JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O CANTAR MARAVILHOSO DO “CABOCLINHO” – A AVE E O CANTOR

Caboclinho

CABOCLINHO CANTO SELVAGEM PARA ESQUENTAR O SEU!!!

Clique na imagem abaixo para ouvir o canto do caboclinho:

“Caboclinhos – Os caboclinhos são espécies de aves passeriformes do gênero Sporophila da família Thraupidae.

Em sua maioria são migrantes e possuem hábitos semelhantes. Estão em perigo de extinção devido a perda de seu habitat natural.

O caboclinho mede cerca de 10 centímetros de comprimento. O macho é de coloração geral canela, com um boné, asas e cauda pretos e a fêmea é marrom-olivácea na parte superior e branco-amarelada na inferior.

Pode ser localizado nos campos com gramíneas altas, cerrados abertos e áreas pantanosas. Fora do período reprodutivo, vive em grupos, às vezes grandes, freqüentemente em meio a outras espécies que também se alimentam de sementes. Presente do estuário do rio Amazonas (Amapá, Pará) e Maranhão até o Rio Grande do Sul, incluindo a totalidade das regiões Nordeste e Sudeste, estendendo-se para oeste até Goiás e Mato Grosso”. (Informações extraídas do Wikipédia)

A paixão pela criação de aves é cultural em meio aos nordestinos. Gaiolas, alçapões e até canários para “rinhas” ainda é um hábito sem a maldade que os teóricos/hipócritas querem fazer virar verdades.

Via de regra, na fase da infância, adolescência e juventude, o menino nordestino – com certeza sem o alcance do modernismo vivido pelos da mesma faixa etária das cidades chamadas grandes – criou ou cria passarinhos. Por prazer de escutar o cantar de cada espécie. Nunca por maldade, como um dia disse a letra da música: “furaro os zóios do assum preto, prumode assim ele cantá mió”!

Papa-capim, coleiro (também conhecido como “gola”), bigodinho (conhecido como “bigodeiro”), azulão, bicudo, curió, pintassilgo e, claro, o famoso “caboclinho”, também conhecido como caboco lindo. Todos esses pássaros eu criei na juventude.

Pássaros de tamanhos maiores, como sabiá, galo de campina, xexéu, corrupião, canário silvestre, sanhaço (ou sanhaçu), pipira, também criei. Hoje sou criador de canários belgas de reprodução. Não crio mais nenhum dos pássaros silvestres proibidos por lei nacional.

É claro que, hoje, sendo mais consciente e tendo conhecimento da função ambiental da ave – qualquer que seja ela! – não aconselho que ninguém mantenha pássaros presos numa gaiola.

Mas, criança/adolescente/jovem sabe, ou, quer saber disso?

Sílvio Caldas – o “Caboclinho”

Sílvio Antônio Narciso de Figueiredo Caldas, nasceu no Rio de Janeiro, a 23 de maio de 1908, e faleceu em São Paulo, a 3 de fevereiro de 1998. Foi não “apenas” um cantor e compositor brasileiro. Foi, isso sim, um dos mais consagrados e admirados cantores brasileiros.

Sílvio nasceu na Rua São Luís Gonzaga, nº 209, no bairro carioca de São Cristóvão. Seu pai, Antonio Narciso Caldas, era dono de uma loja de instrumentos musicais, afinador e mecânico de pianos e compositor. Sua mãe, Alcina Figueiredo Caldas, era cantora amadora. Ele teve um irmão, Murilo, que também se destacou na música.

Pode-se afirmar, sem medo de errar, que “não era um estranho no ninho”.
Intérprete de mancheia, eternizou uma música composta por Ary Barroso, de nome “Maria”:

“Maria!
O teu nome principia
Na palma da minha mão
E cabe bem direitinho

Dentro do meu coração Maria
Maria
De olhos claros cor do dia

Como os de Nosso Senhor
Eu por vê-los tão de perto
Fiquei ceguinho de amor
Maria

No dia, minha querida, em que juntinhos na vida
Nós dois nos quisermos bem

A noite em nosso cantinho
Hei de chamar-te baixinho
Não hás de ouvir mais ninguém, Maria!
Maria!
Era o nome que dizia
Quando aprendi a falar
Da avozinha
Coitadinha

Que não canso de chorar Maria
E quando eu morar contigo
Tu hás de ver que perigo
Que isso vai ser, ai, meu Deus

Vai nascer todos os dias uma porção de Marias

De olhinhos da cor do teus, Maria!
Maria!”

Consagrado nacionalmente na época que dividia a idolatria com Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Agostinho dos Santos e outros que cantavam ritmos diferentes, mas nem por isso eram menos idolatrados e queridos, Sílvio Caldas ainda hoje é honrado e admirado.

