O etnógrafo Mário Souto Maior, ao ouvir comentários sobre a naturalidade com que os palavrões estavam proliferando soltos, até na alta sociedade, complementou sob a ótica científica:
Quando bem dito, desejando expressar algo quase nobre, é de certo modo, aceitável, tanto que já está nos verbetes dos dicionários da Língua Portuguesa do Brasil.
Sendo homem de ciência, Mário pesquisou e catalogou o assunto, trazendo aos leitores do seu Dicionário de Palavrões e termos afins, informações ligadas a essas palavras e também a certos gestos obscenos que se tornaram comuns em várias partes do mundo.
Sabe-se que interjeições são palavras invariáveis ou sintagmas que formam ou abreviam frases capazes de exprimir emoções fortes.
Diz-se também que se trata de uma sensação, ou um meio, a fim de se forçar um interlocutor a ser mais rapidamente ouvido. Em suma para representar veemência.
Em meus tempos de Assessor do Presidente, Dr. José Paes de Andrade, no Clube Internacional do Recife, presenciei pequeno incidente em que um garçom descuidado derramou whisky no vestido de uma senhora, ilustre dama, esposa de um usineiro e dela ouvi, com espanto:
– Puta que pariu!… Oh, meu caro!… O senhor acaba de me dar um banho da bebida preferida do Churchill! Ainda bem que foi whisky.
Nesse caso Mário tinha razão. Havia de ser aplicada uma interjeição forte, a fim de exprimir a indignação da magnânima senhora, coitada, que havia deixado em casa, toda a sua classe de tempos coloniais dos engenhos banguês.
O tema veio à tona porque está em moda, nova maneira de se transmitir palavras e imagens, a fim de estruturar o sistema linguístico de natureza visual e motora, beneficiando as comunidades de pessoas surdas.
Professora de Libras salientando a ação de dois dedos
O idioma Libras caracteriza a beleza de uma nova linguagem. E não, a maneira de um certo alguém, supostamente cultor do Direito, mandar todas as pessoas que superlotavam um estádio de futebol em São Paulo, para o “Fodam-se!”
Bem mais inteligente teria sido agradecer à vaia, soltando baixinho um “Puta que partiu, não agradei!” Porém, erguer seu dedão para os alegres espectadores, foi divulgar para o mundo seu comportamento anti social, acionando seu “Dedo do Cão”.
Jô: 25 anos idealizando programas de Tv. Foto de Nicoli Mazzarolo
Otávio Moraes, Sociólogo e Mestre em Administração, comentando matéria contida no livro Mude o conceito, disse que Jô Mazzarolo foi muito feliz ao orientar as pessoas quando e como se deve arregaçar as mangas e agir, diante uma situação que pode ser melhorada e até um pedaço do mundo possa vir a ser mudada.
Ela foi uma visionária. Transformou a Globo Nordeste, ampliou a audiência, o valor dos patrocínios, integrou estados, elevando o jornalismo profissional a um novo patamar.
Criou notáveis programas, valorizou situações e provou que a responsabilidade social não é um custo, mas um investimento em consciência, marcas e resultados.
Jô é uma mulher que acredita no poder da ação. Seu livro é um manual prático de liderança!
O livro de Jô Mazzarolo
O colunista conheceu Jô durante um cerimonioso aperto de mão no jardim da Academia Pernambucana de Letras, quando celebravamos a posse de mais um membro da “Casa de Carneiro Vilela”.
Pouco conversamos. Notei que era viva, prática, audaz, contava os minutos de cada ação. Passei-lhe meu cartão-de-visitas e meses depois, de surpresa, recebi sua comunicação. Estava na hora de finalmente publicar seu livro e desejava me contratar para projetá-lo.
Em breve prosa na cafeteria da Livraria Jaqueira, logo observei que mergulharia em sua grande história, desde a vinda do Rio Grande, até se tornar uma de nós, do círculo das notícias e das iniciativas culturais nordestinas.
Chegou carregando os dois bruguelos nos braços, enquanto os outros ficaram com o maridão, até ele obtivesse transferência para a UFPE
A ladeira do Morro do Peludo era o único caminho para chegar aos estúdios da Globo e cumprir o incômodo cotidiano inicial. Sendo mulher, teria que chefiar uma equipe já competente e desconhecida, instalada em local de difícil acesso.
Certo dia, ela até se deparou com uma jiboia tranquilona, que se esparramava na ladeira em que ela vinha subindo, mais parecendo um bicho preguiça. Esperou que o animal se deslocasse vagarosamente, para depois seguir. E contando o fato alguns ficaram surpresos.
