CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

TURISTAS NAVEGANTES – II

Antigo vapor brasileiro semelhante ao Itanagé

Fernando Lobo e Capibam dois jovens sonhadores, carregando fardos de ansiedades, ambos estudantes de direito, em férias, embarcaram no vapor Itanajé, rumo ao Rio de Janeiro.

Era praxe nos anos de 1930 as pessoas viajarem de navio. E quando se sabia que alguém ia para a Capital da República, sempre havia uma cartinha, um pacotinho, uma lembrancinha, até mesmo uma cartinha; um treco qualquer para infernizar o viajante-transportador.

Alegres e sacudidos, ansiosos para realizar sua primeira grande viagem, que teria a duração de cinco dias; já considerando-se navegantes, postados no convés, acenavam com lencinhos, para os que ficavam no cais, quando surge o imprevisto.

Na escadinha do navio, atrasadíssimas, com a permissão de Oficial de Marinha, sobem aflitas duas “solteironas juramentadas”. Eram as irmãs Arruda, velhas conhecidas desde quando os acadêmicos residiam em Campina Grande. Ambas filhas do respeitável senhor de terras, o saudoso Coronel Arruda.

Entregaram aquele “pacotaço” para os conterrâneos levar. Era um “Bolo Souza Leal”, o mais famoso da culinária pernambucana e mais uns pertences do Coronel. Recusar tal favor? Nem pensar! Avisados já estariam, os parentes, esperariam no porto do Rio.

Capiba e Fernando aceitaram à pulso aquela incômoda incumbência. Recebeu o bagulho, meio preocupado, mas teve que aplicar seu “Sorriso Colgate”.

O pior: se houvesse desencontro, teriam que levar o bolo até Cascadura, um lugar longe pra cacete!

Fernando Lobo e Capiba, no convés do Itanagé

Na cabine, acomodaram o pacote num dos roupeiros. Mas ocorreu uma surpresa desagradável no primeiro amanhecer atlântico. Notaram que havia formigas fazendo fila indiana; todas animadíssimas, num vai-e-vem até, de certo modo,carnavalesco, porque balançavam as bundas. Fernando fez gozação: “São formigas embarcadas”.

Identificar o porquê não era a principal atitude. Mas se livrar das formigas, sim. Fernando, ágil abriu a escotilha, Capiba enfiou a caixa e mandaram o pacotaço para os “quintos dos infernos”. Os peixes que comessem tudo.

No porto do Rio, estavam à espera, os representantes do Coronel Arruda, todos circunspectos até demais. Deu pra desconfiar. Sérios demais para quem esperava devorar um “Bolo Souza Leal” legítimo.

Com ares risonhos e pedindo mil desculpas por não estarem mais com o pacotaço, os rapazes explicaram as razões, informando que uma autoridade naval havia recomendado a única solução prática para dar fim ao bolo “formigado”. Jogar a caixa no mar. Todos ficaram muito pesarosos e sairam cabisbaixos.

Sem documento do IML o material só seria aceito se fosse indicado que era um bolo, e embarcado por passageiro legalizado. O drama: Capiba havia jogado ao mar os ossos do saudoso Coronel Arruda, que seriam colocados no jazigo da família, no Rio de Janeiro.

Quem mandou transportar ossadas, indicando que era um “Bolo Souza Leal” E que seria transportado por dois turistas navegantes?!…

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

TURISTAS NAVEGANTES

Na década de 1930, sendo Capiba já funcionário do Banco do Brasil, mas ainda estudante de Direito e já fazedor de músicas que obtinham grande sucesso, ganhou do pai de Fernando de Castro Lobo, (genitor do fabuloso compositor e cantor Edu Lobo) – o Coronel Lobo, que era abastado industrial em Campina Grande – uma viagem de navio para conhecerem o Rio de Janeiro.

Nessa época, ainda era capital da “República dos Estados Unidos do Brasil”, (de 1889 a 1968), quando ocorreu um fato difícil de entender, como muita coisa que acontece nestas glebas brasilianas.

Mas, antes de entrar na graça da história, vamos à História cheia de graça, conforme o título desta coluna.

Cabe aqui lembrar que nosso país já foi: Ilha de Vera Cruz, Terra Nova, Terra dos Papagaios, Terra de Santa Cruz, Terra de Santa Cruz do Brasil, Terra do Brasil e finalmente Brasil.

Mas como as reformas ortográficas são frequentes por aqui, no chamado “além mar” dos nossos descobridores portugueses, apareceu um galego enfezado e achou melhor – para dar a impressão que éramos um país sério – que seu nome fosse escrito com “Z”.

Já começou, daí, o parangolê!

Mas, já passamos por outra denominação, em tempos mais recentes: “República dos Estados Unidos do Brasil”, identidade que, para pronunciá-la, estufavamos o peito respondendo às perguntas de D. Arcelina Câmara do Colégio Dom Bosco, situado na Rua Imperial onde aprendi um bocado de coisas.

