CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

FATOS DE ONTEM E HOJE

Antigo jornal: predominância de anúncios

Tempo houve em que os velhos jornais, tanto estrangeiros quanto brasileiros, se lidos hoje, poderiam ser considerados cheios de graça.

Das oito colunas, como eram paginados, a maioria, mostrava os pequenos anúncios, ficando apenas duas para a “manchete do dia”. Os brasilianos copiaram o modelo.

Até 1910, nas menores cidades do Brasil, tais periódicos se apresentavam apenas com duas páginas: frente e verso. Sempre eram adquiridos por venda avulsa, nas bancas ou através de pequenos jornaleiros.

Pareciam folhetos. As principais notícias eram ‘Compras e Vendas”. Como não havia ainda, nem ao menos a radiodifusão, as notícias circulavam muito devagar. O jornal era a fonte das informações comerciais e outras ofertas de compra e venda, particulares.

Muitas vezes os jornalistas eram obrigados a redigir editoriais com base em cartas que chegavam do Rio de Janeiro, por via marítima ou telegramas nacionais, que nem sempre cjegavam nos dias desejados.

Como me disse Fernando de Castro Lobo, “Recordar não é querer que o tempo passe; é mais comparar as horas de ontem e achar graça no contraste das comparações”. Por isso, vejamos como eram os pequenos anúncios.

Vestido de noiva, nunca usado. Vende-se barato e urgente. Material de primeira. Negocio fiado. Ver e tratar com a ex-noiva, na casa 25, do Beco do Sirigado, em São José, com sua genitora, D. Sinhá.

O lucraniano Avir Debrands está querendo se desfazer de seis jumentos. Está apertado de dinheiro. Apenas um deles tem a mania de emperrar. Veterano criador de ácinos e maures, garante a qualidade dos animais. Sítio do Pau Duro, Limoeiro.

Avaliando-se ass notícias em jornais de nossa época, observamos que são bem diferentes A exemplo:.

A piedosa “Federal” pegou no Aeroporto dos Guararapes motoboy com cinco quilos de coca, daquela que nem passarinho cheira. Foi enquadrado.

Como ia para Lisboa e com mala cheia, teve que desviar-se do “turismo jumentício”, pois servia como “mula”. Recebeu duas pulseiras metálicas e o levaram para se hospedar no quadrilátero da PF, no Cais do Apolo, Recife.

Astrofísicos acompanham com muita atenção a evolução de uma “bolinha de pedra”, com 2,6 bilhões de toneladas, que poderá visitar a terra em 2014. Já tem gente fazendo contas da idade. Mas felizmente esta notícia escrevi em 2003, acho que o pedregulho perdeu a rota e nós escapamos.

Pesquisa de um laboratório de Viena, Áustria, indica que 50% dos homens que sofrem de insuficiência cardíaca crônica, têm disfunção peniana.

O estudo revela que por medo de ataques cardíacos, tem se verificado desuso do membro viril. E, por falta de uso, brocharam.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

JOGO DE PALAVRAS

Edson Mendes de Araújo Lima

Há pessoas que não perdem a oportunidade de “tirar ondas” com as outras. Meu amigo Edson Mendes, poeta, trocadilhista e intelectual da melhor cepa, é um deles. Gosta de se exercitar no jogo de palavras. Sempre que vê oportunidade de falha linguística, para empulhar o próximo.

Nesta crônica presto minhas homenagens ao ilustre manipulador das letras e insigne artífice das artes lítero-educativas.

Há dias fui o “sacrificado da vez” e aqui estimulo boas risadas.

Estávamos participando de uma reunião acadêmica e chegada a hora do cofibreique, pairou no ar um cheiro incômodo.

Ao cumprimentá-lo, me referi a uma velha carta que escrevi para Geraldo Mendes, com um “escorrego gramatical” “daqueles”, cujo tema focalizava a “peidaria” de um Juiz de Direito aposentado, em plena audiência criminal.

– Carlinhos, quais são as novidades?

– Só discretas “flau-tulências”, amigo! Porém, insuportáveis. Tem gente peidando aí na sala. Graças a Deus chegou a hora do cafezinho!