Durante vários momentos de trabalho, nos debruçamos no alinhamento do livro. Selecionamos centenas de fotografias, preparamos títulos, capítulos e legendas. Ouvi atento algumas de suas histórias, sempre travando batalhas para realizar inovações, brandindo sua espada para obter a mudança de conceitos.
Seria “Cidadã do Recife” e de muitas outras cidades do Nordeste. Receberia medalhas, diplomas e certificados de várias instituições, que no livro, assinalamos para que seus méritos não fiquem esquecidos.
Jô imaginou, realizou e deixou com seus colegas, após sofrida despedida, uma herança afortunada em termos de ideias sobre como facilitar a mudança da emissora para a Rua da Aurora, cujo projeto de arquitetura lembra um televisor. Quebrou assim, paradigmas alterando até minúsculas estruturas de pensamento para dar reviravoltas em determinadas situações.
Sede da Rede Globo Pernambuco, na Rua da Aurora, 1027
Jô Mazzarolo mudou conceitos através das grandezas do seu espírito, despertando valores desconhecidos, em cidades pouco lembradas, com o fim de despertar iniciativas culturais, de responsabilidade esquecida dos administradores públicos.
Mas suas criações permanecerão, a exemplo: haver criado as campanhas: “O pernambucano do século”; Os Calendários de Cobrança aos prefeitos, por deficiências de suas cidades; trouxe o maestro Isaac Karabtchevsky, de São Paulo, para reger uma apresentação dos caboclinhos de Pernambuco. Nada igual!
Criou novos cenários nos estúdios, alterou para melhor as posições de cada um dos apresentadores em cena, que assim deixaram suas bancadas e tiraram suas gravatas, para se moverem como se num teatro estivessem, Respeitosamente vestidos, porém, mais à vontade diante dos espectadores.
Obteve a glória maior: ver várias de suas iniciativas mudando conceitos em várias emissoras-sedes e afiliadas da Globo, que adotaram as novas maneiras de fazer televisão estimulando iniciativas culturais e melhorando o comportamento das cidades, a fim de beneficiar os seres humanos.
Sinto-me orgulhoso em ter colaborado com sua obra Mude o conceito; e como como diria o filósofo: a fim de melhorar o mundo. Ao caro leitor, sugiro: mude conceitos!
Cenário: Ano de 1950, segunda-feira, 21 horas, noite normal de ressaca. Parte da família está na sala apreciando novela mexicana, na Tv.
Jorginho, na cozinha, “na moita”, dando um “chega pra cá” na empregada doméstica, que, ladina, finge não notar que ele está roçando seu “negócio” nas das partes glúteas dela.
E de tanto “esfrega esfrega” a pobre, inadvertidamente, expeliu uma flatulência, digna de ronco da moto Honda. O rapazola logo se escafedeu e, desconfiadíssimo, retornou à sala.
No divã, a mãe segura o braço do pai, que parece estar na cena apenas como “figurante”, pois tomba a cabeça, de vez em quando, com alguns cochilos, dignos de um trabalhador em relaxamento.
Maria do Rosário, no terraço que rodeia a casa, procura se esconder dos olhos e ouvidos da família, porque está se ajeitando para facilitar o noivo a introduzir o “instrumento” em seu orifício virginalizado.
Nisso, atenta, a vovozinha que tricota do outro lado do terraço, fazendo o papel de Fiscal-de-virgindades”, escuta o murmúrio do noivo, Alessandro, que iludindo a moça promete só botar a “cabecinha”.
Mas a Vovó Tancredina grita: “Cuidado, minha filha, essa cabeça não tem ombro!”
Ve-se uma cena muda. O casal treloso volta apenas a se beijar, enquanto a mão do noivo, vadeia, procurando novidades por baixo da saia de “Rosário”. Na maior mutreta, ambos desejam enganar a véia que está de plantão. Silêncio sepulcral.
Marietinha, de 8 anos, está vidrada na cena da novela, exatamente porque o ex-galã do cinema-mudo, está querendo insistentemente aquilo que a namorada só pode dar depois de casada.
A menina, que vem de educação dos anos 1940, inocente toda, indaga:
– Mãe, porque ela não dá, logo o que ele quer?
– Cala a boca, menina. Não perturba a novela!
Xolinha, a cadela, deitada no tapete que forra grande parte da sala, sonha com a “picanha prometida”, de súbito, dá um grunhido. É um alerta.
