Em fins de novembro de 1989, a convite do Prof. Washington França, meu colega de jornalismo, homem de Rádio e Televisão, participei de aulas relativas às disciplinas de Redação e Expressão Oral.
Da iniciativa resultaram trabalhos em grupo, totalizando 21 textos sobre as entrevistas que realizamos com os alunos da Escola Superior de Relações Públicas de Pernambuco, no Recife. Foram momentos de grande significação para mim.
Das aulas preparei uma plaquete onde estão contidas notas, que certamente irão ajudar pesquisadores e estudantes de jornalismo, na atualidade. Do programa destacamos partes, onde os alunos me ensinaram coisas interessantes.
Primeiramente me disseram que era inusitado o fato de um jornalista-professor ser entrevistado por seus alunos. Fiquei surpreso pelo entusiasmo, em função da novidade. Não sendo professor oficial, busquei diferentes formas de ensinar alguma coisa, visto que meu meu tempo se referia apenas às férias do titular.
Na primeira aula apresentei meu projeto e logo no segundo encontro, surgiram gravadores, câmeras fotográficas e até um cinegrafista.
Depois de tantos anos entrevistando pessoas, senti-me personagem importante. Constatei como é difícil responder perguntas de gente ávida por respostas capazes de dar manchetes, não apenas legendas de fotografias.
Copiei todos os trabalhos com as entrevistas que os grupos de alunos me fizeram e hoje volto à leitura de tão interessante experiência.
Mas, diante de platéia que desejava aprender – e não alardear assuntos incômodos – não “sofri entrevistas”. Senti o anseio do Saber e compartilhei algumas experiências com eles . As indagações foram técnicas; tudo sobre o tema jornalístico, principalmente como iniciar a abordagem ao entrevistado.
O ponto mais importante que lhes foi transmitido se concentrou numa única frase: “O ideal da entrevista é conhecer bem o tema e o entrevistado, O resto é canja!
Aproveitando, fiz referências detalhadas sobre uma entrevista que esteve na minha pauta e me preparei para produzir. O personagem era o Ministro da Agricultura do Governo Jânio Quadros, engenheiro Romero Cabral da Costa, titular da Usina Pumaty S.A.
Sabendo que ele tinha elaborado o “Projeto da Algaroba”, me preparei, fazendo pesquisa em livros, para as perguntas sobre esta árvore, que é de fácil adaptação ao clima semiárido do Sertão nordestino, sobretudo por saber que o Ministro estava entusiasmado em executá-lo.
Poderia ter ele entendido que a pauta elaborada pelo jornal já antecipara as perguntas. De fato, fui orientado como proceder. Mas, me abstive de ler anotações quando conversamos e fazer indagações desnecessárias.
A entrevista foi mais uma prosa entre amigos do que a formalidade que o momento exigia. Ao final recebi um elogio:
– Estou entusiasmado sobre seu conhecimento a respeito de algaroba!
Na aula final, deixei claro aos futuros jornalistas que é preciso se preparar bem sobre o tema e o personagem, sem o que não poderia haver êxito em missões difíceis, sobretudo quanto à Comunicação e Expressão Oral.