera protesto, para Lula, apenas massageia o seu interior estragado e revela, de fato, quem ele é.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

SOBRE CHIFRES E OUTRAS ADJACÊNCIAS

Estive retirado, em minha taba, por esses dias, mas não deixei os miolos pararem de funcionar, refletindo sobre temas tão importantes para a vida no planeta, tal como, se a televisão deve ficar na parede esquerda, ou direita, na sala, se um dia colonizaremos plutão, ou se os aliens virão nos visitar, apesar de nossa inteligência. Deparei-me, nesse refletir com um tema tão antigo quanto a própria humanidade: os chifres e outras adjacências no ser humano.

O chifre, galhada, cornos, aspas, chapéu de touro, guampa – e quem souber outros sinônimos, por favor colabore -, é um acessório tão antigo e pertinente à espécie humana, quanto a coceira e o olhar pidão de adolescente para moças novas. Às vezes dolorido, às vezes conformado, às vezes zangado, chifre é um acessório do macho humano quase tão comum que feliz é aquele homem que um dia, seja flertando, namorando, ou casado, nunca os tenha levado. Aliás, eu sempre digo que o chifre é um componente natural e que, um animal sem chifres é, por definição, um ser indefeso, na natureza.

A mais famosa guerra de todos os tempos, cantada por Homero na Ilíada foi, em último caso, causado por um belo par de guampas. A história é basicamente o seguinte: Paris, marido de Helena foi homenageado pela mulher e Menelau, fugiu com o pé de pano, e o chifrudo do rei provocou uma guerra de mais de dez anos contra Tróia. O cornudo em vez de sossegar e ir lustrar a galha, resolveu sacrificar um magote de soldados só para ir à desforra por causa do enfeite que colocaram em sua cabeça.

Homero, em sua sabedoria deu uma grandiosidade épica a uma história, por si só, banal e quase tão natural quanto respirar, inspirando e moldando toda a história e a literatura do ocidente. Também as más línguas contam que Alexandre, rei da Macedônia, fez uma campanha insana, indo dos Bálcãs até a margem ocidental do rio Indo por causa de um suposto chifre que Xerxes iria colocar nele, com seu companheiro predileto, Hefestion. Mas tudo isso são más línguas, eu só estou vendendo peixe como comprei.

Napoleão Bonaparte também entrou pelo cano por causa da Madame Pompadour, que enfeitava a cabeça de Josefina, em companhia do Imperador. Essa atividade chifrística levou os impérios europeus a declararem guerra ao baixinho corso, como forma de vingança à galha levada pela princesa austríaca.

E a atividade guampística segue pela história, envolvendo, também nossos dois Pedros. O primeiro com a Marquesa de Santos, a caganeira que provocou nossa independência e o segundo com as aventuras de alcova com a Condessa de Barral. Na República, o caso mais célebre foi o assassinato de João Pessoa. A história oficial diz que foi em um atentado político, mas os fofoqueiros de plantão dizem que, ele, enciumado por causa de um caso amoroso, de um inimigo político, com certa dama da sociedade paraibana, divulgou cartas dessa senhora para esse político. Em represália, o inimigo passou fogo na língua ferina de João Pessoa.

Mas nem só de chifres veve o homem. Há também, na sociedade pindoramense, alusões à pomba, chibata, mangará, verruma, caceta, pinto, peru, verga e outros nomes. Aliás, a mítica popular diz que ela é proporcional a certas partes do corpo como o nariz, a distância do punho ao dedo médio, ou ao tamanho do pé. Mas tudo isso são apenas ilações e mitos. Particularmente, já foi tempo em que eu dava importância a essas fofocagens de botequim. Ultimamente só paro para pensar quando estou próximo a espirrar. Fico sempre na dúvida se vai ser só um espirro, ou vai vir acompanhado de uma freada de caminhão fenemê, ou a ruptura de um vaso no olho, ou sangramento do nariz, ou pior, a ruptura de um vaso no cérebro.

Aqui, na gloriosa Campo Grande, temos um ditado que, quanto maior e exposição de um determinado bem, menor é o tamanho da bengala do indivíduo. Se assim for verdade, o que tem de homem de pinto pequeno nesta região dá para encher uns cem caminhões bitrem. É carro em que o indivíduo tira as partes traseiras e mete caixa de som e sai andando no último volume, carro rebaixado, caminhonetes super-hiper grandes, correntes que deixam o sujeito com a carcunda envergada para frente, e por aí vai.

Quanto à história da nareba, penso que foi algum turco com uma napa de sugar todo o ar da redondeza que inventou essa história e ela pegou. Aliás, os gregos já veneravam um deus, cujo nome era Priapo que tinha uma chibata que chegada nos joelhos – Te cuida negão da internet -, e que abençoava homens jovens e velhos na antiga arte da sedução e conjunção carnal, a famosa trepada.

Chifres, pintos e homens caminham sempre juntos até a morte de algum deles chegar. Nem sempre na mesma época, ou na mesma ocasião. Há situações, e são inumeráveis, em que a pomba vai primeiro, o homem depois, e o chifre por último. Aliás, na senectude do homem, sempre desaconselho um homem velho se casar com uma mulher nova.

Casamento de homem velho com uma mulher nova é igual orelha de vaca, longe do rabo, mas muito perto do chifre. Conta-se, uma história aqui em Campo Grande, que certo senhor, já beirando os oitenta, mijando naquilo que era seu, ou seja, nos pés, resolveu se casar com uma mocinha de vinte e cinco. Ao fazerem os exames médicos o resultado dela foi AS, ou seja, Apto para o sexo. No caso dele saiu a sigla AAPM, apto apenas para mijar.