No auge da cena pornô, eis que Jorginho, retornando do roça-roça com a Empregada, um tanto desconfiado, chega à sala e vê saindo por trás do quadro de D. Severino Pamparra, uma “senhora” barata e fica como estátua: paradão, estatelado. Imagina a tragédia que se avizinha e grita, interrompendo a novela:
– Pai, uma barata, ali, na parede! E tá saindo outra. Meu Deus, são duas, pai!
Todos os que estavam acomodados no sofá, levantam os pés, em atitude de fuga e voltam os olhos para as “atacantes”. Começa o desespero, diante do possível ataque dos desprezíveis insetos.
Têka Pimenta, uma sobrinha, inicia um “sermão” para acalmar todos que estavam na sala, apavorados como se as baratas fossem onças:
– Minha gente, que medo besta é esse?!… As baratas pertencem à ordem das Blattodeas. Elas são da superordem de insetos Dictyoptera. Fazem parte da cadeia alimentar, nada mais. Elas à noite procuram comida.
– Cala a boca, a gente neste apavoramento todo e você desejando nos dar aula!
– Gente, as baratas não fazem mal aos humanos! São inofensivas. A História diz que elas apareceram há mais de 300 milhões de anos e, atualmente, há mais de 5.000 espécies no mundo. Não há registro policial de que elas tenham atacado ninguém. Esta zoadeira toda de vocês é só “frescura”.
Vem a vovó-fiscal lá do terraço e completa:
– Minha gente, no meu tempo, era só dar uma bombatinha de “Flaytox”, aquele produto da Esso e elas logo tombavam. Volto a lembrar dos meus tempos de infância quando o fuzuê lá em casa também era aterrador, quando se via uma barata. Depois ficávamos todos rindo muito, pois o “barato” eram as baratas.
Maria Rita, filha de Elis: 100 mil discos vendidos
Desta vez trago notícias quase esquecidas em meus arquivos, assinalando temas que vieram a público em 2003, devidamente “guaribados”, para os leitores fazerem comparações com os dias atuais.
FAIXA PRÓPRIA – A cantora e compositora, Maria Rita, filha de Elis Regina e do pianista César Camargo Mariano, comemora, com seu álbum de estreia: 100 mil cópias vendidas sendo homenageada com um “Disco de Ouro”. Merecidamente, brilhou em faixa própria. Afinal, filha de gata é gatinha. Miau!
SEM LENÇOS – Cerca de 30 famílias invadiram um casarão na Tamarineira, que estava com placa de “Aluga-se”. Deputado Estadual disse que não se pode confundir o ato com iniciativa de “latifúndio urbano”. Os “desamparados” são ativistas da trinca do grupo de Trabalhadores Sem Teto, sem documentos e sem lenços, pelo que se noticiou.
TROPICALÍSSIMO BAMBUSAL – Pernambuco torna-se pioneiro no uso industrial da tropicalíssima bambu, plantinha que é renovável, se reproduz de maneira rápida, sem necessidade de replantio. Cai do céu. Viva o Agro!
SEQUESTRANDO CARBONO – Apresentando grande potencial agrícola, pois serve de matéria “prima legítima” para o fabrico de papel e celulose, além de ser excelente “sequestrador de carbono”. Eis, vitorioso, nosso bambu!
CACIQUE PERERÊ – O velho cacique, da tribo Xupapau, de Belo Monte, disse à reportagem que desde menino usava produtos do bambuzal, principalmente para canos destinados ao transporte de água dos rios.
BANDA LARGA – O Hotel Costeiro, de Olinda, inova. Está oferecendo espaço para acessar a Internet. Criou uma sala que dispõe de computador em Banda Larga, Banda Estreita e vários programas, para hóspedes, convidados, visitantes, passantes e aderentes que vão visitar a tradicional hospedaria.
CAROS ALÔ – As teles estão perdendo R$ 10 milhões por dia devido à contestação do reajuste da Telefonia Fixa, injustiçada por juiz de “feito e lavrado”, que “deu no gogó”. A partir de ontem, ninguém dá um alô sem pagar, ao invés dos olhos da cara, os “buracos dos ouvidos.”
FORMOSO RIO – Interessante telegrama nacional de Prefeito pernambucano, há 100 anos-luz; lá “patrasmente”: “Convidamos governador et assessores inauguração solene iluminação álcool vg dia 13 corrente pt haverá cervejada pt Adolfo Wanderley vg Prefeito Rio Formoso.