Mas, apareceram os gaiatos apelidaram de “República do Brasil dos Estados Unidos”. Foi pra avacalhar mesmo!

Visando vantagens desconhecidas, vieram os “gringos globalistas” e passaram a escrever o nome do nosso país com o “Z” – Brazil – que continua, coitado, valendo apenas no vai-e-vem do troca-troca de mercadoria entre países sérios, por dinheiro que só se persebe nos contratos de importação ou exportação.

“Mãe, nesta caixa que veio da internet pra senhora está escrito o nome do Brasil diferente. Num tá errado Brazil com “Z”? Fuzilou uma das minhas bisnetas, de apenas 4 aninhos. Deu trabalho para explicar a aparente burrada, que Cristiana percebeu. Ela que está na “Idade dos Porquês”.

Aliás, no vulgo do “economês”, se diz que é aceitável essa nova denominação, porque se trata de Comércio Exterior.

Aí aparece: “Made in Brazil”.

Mas, na verdade, nossas mais vendáveis mercadorias saem mesmo é do nosso interior; ou seja, das cidades interioranas, de onde alguns produtos hoje apresentam nas embalagens a indicação da forma que os gringos exigem.

Mas quando compramos, nem sabemos se elas saem das capitais estrangeiras ou dos interiores delas.

Também, há de se entender, que nós brasileiros, sendo filhos da terra tupiniquim, onde tudo muda, até a “Carta Indigna”, não há como se ficar espantado.

Ah, me desculpem! O certo é a Carta Magna, livreto que tanto emocionou o saudoso Doutor Ulysses, mas se tornou mais emendado do que lata de construção.

E até se presta à indignidade de produzir decreto legalizando que um “macho-de-armário” pode se casar com uma “boneca”. Tudo é possível neste rincão brasiliense!

Ah! Eu me esqueci de contar a história dos dois estudantes de Direito! Tem nada não, na próxima, falarei sobre Capiba e Fernando Lobo, durante a presepada dos Turistas Navegantes.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

BRAD PITT DEPOIS DA GRIPE

O Azulzinho

Fábricas e revendas estão se ajeitando para investir naquele equipamento que já foi objeto de desejo, sinônimo de gastança, charme e meio para conquistas femininas, durante mais de 100 anos: os automóveis.

Agora, diante das tecnologias, os infernais engarrafamentos e a falta de estacionamento, novos fatores se projetam nas preferências públicas: o transporte por aplicativos e os carros de aluguel, que nos últimos cinco anos são coqueluche.

Os compradores, finalmente resistiram às mudanças de modelos, que ocorrem todos os anos. Um fator de renovação de procedimentos, digamos. O advento dos carros elétricos e o sistema de veículos de aluguel estão refazendo conceitos.

O automóvel deixou de ser um bem de família, há anos. Na América, há uns 15 anos, percebi que alugar um carro em Las Vegas e deixá-lo em São Francisco, dias depois pegar outro e deixá-lo em Phoenix, era coisa comum.

Os galegos sempre estão à nossa frente em modismos que antes vinham através do cinema, como: Chicletes, Coca Cola, relógios de pulso e rádios portáteis.

Um carro próprio, atualmente, no Brasil, mesmo parado, tem custo alto. Se considerar-se que circulam nas estradas e se analisados, direitinho, os custos, estaremos botando fora muito dinheiro para quitar licenciamento, IPVA, estacionamento em Zona Azul e seguro.

Fora a “associação” com as indústrias das multas, que funciona, dias e noites, que nos parecem dispor de “filiais invisíveis” em todo o País, porque nossas estradas se enchem de câmeras a cada dia, com maior ânsia de lucros.

Agora vê-se que é mais lógico telefonar para uma Localiza, Hertz, Avis, National ou Unidas, a um custo médio de R$ 100,00 diários. sem preocupações, e usar carros semi-novos, que podem marcar presença nos diversos lugares, dando a entender que ao volante está alguém “estribado no dólar”.

Mas, o carro próprio ainda tem seus aspectos simbólicos. A pesquisa não mostra, mas, o carro da família é um equipamento que a gente aprende a querer bem.

Todos os dias passamos a flanela em seu corpo, como quem alisa uma fêmea de “alta periculosidade conjugal”, adicionamos enfeites, instalamos buzininhas-duplas, calotinhas aluminizadas, rodinhas esportivas e forrinhos novos, à prova de flatulências insalubres.

E tem mais, como um se fosse um ser humanos, ainda sofremos com ele nas oficinas, aos sábados. Quantos fins-de-semana não perdemos dando assistência a eles?!. O bem-querer é tão significativo que até botamos apelidos neles.

Tenho amigos que, como eu, criaram identificações para seus carangos: Azulzinho, Gatinho, Relampejo, Bechanildo, Carniça, Relampejô, Paraíso das Fêmeas, Fodorífico, Leva-e-traz, Pega-e-solta e até Marmita.