Por meu erro, discretamente e ao pé do ouvido, Edson apressou o reparo em minha “ratada”.

– Pensei que fosse só fla-tulências! Mas, observo que sua expressão “flau-tulências”, deve ser “algo mais” Que Deus nos acuda!

Acho que pretendo rever meus conhecimentos gramaticais, pois, ao que entendo e como bem diz o dicionário, pois o nome correto é flatulência, palavra conhecida como gases intestinais ou puns.

O médico Garibaldi me adiantou que são “ares expelidos por tripas revoltadas”, mau-cheiros expulsos pelo “cano de escape”; processo natural do corpo; mas pode ser desconfortável para o “peidante” e causar constrangimentos aos próximos infelizes.

Lembrei-me de uma das tiradas mais notáveis de Edson. Estava ele retornando ao Brasil, e ao se despedir dos colegas estudantes da Georgiatech Universit, em Atlanta – USA – ouviu, do balcão do aeroporto, em coro, a saudação da companheirada de brasileiros que lá ainda permaneceriam:

– Deus te leve insigne viandante!

Mas, logo em seguida, Edson disparou:

– E que permaneçam com Deus “insignes-ficantes”!

Esses “empulhamentos” e trocadilhismos, exigem muito em termos de inteligência e oportunismo. Edson é mestre na arte de Emílio de Miranda, um dos maiores trocadilhistas brasileiros.

Papai gostava de se referir a Emílio: “Ah, as palavras! Há dias em que apenas uma sílaba nos derrota!”

Por isso costumo afirmar que não é fácil a aplicação do jogo de palavras!

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO ORAL

Em fins de novembro de 1989, a convite do Prof. Washington França, meu colega de jornalismo, homem de Rádio e Televisão, participei de aulas relativas às disciplinas de Redação e Expressão Oral.

Da iniciativa resultaram trabalhos em grupo, totalizando 21 textos sobre as entrevistas que realizamos com os alunos da Escola Superior de Relações Públicas de Pernambuco, no Recife. Foram momentos de grande significação para mim.

Das aulas preparei uma plaquete onde estão contidas notas, que certamente irão ajudar pesquisadores e estudantes de jornalismo, na atualidade. Do programa destacamos partes, onde os alunos me ensinaram coisas interessantes.

Primeiramente me disseram que era inusitado o fato de um jornalista-professor ser entrevistado por seus alunos. Fiquei surpreso pelo entusiasmo, em função da novidade. Não sendo professor oficial, busquei diferentes formas de ensinar alguma coisa, visto que meu meu tempo se referia apenas às férias do titular.

Na primeira aula apresentei meu projeto e logo no segundo encontro, surgiram gravadores, câmeras fotográficas e até um cinegrafista.

Depois de tantos anos entrevistando pessoas, senti-me personagem importante. Constatei como é difícil responder perguntas de gente ávida por respostas capazes de dar manchetes, não apenas legendas de fotografias.

Copiei todos os trabalhos com as entrevistas que os grupos de alunos me fizeram e hoje volto à leitura de tão interessante experiência.

Mas, diante de platéia que desejava aprender – e não alardear assuntos incômodos – não “sofri entrevistas”. Senti o anseio do Saber e compartilhei algumas experiências com eles . As indagações foram técnicas; tudo sobre o tema jornalístico, principalmente como iniciar a abordagem ao entrevistado.

O ponto mais importante que lhes foi transmitido se concentrou numa única frase: “O ideal da entrevista é conhecer bem o tema e o entrevistado, O resto é canja!

Aproveitando, fiz referências detalhadas sobre uma entrevista que esteve na minha pauta e me preparei para produzir. O personagem era o Ministro da Agricultura do Governo Jânio Quadros, engenheiro Romero Cabral da Costa, titular da Usina Pumaty S.A.

Sabendo que ele tinha elaborado o “Projeto da Algaroba”, me preparei, fazendo pesquisa em livros, para as perguntas sobre esta árvore, que é de fácil adaptação ao clima semiárido do Sertão nordestino, sobretudo por saber que o Ministro estava entusiasmado em executá-lo.