Mas, como disse, são coisas da vida, ou apenas algo que alguém colocou na sua cabeça. E assim caminha a humanidade, chifrando e levando chifres, mas com toda a felicidade do mundo.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

A BUNDA ABUNDA

Como um bom caeté não poderia deixar de tratar de um assunto que chega a ser unanimidade em Pindorama, é democrática, atrai para si todos os olhares, chega a ser quase reverenciada, seja pela quantidade, qualidade e forma: a bunda.

A bunda é, em princípio, ingrata com o seu dono, pois, por mais que se lave, sempre estará na oposição dos ditos bons cheiros humanos, ou aqueles cheiros que mais lhes agradam. Aliás, tive uma amiga que defendia a tese que, se não fossem nossos constantes banhos, uso de cremes, perfumes, emolientes, esfoliantes, sabonetes, xampus, o macho da espécie Homo sapiens ainda conseguiria sentir o cheiro da fêmea, o natural, quando esta entrasse em período fértil, ou, traduzindo para o português popular, o macho ainda sentiria o cio feminino. Mas, isso, são lá elocubrações dela, e não minhas.

E, minha mente safadosa já pensou, àquela época, o macho da espéciesair farejando tudo quanto for bunda fêmea e se deleitando com os odores e dizendo… esta está, essa ali, não. Essa tá quase, aquela ali ainda falta seus etcéteras e tal. Aquela falta mais guarnição, aqueloutra é perfeita. Ah, bandido que sou. E esse texto está quase escorregando para o terreno da patifaria bundística.

A bunda é algo que Deus Pai, Nosso Senhor a distribuiu de forma equânime (Violante vai ao delírio com esse verbete, aposto!), entre todos os seus filhos, mas, e sempre existe um mas, alguns foram mais gulosos, outros mais preguiçosos, indo daí que uns têm uma aBUNDÂncia, enquanto outros, parecem ter substituído por maracujá de gaveta, a fim de ter o que mostrar.

Nas minhas andâncias e observâncias – quase sou um vagamundo, ou melhor, um flâneur, para usar a língua de Baudelaire -, já notei como a bunda é o centro das atenções, seja em feira livre, em xofis center, nas ruas, nas igrejas, em clubes, e, principalmente nas praias. Tenho uma amiga, loiraça legítima, brancona, bem polaca que tem um amassador de sofá do tipo que merece um óscar e ser aplaudida em pé. Soutro dia, em minhas vagamundices, encontrei-a, dando sopa na rua, e, de dentro do carro, soltei meu grito de “independença”….. loira boazuda, sobe!!!! A coitada até hoje não sabe quem a elogiou, e muito menos sabe que as adjacências eram secundárias, o elogia foi para a sua bela bunda, ou calipígia.

Dizem que se o ser humano andasse nu, se acostumaria com a nudez do outro e deixaria de lançar olhos gulosos, principalmente para a bunda – estou falando no caso pindoramense -. Acho isso um desserviço e uma desumanidade. Iria tirar 95% da graça de se andar, de se passear e de se sonhar com aquilo que não nos pertence. Cada um deve cuidar da sua bunda!

E, as taponas então? Como ficariam? Para aqueles homens que gostam de chegar em casa, ver aquela suculência ajeitada, e dar uma certeira, límpida e cheia tapona na bunda da mulher, namorada, caso, cacho, ou rolo. Não, meus caros caetés. Deixem a bunda com pano e roupa. Não nos tirem esse raro prazer da vida.

Apesar de ser orgulho e “preferença” a bunda não deixa de denegrir também. É uma parte da anatomia humana versátil, flexível e adaptável. Mandar ir “coçar a bunda”, chamar alguém de “bundão”, “bunda mole”, e outros adjetivos demonstra como a bunda, no nosso vocabulário é versátil. Não falo do português de Portugal, pois lá bunda é cu. Assim mesmo, sem a conotação escatológica que nos, indiaida de todas as nações damos a esse vocábulo. Aliás, se alguém for um dia a Portugal e ser informado que, para entrar no país é necessário tomar uma “pica no cu”, fique tranquilo, é só uma injeção na bunda.

Se bem que, na atual conjuntura essa expressão vem ganhando novos contornos, novos significados abaixo da linha do Equador, com tanto fresco assim o querendo, mas com outro significado. Mas, deixa isso pra lá. Afinal bunda é igual a gosto, cada um tem o seu e ninguém tem nada a ver com isso.

A bunda atrai os olhares e os desejos desde o tempo das cavernas. Na Grécia antiga chegou ao seu auge com artistas se esmerando em apresentar “estautas” com bundas perfeitas, sendo retomado essa expressão artística no Renascimento. Muitos adolescentes de minha época ficaram com o braço direito forte ao ver aquelas estátuas, passando depois para revistas e periódicos especializados no assunto, afinal bunda também é arte, e Carlos Zéfiro que o ateste. Além de ser a “Shangri-lá de muitos marmanjos hoje em dia, que só vão à praia, ou balneário, ou clube com piscina só para ficar avaliando a bunda alheia.

Há aquelas feitas, em que se pagam fortunas para um cirurgião plástico meter ali silicone e sair desfilando pelas aí. Esse tipo de bunda artificial não me interessa. Acho-as feias e incômodas, principalmente se a bolsa de silicone não encontra um jeito certo de ficar. Essas bundas ora estão de ponta cabeça, ora quadrada, ora olhando para o infinito, ora para o inferno, e por aí vai.

Bunda que se preze tem que ser natural, até mesmo para aquelas que foram disprivilegiadas desse apetrecho fundamental na figura humana. A anatomia diz que o glúteo – assim é o nome do músculo que liga o íleo à coxa -, é uma evolução que permitiu ao ser humano poder ficar em posição ereta, e que deixa ereto homens, de mamando a caducando quando passa toda jeitosa em qualquer rincão, ou biboca de Pindorama. Eu acredito que o amigo Carlito Lima, nosso “Velho Capita”, dada à sua formação militar possa responder essa. Ao ver toda dengosa, rebolativa, fico logo em pé e bato continência.