Este último tem significado interessante. Seu proprietário me segredou que foi por justificada e singular inspiração: porque só leva “mulher comida”, por isto, recebeu a incomum e alcunha de Marmita.

Mas, depois de 14 anos convivendo com meu Azulzinho – um senhor Fiat Uno Mille – que ganhei de presente do filho primogênito, um carrinho caceteiro famoso, “suspensão” pra qualquer estrada e de manutenção barata. Causou-me tristeza a despedida. Mas oram fortes os fatores que me levaram a me desfazer dele.

Já de maior-idade – com 14 anos só nas minhas mãos – tinha direito a garagem privativa, pasta-suspensa, com todos os documentos de manutenção bem guardados. Já pensou quantos cuidados?

E vou mais além nas minhas lembranças: nas datas certas eu costumava trocar platinado, condensador, velas e filtros. Os pneus só andavam calibrados e o tanque cheio. Nunca usei pneu renovado. O carro era uma boneca! Ouvi muitas ofertas de venda e resisti. Mandava o cara se danar!…

Mas veio a pandemia, minha idade avançou, os reflexos ficaram mais demorados e a desvalorização do carrinho concorreu parao desfecho. Mas, ainda hoje rogo praga para um miserável de um vizinho que todos os dias me solicitava comprá-lo. Juntei todos os fatores e acabei vendendo. Findou-se a aporrinhação.

Vivi um drama íntimo. Ainda solicitei ao comprador o direito de dirigi-lo até a saída do condomínio onde moro, porém, antes, sabendo que não deveria mais dirigir automóveis, abri a mala e passei pra Seu Astenildo: luvas, alavanca com “mão-de-força”, meio litro de óleo 30, alicate, chaves de fenda, de roda e outros penduricalhos.

Quando vi o bichinho dobrar na esquina, senti um “enfarto sentimental fulminante”. A partir daquele dia passei a ser um homem de menor valor. Nunca mais serei o mesmo! Carro próprio, pode até ser um cangaço, mas a gente pega amor como se fosse um animal de casa.

E quem disse que segurar um volante não é forma de se sentir mais importante?!

Pra nós, velhotes nascidos na década de 30, ter um carro melhorava até o cadastro bancário. E junto aos olhares femininos, nem pensar em coisa mais atraente. Era um vidro de perfume francês sob rodas. O cara poderia até ser feio, desajeitado, com bafo de boca, mas dirigindo um carro, tinha jeito de Brad Pitt depois da gripe.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

GARATUJAS

Taquígrafa Quésia de Farias, do Senado Federal, em ação

SEM CONCORRENTES – Guardei nota interessante, veiculada por “circulosa” revista nacional, de 23 de dezembro de 2020, que em sub-título, anunciou: Bolsonaro disputa com ele mesmo porque não tem ninguém à altura para lhe ser antagônico. Por isso tentam desconstruir o Presidente. Cá com meus botões e para o resto do mundo, parece que na próxima, ninguém se iluda, será ele de novo. Mesmo sem ajuda de “páginas amareladas”.

APIMENTANDO HIPÓTESES – Quando Joe Biden, carregando o peso dos seus 80 anos, pegou gás e se candidatou à reeleição na América, ouvi falar que aliados do Prof. Michel Temer, que na época emplacou 82, voltaram a sonhar, apimentando hipóteses.

CONSELHO FILIAL – “Quem sabe se ele não se anima e parte pra cima, de novo?!” Mas Michelzinho apelou: Papai, não volte pra política não! Mamãe taí, nova e bonita pra ser desfrutada!

MACETE EDITORIAL – No meu tempo de foca no jornalismo não se escancarava tanto, nem havia procedimentos para alertar o leitor, através de afirmações em negrito, profundamente tendenciosas. Mas hoje se trata de “macete editorial”.

PÁGINA COMPROVA – Guardei página de periódico circulante em 10 de maio de 2023, quando o titular, além de iniciar a nota castigando Pedro Guimarães, coitado, lembrando que ele foi demitido da Caixa Econômica por “escândalo sexual”. Aliás “escândalo “jornalístérico” diga-se melhor. Esqueceu o “pagineiro” que Pedro foi um dos únicos administradores da Caixa que deixou o cargo sem quaisquer deslizes que maculasse sua trajetória profissional.

CORPO SEM DELITO – Acredita-se que arranjaram uma cidadã, boa de curvas, embora feia de face, que se prestou pra inventar um tipo incomum de assédio: “o cochicho no pé do cangote”. É quando o legista pode afirmar: Há um corpo sem delito, sem prova, sem testemunha!…

NUNCA DEMITIDO – Há tanta seriedade no currículo de Pedrinho, além de Ph.D pela University of Rochester, que a CVM autorizou seu registro como Consultor de Valores Mobiliários. Teve mais, documento da Caixa comprova que ele renunciou. Jamais foi demitido. Foi vítima, sim, da “jornalistaria” desenfreada que domina o País.