Conservatória rendeu homenagem à Sílvio Caldas

Quem conhece a cidade de Conservatória, no Estado do Rio de Janeiro – conhecida como “Cidade Musical” ou Cidade da Música, sabe que Sílvio Caldas, o “Caboclinho” recebeu uma homenagem, tendo ali colocada uma estátua sua em tamanho original.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

MERCADOS – CENTRAL E SÃO SEBASTIÃO

Mercado São Sebastião dos anos 50/60

“Todo mundo canta sua terra
Eu também vou cantar a minha
Modéstia à parte seu moço
Minha terra é uma belezinha

A praia de Iracema, Meireles,
Cumbuco e Icaraí
Praias bonitas assim
Eu juro que nunca vi

Minha terra tem beleza
Que em versos não sei dizer
Mesmo porque não tem graça
Só se vendo pode crer”

Nessa espécie de narrativa, peço desculpas à alguns leitores que conhecem Fortaleza tanto quanto eu, informando que saí da capital cearense em 1967 – já se vão 56 anos – e, sempre que volto, nunca passo mais de uma semana. Assumo que, o assunto aqui é a Fortaleza do meu tempo, da minha juventude e saudade.

Durante anos morei na Rua 21 de Abril, Porangabuçu. Na época, estudava no Grupo Municipal São Gerardo, situado na Avenida Bezerra de Menezes, ao lado da Igreja Matriz do bairro. Estudei ali por cinco anos. Todos os dias caminhava cerca de 8 Km na ida, e mais 8 Km na volta, passando na frente na Igreja São Raimundo, na época, em construção. Ali, todos os dias, indo e voltando era obrigado a descalçar os sapatos Vulcabrás para atravessar um córrego perene que existia. Passava e apreciava pelo campo dos eucaliptos no Campo do Pio e, finalmente alcançava o Grupo Municipal. A volta à casa acontecia debaixo de um sol inclemente.

No quinto ano daquele périplo, essa caminhada passou a ser feita também na parte da tarde, para a casa da Professora Mundica, numa preparação para enfrentar o Exame de Admissão ao Curso Ginasial.

Atual Mercado São Sebastião “point” turístico e gastronômico de Fortaleza

Eis que chega o ano de 1958 e, pelo que estudei, logrei aprovação no Liceu do Ceará, onde estudei por 7 longos e proveitosos anos. Foi então, logo no início de 1958 que conheci o Mercado São Sebastião.

Durante quatro longos anos, após descer do ônibus na Avenida Bezerra de Menezes, caminhava pela Rua Padre Ibiapina até o Liceu do Ceará. Ia e voltava. Na volta, olhei inúmeras vezes o renomado pintor Antônio Bandeira usando a varanda da casa, provavelmente pintando algum quadro. Eu não o conhecia nem o sabia famoso internacionalmente. Eu o cumprimentava, falando um jovem bom dia. Ele, olhando por sobre os óculos, respondia o cumprimento.

Dali, meu caminho era o Mercado São Sebastião, onde eu tinha o hábito de comprar macaúbas, atas maduras (que me serviam de lanche/almoço), mariolas e alfenins. Retornava para a Bezerra de Menezes, onde pegava o ônibus de volta à casa.

Com o passar dos anos, compreendi a importância do Mercado São Sebastião, que funcionava como se fora uma CEASA para os moradores, recebendo e distribuindo produtos hortifrutigranjeiros que chegavam a partir de Caucaia e demais municípios.

Hoje, o Mercado São Sebastião, reformado, é um centro turístico e gastronômico. Funciona como se fora uma “Feira de Caruaru” do sertão pernambucano.

Lateral do antigo Mercado Central nos anos 50/60

Finalmente a juventude bateu no meu endereço. Servi ao Exército (mais propriamente no CPOR de Fortaleza), ao tempo que também concluía o Curso Científico – depois de ter conseguido “aprovação” para a ESA (Escola de Sargento das Armas) e continuar esperando ser chamado até hoje – e comecei a trabalhar. Trabalhei dois ou três anos na Organização Silveira Alencar (Concessionária Chevrolet), cuja sede ficava na Rua Sena Madureira, o que me obrigava a conviver com o Mercado Central.

O primeiro trabalho me obrigou a mudar os hábitos alimentares. Morando na Bela Vista, precisava caminhar até a Praça José de Alencar, onde pegaria o ônibus para casa. Ao mesmo tempo, comecei a estudar para o Vestibular. Descobri que precisava aproveitar o tempo para estudar. Passei a “me alimentar” nas precárias dependências do Mercado Central e quase virei “vegano”, pois continuei me alimentando de muitas frutas.

Fiz provas e fui admitido para trabalhar na The Western Telegraph Ltd., cuja sede ficava na Rua Castro e Silva, também ao lado do antigo Mercado Central.