São uns murunduns que fazem o gaudio de homens, mulheres, e principalmente adolescente espinhento que vive todo amarelo e fraco por causa da bunda. Mas, há bundas e bundas. Num país em que a bunda abunda – dizem que uzamericanus gostam de peitos, mas não tenho certeza -, a maioria das brigas, seja onde for, não é por causa de ciúme da moça, mas sim, por causa de ciúme da bunda.

Eu mesmo, na minha sem-vergonhice latente e congênita, ao ver uma bela bunda, prego meu olhar venenoso nessa parte subalternista. Já aconteceu até o caso de levar um beliscão da nossa amiga de confraria, a Renata Duarte, para parar de olhar para a parte ofendida de uma bunda que não era a minha. Coisas da vida! Que posso fazer, se zoiudo do jeito que sou, sinto quase um magnetismo irresistível ao ver uma bunda que abunda.

O Inesquecível Luiz Gonzaga até fez uma música para a bunda… se não me engano ela diz… “Zé Matuto foi à praia/só pra ver como é que é/mas ficou ruim da bola, de ver tanta rabichola/nas cadeiras das muié”….Mestre Lua, pernambucano arretado, sabia como elogiar uma bunda! Já, bunda de carnaval eu não gosto, pois justamente, o que meu caráter deformado e libertino quer é poder imaginar, flutuar, deixar a mente correr solta . Ver, tira toda a graça, toda essa energia primordial dos adoradores bundalísticos e bunditícios de Pindorama.

Mas, deixo aqui minha homenagem a todos os bundistas, pois em um país onde a bunda abunda e superabunda, poder gozar e deleitar-se em ver uma calipígia bunda e depois tomar uma tapona no pé do ouvido, por causa do merecido elogio, é melhor que ser cego, se bem que a vantagem do ceguinho é ver a bunda em Braille.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

BRASIL, LÊNIN E GRAMSCI

As discussões, no Brasil, sobre esquerdismo – progressismo, ativismo, socialismo, comunismo, ou qualquer outro nome que essa estrovenga venha a ter -, e o direitismo, ou conservadorismo, liberalismo, estão deslocadas no tempo e no espaço, justamente porque nos falta aquilo que Santayana sempre pregou: a falta de conhecimento histórico de nós mesmos, para se evitar repetir os erros do passado.

Na atualidade, o esquerdismo se tornou a grande realidade de nossa dinâmica política, social, cultural, religiosa, educacional, jurídica, institucional e relacional, em função da falta de aprendizado. Enquanto a esquerda leu e aprendeu com o seu passado – e não estou falando das roubalheiras mambembes do PT e sua gangue -, evitando cometer os mesmos erros e as mesmas visões filosóficas e metodológicas, a direita ainda está discutindo que a zebra é um cavalo branco pintado de listras pretas, ou um cavalo preto pintado de listras brancas, ou seja, discutindo sobre o nada e o inócuo.

O esquerdismo histórico e o direitismo histórico, na América Latina, e mais especificamente no Brasil, sempre tiveram premissas de ações diferentes, mas com um mesmo objetivo final. Enquanto o esquerdismo luta em nome de uma classe, pela sua libertação, tem como objetivo final o aprisionamento do homem na pobreza, pois é essa pobreza material, intelectual, moral e espiritual que fornece o combustível necessário para seus discursos e para as suas ações. O lutar pelos pobres, na dinâmica esquerdista é sempre para manter o pobre, cada vez mais pobre e dependente de “protetores”, de “pais”, de guardiões de sua pobreza.

No direitismo, a premissa possui sinal trocado. Parte-se do discurso, só do discurso da libertação do pobre, da sua emancipação, mas tem como objetivo final o mesmo do esquerdismo: manter o pobre na pobreza para que assim a sua riqueza possa ser exibida e a diferenciação de classe cada vez mais acentuada. Em outras palavras, na realidade brasileira e latino-americana, apesar do discurso ser diferente, o objetivo final é o mesmo em forma e conteúdo.

A diferença entre essas duas posições, mudaram no século XX e seus frutos começaram a ser colhidos no século XXI, mas apenas pela esquerda. No Brasil, entre a Intentona de 1935 e a tentativa de 1964, a esquerda acreditava na doutrina leninista/trotskista (termos relativos a Wladimir Lênin e Leon Trotsky, os cérebros da revolução russa), de revolução pelas armas e pela revolta do proletariado. Era uma visão romantizada, se não fosse pelos cadáveres no meio do caminho, quase que uma encenação de Otelo, no palco político, mas que deram com os burros n’água em função do primitivismo e elitismo da nossa sociedade.

A mudança, por sua vez ocorreu entre o fim da década de 1970 e o início da década de 1980 com a “lenta, gradual e segura distensão” do governo Geisel, quando os esquerdistas brasileiros abandonaram o credo da luta armada e fizeram genuflexão (para a minha querida Violante Pimentel) no altar do comunismo de Antônio Gramsci. É bem verdade que essa fórmula foi tentada por Salvador Allende no Chile, mas faltou para ele o que está sobrando no Brasil. Explico.

As “Cartas do Cárcere” de Gramsci ensinaram os novos esquerdistas a não fazerem a luta armada, pois eles iriam fracassar, por causa desse primitivismo social, principalmente na América latina. Gramsci ensinou o esquerdista a se infiltrar, a se agregar dentro do sistema. Sua lógica subvertia a doutrina leninista/trotskysta de subverter o sistema de fora para dentro, e apontava que o caminho era fazer essa subversão de dentro para fora, corroendo o sistema em seus sustentáculos. Esse foi o erro de Allende. Ele não tinha os agentes infiltrados dentro do sistema para poder subvertê-lo.