VELHAS GARATUJAS – Recordo meus primeiros dias de “Office-boy” no City Bank, em 1952, quando vi D. Edna Rocha Ferreira riscando uns traços num caderninho de entrelinhas bem abertas, enquanto o gerente, Mr. C.L.Hagen, lhe transmitia os termos da correspondência para ser datilografada.

ESCRITA EGIPCIENSE – Achei aquilo engraçado e pensei que era um novo tipo de hieróglifo, aqueles caracteres da escrita do Egito. Mas não era. D. Edna utilizava a Taquigrafia, sistema abreviado que permitia escrever rapidamente; semelhante à velocidade da fala. Uma arte milenar que utiliza sinais fonéticos, onde cada um representa um som.

GRAVANDO PALAVRAS – Anos decorridos, chegou-se a automação. Mesmo assim, a mão da taquígrafa tem que ser extremamente ágil. Papel e lápis tornam isso possível, mas o tablet às vezes falha: a caneta não grava, a operadora tem que voltar e aí já se perdeu a palavra. MELO

TABLETS ACIONADOS – Poucos sabem que a velha taquigrafia ainda não foi abolida. Apenas deixou de ser utilizada em blocos de papel e uso de lápis, para ser trabalhada através de tablets, cujas imagens podem transitar por vários departamentos, instantaneamente, dentro de um processo avançado de automação, segundo a jornalista Quésia de Farias, da Agência Senado.

REDAÇÃO PARLAMENTAR – É bom que se saiba: desde 2017 que a Secretaria de Registro e Redação Parlamentar, do Senado Federal, utiliza o novo processo, a fim de ampliar o registro histórico e economizar mais de seis mil blocos de apanhamentos taquigráficos, por ano.

SENADO TAQUIGRAFADO – No Senado Federal do Brasil são 28 taquígrafas e 24 revisores responsáveis pelo registro de todas as falas, pronunciamentos e debates. No Plenário, o atendimento acontece em tempo real, com as taquígrafas presentes, revezando entre si. Depois, o documento é enviado para revisão, que disponibiliza o texto no site da instituição. A integração leva cerca de 50 minutos para ser publicada na internet.

OUVIDO ATENTO – Mesmo sendo um ofício antigo, implementado no Brasil durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1823, e logo em seguida no Congresso Nacional, a diretora Quésia de Farias considera que não existe tecnologia capaz, até agora, de substituir o ouvido humano e a atenção do taquígrafo.

MERAS GARATUJAS? – Pois sim!… Aquele processo que eu percebi no velho The National City Bank of New York, que já se usava há tantos anos, se inovou, deixando de ser, para muitos, um papel escrito com letras diferentes, pouco legíveis e desenhos desajeitados, Mas, nada era do que eu pensava ser: meras garatujas.

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MOEDAS DE OURO EM PERNAMBUCO

John Mauritz von Nassau Siegen (Pintura de Eckhout)

Para gáudio desta nova geração de leitores, pesquisadores, economistas e a classe bancária atual, (que, por sinal, está em fase de extinção), publico notas do livro “O Banco do Brasil na História de Pernambuco”, que publiquei em 1986, através da Cia. Editora de Pernambuco.

Em três edições, com 586 páginas, sendo a terceira ampliada e desdobrada em dois volumes, constam notas sobre o Sistema Bancário de Pernambuco, com alguns fatos pouco conhecidos sobre a história das moedas de ouro fabricadas em Pernambuco.

Há fatos ligados à História da moeda, que vale a pena aqui pontuar, a fim de atualizar os pesquisadores e manter viva a certeza da vocação para o primado do nosso estado, para que não seja apenas reconhecido por ser o “Leão do Norte”.

Não se pode esquecer os fatos mais importantes ligados à moeda e ao crédito, principalmente assinalar que foi por iniciativa de John Mauritz von Nassau Siegen – popularmente conhecido como Maurício de Nassau – que aqui se implantou a primeira empresa bancária da América Espanhola, tendo o Recife a primazia de hospedá-la: a Casa Bancária dos Fugger, (atual Fugger Privat Bank KG, da Alemanha).

A empresa funcionou na Rua da Cadeia e emprestava dinheiro a juros módicos, com o fim de incentivar as indústrias dos engenhos-banguê, rudimentares fábricas de açúcar, que marcaram a primazia de Pernambuco na industrialização do Brasil.

A convite de Nassau, capitalistas particulares, geralmente judeus vindos da Europa, iniciaram a aplicação de valores sob empréstimos, nos canaviais e engenhos. E tais aplicações entre particulares e fábricas, se alastraram até dias recentes, quando se instituiu lei federal considerando crime fiscal, os empréstimos entre particulares, conhecidos como agiotagem.

Para tentar controlar essas transações, o governo instituiu as Cooperativas de Crédito; porém, mesmo assim, à socapa, em valores menores, mas juros extorsivos, a agiotagem campeia como um mercado paralelo de dinheiro.