Mercado Central virou atração na capital cearense

Pois, esses dois mercados sediados em Fortaleza que hoje fazem parte da grade turística e gastronômica da capital cearense, foram importantes na reconstrução do amor e no apego que continuo nutrindo pela minha eterna “loira desposada do sol”.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O GUETO

Criança “presa” no gueto alemão

Hoje, especialmente, deixamos o “nosso sertão” de lado, e trataremos de algo que, ao contrário da vida na roça, não nos apraz em nada. De acordo com a nossa visão e entendimento, trataremos do gueto não-alemão, mas igualmente nazista instalado na capital brasileira.

Tentamos fazer um paralelo com um filme – excelente e, por isso, uma fotografia de uma realidade vivida por seres humanos – que vi inúmeras vezes (Canal 71, pago, sem ser Netflix).

Também vejo, sempre que posso, os filmes “A Ponte do Rio Kwai”, “Adoráveis mulheres” e “O Profissional”. Não me canso de ver, e, a cada vez que vejo, me parece novo e sendo visto pela primeira vez.

Hoje quero falar do magnífico “A lista de Schindler”, dirigido pelo genial Steven Spielberg, fielmente produzido a partir do que escreveu Steven Zaillian. Interpretações igualmente magnificas de Liam Neeson e Bem Kingsley.

Filme produzido, editado e lançado em 1993, tendo como enredo o holocausto vivido pelos judeus na Segunda Guerra Mundial.

Pois, exatos 30 anos após, eis que nos dias 8 e 9 de janeiro deste ano de 2023, separado pelo Oceano Atlântico e situado na região Centro Oeste do Brasil, cria-se e revive-se um novo gueto.

Não. Não é um novo filme. É uma realidade, agora com novo diretor, que em quase nada se assemelha ao Steven Spielberg e, pasmem, novos atores – entre esses, crianças e idosos coadjuvantes.

Enquanto criminosos presos, julgados e condenados recebem tratamento diferenciado (visita íntima, alimentação balanceada, salários e até a famosa “saidinha temporária”), no gueto de Brasília, um contingente de pessoas levadas por “infiltrados” acabaram pagando o pato.

Sabe-se que, com o objetivo de “ajudar” e apoiar alguém que luta pela liberdade, senhoras da faixa etária superior aos 60 anos estavam no acampamento “autorizado e protegido” pelas FFAA – tanto isso é verdade que, em mais de uma oportunidade, policiais do Distrito Federal foram prender aqueles manifestantes e foram expulsos pela PE (Polícia Especial) do Exército. Pois, essas senhoras, para não ficarem a sós, convidaram os maridos para ajudar na feitura de lanches – e essas pessoas acabaram sendo detidas, presas sem julgamento e confinadas no gueto. E não foi por soldados alemães.

Como se isso não fosse suficiente (desrespeito total ao tal “Estatuto do Idoso” e de outras leis), tudo acontecendo em condições precárias e com alimentação igual para todos – tem, entre esses, alguém que, por motivos de saúde, faz regime alimentar diferenciado.

Enfim, tudo poderia parecer mais um bom filme de Steven Spielberg. Mas, infelizmente, não é. É a atual realidade brasileira.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O “DICUMÊ” – AS MARAVILHAS NO PAÍS DAS ALICES

Almoço na roça com galinha caipira

Quem foi à escola dos anos anteriores, aprendeu. Quem continua indo para ser enganado pelos professores da era Paulo Freire, vai apenas para “passar o tempo” e ser enganado. Não vai aprender “pn” e vai apenas ser massa de manobra e semear o esquerdismo que já toma conta do país. A colheita, creiam, não vai demorar.

É uma grande tolice imaginar que, na roça, tudo é fartura. Não. Não é. A “roça” tem seus problemas, suas dificuldades e, quando não chove, fica realmente “na roça”.

Poucos entenderam e muitos nada entenderam o que significou a ação divina da “transposição” das águas do rio São Francisco. Quem conheceu aquela região antes da “transposição” – de um lado, partes do Piauí, Pernambuco, Ceará e Paraíba; e do outro, Bahia e Minas Gerais – sabe que o panorama era desolador para a agricultura e, mais ainda, para a pecuária produtora de alimentos e derivados.

Vinda do tempo do Império, quase posta em prática no tempo do governo militar via DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca), então subordinada a Mário Andreazza, a ideia da transposição das águas teve quase totalidade concluída no governo de Jair Bolsonaro. Tem rendido bons frutos e atendido grande parte da população que, sem ter para onde ir, teve que permanecer ali, tentando superar o que as gerações anteriores sofreram.

Pois, aos 79 anos, tendo vivido na prática os efeitos dos anos 50 e 60, tendo consciência que tenho mais “passado” do que “futuro”, lhes digo que, na roça, nem tudo é fartura. Nem tudo é bom. Nem tudo é só alegria – posso lhes assegurar, por ter vivido que tudo é “trabalho” e tudo depende dele.