Poderia ter ele entendido que a pauta elaborada pelo jornal já antecipara as perguntas. De fato, fui orientado como proceder. Mas, me abstive de ler anotações quando conversamos e fazer indagações desnecessárias.

A entrevista foi mais uma prosa entre amigos do que a formalidade que o momento exigia. Ao final recebi um elogio:

– Estou entusiasmado sobre seu conhecimento a respeito de algaroba!

Na aula final, deixei claro aos futuros jornalistas que é preciso se preparar bem sobre o tema e o personagem, sem o que não poderia haver êxito em missões difíceis, sobretudo quanto à Comunicação e Expressão Oral.

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OS FATOS FALAM

Um velho jornal impresso

Desde que publiquei minhas primeiras notas no jornal do Dr. Agamenon Magalhães, a “Folha da Manhã”, em 1952, (que não é este aí de cima!) e outras reportagens, em diversos jornais, (cujos exemplares guardo quase todos), previram meus professores Nilo Pereira e Aníbal Fernandes, que “Os fatos falam para a História”.

Tanto falam, que me sirvo deles quando preciso estabelecer parâmetros entre os dias de ontem e os de hoje. Outra, já se disse que jornalistas escrevem os rascunhos para a História. E isto temos comprovado.

De certo modo, há importância sobre as comparações das épocas, pelo que achamos graça nas diferenças sobre os nossos viveres atuais.

Como ouvi de Fernando Lobo, “Recordar não é querer que o tempo volte, mas achar graça no contraste das comparações”, passemos a algumas notícias que escrevi em 2003.

Notas guardadas desde aqueles tempos, aqui comentarei sem identificar alguns personagens, para não “dar trabalho” aos meus advogados. São fatos recentes, pode-se dizer, porque passadas são apenas pouco mais de duas décadas.

Pernambuco tem 17 presídios, 101 cadeias e abriga 12.014 presos. Apenas 10% têm função remunerada com benefícios de redução de pena pelo trabalho. O Governo diz que pretende aumentar essas vagas. E hoje, como estamos?

Ministro “J”, conhecido por suas artimanhas e incomodado com críticas ferrenhas da Imprensa, afirmou, reagindo à “fritura” palaciana, que não nasceu Ministro. Será que as maternidades já estão fazendo nascer esse tipo de espécie ou ele entrou mesmo nos jabaculês políticos, onde se entende que: “É dando que se recebe”?

Rolando em Brasília uma piada. O Presidente diz que estamos em tempo de economia sendo necessário a ação de todos. “É preciso cortar até a própria carne”. Já se imagina em churrasco de domingo na Granja do Torto, com comilanças de picanha argentina à torto e à direito.

Dudu, Deputado Federal do Rio de Janeiro, anunciou projeto para estabelecer que todos os feriados religiosos do País sejam comemorados aos sábados. E aponta os prejuízos de arrecadação de impostos para os governos. Só sendo carioca para se entender que por trás da iniciativa está o desejo de se constituir, em definitivo, os “feriadões”. Tem lógica!

As inscrições estão abertas para o “I Festival de Rua do Recife”. A notícia define que o tema vem respaldar a ação do “Movimento de Teatro de Rua de Pernambuco”, modelo prático e econômico para instituir nova fórmula de mostrar a arte de Molière. Mas, se o tema for tragédia, é só passar pelas calçadas do Centro do Recife, onde os mendigos instalaram o cenário pronto para a exibição.

A fabricante HP apresentou em São Paulo 28 produtos que estarão disponíveis no Brasil, em dois meses: impressoras, câmeras digitais multifuncionais (impressora, copiadora e fax em um só equipamento), scanners e os iPaqs. Nesse tempo nem se podia prever o futuro.

A novidade em nosso país já são as transações bancárias feitas pelo celular. A parceria do Banco do Brasil com a empresa “Oi” é inédita. O primeiro Banco móvel do País será inaugurado hoje, (03.09.2003).no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro,

A propósito, na Finlândia, sede da Nokia, já se pode fazer compras com a utilização de celulares. É o sistema “m-commerce”. Imagine-se se algum oráculo pudesse ver hoje o desenvolvimento do comércio entre as nações, tudo pelo smarthphone, inclusive a atividade dos golpistas!