Outro fato que merece ser considerado pioneiro no Brasil-holandês, foi que entre 1637 e 1645, época do domínio holandes a Pernambuco, aqui foram cunhadas, por iniciativa de Nassau, as primeiras moedas de ouro, então quadriculadas, cuja fabricação ocorreu na atual Rua da Moeda, 150, no antigo bairro de São Frei Pedro Gonçalves do Recife, atualmente referido como Marco Zero da cidade.

Em 1637 o “Atlas Vingboons”, editado pelo antigo ABN-AMRO Bank, com sede na Alemanha (publicação que é parte do acervo do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, com sede Rua do Hospício, 130, no Recife), registrou o fato, com ilustrações.

Atualmente a Casa da Moeda do Brasil está localizada no Parque Industrial de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, sendo considerada uma das maiores do mundo.

Os últimos registros de tais cunhagens em Pernambuco, foram extraídos do meu livro: “O Banco do Brasil na História do Recife”, editado em 2013, onde consta que Jacob Alrichs, tesoureiro da Cia. das Índias Ocidentais, cunhou as últimas moedas, com ouro recebido da guiné, informação histórica até então adormecida nos documentos mais antigos que pesquisei.

Ilustramos esta crônica com uma das obras do pintor holandês Albert Eckhout (1641-1643), que foi contratado pelo conde Maurício de Nassau para retratar o Brasil. Suas pinturas contribuíram para que os europeus se interessassem pelo Brasil-holandês.

Devemos a Maurício de Nassau, portanto, os fundamentos de um elementar sistema bancário brasileiro, organizado, posteriormente, sob o título de Superintendência da Moeda e do Crédito – SUMOC , que funcionou até 1963, transformando-se em Banco Central do Brasil.

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NOTAS DE ONTEM E HOJE

Sepúlveda Pertence e Sebastião Coelho

CRISE ANTIGA – O respeitável jurista Sepúlveda Pertence, ex-Procurador Geral da República, presidente do Superior Tribunal Eleitoral e depois presidente do Superior Tribunal Federal, já afirmava, em 18 de agosto de 2003, que observava grave crise no judiciário Brasileiro.

BAGAÇO JUDICIAL – Pesquisas mostravam significativa redução de prestígio daquela instituição. “É amargo ser um juiz honrado no Brasil de hoje!” Ou seja, há mais de 20 anos a bagaceira já era visível. Há se ele tivesse, pelo menos, uma bola de cristal pra antever como estaria hoje este pobre Brasil naquele colégio de togados!

COELHO NELES – Imaginem se Dr. Sepúlveda soubesse que diante das excelências que atuam em 2025, um advogado, desembargador aposentado do TJDF – Dr. Sebastião Coelho – usando sua palavra vibrante, na tribuna do Supremo, bradou que aqueles juízes eram as piores pessoas que o Brasil poderia ter naquelas funções? Imaginem!…

QUESTÃO HISTÓRICA – Leitor atento, historiador conhecido, teimoso como o saudoso Mário Melo, que nos embates pelas coisas certas, nunca perdeu uma briga, bateu de frente comigo, lembrando um fato histórico e palavras que circulam por aí, capazes de confundir leitores e ouvintes de palanques.

PRIMEIRÍSSIMA DE FATO – “A primeira mulher a governar Pernambuco foi D. Brites de Albuquerque e não D. Raquel, que aproveitando a “deixa”, sua inteligente equipe de propaganda completou sua divulgação e os bem elaborados discursos oficiais, com palavrinhas mágicas: “Raquel a primeira mulher eleita para assumir o governo de Pernambuco”. Mas D. Brites, foi a primeira a governar. A primeiríssima. E ponto!

DEGOLA INÉDITA – Supervisora da lavanderia de renomado hospital da Ilha do Leite, no Recife, caiu na besteira de verificar se uma hélice da máquina de laar estava danificando as roupas. Escorregou no chão molhado, caiu com o corpo pra dentro do túnel, o motor ligou sozinho e ela foi degolada. Tinha nada de botar a cabeça onde não deveria?!…

CAGAÇO FULMINANTE – Em março de 2004 o Tribunal Supremo da Alemanha anulou a sentença de 15 anos imposta ao marroquino Munir El Safado, condenado por envolvimento nos atentados do 11 de setembro. No ano anterior, quando acolheu, no sanitário de sua residência, alguns conterrâneos fustigados por intensa caganeira. Foi preso e considerado culpado de ajuda aos terroristas. Acabou absolvido por falha no Direito de Defesa.

DISCRIMINAÇÃO CANINA – O diligente deputado pernambucano Pedro Eurico, conseguiu aprovar, em 13.08.2002, um projeto de lei que disciplina a criaçao e venda de animais das raças Pitt-bull e Rottweiller. Os “fofinhos da mamãe” agradecem: Áu, áu.