No Brasil ocorreu justamente o contrário. Quando os revolucionários de esquerda viram que não havia como aplicar a doutrina leninista/trotskysta à risca, abandonaram-na e se agregaram à doutrina gramsciana. Foi um processo lento, mas seguro de infiltração em todos os segmentos da sociedade. Universidades, escolas, sindicatos, setor cultural, igrejas, associação de moradores, entidades da sociedade civil como OAB, ABI, CNBB, Conselhos profissionais, e, mais especificamente as instituições públicas e governamentais.

Nessa dinâmica, o processo de doutrinação seguiu e está seguindo à risca os ensinamentos de Gramsci. As escolas e universidades, principalmente as públicas renunciaram à sua função de ensinar e de formar, pela doutrinação ideológica que produz excelentes peões de passeatas e agentes depredadores, mas cidadãos falhos, trabalhadores desqualificados e pessoas fúteis e vazias.

Na administração, infiltraram-se em todas as esferas do Poder – Legislativo, Executivo e Judiciário -, assumindo direções e funções chaves de poder que sempre trabalham para o progresso de nosso atraso, em todas as áreas. As mudanças nessas esferas começam a aparecer na atualidade, com a subversão de valores, a naturalização daquilo que não é natural, o aborto, a destruição da família, a negociação de valores que são inegociáveis, e por aí vai.

Foi um trabalho lento, árduo, mas extremamente eficaz no longo prazo. Pode-se dizer que o esquerdismo tinha e tem um projeto geracional que supera figuras políticas, ou mesmo líderes populistas. Seu objetivo vai além de uma única figura, ou de um único grupo, pois estão pensando no longo prazo.

Enquanto isso, a dita direita, que de direita só tem nome, pois não superou o primitivismo quase monárquico da realidade não possuem esse projeto. O único projeto da direita brasileira é de curto prazo. Manter o pobre cada vez mais pobre para poder legitimar a sua própria riqueza, esquecendo que a riqueza de um país não é mais monetizável, mas sim os cérebros e os talentos que fazem a diferença e que não estão reduzidos às suas classes.

Assim sendo, não existe uma visão de longo prazo, muito menos uma esperança de um debate de direita racional que coloque o país como prioridade, ou que supere essa visão primitiva de riqueza, ou de elite. Enquanto não se chega a esse estágio, a esquerda continua seu processo de corrosão da sociedade e de suas instituições, até chegar a seu objetivo final: o fim da liberdade.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

DEMOCRACIA DE FANCARIA

Sou um caeté preguiçoso. Escrever, ler, meditar sobre o presente me dá uma paúra, que às vezes chego-se-me a dormir em frente ao teclado do computador, com a máquina de fazer doidos ligada à minha frente. Mas, dessa vez não pude deixar passar assim, de grátis, o espetáculo bizarro acontecido ontem, na dita “Casa do Povo”, com as nossas autoridades pregando, abertamente, a implantação de uma ditadura feroz, em nome da nossa, dita, democracia.

Essa invenção grega, que teve seu auge no chamado “Século de Péricles”, modificou-se ao longo dos séculos e ainda tem sua expressão em países maduros como Estados Unidos, Reino Unido, Israel, Alemanha, Países Baixos, entre outros. Mas o que me preocupa é Pindorama e a sua dita democracia, que para mim é uma democracia de fancaria, ou seja, uma democracia circense, em que todos nós atuamos em um concerto de absurdos: você finge desse lado, eu finjo deste lado e vamos tocando a vida, em que que cada um só está interessado em si mesmo, e que se dane o resto.

A concepção que temos de democracia calha bem na máxima de Justo Veríssimo – personagem do inesquecível Chico Anísio –, na democracia pindoramense povo só serve para votar e voltar para casa, e depois ficar calado, enquanto nossos ditos, políticos experientes conduzem a vida nacional, cada um trabalhando para o seu progresso individual e envidando esforços para o progresso do nosso atraso.

Começamos, nos últimos vinte anos, a fim de melhorar o processo de deterioração da democracia, com o tal “financiamento público” de partidos políticos, afinal, a democracia deve ser sustentada pelos cidadãos. Essa bizarrice construída aqui obriga o otário, digo, o cidadão pagador de impostos, a financiar todo o tipo de canalhice em nome dessa suposta democracia. O cidadão é obrigado a financiar partidos políticos que, em essência, existem com o único objetivo de acabar com essa mesma democracia. Financiamos agremiações partidárias que, se alguém fizesse um paralelo legal, estariam enquadrados em diversos artigos do Código Penal e não do Código Eleitoral.

A sociedade conservadora, cristã, tradicional financia, nesse mesmo caldeirão, apoiadores do aborto, da liberação das drogas, de defesa de criminosos como vítimas da sociedade, da destruição do ele eles chamam de “sociedade heteronormativa”, seja lá o que isso significa, dos apoiadores da linguagem neutra, da confusão ideológica chamada de identidade de gênero, de pessoas que dizem que serão os luminares do futuro. Mas aí, eu, caeté preguiçoso se me pergunto: como essa gente vai conseguir isso, se não sabem definir nem a que sexo pertencem?

A dita legislação eleitoral, construída exatamente para manter as mesmas figurinhas no poder traz duas armadilhas no seu texto e que a maioria dos curibocas nacional não sabem. A primeira diz respeito ao processo eletivo em si. Já ouvi diversas pessoas dizendo que, se a maioria do povo não ir votar, ou votar nulo, as eleições são canceladas. Bobagem abissal, já que o código eleitoral diz que é eleito aquele candidato que obtiver o maior número de votos VÁLIDOS. Isto é, se em um universo de mil eleitores, apenas cinco forem votar, aquele candidato que obtiver três votos estará, legalmente, eleito.