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“HEROLAND CAFÉ”

Heroland Café, capa do livro

Com certa dificuldade consigo diminuir a fila de livros que estão aguardando leitura e comentários.

Desta vez dediquei vários horários disponíveis para ler Heroland Café, de autoria de Philippe Maia, carioca, neto de um dos meus amigos, Renato Machado Maia, desde quando trabalhamos juntos, na década de 1950, no Recife.

Ator, diretor de dublagem e dublador, Philippe incursiona pelas sombras do romance de mistério e se inspira em familiares, dentre eles, na figura do seu avô materno, para montar sua trama, narrativa que poderá concorrer com os melhores ficcionistas brasileiros.

Mergulha no imaginário com segurança, sendo capaz de tornar seu livro, mais adiante, talvez, em filme, já que sua profissão está bastante ligada à arte cinematográfica.

Philippe Maia, diretor de dublagem e escritor

Uma abordagem importante é que ele soube ilustrar seu trabalho com notas históricas sobre a cidade do Rio de Janeiro, dando oportunidade aos leitores de conhecer, também, outros fatos internacionais de importância, tais como a Feira Mundial de 1904, realizada em Saint Louis, na América do Norte.

Outra importante referência, o autor faz ao projeto do Fairey Rotodyne, transporte híbrido de avião e helicóptero que funcionou durante vários anos, mas devido ao ensurdecedor ruído, o projeto foi arquivado.

O enfoque do livro é bem interessante porque trata de estranhos fenômenos que acontecem na antiga capital do Brasil, quando ocorre uma espécie de epidemia contra a saúde de bebês. Aí se concentra a trama.

Todavia as páginas trazem informações fotográficas preciosas, tais como a imagem do antigo Palácio Monroe, situado na região central do Rio, que abrigava o Poder Legislativo Federal, construção infelizmente demolida em 1976, vários anos depois que a Capital Federal se mudou para Brasília.

Ao derivar sua narrativa para a linha histórica das realidades brasileiras, algumas ocorridas em eras quase esquecidas, oferece ao leitor a oportunidade de conhecer fatos que já foram praticamente arquivados, em definitivo, por nossos arquivos.

Entretanto, seu mérito maior está em conseguir imaginar uma obra literária complexa, sem se afastar de sua difícil profissão de dublador, a qual, sabemos, exige trabalho exaustivo, sobretudo de voz, para interpretar personagens os mais diversos.

Merece nossos melhores aplausos. Bom divertimento para os que apreciam mistérios de boa narrativa e descrição de fatos outros desconhecidos.

Quanto ao título da obra, é comum nos Estados Unidos e em outras partes do mundo, denominar como “cafés”, locais destinados à promoção ou homenagem de gêneros musicais, tais como o Hard Rock Café, modalidades esportivas e heróis. Sejam eles reais ou imaginários.

Heroland Café enaltece o heroísmo, os valores éticos e morais, as boas causas e os alicerces fundamentais da nossa civilização.

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ENCONTRO DE GERAÇÕES

A bisneta americana Allie e o bisavô, este colunista

De repente – a gente nem sente – mas a “bisnetada” vem chegando com força para fazer História por aqui. Notadamente aqueles que residem muito longe do Brasil.

Nós nem notamos que envelhecemos, mas os 11 bisnetos o denunciam.

Recebemos esta semana a bisnetinha Allie, nascida e vivida lá pra banda dos States, que aqui veio passar as férias colegiais, de dois meses.

Sua opção teve como finalidade conhecer melhor a terra dos seus antecedentes colaterais por parte da mãe, Maia Eduarda, e um pouco do idioma, modos e lugares de onde ela descende.

Não poderia eu pensar que aquela pequenina criança que vi há alguns anos, agora chegou com ares de moça feita, jovem comedida, estudante, educada e encantadora.