PIPOCO NO TOITIÇO – Ex-famosa juíza, Dermínia Ambrósio, levou uma alfinetada de “Garotinho”. Explicando melhor: Anthony William Matheus de Oliveira, também ex, porém, governador da Cidade Maravilhosa, Ele alegou que a dama distribuiu propaganda, patrocinada pela Cia. Brasileira de Cartuchos, e se dizia contra a violência. O garotão não entendeu e ajuizou um pipoco nos costados da ex-juíza. Tirou fogo!…

VÍRUS EMBROMATIS – Ex-funcionários da antiga SUDENE, todos experientes, foram postos de lado como se lixo fossem. Ficaram sem trabalhos mas com seu ordenados mantidos A nova instituição de desenvolvimento do Nordeste, segundo Fernando Antônio Gonçalves, em artigo publicado em 13.08.2003, já nascerá infectada pelo vírus da embromação, que no latim se traduz como: virus embromatis.

PADRÃO CELULAR – Em agosto de 2003 o MS criou um GT para elaborar estudo observando normas e procedimentos, referentes aos padrões máximos permitidos à radiação dos celulares. Seria bom divulgá-los nos anos atuais. A turma do “Grupo sem Trabalho” está radiante para definir resultados.

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NOTAS PARA UM SITE – IV

O bolo inédito

A Crônica Social me traz reflexões e permite comparações surpreendentes com os dias anteriores, quando se revelaram os negativos das primeiras mudanças de comportamento e se ouviram os acordes iniciais de sinfonias um tanto fora de tom, quando na década de 1960, começaram a surgir acontecimentos diferentes, numa sociedade ainda carregada de preconceitos, mas tentando superá-los.

FESTEJEMOS A POMPA! – Para alguns antigos, um escândalo. Mas, para os de hoje: “Vem que tem!” Colunista local registra convite para festa de casamento de dois respeitáveis senhores, com direito a Salão de Festas, bolinho enfeitado com os nubentes abraçadinhos, e champanhota às pampas.

TAPINHAS E ABRAÇOS – Durante a festa, registrei para a Coluna Social: “O pai do noivo, para se destacar, apresentou-se todo de branco, com gravata-borboleta e sapato de duas cores. Um endinheirado industrial, pai daquele que estaria representando a noiva, (…se fosse o caso), cidadão sacado, há anos, da pobreza relativa, à Imprensa falou de peito estufado: “Há de ver-se que, se a lei o permite, vamos festejar. Festejemus!, como se diz no Vaticano.”

MENINO MALUQUINHO – D. Fifí, mãe do “consorte”, (um lascado de grana, que aproveitou o sopro da sorte para sair do “bostejamento” em que vivia) alegríssima, pintadíssima, barrigudíssima, cheia de penduricalhos no pescoço, rodava no salão, pra cima e pra baixo.

FILHO GRÁVIDO – A madame procurou o repórter para segredar: “Meu menino já está se sentindo grávido”. Olhe o brilho nos olhos dele. Que maravilha! Meu netinho está “embarrigado”. Sob aluguel, é bem verdade… Além disso, me sinto muito querida com tantas pessoas colunáveis em nossa festinha, não é mesmo?!…”

HÁBITOS DIFERENTES – E continuou eufórica, D. Fifí: “Aliás, cá entre nós (e os 40 mil assinantes do jornal, claro!), desde criança, lá em Morro do Chapéu, a ‘Cidade dos Discos Voadores”, da Bahia, notava-se que ele tinha hábitos “diferentes”. Sempre foi um garoto avançado pro seu tempo, esse meu menino maluquinho!..”

ME ENGANA – E os comensais, lá, aplaudindo, comendo e bebendo, na maior desfaçatez. Cinismo só. Aliás, sociedade moderninha é isto: torna “festejável” tudo quanto possa, mesmo sabendo que ali flutua, às escancaras, a embromação desenfreada.

PAULO MALTA – Meu saudoso editor, um residente pombalino, (dizia isso porque residia na Rua do Pombal): Mesmo agredindo a natureza criadora de homem e mulher. Agora pode se ver casamentos de homem com homem, lembrando aquela piada: “E agora, só resta sugerir que se escove bem os dentes, passem bem graxa nas “partes”, e seja lá o que Deus quiser!”

COLUNÁVEIS FESTEJADOS – Na manhã seguinte o Diário registrou: “A festa do casamento de Livinho e André de La Manha, moço nascido em Passo de Los Libres, Espanha,. foi um barato. Lotou o salão do Paço Alfândega. Colunáveis a granel. Gente enfeitada, à torto e à direito foi o mais que e viu. Ao final da festa, num telão, foi exibido o filme: “Sentei-lhe a vermelha”, alusiva à partes da vida dos pombalinos que separados pelo mar Atlântico, se tornaram verdadeiros heróis de uma sociedade em movimento.