Outra bizarrice é o tal de coeficiente eleitoral e sobra de votos. Esse absurdo cria situações no qual um candidato popular acaba tendo um caminhão de votos, e junto com ele vai outros candidatos que o excelentíssimo público nunca viu, ou nunca viu, ou ainda é contrário às suas ideias e posicionamentos. Essa bizarrice cria fenômenos políticos como Tiririca, que a toda eleição chama o eleitor de besta, de burro, de ignorante, mas é eleito com milhões de votos e leva uma ruma de nulidades junto, apenas para participar de uma vida “dolce far niente” às nossas custas.

Nosso sistema jurídico é uma piada que custa caro, é ineficiente, inchada, burocrática e inepta. Em Pindorama, temos palácios de justiças demais e justiça de menos para o povo que sustenta essa estrutura. Nos últimos tempos vemos o sistema judicial invertendo os princípios básicos que sustentam esse arcabouço e que, desde os tempos de Júlio Cesar faz a diferença entre nós e os macacos. Normalizou-se, na Botocúndia, o princípio de que todo mundo é culpado até provar a sua inocência, sendo negado o direito de ampla defesa, do contraditório e do juízo natural.

Temos vários tipos de justiça – trabalhista, eleitoral, criminal, cível, constitucional -, e todas elas, sem exceção, estão em um empenho acirrado, contínuo e perseverante para criar um caos jurídico, instabilidade temporal, já que até nosso passado está sujeito a mudanças, reinterpretações e reescritas. Hoje vivemos a incerteza de que se acordarmos amanhã, o nosso antes de ontem já não será o mesmo, mas sim aquilo que algum autointitulado “intelectual” quer que seja.

Ontem vimos presidentes de poderes, sabujos engordados a grossas verbas públicas, ditos representantes do povo se autoelogiando em uma festa bizarra que culminou na defesa da dita “democracia brasileira”, essa piada cara, de mau gosto, excludente, eficaz em produzir atraso e especialista em se meter em assuntos que não é de sua alçada, controlar a vida social em seus mínimos detalhes, e ainda usar um argumento de que, eles são responsáveis, por salvar a democracia no Brasil.

Se, de fato, houvesse uma tentativa de golpe, comemorar o arbítrio contra esse golpe é algo bizarro, pois esse momento deveria ser de reflexão e busca de aperfeiçoamento da dita democracia. Se não houve golpe, não seria motivo para comemorar, haja vista o evento ser um deboche da cara do cidadão, chamando-o de burro e alienado.

Um evento sem povo, sem vontade e sem sentido, mas que tem um objetivo de fundo: aumentar o controle, o medo, a tirania e o arbítrio sobre a sociedade que os paga para administrar o país. Nossa democracia é uma piada, é uma democracia de fancaria, como uma alegoria de escola de samba, em época de carnaval. Só passeia de quatro em quatro anos em uma avenida circense e depois desaparece, indo cada um cuidar de seus interesses e todos lutando para o progresso do nosso atraso.

Há, ainda, muitos outros aspectos que poderiam ser ditos aqui, mas um texto preguiçoso como este, se tornaria uma enciclopédia, e isso seria um esforço muito grande para um preguiçoso como eu, ainda que, de vez em quando, escrevinho algo para o gáudio da nação caeté. Dessa forma, em um dia extremamente quente aqui, na gloriosa Campo Grande, me dá mais preguiça escrever. Tão preguiçoso, que estou até sem vontade de acender aquela fogueira irracional e colocar para assar a panturrilha do bispo, para meu almoço.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

NADA DE NOVO

Pindorama, ano 468 d. S (depois de Sardinha) e ano 001 DdC (Depois de Clezão), peguei-se-me a refletir sobre um fato assucedido na casa de meu grande amigo Marcelo Cestari e o modo como a vida é uma repetição enfadonha das mesmas coisas e dos mesmos acontecimentos, com nós, curibocas, bororos e caetés soltando fogos e enchendo a cara todas as vezes que esse insignificante pedregulho que chamamos de lar, dá uma volta em torno de sua insignificante estrela a cada 365 dias.

Estávamos a assistir um filme chamado Sissy, que conta a história da princesa Elizabeth da Baviera, e Imperatriz da Áustria. É uma trilogia boa, mesclando drama, romance, história e humor, demonstrando como casamentos reais, alianças políticas e interesses coloniais criaram o palco para a eclosão da Primeira Guerra Mundial. Fotografia bela, enquadramento bem feito e um leve toque de humor que desanuvia o clima pesado do desenrolar da história europeia do século XIX.

Em uma determinada cena, as personagens se deleitam em um banquete com vários pratos, iguarias refinadas, servidos por um magote de criados e serviçais que se revezam no atendimento e satisfação dos desejos da nobreza europeia. Olhando aquilo meu amigo fez um comentário sobre o luxo, o fausto, a riqueza daquela refeição. Em resposta a ele disse: e o que difere de hoje? Apenas se trocou nome do regime, criou-se a fantasia do poder que emana do povo, mas tudo continua da mesma forma.

A nobreza hereditária de outrora foi trocada pelos plebeus eleitos de hoje. Os ditos mandatários do suposto poder popular continuam comendo à mesma mesa, com o mesmo luxo, com a mesma riqueza, com os mesmos serviçais, enquanto a malta continua a catar as migalhas que caem de suas mesas.

Trocou-se o pronome de tratamento de Alteza e Majestade, por Excelência, porém a dinâmica da relação de poder continua sendo a mesma, principalmente abaixo do Rio Grande, em que o conceito de riqueza só se estabelece se estiver rodeado de pobreza e miséria. À diferença dos Estados Unidos, Canadá e Europa, abaixo do Trópico de Câncer, com raras exceções, o conceito de riqueza só subsiste em meio à pobreza extrema e à miséria, com a máxima do “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

Pindorama é um exemplo clássico dessa máxima em que se substituiu o regime monárquico pelo republicano, mas não se mudou a dinâmica de privilégios monárquicos pelo igualitarismo democrático. Lembro-se-me do presomente subindo a rampa do Planalto ao lado de um índio, de um deficiente físico e de uma catadora de materiais recicláveis. Essa moça, logo depois declarou que em 2003, quando o descondenado subiu pela primeira vez aquela rampa, era catadora de recicláveis. Vinte anos depois continua na mesma condição e sem esperança de sair da mesma.