Para nossos diálogos, algumas dificuldades foram contornadas pela neta Carolina, porém, na ânsia de promover nossa cultura, os provérbios, hábitos e lugares foram conversados com certa dificuldade.

Mas, em suma, tudo resolvido com frases mais detalhadas e boas risadas.

Afinal, ouvir falar, comentar e conhecer as pessoas, é comparar e avaliar semelhanças e diferenças entre os modos de viver dos povos das duas nações americanas. Só que estamos na América do Sul e ela representa a América do Norte.

Mas, no todo, valeu viver um encontro de gerações!

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

PANTEÃO DAS HEROÍNAS

Dona Anita Morais

SEGURANÇA LITERÁRIA – Para escrever sobre a História dos dias de ontem, sempre busquei nos livros, a bibliografia. Nos dias de hoje, algumas vezes, mesmo inseguro, busco no Google algumas informações, mesmo assim sem muita segurança, porque raramente disponho dos títulos corretos, origens e autorias.

NOTAS JORNALÍSTICAS – Tive o cuidado de guardar todas as notas que escrevi para o site da Cia. Editora de Pernambuco, quando por lá estive entre 2003 e 2005 e só assim poderei comentar sobre o que vi, li e ouvi, naquela época, notas que hoje comento, Têm como base no que redigi no período. E complementar com algumas comparações e pitadas pitorescas de hoje.

ANITA MORAIS – Dona Anita Morais, uma das mais importantes figuras femininas da política pernambucana, está em livro, lançado pela Assembléia Legislativa. Preço? R$ 10,00. Bagatela para tão importante obra, escrita por Roberto Andrade e Natália Tavares. (02.01.2003).

PRIMEIRÍSSIMA PREFEITA – A dama é a primeira mulher prefeita a entrar no livro do Panteão dos Heróis e Heroínas de Pernambuco. D. Ana de Morais Andrade, até 1953 foi prefeita de Macaparana. Bem mereceu.

CANA BRABA – Professora de 50 anos, bem de vida, dona de um “Civic”, encheu a cara de hidromel, das 14 às 23h. e resolveu enfiar o possante num restaurante, atropelando oito pessoas e ainda riscando a pintura de três inocentes veículos que transitavam em baixa velocidade. Nesse tempo ainda não havia blitz para quem ingerisse a “preciosa carraspana”.

ENFIANDO DEDO – Publica-se que neste ano (2003) a quantidade de telefones celulares já duplica o número de aparelhos fixos. Mas, meu compadre Jair continua utilizando o “fixo” – mesmo adotando a nova coqueluche, – porque sempre gostou de enfiar o dedo e rodar, como fazemos com os antigos escurinhos.

MINISTÉRIOS ENXUTOS – Dizem, à boca pequena, que o Presidente desta velha República deseja enxugar os Ministérios. Pretende diminuí-los parceladamente, fundindo pastas e mandando pro brejo seus cadeirantes. Tem neginho por aí que já está com barbas de molho. Mas, apreciando os tempos de 2003 e os de hoje, vê-se que o Todo Poderoso, sendo o mesmo, sempre está aumentando essa quantidade. E criando mais. E que ministros!…

NOME ELETRIZANTE – Não haverá o menor risco de apagão na Indonésia. Lá o Presidente tem o significativo nome de Megawatti. Ah se pudéssemos adotar um Presidente que fosse registrado como “Nuncarrouba”!…

PREÇO INCENDIÁRIO – O Governo de Pernambuco publica edital de concurso para Policial Militar e Bombeiro. Oferece 2.200 vagas e os salários são de R$ 802,00. Até apetitivo, mas o preço da inscrição é incendiário: R$ R$ 45,00.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

A CHEGADA DA PVC

Uma agência de Banco, que opera com PVC

Quase “noventeando”, achei melhor declarar logo o óbvio:

Chegarei no próximo mês à estrada dos 90 anos de idade – pela contagem do iluminado e saudoso, Dr. Reinaldo de Oliveira. Não é mole!