BANCO DEFENESTRADO – Procurador Federal L. F. vai ser interpelado judicialmente pela Comissão Parlamentar de Inquérito do Banestado – Banco do Estado do Paraná. E o pior é que mais de 400 políticos estão com o “rabo preso” na fraude. Parece fato recente, mas isto foi em fevereiro de 2003. De lá pra cá a sabotagem só se ampliou. Cada dia mais fraude e menos vergonha.
PRIMEIRA DAMA – D. Risoleta Neves está internada em na CTI de hospital do Rio, por causa de uma diverticulite, a mesma doença do extinto marido, o Presidente Tancredo de Almeida Neves, que nem chegou a tomar posse. Aquilo é que era Primeira Dama,e não essas “segundonas” inquilinas de nossos palácios brasilienses!
LUCROS AMPLIADOS – A pobreza está felicíssima com o novo “meio circulante”, o “meio de endividamento”. Presidente populista mandou os Bancos dar uma canja e aumentar seus lucros, oferecendo Empréstimos Consignados. Mas a fórmula é do tempo do onça.
AMIGO DO PEITO – Há mais de 40 anos que funcionários do Banco do Brasil dispõem, através de sua Caixa de Previdência, de igual facilidade, cujo título contábil é “Empréstimo Simples”, a juros quase zero, modelo que foi apelidado de “Amigo do Peito”.
POBRE AVALISTA – Para os Bancos, a iniciativa eleitoral do “populário”, é “maravilha”, porque não haverá inadimplência. Mas se o devedor for dispensado do seu empreguinho, deu-se a “desgraça fecal”. Por isso, já se estuda que haja vinculação com o FGTS, que será o avalista.
Recordando meu saudoso amigo Fernando da Cruz Gouveia, dos bons tempos no Diário de Pernambuco, que em sua coluna de recordações do passado, selecionei notas que publiquei há mais de 20 anos.
XIXI – A PF está testando mictório portátil. Trata-se de um saco plástico com boca de borracha, que permite aos seus rapazes introduzir o “instrumento” e se aliviar durante Operações Sigilosas, cujas campanas demorem muito. As camisinhas fariam o mesmo, disse à reportagem, um gaiato que soube da “novidade urinária”.
RASTEIRA – Nosso Paulo Coelho, o batedor de récordes, deu mais uma, desta feita no bruxinho “Harry Porter”, com seu “Onze Minutos”, vendendo mais de 120 mil exemplares, só no Brasil. Brinque!…
GAYS – O Grupo Arco-íris levantou a maior bandeira gay da América Latina, durante a “Caminhada Brasil sem Armas”, realizada em Copacabana. Pernambuco deseja imitar. Haja manifestantes!
VEREANÇA – O cantor pernambucano Claudionor Germano deseja ser Vereador do Recife. Vai disputar no gogó e com muito frevo.
ENGORDANDO – Paulista tem projeto para sua orla. Cerca de 2,7 quilômetros de calçadão, pavimentação e engorda de praias. As margens estavam magras demais.
ARRANHA-CÉU – Em Casa Forte está sendo construído o maior prédio do Recife. São 42 andares e cinco elevadores. Neguinho terá que esperar bom tempo pra enfrentar o “coletivo” e e chegar suas casas-de-pombos, se desejarem utilizar o elevador pinga-pinga. Já pensou?!…
MALANDRAGEM – O Ministério Público integrou ação civil de dissolução do Conselho de Moradores de Brasília Teimosa, face ao uso da “máquina”, pelo presidente. Só no “Buraco da Véia” ele seria eleito por gatos e cachorros.
VIOLÊNCIA – Para diminuir a violência futura, a Prefeitura de São Paulo iniciou campanha voltada para o “desarmamento infantil”, com grande estardalhaço no Ibirpuera. A população discorda porque criança não anda armada nem dá sinais de violência. Apenas brinca de tudo quanto pode. No meu tempo de menino, o melhor divertimento era formar grupos de “Bandidos e Polícia”. Nos idos de 1940, nossos revólveres eram improvisados de qualquer pedaço de madeira, feitos em casa. Ninguém deu pra bandido, só mocinhos. E, conforme sei, completa meu leitor, o artista Halmiro, o melhor exemplo era correr atrás das mocinhas.
RECALL – Cerca de 4 milhões de automóveis brasileiros saíram com defeitos de fábrica e todos foram vendidos em nosso país, sob pretexto de “Promoção de Natal”. As montadoras alegaram haver recebido peças de 2a. classe. Mas há quem atribua foi mutreta. e da braba.