São vários exemplos dessa configuração que reflete o privilégio de classes e o conceito enviesado de riqueza a partir da distribuição igualitária da pobreza e da miséria. Em uma mesma cidade, de qualquer quadrante desta nação, pode-se ver exemplos claros dessa visão enviesada. São ilhas de prosperidade, de luxo e de privilégios cercadas de miséria e indigência por todos os lados.

A riqueza em Pindorama calha bem ao conceito de ilha, retirada da geografia física, assim como calha bem aos mesmos padrões da nobreza europeia do século retrasado, com seus esbanjamentos, luxos e riquezas. Pindorama é excludente, é patética, é insignificante no contexto local e mundial, mas é extremamente eficaz em produzir miséria.

Acostumamo-nos a viver de migalhas, de supostos favores e benesses estatais que não são grátis. Custam caro, e muito caro. Em 2023 d. C. superamos a marca de três trilhões de reais em impostos arrecadados, produziu-se um déficit federal, sem contar os estaduais e municipais de 137 bilhões, e nada se viu de concreto para assegurar o crescimento sustentável do país. O que se viu e se vê é uma estrutura balofa, faminta por dinheiro do contribuinte e que quer mais. Superamos o rei Salomão e o rei João Sem-Terra na fome de atarrachar mais impostos nos chifres do pagador, porém, desses impostos quase nada volta para o pagador, mas vemos nossa nobreza de fancaria se refestelar no fruto desse dinheiro.

Então, volto à pergunta de início e que fiz ao meu amigo: que diferença há entre aquela ilusão do cinema, mas que retratava a realidade da época e a realidade de Pindorama? O drama de Marx está se repetindo como uma farsa grotesca, impiedosa e destrutiva. Se no ancient regime a imobilidade social se dava pela natureza do nascimento, sem possibilidade de ascensão social – ideologia destruída pelo protestantismo calvinista -, em Pindorama a imobilidade ascendente é estruturada e pensada ideologicamente para riqueza só seja concretizada se estiver rodeada de miséria, pedintes e esmoleres estatais.

É dessa forma que se destrói uma nação.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

PRONTOS PRA DIMINUIR

Henry Kissinger (1923-2023) disse certa vez, que a América Latina se assemelhava a uma adaga enfiada no coração da Antárctica – para bom entendedor de diplomatiquês, a linguagem falada na diplomacia, era que ela, América Latina, no jogo geopolítico internacional, não tinha relevância alguma. Todavia, neste ano de 467 d.S. (depois de Sardinha), parece que as coisas estão esquentando para o lado de cá, do Rio Grande.

Digo isso, porque como Violante Pimentel me conhece, não sou dado a exercícios de futurologia, ou mesmo a potoquices em assuntos da qual eu não domino. Diferente daquele ser aparentado com um ET, e que agora deu de fazer exercício de sociologia, economia, antropologia e história em uma mesma frase, produzindo um amontoado de bobagens, que nem ela mesma entendeu, mas que a patuleia, pronta para bater palmas para qualquer sandice que ela diga, eu prefiro lamber meus beiços com o chã de dentro do honorável bispo, enquanto me aquento na fogueira irracional que nos consome aos poucos.

Com um maluco sentado na cadeira de Caracas e um inimputável com atestado sentado cá em BrasILHA, a Botocúndia, ou Pindorama para os mais antigos, ou ainda Brasil para os mais mudernos, nós, de todas as nações indígenas que formam esta imensa taba nacional estamos prontos para perder. E, perder território, por causa da gula de um insano e inação de um tolo movido a cana. Calma, meu caro caeté e outros botocudos, eu explico.

A situação da região chamada Essequibo, que pertence à Guiana, cujos olhares cúpidos e desejosos do gigolô da fome alheia de Caracas, coloca o Brasil em uma situação delicada que pode nos levar a perder um bom bocado do território nacional, mas disso não nos damos contas. Há coisas mais desimportantes e mais chatas sendo veiculadas nas fofocagens e torcidas de rádio e televisão, do que aquilo que realmente importa, não somente para nós, mas para as gerações futuras.

A região de Essequibo, desejada pelo taradão de território alheio é uma imensidão de floresta, sem vias de transportes, sem infraestrutura e sem proteção efetiva por parte da Guiana, dependendo esta, muito mais da boa vontade de países estrangeiros, do que de si mesma para sobreviver a uma tentativa de invasão. Por outro lado, a Venezuela, caso queira mesmo pagar para ver e anexar aquela região só existe um caminho viável para deslocar tropas por terra: invadir o território brasileiro com seus soldados, aproveitando a precária, mas existente infraestrutura de Roraima para poder chegar onde quer.

Surge, nesse palco um complicador e um descomplicador para as intenções do Maduro. O complicador é que aquele amontoado de bobagens a qual damos o nome de Constituição Federal de 1988 proíbe o trânsito de força armada estrangeira em território nacional, a não ser em casos específicos e em missão de paz. No entanto, como nossas Frouxas Armadas estão mais para melancia do que azeitona, é bem provável que nada farão para impedir essa força em marchar pelo território nacional para agredir outro país.

Contando o apoio que o gigolô da fome alheia de Caracas tem no presomente brasileiro um aliado de primeira hora, dificilmente haverá oposição para que essa força não marche pelo território nacional. Mesmo que o Congresso brasileiro faça alarido, uma transferência via pix, do “pìu grasso” orçamento, os deixará mais quietos e menos rebeldes. Trocando em miúdos, caso a Venezuela decida mesmo invadir a Guiana, a avenida estará aberta e pavimentada para que isso ocorra, e pelo território brasileiro.