Sinto-me obrigado a ir mudando minhas rotinas. Mas, que é difícil, não posso negar. É muita pressão familiar!…

Se boto uma coisa qualquer num lugar da mesa de trabalho e alguém coloca do outro lado, já me perco. Se estou contando uma “historinha” e alguém faz uma pergunta, danou-se: precisarei de instantes para voltar ao que estava falando.

Fazer novas palestras, só com script.

Mas, a devoção de contribuir com a gastança moderada de minha vítima (a esposa há mais de 35 anos) é irrecusável.

E só de aposentadoria não se vive!

Além disso, como é natural, tenho que me manter, comendo, pelo menos, o pão, pela manhã e à noite, aquele que Deus amassou. Por isso peço licença aos leitores, a fim de explicar plausíveis razões de melhor tema nesta crônica.

A profissão de editor profissional de livros, me insufla a manter o mesmo pique dos 25 anos. Mas, observo que o gás está na reserva do bujão, a “lataria” e os “amortecedores” do fêmur, não são mais os mesmos.

Ainda assim, estou trabalhando num “livrão”, que soma 325 páginas com ilustrações.

Mas terei que resistir até que o enfarte me convide a ir com a “Velha da Foice” para a Eternidade.

É fácil entender que a porcaria da velhice está chegando e não é nada parecido com as PVCs com as quais eu trabalhava nos primeiros dias como bancário: as “Promessas de Venda de Câmbio”.

Antes fosse!

Não há dúvidas: a PVC – Porcaria da Velhice Chegou e veio para ficar.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

“TRADIÇÃO QUE SE MODERNIZA”

Edfício Capiba, a maior agência do Banco do Brasil em Pernambuco

Há pouco mais de 10 anos publiquei um livro sobre o Banco do Brasil em Pernambuco, quando comentei sobre sua grandiosidade e a influência do trabalho dos seus funcionários para a formação daquele patrimônio.

Agora que vejo nossas principais instituições públicas e particulares sofrendo ataques continuados dos “bandidos de gravata” e várias outras secretíssimas pilantragens, fico imaginando a diferença entre o Ontem e o Hoje.

Uma instituição financeira como o Banco do Brasil não se fez apenas por planejamentos do Governo Imperial, seu maior acionista no período de instalação.

Nem tampouco se mantém com recursos de seus milhares de acionistas, nacionais e internacionais. Mas com a colaboração de funcionários dedicados, pessoas que por lá desenvolveram a atividade bancária, geralmente, por 30 anos.

Durante o Centenário de atividades em Pernambuco, recentemente comemorado, demonstrei que sua atividade em nosso estado se concentrou em favor do desenvolvimento da indústria agro açucareira e dos programas de empréstimos relativos ao Comércio, à Indústria e às Pessoas Físicas.

Portanto, agora não se pode ocultar o valor de Pernambuco no desenvolvimento do que se tem chamado de: AGRO.

Pernambuco, com sua vocação para o primado, foi o pioneiro na escalada do desenvolvimento da agroindústria em geral, em todos os quadrantes do Brasil, desde os tempos de Maurício de Nassau, época dos Engenhos Banguê.

No âmbito nacional, essa atividade lhe deu a fama de ser o maior Banco agrícola do mundo, posto ser a CREAI sua carteira de maior atuação.

Àqueles funcionários que em épocas pretéritas mourejaram de sol a sol, foram os responsáveis pela execução de inúmeros procedimentos, colocando-se acima das razões que os estatutos internos do funcionalismo exigiram.

A competência e o empenho da atividade bancária, vieram formar uma Grande Família, o que transformou, uma empresa paraestatal, um Banco que funciona ainda com 51% de capital do Governo Federal, uma instituição de grande porte entre as muitas que conquistaram respeito internacional.

Cabe aos historiadores não deixar que tais personagens, cuja participação profissional foi tão significativa, fiquem no esquecimento: nós, os aposentados, que formamos seus quadros.

Agora que muitos desses colegas estão aposentados, vemos com tristeza e revolta, que bandidos – sob o manto, do próprio acionista maior, o Governo Federal – “passaram a mão” em nossos legítimos recursos de aposentados, trabalho de tantos anos; força que veio a construir o slogan: “Tradição que se moderniza”.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

VIVA “APIBA”!