DEPORTADOS – O primeiro lote de carros “Passat Iraque” deu bom passeio de navio, mas ao desembarcar o primeiríssimo “possante” MUSSASHI – Essa fabricante de câmbios e engrenagens para motocicletas vai ampliar sua capacidade de investimentos, em sua unidade de Igarassu, investindo 7 milhões de reais. Entende-se que os motores poderão ultrapassar, em potência e segurança, as antigas NSU, dos “Globos da Morte” que se via nos circos brasileiros.
ARQUIVISTA – Em dias passados, advogado amigo desejou me sondar a fim de organizar os documentos e catalogar livros que seu pai havia juntado desde a sua juventude, incluindo algumas páginas destinadas a crônicas, pois pretendia publicar um livro, quando se aposentasse.
ELEFANTÍASE – Constatando que se tratava de uma “dose pra elefante”, preferi indicar uma professora aposentada para a missão. Ao final, o amigo indagou: “Papai juntou tanta coisa, pra quê?”
LEMBRANÇA – Lembrei-me de antiga norma do Banco do Brasil, quando fazia concursos para a função de Arquivista, sendo parte da equipe, meus colegas Dr. Carlos Emílio Schuler e Mílton Persivo Rios Cunha.
TRANSMISSÃO – Contestei o advogado afirmando que arquivar é guardar comprovações para a História ter base e poder ser transmitida às gerações atuais e futuras.
HINOS – Lá vem história! Quando a Família Real chegou ao Brasil trouxe o “Hino Nacional Patriótico Realista Lusitano”.
REGENTE – Depois, o Príncipe Regente, que embora não fosse maestro entendia de música, instituiu, como imagem de exaltação, o “Hino Imperial Constitucional”.
OXENTE – Anos depois, o Brasil já se preparava para se afirmar como “um país de transformações”. Entraram na História outras influências e legitimaram o “Hino Nacional Português”. Oxente, ficamos com dois hinos?!
SOBRESSALIÊNCIA – Passamos a ter, realmente, dois hinos. Ficamos com um sobressalente. Um estepe para qualquer exaltação. Mas nenhum dos dois veio para ficar.
REPUBLICANDO – Na República de 1889, tomamos emprestado por inspiração da “Marselhesa”, que é o hino da França, a parte musical. As fanfarras tocavam: “A Marcha Triunfal”, de Francisco Manuel da Silva.
DEODORO – Deodoro da Fonseca, incorporou os notáveis versos de Osório Duque Estrada, assim surgindo o Hino Nacional Brasileiro. Sabiam dessa mutreta?
AUTORIA – Mas, coitados dos compositores! Até nas cerimônias mais solenes se anuncia com o maior entusiasmo nosso hino, sem nenhuma referência aos seus compositores.
BANDA – Daí, creio haver certa razão. Devemos guardar papéis, certidões, fotos e discos, para transmitir cultura aos nossos pósteros. Se perguntamos quem é o autor da marchinha “A Banda”, todo o mundo sabe que é de Chico Buarque. E se divulga de boca cheia.
CULPADOS – Mas, façamos uma enquete para saber quem são os autores do “Hino Nacional Brasileiro”, que a moçada fica embaraçada. Nem mesmo durante as solenidades oficiais os autores do nosso hino são mencionados.
ESQUECIMENTO – Isso talvez seja o resultado do que afirmei ao meu amigo advogado. Se não guardamos certas coisas importantes – como as autorias de nossas obras musicais – não poderemos lembrar dos autores do Hino Nacional do Brasil.
Eis a “razão” para rebater aquele que me indagou: “Guardar pra quê?!”
Passadas duas décadas, revejo notas que publiquei no site da uma editora do Recife e agora intercalei com assuntos atuais.
VIVO BELO – Marlúcio Belo, cabra vivo que só a peste, metido a esperto, falsificou documentos e “morreu de mentirinha” para sacar o Pis. O flagra do morto-vivo ocorreu na Caixa Econômica de Afogados, no Recife. Foi em cana vivinho da silva.
AMADA LAFEPE – Nos balcões do Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco, LAFEPE, e nas farmácias, as camisinhas custam apenas R$ 0,25. Dá pra se fazer amor até debaixo d’água! Vale-tudo com garantia!
TAXAÇÃO PERNAMBUCANA – Projeto de Lei do Governo de Pernambuco à Assembléia, aumenta de 2,5% para 4,5% a alíquota de contribuição do funcionalismo para o Sistema de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Estado. Sem mais nem menos. Já naqueles tempos, havia ensaios para a “sanha taxadística” do Governo Federal dos nossos tempos.