Os projetos sociais dos governos chegam. São recebidos de bom grado, da mesma forma que são entendidos como um “toma lá, dá cá”! A Internet, na roça e no sertão, faz tanto bem quanto a transposição das águas do São Francisco.

Manga verde – por vezes foi o único alimento de muitos

Pois, nos anos 50 e 60, o camaleão (para outros, o iguana) que se alimentava de folhas verdes e por conta disso recebia o benefício da clorofila, mudou de cor. Ficou cinzento e teve que mudar a alimentação. Passou a ser formigas, “mané-mago”, moscas e por vezes até “rola bosta”!

O homem, que nem chorava mais porque não tinha mais lágrimas, via o gado, o porto e o caprino morrer de fome e de sede. Triste!

Infelizmente, muitos que hoje estão nas universidades, nunca aprenderam que a transposição não beneficiou apenas o homem de forma mais direta.

Quem teve a sorte de estudar Ciências Naturais, aprendeu que algumas árvores de raízes mais profundas, por conta dessa particularidade, acumulam mais água por mais tempo. Entre essas, está a mangueira.

E a manga é um alimento de primeira hora. Popular, de imensa variedade, que pode ser encontrada com facilidade.

Pois, a manga verde “matou a fome e salvou” muita gente. Principalmente no interior do Ceará.

Mucura

Por vários dias, meses e anos seguidos, o povo da roça “correu atrás” de soluções para matar a fome. Comeria, como comeu, qualquer coisa que pudesse “enganar o estômago”, independente de ser bom ou mal, permitido ou não.

Matar a fome é algo conceitual. Alimentar é outra coisa.

Sair à caça!

Caçar para matar qualquer bicho vivo que lhe pudesse aliviar aquela roncadeira feita pelas tripas, como se fora um coral orfeônico.

Teiú, camaleão, cobra, porco do mato, macaco. A mucura é para um banquete.

Depois, já vivendo no Sul maravilha, li muitas vezes que o nordestino estaria “comendo ratos”. Mentira. Era mucura.

Ovas de aruá

Os primeiros sinais que a Natureza mandava para o homem da roça, de que uma seca se aproximava, era a queda do espelho d´água das lagoas e açudes. E, tão logo esse espelho baixava, começava ficar à mostra a vegetação que se alimentava e sobrevivia daquela água. E aí, na seca que matava tudo, aparecia as ovas dos aruás para reprodução da espécie. Até isso a gente comia. Comia, sim. Comia para não ser comido pela fome.

Pois, a roça é onde tudo começa. É ali que a semente é plantada e, quando encontra condições para germinar, crescer e frutificar, vai alimentar pessoas – na globalização, pessoas do mundo inteiro.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O DIÁLOGO

Minha Avó muito querida e reverenciada

Quando escrevo este texto, estamos na sexta-feira, 30. Fim de tarde.

Hoje, domingo, 1, primeiro dia do Ano Novo, tomara o sol esteja brilhando para todos, e encontre os passageiros habitantes da Terra em gozo de saúde e felicidade. Auguro ao Criador, único que tem poderes e bondade suficientes para perdoar os que precisam ser perdoados, “que releve os momentos de adoração ao Bezerro de Ouro”.

Claro que, hoje, domingo, eu sei o que aconteceu ontem e o que está acontecendo hoje.

Assim, não sei se o texto pertence ao 2022, quando foi escrito; ou se pertence ao 2023, quando está publicado.

Pois, esperando que este 2023 seja maravilhoso para todos e aproveitando para agradecer à Deus pelo milagre da vida – de todos, claro! – me transporto para o ano de 1950, criança de apenas 7 anos, mas tendo o discernimento para compreender que, além de Deus, minha Avó era a minha Estrela Dalva, possuidora de uma luminosidade que quase nenhum doutor ou doutora demonstrou ter em todo esse périplo do caminhar da vida na procura dos moinhos de vento ou do portão de Pasárgada.

Perdão se aborreço a quem imagino estar lendo essas bobagens que para mim são luzes que tilintam formando uma cantata natalina – provavelmente, minha Avó foi, sem que eu percebesse, meu primeiro e único amor edipiano.

Mas, o que Ela teria feito de extraordinário?

Acredite, você que está lendo: poucas vezes minha Avó saía de casa. Corrijo. Saía sim. Andava uns 25 metros da cozinha da casa para o chiqueiro das cabras, todos os dias, tão logo o galo cantava – ia fazer a ordenha e colher o leite caprino para o café da manhã.

E, nesse “andar tão pouco e em poucas vezes”, quando Ela se transformava na Estrela Dalva e me aconselhava, mostrando todos os caminhos da vida e apontando os melhores para caminhar, era como se Ela tivesse conhecido cada um.

Angelicalmente falando!