O descomplicador vem logo em seguida, e foi um presente dado à Maduro pelo próprio governo brasileiro: chama-se Raposa Serra do Sol, uma reserva indígena, em região de fronteira internacional que virou terra de ninguém. Não há presença de força armada, não há presença fixa de brasileiro naquela região, não há monitoramento, não há vigilância. Basicamente é uma área com o mesmo tamanho de Portugal entre duas nações e que, nominalmente faz parte do território brasileiro, mas nenhum governo nacional se importou em marcar presença ali, ainda que aquele pedaço de chão seja, nominalmente território nacional.

A ação mais lógica, no caso venezuelano é que, para ela chegar a Essequibo terá que, primeiro, anexar parte de Roraima – Raposa Serra do Sol é fava contada. É Brasil, mas sem Brasil. Logo, em seguida, terá que abrir flanco até a fronteira com a Guiana, já em território nacional, e para isso, precisa anexar outra parte ainda maior de Roraima para poder chegar à fronteira, aproveitando-se da precária, mas ainda assim, existente infraestrutura daquele estado. Não se faz anexação apenas com aviação. É preciso movimentar a infantaria – tropa terrestre -, fazê-la andar por um território em segurança e com apoio da intendência, ou seja, aquele pessoal responsável pela comida, para que as tropas permaneçam em pé. Raposa Serra do Sol é essa avenida aberta para que tropas estrangeiras marchem pelo Brasil, e logo depois toda a parte norte de Roraima.

O corolário de toda essa “bocagem” de um caeté sem nada o que fazer é bem simples: O Brasil está pronto para perder parte de seu território se o Maduro se aventurar em anexar Essequibo. E, daremos, de mão beijada, um bom pedaço do território nacional para quem, de fato, está por trás de toda essa movimentação: Rússia e China. Adieu Roraima! Perde Brasil!

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

COISAS INTERESSANTES

Há algum tempo, escrevi um texto para esta nossa gazeta, imitando Emille Zolà, denominado “J’accuse”, onde assaquei dez acusações contra o Supremo Tribunal Federal e o perigoso caminho que aquela corte constitucional estava direcionando o país, e qual seria o resultado desse encaminhamento que, para o bem de alguns poucos, e mal da maioria da população, impingiria uma mancha, uma nódoa que, dificilmente seria apagada de nossa história, e da história de um Tribunal Constitucional em que se sentaram nomes como Nelson Hungria, Victor Nunes Leal, Sidney Sanches, Ellen Grace Northfleet, Carlos Ayres Britto, entre outros tantos.

Infelizmente hoje, os tempos são outros, as cabeças são outras e a plasticidade moral do brasileiro de compactuar com o mal, mas o mal em sua essência, que assemelha aquela corte às mais sombrias reuniões que o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães fizeram, quando buscaram a “solução final para o povo judeu”, na Segunda Guerra Mundial, parece ter se tornado coisa do cotidiano.

Parece que a história brasileira vive em ciclos, repetindo os mesmos erros do passado, agindo da mesma forma irracional, anticivilizatória, irresponsável e legiferante, mas sem um parâmetro de moralidade, de humanidade e, mesmo de legalidade. Falo da morte do preso político Cleriston, ocorrido nesta semana, no presídio da Papuda, no Distrito Federal, e dos seus culpados direta e indiretamente por essa morte. Morte que, aquilo que nos restava de reserva moral, de civilização, infelizmente, foi esgoto abaixo depois desse fato.

Hoje, posso dizer, sem medo de errar, sem medo de estar cometendo um ato de injustiça, ou mesmo de impiedade, que nossa sociedade se rebaixou à barbárie, nos nivelando aos mesmos padrões de regimes políticos assassinos que persistem ainda no planeta. O que nos diferencia de uma Uganda de Idi Amin Dadá? O que nos torna moralmente superior ao Camboja de Pol Pot? O que nos torna diferente de uma Líbia de Muammar Gadafhi? Que baliza ética nos diferencia de uma União Soviética de Josef Stalin? Nada. Absolutamente nada. Nos rebaixamos ao mesmo patamar de assassinos compulsivos, para quem matar o outro, era apenas um aperitivo do café da manhã.

A morte de Cleriston, na cadeia, sem acusação formal, sem individualização do ato, sem direito algum – direito que está inscrito naquele monte de bobagem que nos acostumamos a chamar de Constituição Federal de 1988 -, foi a cereja do bolo que faltava para que o mundo reconhecesse que hoje, no Brasil, vivemos um regime de exceção, cujos mandantes e executores de tal assassinato são bem conhecidos, mas se consideram intocáveis.

Eu acuso todo o Supremo Tribunal Federal de HOMICÍDIO!!! Sim, homicídio doloso. E não a figura de uma única só pessoa. Todo aquele tribunal é culpado de homicídio. Não há ali um único ministro honrado que, sabendo da verdade, sabendo do chamado devido processo legal, não denunciou, seja no plenário físico, ou virtual a enormidade do arbítrio que se estava cometendo, ou na imprensa, ou no Senado Federal, ou em fóruns internacionais, as barbaridades ali cometidas. São figuras pusilânimes, covardes e lenientes com o mal em sua expressão mais danosa. O Supremo Tribunal Federal é culpado de fazer presos políticos, de matar preso político e se considerar acima de todo bem, ou mal da sociedade. Onde estão os homens de “ilibada reputação e notório saber jurídico” daquela corte? Onde estão os defensores da dita Constituição Federal de 1988, que juraram defender? Acovardados e dando aplausos para um ato de ignomínia, transformando o Brasil em uma ditadura das mais asquerosas e impiedosas do mundo.

