CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Heroland Café, capa do livro

Com certa dificuldade consigo diminuir a fila de livros que estão aguardando leitura e comentários.

Desta vez dediquei vários horários disponíveis para ler Heroland Café, de autoria de Philippe Maia, carioca, neto de um dos meus amigos, Renato Machado Maia, desde quando trabalhamos juntos, na década de 1950, no Recife.

Ator, diretor de dublagem e dublador, Philippe incursiona pelas sombras do romance de mistério e se inspira em familiares, dentre eles, na figura do seu avô materno, para montar sua trama, narrativa que poderá concorrer com os melhores ficcionistas brasileiros.

Mergulha no imaginário com segurança, sendo capaz de tornar seu livro, mais adiante, talvez, em filme, já que sua profissão está bastante ligada à arte cinematográfica.

Philippe Maia, diretor de dublagem e escritor

Uma abordagem importante é que ele soube ilustrar seu trabalho com notas históricas sobre a cidade do Rio de Janeiro, dando oportunidade aos leitores de conhecer, também, outros fatos internacionais de importância, tais como a Feira Mundial de 1904, realizada em Saint Louis, na América do Norte.

Outra importante referência, o autor faz ao projeto do Fairey Rotodyne, transporte híbrido de avião e helicóptero que funcionou durante vários anos, mas devido ao ensurdecedor ruído, o projeto foi arquivado.

O enfoque do livro é bem interessante porque trata de estranhos fenômenos que acontecem na antiga capital do Brasil, quando ocorre uma espécie de epidemia contra a saúde de bebês. Aí se concentra a trama.

Todavia as páginas trazem informações fotográficas preciosas, tais como a imagem do antigo Palácio Monroe, situado na região central do Rio, que abrigava o Poder Legislativo Federal, construção infelizmente demolida em 1976, vários anos depois que a Capital Federal se mudou para Brasília.

Ao derivar sua narrativa para a linha histórica das realidades brasileiras, algumas ocorridas em eras quase esquecidas, oferece ao leitor a oportunidade de conhecer fatos que já foram praticamente arquivados, em definitivo, por nossos arquivos.

Entretanto, seu mérito maior está em conseguir imaginar uma obra literária complexa, sem se afastar de sua difícil profissão de dublador, a qual, sabemos, exige trabalho exaustivo, sobretudo de voz, para interpretar personagens os mais diversos.

Merece nossos melhores aplausos. Bom divertimento para os que apreciam mistérios de boa narrativa e descrição de fatos outros desconhecidos.

Quanto ao título da obra, é comum nos Estados Unidos e em outras partes do mundo, denominar como “cafés”, locais destinados à promoção ou homenagem de gêneros musicais, tais como o Hard Rock Café, modalidades esportivas e heróis. Sejam eles reais ou imaginários.

Heroland Café enaltece o heroísmo, os valores éticos e morais, as boas causas e os alicerces fundamentais da nossa civilização.

2 pensou em ““HEROLAND CAFÉ”

  1. Muito obrigado, mais uma vez, pelas homenagens aos meus queridíssimos filho e sogro, respectivamente, Carlos Eduardo!

    Sua avaliação e crítica da, por enquanto, única obra literária do meu filho Philippe, as torna ainda mais valiosas, por virem de um escritor, cronista, biógrafo, historiador e literata do seu quilate, com décadas acumuladas de experiência, desde os jornais, onde brilhantemente atuou, até a intensa e profícua vida social, que lhe proporcionou um nível de conhecimento, influência e contatos, que poucas pessoas nesse Brasil conseguem igualar!

    O fato de ter sido colega e amigo do meu inesquecível sogro Renato, além do meu compadre Solyr Miranda Pontes, ambos seus companheiros no Banco do Brasil, aproxima-nos ainda mais e faz com que a leitura atenta do livro escrito pelo meu filho, se revista ainda mais de uma aura mágica que, para nós, já eternizou este momento!

    As homenagens a ídolos da infância e adolescência do Philippe, presentes em toda a obra Heroland Café, refletem valores absorvidos pelos exemplos presenciados por ele, ao longo da sua vida! A começar pela personagem Renato Singer, herói americano que estampa no nome e no biotipo descrito, o seu avô materno Renato, a começar pelo próprio nome, pelo porte atlético e elegante e pelos olhos claros e bondosos!

    E assim, por todo o livro, inúmeras referências a ícones da cultura pop dos anos 70/80, heróis da TV e do cinema, onde atua, foram captados e trazidos para a trama, sempre com o intuito de exaltar os valores da nossa cultura judaico-cristã, onde o bem sempre vence o mal, por pior que ele seja!

    Philippe, além disso, criou uma “playlist”, com canções da mesma época, todas vinculadas a fatos e passagens na trama e as inseriu como elemento de reforço por toda a narrativa, propositalmente construída como se fora o roteiro de um filme que, talvez, um dia, se cristalize.

    Para concluir, outra homenagem relevante é a que fez à família da sua mãe, a minha adorada esposa Regina, ao nominar o mágico como “O Grande Romanelli”!

    Portanto, Carlos, eis-me aqui novamente devedor, de mais uma de suas enormes gentilezas para comigo, essa revestida de inestimável valor!

    Que Deus o continue a proteger e iluminar os seus caminhos!

  2. Caro Gusmão.

    Foram generosas suas palavras, afinal, fui aplaudido como se fosse louvado um santo.

    Sensibilizado, receba meu abraço extensivo ao novo colega “Mainha”.

    Carlos Eduardo.

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