Suas mãos, sem rugas, venciam o tempo. Como prêmio, nunca teve um “panariço” em qualquer dos dedos. As linhas das palmas das duas mãos, vívidas, limpas e abertas para qualquer situação. As mãos, sempre abertas para doar e para receber as graças divinas em respostas às orações.

O beija flor tinha um dialeto especial com minha Avó

Na parte matinal de todos os dias, Vovó viveu anos a fio, da cozinha para o chiqueiro, e do chiqueiro para a cozinha. Cuidava do “dicumê”, atiçando o fogo a lenha e, vez por outra, com a concha feita de quenga de coco, mexia e provava a comida. Enquanto a panela cozinhava ela varria o quintal com vassourinha. Quando terminava a varrição voltava para o estranho “diálogo”.

Quem não a conhecia e flagrava aquela conversa, certamente deduzia que Vovó era doida varrida. Muitas vezes meu Avô a surpreendia e ralhava:

– Tá ficano doida muié! Tá falando sozinha?!

Mostrando a felicidade nos gestos delicados, ela respondia:

– Beeesta, hômi! Tá conversando com meu bichim!

E era aquilo, realmente. Poucos conseguiam entender o que falavam. Provavelmente o inocente linguajar da felicidade, cheio de poesia e entendimento entre os seres de Deus.

Nós somos pessoas de Deus. Por que duvidar que as aves, mesmo as minúsculas como o beija-flor, não o são?!

A interação milagrosa se concretizava:

Beija-flor livre mas comendo na mão

Todo domingo meu Avô ia à missa. Caminhava algumas léguas, vestia a melhor roupa lavada com anil ou com melão São Caetano. Sabe-se lá o que Ele pedia à Deus. Mas sempre soubemos que, qualquer oração em qualquer quantidade e Fé, seria pouca para pagar o que sempre recebíamos do Criador.

Terminada a missa, Vovô se dirigia para a bodega do Seu Zé, onde comprava querosene, fumo em rolo do melhor que existisse e fosse apropriado para o cachimbo e para fazer rapé. Não esquecia jamais o açúcar cristal.

O açúcar cristal tinha um único destino: Vovó o dissolvia n´água e colocava na “cova” da mão para servir ao beija-flor!

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O NOSSO NATAL

O carrinho dos vários sonhos

Sobre a mesa, o calhamaço das provas do ano inteiro, carinhosamente organizado pela professora Mundica. Ali estavam as provas práticas do sucesso na escola, culminado com a aprovação para o ano seguinte. Durante anos, quase sempre o primeiro, segundo ou terceiro lugar da classe.

Aquele calhamaço comprovava e esperava o reconhecimento paterno pelo esforço em retribuição ao investimento e zelo. Funcionava como se fosse aquela carta endereçada ao Papai Noel.

Não tínhamos lareira, nem árvore de Natal, mas sempre tivemos o fogo aceso da esperança.

Tão logo a claridade do dia se despedia, prometendo voltar diferente na manhã seguinte para satisfazer a ansiedade, deitávamos e sonhávamos de olhos abertos para tentar flagrar aquele velhinho vestido de vermelho, cabelos e barbas brancas, carregando um pesado saco de presentes.

Debaixo da rede, quando tínhamos entre 6 e 8 anos de idade, uma bacia velha de alumínio era colocada para proteger o piso rústico da casa da urina do menino Zé – tijolos de barro cozido, sem a tecnologia dos dias de hoje – e evitar a necessidade da lavação diária.

A “suíte” era ocupada por três irmãos em diferentes idades: eu, 8 anos; João Hélio, 6 anos; e Jandira, 5 anos. João e Jandira, são falecidos. Eu estou aqui, em lágrimas, “tentando” contar a história.

A boneca “negra” desejada por Jandira

Somente quando completei 12 anos foi que compreendi, de verdade, que Papai Noel não existia. Foi, digamos, minha primeira grande decepção, ter que aceitar que “pessoa tão bondosa” que se preocupava em atender os sonhos de milhões de crianças mundo à fora, não existia.

Que bom seria, viver num mundo com Papai Noel e todas as boas coisas que só nos proporcionam alegria. Como se fôssemos crianças. Para sempre, envolvidas nas nossas bolhas de pureza e inocência.

Pois, ao atingir 13 anos, e ter certeza que Papai Noel era o meu Pai e que ele não era muito afeito às roupas vermelhas, e, muito menos, era adepto de deixar cabelos e barba crescerem – aqueles esperados presentes de Natal envolvidos no papel do merecimento, foram transformados em serra tico-tico, martelo, pregos, cola e folhas de lixa, para que eu fizesse o meu próprio brinquedo. Sem ter que esperar pelo Natal.

Foram tantos os brinquedos! Uma diversão, na primeira bifurcação da vida.

Ganhei, a partir de então, o material para, com a bênção do Criador, construir minha própria vida, seguindo fielmente o “croqui” do Pai Celestial, sem precisar esquecer que, por alguns anos, Papai Noel existiu. Pelo menos nos meus sonhos e ansiedades.