ARQUIVO MARCELO BONAVIDES - Estrelas que nunca se Apagam - : RELEMBRANDO CAPIBA

Lourenço da Fonseca Barbosa, Capiba

Vivi perto dele muitos anos, a partir de 1954, quando o conheci. Perdurou nossa amizade até seus últimos dias de sua vivência terrena.

Era um cidadão sacudido, alegre, apressado e de falar engraçado. Estacionava um carro novíssimo, de nome esquisito: Studebaker, modelo 1948, de cor vermelha.

Nesse tempo circulavam por aqui apenas os Ford, os Chevrolet e os Jeep, aqueles carrinhos engraçados, que sobraram da II Guerra Mundial.

Talvez, por aqueles anos já se imaginasse que a cor do novo carro seria uma forma de despertar atenções; e os populares poderiam dizer:

“Que carro lindo aquele do compositor Capiba!”.

Compositores, como os cantores, poetas, escritores e jornalistas, naquela época, precisavam ter seus modos de viver sempre em evidência. Ainda não havia as imagens por aqui. A Televisão estava muito longe de vir às nossas residências. Para Capiba, o carrão e o modo engraçado de falar lhe dariam propaganda gratuita e permanente.

Lourenço foi um moço a quem a Divina Providência premiara com corpo atlético, permitindo-lhe chutar muitas bolas no futebol amador e dedos fortes para teclar pianos nos cinemas, nas residências e nas grandes festas de formatura.

Sadio de corpo e espírito, era o suficiente para suportar uma jornada longa, de 92 anos de vida. Capaz de resistir à introdução de duas pontes-de-safena que ajudariam seu coração a bater mais perfeitamente, compondo músicas românticas e frevos efervescentes.

Tornar-se-ia famoso, mesmo com um pequeno “defeito de fábrica”, ao falar, pois engolia as consoantes; notadamente aquelas em que o “K” era seu inimigo maior, pois nascera tato e meio gago; ou seja, tinha distúrbio de fala.

Assim, me chamava “Arlos” ao invés do normal na fala de todos os demais viventes: Carlos.

Não era apenas um bancário-compositor, mas um intelectual. Sabia aglutinar as pessoas cultas em torno dele, quando aproveitava para contar “causos” que a todos alegrava.

E como gostava de apelidar todos que conhecia, acabou se tornando “Apiba”. De forma natural, qualquer pessoa responderia, numa apresentação: “Sou Lourenço da Fonseca Barbosa, mas no meio artístico, sou conhecido como Capiba”.

Porém, como costumava engolir a consoante “K”, pronunciava: “Apiba”.

Só muito depois daquele longínquo 1954 é que ficamos próximos, porque fui trabalhar perto dele e quase todos os dias nos encontrávamos em respeitosos cumprimentos:

“Bom dia, Doutor Lourenço!”

Tempo depois “fuzilou” minha minha forma de cumprimentá-lo e disse que lhe chamasse, simplesmente: Capiba. Nossa camaradagem respeitosa foi se tornando amizade. Em 1984 publiquei sua primeira biografia. Quem diria!…

Decorrido um estirão de tempo, fui me enfronhando em seus grupos de intelectuais e acabei convivendo com inesquecíveis nomes que já eram ou se tornariam famosos:

Gastão de Holanda, Osman Lins, Hermógenes Viana, José de Morais Pinho, Carnera, Nelson Ferreira, Mílton Persivo, João de Belli, Asdrúbal de Assis, Aldemar Paiva, Mário Sette, Ariano Suassuna, Fernando Lobo, Claudionor Germano, Gilberto Freyre, Dias da Silva, Esmaragdo Marroquim, Mário Souto Maior, Luis Marinho, Mauro Mota, Mário Melo e Valdemar de Oliveira. Alguns, face ao convívio jornalístico na Redação do velho Diário de Pernambuco.

Por ora, nesse incessante recordar, basta dizer que estou paginando um livro, que venho escrevendo há muitos anos, para dar um grito de vitória: “Viva Apiba!”