BLOQUEIO SERGIPANO – Clima tenso em Sergipe. Sem-terra e PM começaram na tapa e sairam à bala. Os invasores bloquearam a SE-260 e seis pessoas saíram cheias de “buracos sangrantes”. Até que hoje os invasores estão mais calmos!…
HINOS VIVOS – Nos tempos de Dom Severino Pamparra os hinos eram cantos sacros. Só muito tempo depois saíram das igrejas para as ruas e poucos compositores se dedicaram a esse estilo de música.
BRASIL-HOLANDÊS – O primeiro hino entoado em terras do Brasil-Holandês, foi Wilhelmus von Nassau Vem, composto por algum puxa-saco, para homenagear nosso saudoso Príncipe Maurício de Nassau, que bem o mereceu. Hoje, até nas escolas, o hino nacional brasileiro está esquecido.
TEMPOS AVACALHADOS – Na época em que eu frequentava a Escola Dom Bosco, no bairro de São José, no Recife, não só cantávamos o Hino Nacional quanto os demais. Eu era vidrado em “Cisne Branco”, uma canção emocionante.
BRANCO CISNE – A música “Cisne Branco” se tornou “A Canção do Marinheiro”, e a um veleiro de nossa Marinha, foi dado o mesmo nome. É um barco que atua como embaixada flutuante e tem representado nosso país em eventos náuticos e culturais através do mundo.
O navio-veleiro “Cisne Branco”
NAVIO VELEIRO – Uma das joias de nossa Marinha de Guerra. Foi construído em 1998, na Holanda, para celebrar os 500 anos do Descobrimento do Brasil.
EMBAIXADA FLUTUANTE – Qual cisne branco que em noite de lua. Vai deslizando num lago azul. O meu navio também flutua. Nos verdes mares de Norte a Sul. Esta letra e música se harmonizam na canção de Francisco Dias Ribeiro e Antônio Manuel do Espírito Santo, que fez sucesso nos anos de 1950 através do canto de Emilinha.
PREFERIDA EMILINHA – Emília Savana da Silva Borba, cujo nome artístico foi popularizado como Emilinha Borba, a “Rainha do Rádio”, tinha uma ligação especial com a Marinha do Brasil, tanto que através desta música foi homenageada como “A Preferida da Marinha”.
MELODIA INESQUECÍVEL – Ainda hoje bato continência espiritual quando ouço esta canção-hino que, atualizada, continua rolando com os meus tempos.
Um dos meus trabalhos profissionais é executar a edição de livros para terceiros. Tenho, como parte do ofício, o cuidado de recomendar aos novatos não dispensar a ajuda de um técnico para as orientações primárias a fim de que se obedeça as regras editoriais.
Conversei há poucos dias com Tarcízio Leite de Vasconcelos e Severino Souto, dois excelentes artistas da fotografia, sobre como se procede à feitura de um livro, porque há certas artimanhas nem sempre observadas pelas gráficas.
E para melhor entendimento, falo em prol daqueles que precisam divulgar suas obras. Já tive dificuldades ao mandar imprimir meu primeiro livro: Um estigma cultural – impresso como Edição do Autor, em 1983. Ou seja, eu era um neófito cheio de sonhos, desejoso de ver seu trabalho circular e ter alguma remuneração. Banquei tudo mas não me senti realizado, Deixei de cumprir certas normas, por desconhecimento.
Cabe-me, agora, orientar os que estão desejando ver seus trabalhos ampliados, chegando às livrarias, obtendo remuneração, ultrapassando divisas de estado e fronteiras de país.
A ação se inicia com a primeira leitura do que os escritores e as escritoras preparam e os fotógrafos selecionam. Geralmente u’a maçaroca com mais de 100 páginas. Menos do que isso, dizia Gilberto Freyre: “É uma caderneta!”.
Deve o editor ter o entendimento do que se trata. Se um livro de fotografias, só de texto ou as duas coisas. Mas não é assunto dos clientes. A eles cabe entregar a maçaroca de letras e imagens impressas.
Cabe-me, de início, atenção com a parte gráfica e ortográfica. Para isto preciso me concentrar alguns dias no emaranhado de números, letras, sinais, espaços, fotos, legendas, gráficos, datas, parágrafos, entrelinhas, apóstrofos, parêntesis, cortinas de títulos, término de capítulos e notas de pé de página.