Jandira, a caçula, sonhava em um dia ganhar de Papai Noel uma boneca “diferente” daquelas que a cada ano sacudia para ouvir o “choro” na manhã do dia 25. Como hoje!

– Zé, escreve a minha carta pro Papai Noel! Me pediu.

– O que você quer pedir pra Ele? Perguntei.

– Uma boneca diferente das outras que já ganhei. Respondeu.

Me pus a escrever a carta d´ela pro Papai Noel. Escrevi com letras “diferentes” – que hoje entendo ser um “grifo” – a necessidade de que a boneca fosse diferente das tantas que ela já recebera.

Claro que Papai Noel, bondosamente atendeu. Quando, alguns anos atrás, na manhã do dia 25 de dezembro, Jandira rasgou o papel que embrulhava a caixa do presente. Chorou de alegria, ao receber uma boneca “negra” feita de pano.

Coisa rara, que certamente não foi fácil para Papai Noel encontrar.

Nos dias atuais já não temos mais o Papai Noel, a bacia para aparar o mijo noturno, e nossos sonhos infantis de recebermos bonecas, carrinhos, pregos, martelos, serra tico-tico, cola e madeira foram transformados em celulares, tabletes, ou um cartão de crédito. Nossos sonhos ingênuos foram tolhidos e “deram pau” na nossa criatividade.

Como escreveu Saint-Exupèry: “já vem tudo pronto”!

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O SEMEAR E O CUIDAR DAS SEMENTES

Semeando a vida humana

A vida é um sopro. Humana, ou não, é um sopro, sim.

E esse “sopro” não depende de nós. Depende, isso sim, da vontade do Criador. Quantas vezes já se discutiu isso e, ao final de tudo, não haverá nunca como discordar.

Eu, José. Alfredo e Jordina plantaram uma semente numa terra fértil. Dias se passaram formando meses. Meses depois a “cegonha” voou e atravessou mares e águas atlânticas. Uma forte mistura de raízes africanas com raízes indígenas.

A vida. O sofrimento que depurou e amalgamou o ser e ajudou na transposição dos muitos obstáculos quase puros. Os ensinamentos da simplicidade e da divisão do pouco com muitos. O milagre pela divisão e a vivência entre os ditos populares: “onde come um, comem muitos”. Uma colherada para um, outra colherada para outro. Uma concha de caldo para um, uma concha de caldo para outro.

Dividir a vida é saber vivê-la em divisão com outrem. Fora disso, nada mais é que egoísmo.

“Regando” a vida humana

Na volta ao barro, cada um de nós leva um pouco do que recebeu, e deixa muito do que doou. Princípio humanista do viver.

Para que, e para onde levar o que amealhou?

Nunca foi e jamais será diferente com o plantio de uma semente. Seja ela qual for.

Se for semeada em ambiente propício, mais cedo ou mais tarde a semente nascerá e, com certeza frutificará. E o que nasce, tal qual a semente humana, será, um dia, para ser dividido.

Semeando a semente

Quem semeia, um dia colhe. Mas haverá que sentir a necessidade de regar – para não deixar perecer. Regar será tão importante quanto o semear.

Mas, sabemos, o mundo está repleto de alguns que colhem e usam sem terem plantado. São esses, os consumidores. Os consumidores finais – e terão que pagar, de alguma forma, para consumir.

Cuidando da semente germinada e nascida

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

AS DIFÍCEIS FORMAS DE GANHAR O PÃO DE CADA DIA

Quebrando coco no lume do machado a mulher ganha a vida e defende a honra

“A terra produzirá espinhos e ervas daninhas, e tu terás de comer das plantas do campo. Com o suor do teu rosto comerás o teu pão, até que voltes ao solo, pois da terra foste formado; porque tu és pó e ao pó da terra retornarás”!

A nação inteira se aquieta, e muitos desdenham da Onipotência de Deus. Não é hora para fazermos isso, até por que, “nossos inimigos somos nós mesmos”. O que fazemos, o que desejamos a outrem (que, com efeito bumerangue, retorna para nós) e o que “ensinamos” aos que vem depois de nós e que ficarão na Terra por mais algum tempo, até que também lhes chegue a hora de voltar ao pó.

Produzir o suficiente para garantir o pão. Dividi-lo quando for possível – e quase sempre é possível. Mas, nem sempre fazemos isso. Às vezes até jogamos fora, mas não dividimos.

E, como peregrinos aprendemos que, “ganhar o pão da vida é também uma bênção divina”. Precisamos fazer isso com honradez e dignidade – mas, isso são “detalhes” que muitos fazem questão de esquecer.

Quantas são as formas de ganharmos o pão da vida?

Será que estamos fazendo isso com dignidade?

Ganhar o pão é difícil. Mais difícil ainda e ter a humildade para a divisão.

