JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

Almoço na roça com galinha caipira

Quem foi à escola dos anos anteriores, aprendeu. Quem continua indo para ser enganado pelos professores da era Paulo Freire, vai apenas para “passar o tempo” e ser enganado. Não vai aprender “pn” e vai apenas ser massa de manobra e semear o esquerdismo que já toma conta do país. A colheita, creiam, não vai demorar.

É uma grande tolice imaginar que, na roça, tudo é fartura. Não. Não é. A “roça” tem seus problemas, suas dificuldades e, quando não chove, fica realmente “na roça”.

Poucos entenderam e muitos nada entenderam o que significou a ação divina da “transposição” das águas do rio São Francisco. Quem conheceu aquela região antes da “transposição” – de um lado, partes do Piauí, Pernambuco, Ceará e Paraíba; e do outro, Bahia e Minas Gerais – sabe que o panorama era desolador para a agricultura e, mais ainda, para a pecuária produtora de alimentos e derivados.

Vinda do tempo do Império, quase posta em prática no tempo do governo militar via DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca), então subordinada a Mário Andreazza, a ideia da transposição das águas teve quase totalidade concluída no governo de Jair Bolsonaro. Tem rendido bons frutos e atendido grande parte da população que, sem ter para onde ir, teve que permanecer ali, tentando superar o que as gerações anteriores sofreram.

Pois, aos 79 anos, tendo vivido na prática os efeitos dos anos 50 e 60, tendo consciência que tenho mais “passado” do que “futuro”, lhes digo que, na roça, nem tudo é fartura. Nem tudo é bom. Nem tudo é só alegria – posso lhes assegurar, por ter vivido que tudo é “trabalho” e tudo depende dele.

Os projetos sociais dos governos chegam. São recebidos de bom grado, da mesma forma que são entendidos como um “toma lá, dá cá”! A Internet, na roça e no sertão, faz tanto bem quanto a transposição das águas do São Francisco.

Manga verde – por vezes foi o único alimento de muitos

Pois, nos anos 50 e 60, o camaleão (para outros, o iguana) que se alimentava de folhas verdes e por conta disso recebia o benefício da clorofila, mudou de cor. Ficou cinzento e teve que mudar a alimentação. Passou a ser formigas, “mané-mago”, moscas e por vezes até “rola bosta”!

O homem, que nem chorava mais porque não tinha mais lágrimas, via o gado, o porto e o caprino morrer de fome e de sede. Triste!

Infelizmente, muitos que hoje estão nas universidades, nunca aprenderam que a transposição não beneficiou apenas o homem de forma mais direta.

Quem teve a sorte de estudar Ciências Naturais, aprendeu que algumas árvores de raízes mais profundas, por conta dessa particularidade, acumulam mais água por mais tempo. Entre essas, está a mangueira.

E a manga é um alimento de primeira hora. Popular, de imensa variedade, que pode ser encontrada com facilidade.

Pois, a manga verde “matou a fome e salvou” muita gente. Principalmente no interior do Ceará.

Mucura

Por vários dias, meses e anos seguidos, o povo da roça “correu atrás” de soluções para matar a fome. Comeria, como comeu, qualquer coisa que pudesse “enganar o estômago”, independente de ser bom ou mal, permitido ou não.

Matar a fome é algo conceitual. Alimentar é outra coisa.

Sair à caça!

Caçar para matar qualquer bicho vivo que lhe pudesse aliviar aquela roncadeira feita pelas tripas, como se fora um coral orfeônico.

Teiú, camaleão, cobra, porco do mato, macaco. A mucura é para um banquete.

Depois, já vivendo no Sul maravilha, li muitas vezes que o nordestino estaria “comendo ratos”. Mentira. Era mucura.

Ovas de aruá

Os primeiros sinais que a Natureza mandava para o homem da roça, de que uma seca se aproximava, era a queda do espelho d´água das lagoas e açudes. E, tão logo esse espelho baixava, começava ficar à mostra a vegetação que se alimentava e sobrevivia daquela água. E aí, na seca que matava tudo, aparecia as ovas dos aruás para reprodução da espécie. Até isso a gente comia. Comia, sim. Comia para não ser comido pela fome.

Pois, a roça é onde tudo começa. É ali que a semente é plantada e, quando encontra condições para germinar, crescer e frutificar, vai alimentar pessoas – na globalização, pessoas do mundo inteiro.

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