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NOTAS PARA UM SITE – II

Notas redigidas em 2003

Giovana Antonelli, coadjuvante do Padre Marcelo

TIRO-LIRO – O “prefeitin” do Recife, bobo que só ele, animadíssimo para conhecer a terra de Pedralvares, pegou um “Constellation” de Panair e se mandou até Lisboa. Arrastou o Secretário de Turismo pelo sovaco, para aproveitar as andanças turísticas. Foram bem fiscalizados pelas esposas. Disseram à Imprensa Oficial que precisavam mostrar nosso forró aos portugueses e aprender um pouco do Tiro-liro. Boa ideia. Com acompanhamento, foi tiro e queda.Pois, pois!

RADIOGRAFIA ESQUISITA – Órgão federal informa que este ano (2003) uma radiografia do campo indicou que 280 mil é o número de familias sem propriedades de terras, em Pernambuco; 35 o número de famílias acampadas; e somente 12 mil famílias assentadas. pela Reforma Agrária. A esquisita estatística não informa quantos bobos compram terras, registraram em cartório e pagam os impostos Tudo legalmente. E agora, Mané?!…

BEIJAÇÃO EXPLÍCITA – Comenta-se que famosa dupla feminina, campeã de “aparecências” nas Colunas de João Alberto e Alex, foram flagradas num cantinho da piscina do Internacional em noite de Bal Masqué, na maior chupação de beiços. Denunciadas pela pouca vergonha foram consideradas bêbadas. Que alívio!…

BECOS – FECHADOS – Várias pequenas ruas e becos do Recife poderão se tornar condomínios fechados. Cerca de 1.600 foram enquadradas. O projeto é interessante e foi cria do arquiteto Luiz Elvécio. A única exigência é não servirem de passagem para automóveis, carroças ou carros-de boi.

FOLHA ATIVA – O jornalismo investigativo sempre foi importante. Ainda mais agora que a Folha de Pernambuco partiu de frente mobilizando seus repórteres, de faro canino, até descobrir temas ocultos, mesmo que sejam apenas boatos requentados. Vige!…

CABRÉA CARIOCA – Da Holanda vieram cinco escafandristas. Não para conhecer nossos passos de frevo ou visitar o Cassino Americano, no Pina. Mas, para se juntar aos nossos especialistas, a fim de içar o rebocador “Taurus”, que naufragou no Porto do Recife. A cabréa – balsa com guindastre – veio do Rio de Janeiro. Para aqueles submersores: haja fôlego!…

BANCO IMÓVEL – A “interessante” ideia da Prefeitura foi noticiada nas folhas locais: Banco Móvel para Micros. Já apelidada de “Banco do Povo Volante”, pretende oferecer empréstimos à domicílio. Ou seja, com a grana no “pé do cipa” e fraco de bolso, não podendo o micro pagar seus boletos, pode mudar de endereço e se mandar, já que se tornou “Cliente Volante”. Volante e volátil!…

PAÍS DE CARUARU – As indústrias informais já dominam o setor têxtil de Pernambuco, notadamente Toritama e Santa Cruz do Capibaribe, anexas ao chamado: “País de Caruaru”. Estão cadastrados (em 2003) 13 mil. Gente esperta – porque matuto não é besta! – estão solicitando ao governo a redução do ICMS para 3%. “Quem é besta é prego, que dá a cabeça para outros baterem!…

AUMENTO SEM GREVE – O Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas, através da Força Sindical, entrou com ação contra o INPS, chorando por um aumentinho salarial de 20,4%. Garantem que não farão greve. Ainda bem!…

PADRE BAILARINO – Marcelo Rossi, conhecido como o Padre Bailarino, depois de virar apresentador da TV e cantor, vai estrear no cinema, como ator principal do filme: “Maria, mãe do filho de Deus”. Sua coadjuvante será Giovanna Antonelli. Cuidado nos ensaios, meu padre!…

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NOTAS PARA UM SITE

Símbolo da CEPE

Há pouco mais de 20 anos fui contratado pela CEPE – Cia. Editora de Pernambuco, para prover um site que estava em planejamento, sendo a parte principal do meu trabalho jornalístico o enfoque na pesquisa e redação de notícias diárias. Em seguida, levantar dados para escrever o livro: “CEPE – SUMÁRIO PARA A HISTÓRIA”, que foi lançado em 2004.

Por sua importância histórica guardei muita coisa interessante, que certamente motivará comparações entre os tempos de ontem e os de hoje. Vou publicar, em diversos sábados, obedecendo o mesmo formato que me foi determinado pelo editor Carlos Augusto de Souza, na época. O estilo é leve e com chamadas pitorescas, mas as notícias são autênticas. Aparecerão sempre complementadas por uma “gracinha”, conforme o título da coluna.

CHATÔ ESCAPOU – “Devo minha vida a Etelvino Lins, (ex-governador de Pernambuco). De passagem pelo Recife, ao me convidar para um almoço, perdi o avião. Troquei de Constellation. O que partiu antes se chocou com um morro em São Paulo, não havendo sobreviventes,” disse à reportagem Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, saudoso empresário, dono dos Diários e Emissoras Associadas, cujo apelido era “Chatô”.