O produto comestível e medicinal do coco babaçu

Alguém tem noção da vida, do trabalho, e da dignidade de uma “Quebradeira” de coco babaçu?

O óleo produzido estará servido nas mais diferentes mesas e terá mil e uma utilidade (inclusive medicinal). Você certamente não o encontrará passeando na Disneylândia.

“Arrancado” da lama o caranguejo enriquece a culinária

Você, consumidor final das manhãs de domingos e feriados, tem uma mínima noção do que seja, e de como trabalha o “Tirador de caranguejos”?
Sem estudo algum ele tem conhecimento e ação cirúrgica da maré, do tempo e da forma de “tirar o caranguejo Uçá” da loca. Nunca pense que essa é uma tarefa ou um trabalho fácil.

Conhecer as “andadas” dos crustáceos; saber a época do defeso; saber quais as variações para as “unhas grandes” e, principalmente, a época em que os caranguejos estão “gordos”.

Vivendo no Maranhão há 35 anos, aprendi com os “sem-doutorado” que, nos meses cujo nome contém a letra “r”, o caranguejo Uçá não é gordo e gostoso para o consumo. Só sobram os meses de maio, junho, julho e agosto. Nos meses cujos nomes contém “r”, só os que não conhecem isso tem coragem de consumir.

O “tempo do cozimento” é também um aprendizado necessário. Ao levantar a primeira fervura da água, os que sabem, retiram os crustáceos da panela.

O “acompanhamento” é ao gosto de cada um. No Maranhão, o acompanhamento preferido é o “arroz com toucinho”, molho vinagrete, pimenta malagueta com sal e limão e o indispensável óleo de babaçu.

A beleza afrodisíaca do caranguejo uçá

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

VOVÓ SABIA DE TUDO (OU QUASE TUDO)

Minha Avó (“gênia”) Raimunda Buretama

A vida é uma dádiva concessiva de Deus. Acordar a cada novo dia, é um milagre que, quando entendermos a vida, poderemos entender, também, essa “renovação” (lembro da letra que apareceu numa canção: “a vida se renova a cada instante”).

Deus, o Onipotente, como responsável por cada ser vivo que a Terra experimentou, experimenta e experimentará, colocou em nosso meio, pessoas que, inteligentes ou não, geniais ou não, se comunicam mais facilmente com Ele. Acho que minha Avó – Raimunda Buretama – foi uma dessas pessoas. E nós, netos, tivemos o privilégio de conversar com ela. De aprender com ela, principalmente a escolher o caminho certo e a conviver com as pessoas certas.

Claro que Vovó não é a autora de alguns “dizeres populares” – mas conhecia tantos, e conosco os dividia em forma de ensinamentos.
Lembro bem: “meu fio, se vosmecê quiser conhecer uma pessoa, abasta cumê uma saca de sal com ela”.

Explico. Na época que ela falava isso, “comer uma saca de sal” levava tempo. O sal era em pedras (grosso) e precisava ser socado num pilão para ser usado na cozinha e em outras necessidades – a grande maioria sequer conhecia geladeira, e precisava “salgar” quase tudo. Esse tempo seria suficiente para conhecer alguém.

O que nos leva à refletir, é que, naquele tempo não existiam tantos doutores e mestres quanto hoje – isso, se levarmos em conta que muitos dizem que a educação (no sentido de escolarização) é a base de tudo.

Parte da saca de sal grosso

Mais uma vez lhes digo: Vovó não era “doida” (maluca, pirada ou coisa que o valha), mas tinha o hábito e o prazer de conversar com os animais que criava e com algumas árvores.

Muitas vezes foi flagrada por nós com esse tipo de diálogo com o cajueiro: “meu bixim, neche ano vosmecê vai butar uns cajuzins bem docim, né?”

Ou, ainda, com um beija-flor que ela cismou que lhe pertencia e, na maioria das vezes com a gata que ganhara de presente e passou a criar para evitar a proliferação de ratos e troíras.

A galinha poedeira que ninguém conseguia pegar

Outro dito popular – que também não garanto que era da autoria dela – que dizia sempre, tentando dar algum aviso: “quem quer pegar galinha, não diz xô”!

Pois é. Se você quiser conhecer alguém, com quem queira tentar comer uma saca de sal, trate bem. Não seja grosseiro e tente sempre compreender mais do que ser compreendido.

É a vida. Escola nenhuma ensina isso. Nenhuma graduação, nenhum mestrado e muito menos doutorado vai equivaler ao grau de ensinamento da escola da vida.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

AS “MALINAGENS” DOS TEMPOS DE CRIANÇA

Irmãos “se isolam” em silêncio e “aprontam” alguma coisa

A geração que conseguiu a bênção divina e ultrapassou os 60/70 anos de idade, conhece o que iremos tratar. Viveu peraltices, e foi parte atuante nelas. Foi feliz, claro, por que nada tinha qualquer viés de maldade. Eram peraltices, mesmo!

