A juventude, o 5º Poder da República
Aos 15 anos, quando fui com meu pai,receber o jornalista Carlos Lacerda, diretor do jornal Tribuna da Imprensa, no Aeroporto Internacional dos Guararapes, fiquei convicto de que a Imprensa era o 4º Poder da República.
De imediato papai teve acesso ao ilustre visitante, por ser membro do Diretório Regional da UDN – União Democrática Nacional, em Pernambuco.
O entusiasmo de menino levou-me a questionamentos sobre as razões daquele cidadão aglutinar tantas pessoas em seu redor e qual o significado do título do seu jornal – Tribuna da Imprensa.
A tribuna, ao que vim entender depois, era o púlpito do povo. Local onde as pessoas protestavam ou aplaudiam seus líderes políticos.
Carlos Lacerda, falecido em 1977, foi um influente jornalista, escritor e político brasileiro, figura central na oposição a Getúlio Vargas e articulador de momentos cruciais da história política brasileira.
O entusiasmo que movia meu pai pela trajetória de Carlos Frederico Werneck de Lacerda se relacionava com suas lembranças do meu avô, João Pacífico Ferreira dos Santos, que foi alvejado na sacada do Diário de Pernambuco – a tribuna de muitos – durante a Campanha de Dantas Barreto, na época em que se tornou governador de Pernambuco.
Lacerda era um dos grandes trunfos de um movimento permanente que se conhecia como o 4º Poder da República. Era o tempo dos jornalistas que investigavam, escreviam e publicavam provas dos pecados dos políticos.
Não tinham medo de autoridades nem se vendiam.
Hoje tenho vergonha do que se faz através da Imprensa, que deixou de ser a tribuna do povo, para vender suas páginas, imagens de suas câmeras e microfones a governos da atualidade brasileira.
Mas, nem tudo está perdido! Surgiram as Redes Sociais e com elas a oportunidade de todos os brasileiros se manifestarem, expressando suas opiniões, despertando valores e comprovando fatos, não dando sossego aos governantes desonestos.
Ainda mais e sobretudo, utilizando centenas de canais caseiros, espalhados pelo País.
Nos dias presentes, com as Redes Sociais e os smartphones, há novidade, pois até os pequeninos podem participar, de alguma forma, do que acontece no Brasil e os mais maduros sugerem melhorias.
A Imprensa tradicional ficou num segundo plano, perdendo muito em prestígio e qualidade de notícias.
E com a participação de pessoas de todas as classes, profissões e lugares, é o povão que se manifesta livremente.
Não se pode negar que surgiu um movimento forte, como se fossem várias tribunas, o que bem poderemos identificar como o 5º Poder da República!