Eu acuso o Senado Federal, e não só a figura de seu presidente, pela covardia e aprovação de atos que violam, de maneira escancarada o ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO. Diz o regimento interno daquela casa que o plenário está acima da mesa diretora. No entanto, esse mesmo plenário ficou calado, olhando para o outro lado da janela, enquanto atos criminosos estavam sendo perpetrados do outro lado da Praça dos Três Poderes. Que três poderes? Que democracia? Que regime de contrafreios é esse? O Senado Federal, todos os 81 senadores estão, também, com as mãos sujas do sangue do Cleriston. Um senado acovardado, microscópico em sua altivez, anão político, cúmplice de homicídio. Um senado que virou as costas para o Brasil, para as leis, para a decência e para a civilidade.

Se o presidente daquela casa é culpado, mais culpados são aqueles que fazem parte do pleno do senado. Hoje, apenas discursos pusilânimes, desrespeitoso contra a memória de um cidadão. Um discurso que deveriam ter vergonha de proferirem em respeito à memória do cidadão que morreu sob a custódia do Estado, enquanto seu pedido de habeas corpus dormia em silencio nas mãos do ministro de um caso que nem deveria estar na corte constitucional do país, haja vista nenhum daqueles cidadãos presos ter foro privilegiado por prerrogativa de função. O senado federal brasileiro, todo ele, sem exceção é culpado, também, pela morte do Cleriston.

Eu acuso a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB -, também como cúmplice e culpado pela morte do cidadão. Esse sindicato, bem mais organizado e com mais poder que os demais, mas ainda sim, um sindicato, calou-se, e sub-repticiamente aprovou as ações do STF que, flagrantemente violavam aquele amontoado de bobagem chamado Constituição Federal, pois estava e está envolvido com um projeto de poder que visa perpetuar-se no mando do país. A OAB, tal qual o senado olhava para outro lado, enquanto as mais graves violação dos direitos da pessoa humana eram violados. Onde está a OAB de Raymundo Faoro e Sobral Pinto? Onde está o Senado de Teotônio Vilela? Onde está o STF de Sidney Sanches e Carlos Ayres Britto? Infelizmente essas instituições morreram. O que sobra hoje é apenas um amontoado de homicidas que estão dando de ombros para a população brasileira.

Eu acuso a imprensa brasileira de ser culpada e cúmplice no homicídio de Cleriston. Suas mãos estão, também, sujas de sangue inocente. Cadê a ABI de Barbosa Lima Sobrinho? A mesma ABI que, na morte de Wladimir Herzog se levantou acima da barbárie e se colocou como baluarte da civilidade, hoje está quieta, cúmplice de homicídio, escondendo fatos da população, pois espera nacos desse poder, e esquece que quem detém o poder não o divide. É o sério namoro entre a corda e o pescoço.

Eu acuso os organismos de Defesa dos Direitos Humanos de cumplicidade nesse homicídio. Onde estão os defensores dos Direitos da Pessoa Humana? Provavelmente alguns humanos, tais quais no pensamento esquerdista e nazista valem menos que os outros. A sua leniência, seu silêncio ensurdecedor só prova uma única coisa: para essa entidade, qualquer um que não reze por sua cartilha e não se ajoelha diante de suas visões deturpadas e taradas de mundo, são carne barata e que podem ser descartadas como se fossem apenas um estorvo no meio da sala.

Eu acuso as Forças Armadas, na figura de seus oficiais comandantes de leniência com o arbítrio, com a violação da dita carta constitucional que, na atualidade reduziu-se a um papelucho que nem para embrulhar pão, aquelas folhas têm serventia. Onde está o Exército de Caxias? A Marinha de Tamandaré, que se cobriu de glória nos Campos de Avaí? Onde está a Força Aérea Brasileira que nos campos italianos trouxe glória para si e para o Brasil? O silêncio dessas forças dói a não poder mais no ouvido de todo brasileiro que ainda tem algum sentido de decência e civilidade.

Eu acuso a Polícia Federal do Brasil de estar se comportando como a GESTAPO de Heinrich Himmler. Ou esqueceram, ou convenientemente fecham os olhos para o fato de que ordem ilegal não se cumpre, e mandado que viola a dita constituição não se dá andamento. Não vi nenhum representante do sindicato dessa polícia denunciar o arbítrio, ou mesmo dizer “Não vamos cumprir ordem ilegal”. A covardia desse sindicato e dessa instituição, se não fosse revoltante, seria motivo de riso e de piada de salão. Não é. A Polícia Federal também tem culpa nesse homicídio.

Eu acuso o Ministério Público de se vergar a manhas e birras de um tribunal que, há muito deveria ser deposto por trair a constituição de 1988. As mãos do Ministério Público também estão sujas com o sangue do Cleriston, e de outros brasileiros que “ainda” vão morrer em presídios, sem culpa formalizada, sentenciados em lotes e sem direito a defesa. O Ministério Público que, tantas vezes descartou e engavetou acusações robustas de crimes, hoje, também olha para o outro lado da janela, enquanto cidadão estão sendo moídos em suas honras e tendo suas vidas destruídas por sádicos que, ao vestirem capas pretas se consideram deuses da moralidade e decência.

Hoje vivemos em uma nação enganada, violentada em sua essência, sob o risco do tacão da impiedade, da injustiça, do arbítrio, feito por aqueles que são pagos pelo povo para cumprir a lei. Uma nação calada, enganada por promessa de vida fácil. Serei eu o próximo a sofrer esse arbítrio? Posso ser, é quase certeza, porém, Brasil, “verás que um” legítimo “filho teu, não foge à luta”. Não digo que tais que citei sejam traidores da pátria. São homicidas. HOMICIDAS! E essa mancha ficará para sempre no currículo das instituições nacionais. Que Deus tenha piedade de nosso povo.