Durante a leitura preciso que meus olhos façam papel semelhante à lupa de um ourives, que identifica bem escondidinho o espaço que correu entre palavras, a vírgula que se transformou em ponto e vírgula, os travessões, as abreviaturas e os acentos, detalhes que desafiam escritores e supervisores.
Entrevistei, há anos, Nely Carvalho, Editora de Textos dos jornais da Tv Globo Nordeste e tive uma aula sobre a procura de erros e omissões. Fiquei ainda mais atento. A entrevista transformada em aula, melhorou muito o texto do livro de minha autoria: Dr. Romero Carvalho – Um homem e sua história.
Seguindo com as definições, sugiro serem observadas as seguintes normas editoriais: a descrição do Expediente, aquela página que se localiza no verso da Folha de Rosto, onde se indica a propriedade do livro, os técnicos participantes, o Direito Autoral das fotos e recortes, as ressalvas, as datas, os nomes completos, as abreviaturas de identidades, o endereço dos autores, etcetera.
E tem mais, nesse verdadeiro trabalho de garimpo, a parte inicial das folhas devem ter trato de identificação muito cuidadosa. Um alerta para as tipografias: a exigência de se integrar no livro a Folha de Guarda, aquela página em branco, muito necessária, pois é ali que ocorrem as oferendas com autógrafos.
Em seguida, as páginas com homenagens, conceitos e agradecimentos. Depois o sumário (ou índice), e as seguintes com o Prefácio, a Introdução e outras “guloseimas”.
Em seguida, ao Técnico em Edição, vem a orientação sobre os Registros Legais: o ISBN (International Standard Book Number), que em português se entende por: Número Internacional Padronizado para Livros, sendo este a defesa do copyright, que é outra coisinha pouco conhecida.
Eis, agora, um alerta importante: se não for publicado o copyright, que geralmente aparece na parte superior da página do Expediente de qualquer obra, é se eximir do Direito de Exclusividade concedido ao autor.
O copyright existe para controlar o uso e a reprodução da criação intelectual. No Brasil, a proteção aos direitos autorais é garantida pela Lei nº 9.610/98, conhecida como Lei dos Direitos Autorais, que visa proteger obras artísticas, literárias, e científicas, conferindo ao autor os direitos morais e patrimoniais.
Falamos sobre best-seller, um termo inglês, frequentemente usado em português, que se refere a um livro, produto ou qualquer outro item que alcançou grande sucesso comercial, figurando em listas de mais vendidos. E quem não obedece às normas nunca sentirá o gosto de ter seu trabalho reconhecido como notável.
Outra coisa importante: o Depósito Legal de um livro, que é a obrigação legal de enviar um ou mais exemplares de qualquer obra publicada no país para um órgão específico, geralmente a Biblioteca Nacional, com o objetivo de preservar o patrimônio cultural e a memória bibliográfica. Este trâmite é gratuito, mas a sua não realização pode acarretar multas e impedir o acesso a financiamentos públicos para a obra.
O Depósito Legal é definido pelo envio obrigatório de no mínimo um exemplar de todas as publicações produzidas em território nacional, por qualquer meio.
Planejadas e executadas estas partes principais deve-se definir as capas – sempre produzidas por arte finalista competente – a exigência de orelhas, onde se deverá publicar uma foto do autor e breve legenda, o posfácio, o colofão e a arte da 4a. capa.
E se os caros leitores – candidatos a ver suas obras como best-seller – deixarem a cargo de amadores a produção editorial de seu livro, correndo tudo “na banguela”, seu trabalho se tornará desconhecido da cultura do País e do estrangeiro.
Como se vê, além da obra oferecida do leitor em si, um livro é um produto cheio de artimanhas.
Sempre tive o desejo de escrever uma história para crianças, porque o livro de “Jeca Tatu” me marcou a infância para sempre. O mestre Monteiro Lobato soube produzir um texto simples, atraente e de fácil compreensão. Ainda mais, educativo.
Um pobre caboclo que morava no mato, numa casinha de sapê. Vivia na maior pobreza, em companhia da mulher, muito magra e feia, pais de vários filhinhos pálidos e tristes.
Releio arquivos dos meus 10 anos de idade e recordo que o personagem fez parte até de propaganda médica. Havia folhetos, distribuidos nos balcões de farmácias, que promoviam a veiculação do “Biotônico Fontoura”.
Mas, cresci e o encanto de certas ideias se perderam no tempo.
Desejei, mas nunca tentei, de fato. Não tive inspiração e capacidade para escrever alguma coisa que atraísse as crianças. Principalmente agora que vivemos (e até sofremos) com a maravilhosa época dos smartphones, que empolgam os pequeninos, ao ponto de haver alterações psicológicas, detectadas pela ciência médica.