TOM ZÉ – Nosso simpático cantor quase se vai, por causa de um embalo. No Recife, depois de magistral apresentação, no “Abril pro Rock”, foi completar sua alegria na “Casa de Noca”, para relaxar. Disse que sentiu um “treco” e quase se vai. Talvez por se exceder num dos seus conhecidos remelexos sexuais. Jogado numa ambulância, com direito a sirene, chegou ao hospital ainda fazendo graça, depois de fatigantes momentos numa alcova. “Tive tratamento primoroso da gente do Recife.” Muito som, cantigas e rebolado, dá nisso!”.

POEIRA SEM PRESSA – As pombas da paz e da serenidade estão vivendo de mãos dadas em Palácio. O governador Jarbas foi convencido a ouvir novamente alguns próceres. Todavia, está alertado para não se descuidar das pesquisas, porque indicam a posição da do povão,” e assim resolveu adiar a escolha de prefeito para o Recife. Alguém dos bastidores comentou que o governador é sábio e costuma ouvir a voz das ruas, embora preocupado com a máxima de Le Meletier e Blanchu: “Quanto mais demorar maiores serão as pressões para a indicação”. Mas a “poeira” não tem pressa, como disse Agamenon.

AUXÍLIO-MILHO – Polêmica na Câmara sobre as verbas para as Ajudas de Custo que vão favorecer as bases eleitoreiras dos senhores vereadores. João Paulo contemplou os “cumpanheiros” com R$ 2 mil, enquanto os adversários terão apenas R$ 1 mil. Verbinhas destinadas ao chamado Auxílio-Milho. E pode se legitimar tal invencionice?!

VENDO RINS – Em Salvador, um cidadão está circulando pelas ruas ostentando um cartaz: “Vende-se um rim” por “70 mi.” Entrega imediata.” Há 15 anos sem emprego com Carteira Profissional assinada, Carlos Alberto mora numa favela e está na pior. É por isso que no vulgo se diz: “Cada qual vende o que tem!” Ou, “Quem não pode, se sacode!”

PODE CRER!… – Em 30 de abril de 2003 o Diário de Pernambuco anunciou, em cinco colunas de primeira página, a manchete: “Combustível baixa 5% nos postos, a partir de zero hora de amanhã.” Ah se fosse hoje!…Pode acreditar que teríamos mais um carnaval fora de época.

PRIVILÉGIO MASCULINO – O Ministério Público de Pernambuco pede a criação de Delegacia para Idoso. Entre maio de dezembro de 2003 registraram-se 165 denúncias de violência sobre essa turminha, geralmente formada por aposentados, que vive por aí, “pra cima e pra baixo”,passeando de ônibus gratuitamente, quebrando pau com os motoristas, face ao”turismo grátis” nos coletivos. Em sua maioria gente pobre, mas do bem. As idosas pretendem fazer passeata para terem direito ao privilégio masculino.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

JORNALISMO E OPINIONISMO

Os leitores merecem mais respeito por parte de alguns jornalistas! Nos dias atuais, vemos, com tristeza, verdadeiras agressões, no que diz respeito à informação pública, oportunidades em que se distorcem os fatos e predominam os comentários ideológicos.

A notícia se transformou em “opinionismo”. Deixou de ser o registro dos acontecimentos para se transformarem em opiniões sobre alguma coisa que aconteceu.

O jornalismo, ao que nos consta, se tornou um charlatanismo. Todo mundo virou “jornalisteiro.

Quantas saudades tenho do velho “Repórter Esso”, onde fiz estágio para redator, quando aprendemos a botar no ar a notícia correta ocupando breve espaço de tempo.

“Ontem, 25 de julho de 1966, no saguão do Aeroporto dos Guarapes, explodiu uma bomba, matando várias pessoas. Acredita-se em atentado. Logo mais, no “Jornal do Commércio no Ar”, apresentaremos os detalhes da lamentável ocorrência.”

Hoje, os procedimentos estão diferentes. Alguns profissionais e suas empresas – através dos editoriais – têm como meta básica, impregnar a população com suas mensagens, após bem estudadas formas para torcer os fatos, em troca de publicidade ideológica, quase sempre ocultas; ou propinas disfarçadas por “merchants”.

Os que se dizem jornalistas nestes tempos, aparecem como atores. Alguns programas de televisão assemelham-se a um teatro, cujos cenários são formados por telões, poltronas confortáveis e vários “opinadores”, que desenvolvem, entre si, comentários elaborados por um roteiro editorial previamente combinado.

Nem sempre estão habilitados a discutir assuntos mais relevantes. Por trás dos bastidores, acredita-se que estão ligados à política do “quem dá mais”. Tornaram-se marionetes; membros de um teatrinho de bonecos.

Apresentam versões determinadas pelos editores, fugindo da notícia real, muitas vezes requentando-as. E criminosamente torcendo o real pelo “imagional”.

Triste fim da notícia séria, verdadeira!

Alterada em sua essência, disforme do seu princípio básico de seriedade, bem poder-se-ia chamar, não jornalismo, mas, opinionismo!