* * *

1 – Chutando pedra

Entre tantas e preferidas “peraltices”, uma era a de cobrir uma pedra de paralelepípedo – via de regra, quando alguém via uma “maravilha” daquelas `disposição para um chute, nunca deixava de ficar tentado a fazê-lo.

Naquele tempo, não existiam, como hoje, as sacolas de plásticos usadas pelos supermercados. Usava-se mais as sacolas feitas de papel.

Para essa “maluquice”, a meninada utilizava uma pedra de paralelepípedo, deixando-a à disposição numa calçada. Essa pedra era coberta com uma caixa de sapatos vazia, ou com um pedaço de papel de embrulho. Um convite tentador para um “bom chute”!

O autor da “maluquice” ficava escondido em algum lugar, à espera do chutador!

Eita! Era uma dor dos diabos!

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2 – Pegando pau cagado

Peralta, o menino resolveu tomar um banho de margarina

Essa outra peraltice era feita sempre por uma turma de, no mínimo, dez “artistas”. E o local escolhido era a “Quermesse” ou no “Sítio para malhação do Judas”.

Essa brincadeira nunca terminava bem. Acontecia briga. Daí a necessidade de que fosse feita sempre com um bom número de meninos – uns “atiçavam”, e outros se intrometiam para nunca acontecer o pior.

Nesses locais, era comum encontrar “merda de vaca”, ou, na pior das hipóteses, merda de gato (pense na catinga diferenciada!). O mais corajoso da turma conduzia uma vara com aproximadamente 1,5m de comprimento. Escolhia o “otário”, se aproximava e, como quem não queria nada além daquilo, armava uma provocação.

Nisso, os demais se aproximavam e faziam um círculo em volta dos dois. Alguém aceitava a provocação (fingimento) e encenava um início de briga. O portador da vara, desdenhava do provocado, dizendo que, para bater nele, sequer precisava daquela vara, e pedia para o “otário” segurá-la.

Quando o “otário” aceitava segurar a vara, alguém a puxava e o “otário” ficava com a merda de vaca nas mãos.

Pense na confusão que dava!

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3 – Tocando a campainha residencial e sair correndo

Esse se “achou” digno da descarga

Essa peraltice era mais “amena”, mas sempre foi muito praticada.

Num tempo que existiam poucos “apartamentos” e sequer imaginávamos que existiria algum dia um “condomínio fechado”, todos os moradores da rua eram conhecidos uns dos outros, bem como seus familiares. Muitos sabiam, também, das virtudes e defeitos dos outros.

Existia, claro, aquela vizinha ranzinza que se postava na janela durante a tarde e ficava observando o movimento das pessoas da rua. Sabia quem entrava, e saía das casas. Quem foi visitado, e até quem traía os maridos.

Ralhava com a criançada e se intrometia em tudo.

Como menino “malino” é a imagem do demo, esse tipo de mulher na vizinhança era sempre a escolhida para as presepadas, peraltices e provocações.

Na parte da tarde, quando a meninada desconfiava que ela estava dormindo após o almoço, os presepeiros, depois de terem certeza que ela dormia, “tocavam a campainha” da frente da casa e corriam a se esconder.

O xingamento, após o atendimento e verificação que não havia ninguém, era de filho de uma puta para pior.

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4 – O barulho dos caronas da televisão

Lá pelos idos dos anos 50 e 60, pelo menos em Fortaleza, tão logo ocorreu o advento da televisão – ainda em preto e branco – os governantes entenderam que aquele seria um ótimo meio de comunicação e um serviço útil para todos.

Foi a partir daí, que surgiram os seriados e outros temas. Apareceram até os heróis, como Ted Boy Marino, ídolo do famoso “Telequete Montila”.

Pensando diferente dos governantes atuais, prefeitos mandaram instalar aparelhos para o público nos chafarizes, também públicos. Mas isso não atendia a todos.

Tão logo surgiram febres como “Repórter Esso”, novelas como “A cabana do Pai Tomás” e Beto Rockfeller e outros programas, a preferência pelo novo “aplicativo” da Comunicação ganhou preferência em prejuízo dos programas radiofônicos dos auditórios nas tardes de sábados.

Os “caronas” na televisão dos vizinhos

Poucos tinham condições financeiras para comprar um aparelho de televisão. Foi a época dourada de lojas de eletrodomésticos como Ponto Frio Bonzão, Romcy Magazine e tantas outras, que até implantaram condições acessíveis no crediário.

Esses tempos, incluindo as peraltices saudáveis, estão fazendo muita falta no nosso dia a dia.

Hoje, ninguém conhece mais ninguém. Inclusive no seio familiar, onde só se reúnem em volta de uma mesa – se tiver cerveja! – ou, nos velórios dos conhecidos e amigos.