Maria Clara, uma bisneta adotiva, de menos de três anos, já manipula um celular de forma que me espanta. E mais, adora as historinhas próprias para crianças.
Teria eu, certamente, perdido meu tempo se houvesse enveredado por essa linha de literatura, porque teria que enfrentar dois cobras.
Pimbinha, de Pedro Bloch
Primeiramente o médico foniatra, Pedro Bloch, que marcou seu tempo com muitos livrinhos, cujos títulos, engraçadíssimos, logo conquistaram os compradores. Assim se tornaram vitoriosos: Pimbinha, Chiquinho Pitomba, Teco-teco, etc.
Era preciso ter peito para topar de frente, também, com o genial Ziraldo Alves Pinho, que manteve a cabecinha da criançada no lugar, com seu primoroso campeão de vendas: O Menino Maluquinho.
Eu teria levado boa rasteira se me aventurasse a concorrer com o mineiro de Caratinga, cidadão que foi cartunista, desenhista, jornalista, cronista, chargista, pintor e dramaturgo brasileiro, além de um dos fundadores da revista humorística “O Pasquim”.
O genial Ziraldo
Por isso, Deus me livre de entrar na seara de Ziraldo ou Dr. Bloch. Todavia, tive a audácia de criar, em 1956, uma historieta para meus bisnetinhos, mas não toquei em frente. Tinha, também, um título atrativo: “O Menino Safadinho.”
Às vezes a gente acorda pensando numa palavra diferente. Tão incomum que até sugere crônica. Fui aos arquivos e não encontrei nada, senão semelhanças com aquela palavra que pensei dormindo e acordei com ela tilintando no juízo. Aí, dei uma passadinha nas notícias que publiquei em jornais, aqui apimentadas com humor.
VÉIO MANGABA – Já falei desse excelente ator, mas, vale dizer que em setembro de 2003 o sujeitinho fez excelente temporada no Teatro do Parque, no Recife situado na Rua do Hospício. O espetáculo lotou. As pessoas estavam “doidas” para comprar ingressos e conhecer a tradicional Casa.
LEMBRANDO FOLCLORE – Walmir Chagas cantava, dançava, pulava e remexia, lembrando tudo quanto é folclore da terra. E este “tudo”, por apenas R$ 5,00. Uma sopa. Prato cheio. Fez História, mais uma vez, o “Véio Mangaba”.
DESFILE REFORÇADO – Se fosse hoje dir-se-ia ser amostragem de fracos partidos políticos que tentam lotar seus desfiles oferecendo condução gratuita e sanduiche de pão com manteiga. Em setembro de 2003, o dia 7, em Brasília, foi supimpa o desfile das Forças Desarmadas, graças ao encaixe de 90 estabelecimentos de ensino, com seus inocentes alunos, “Importados” de estados periféricos, que marcharam garbosamente. Gastou-se os tubos. É isso aí: sem cão, se caça com “gastos”!
NOTÍCIA MEDICAMENTOSA – Em 2002 escrevi em jornal que o otimismo dos consumidores de “remédios contínuos”, sumiu. A queda dos preços de 150 “milagrosos”, anunciada pelo MS, não chegará às dores dos “impacientes” pois quase todos são de uso hospitalar. E o povão que já estava querendo suspirar, sentiu novas dores. Ái!…
FÓRUM PERNAMBUCANO – O escritor Jacques Ribemboim reclamando o boicote de livrarias com sedes no “Sul Maravilha”, com relação à exposição de obras locais, em suas prateleiras, e a venda de livros de nossos escritores. Como se não bastasse a dificuldade de editá-los! Competente, realizou um fórum em defesa do livro pernambucano. Nota 10. Abriu uma brecha!
CURUPIRA PROCURADO – Que receba o amigo Alexandre de Castro Gomes, um carioca doutorando e mestre em Teoria Literária a minha homenagem, ao publicar a capa do seu: “Procura-se o Curupira”, tema que já inspirou várias histórias infantis do imaginário brasileiro.
PROTETOR FLORESTAL – Mas,eis que sonhei com a palavra Gurupira! No dia 17 de julho comemoramos o “Dia do Protetor da Floresta”, que, no nosso caso, nem é “Marinêses”, nem “Lulêses”, mas o Curupira. Figura folclórica, aliás, que deveria ser reconhecido, na data, como um astro nacional! Devemos dar um Viva Curupira!