CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Hino Nacional Brasileiro

ARQUIVISTA – Em dias passados, advogado amigo desejou me sondar a fim de organizar os documentos e catalogar livros que seu pai havia juntado desde a sua juventude, incluindo algumas páginas destinadas a crônicas, pois pretendia publicar um livro, quando se aposentasse.

ELEFANTÍASE – Constatando que se tratava de uma “dose pra elefante”, preferi indicar uma professora aposentada para a missão. Ao final, o amigo indagou: “Papai juntou tanta coisa, pra quê?”

LEMBRANÇA – Lembrei-me de antiga norma do Banco do Brasil, quando fazia concursos para a função de Arquivista, sendo parte da equipe, meus colegas Dr. Carlos Emílio Schuler e Mílton Persivo Rios Cunha.

TRANSMISSÃO – Contestei o advogado afirmando que arquivar é guardar comprovações para a História ter base e poder ser transmitida às gerações atuais e futuras.

HINOS – Lá vem história! Quando a Família Real chegou ao Brasil trouxe o “Hino Nacional Patriótico Realista Lusitano”.

REGENTE – Depois, o Príncipe Regente, que embora não fosse maestro entendia de música, instituiu, como imagem de exaltação, o “Hino Imperial Constitucional”.

OXENTE – Anos depois, o Brasil já se preparava para se afirmar como “um país de transformações”. Entraram na História outras influências e legitimaram o “Hino Nacional Português”. Oxente, ficamos com dois hinos?!

SOBRESSALIÊNCIA – Passamos a ter, realmente, dois hinos. Ficamos com um sobressalente. Um estepe para qualquer exaltação. Mas nenhum dos dois veio para ficar.

REPUBLICANDO – Na República de 1889, tomamos emprestado por inspiração da “Marselhesa”, que é o hino da França, a parte musical. As fanfarras tocavam: “A Marcha Triunfal”, de Francisco Manuel da Silva.

DEODORO – Deodoro da Fonseca, incorporou os notáveis versos de Osório Duque Estrada, assim surgindo o Hino Nacional Brasileiro. Sabiam dessa mutreta?

AUTORIA – Mas, coitados dos compositores! Até nas cerimônias mais solenes se anuncia com o maior entusiasmo nosso hino, sem nenhuma referência aos seus compositores.

BANDA – Daí, creio haver certa razão. Devemos guardar papéis, certidões, fotos e discos, para transmitir cultura aos nossos pósteros. Se perguntamos quem é o autor da marchinha “A Banda”, todo o mundo sabe que é de Chico Buarque. E se divulga de boca cheia.

CULPADOS – Mas, façamos uma enquete para saber quem são os autores do “Hino Nacional Brasileiro”, que a moçada fica embaraçada. Nem mesmo durante as solenidades oficiais os autores do nosso hino são mencionados.

ESQUECIMENTO – Isso talvez seja o resultado do que afirmei ao meu amigo advogado. Se não guardamos certas coisas importantes – como as autorias de nossas obras musicais – não poderemos lembrar dos autores do Hino Nacional do Brasil.

Eis a “razão” para rebater aquele que me indagou: “Guardar pra quê?!”

3 pensou em “ARQUIVAR, PRA QUE?

  1. Carlão
    Deixa esse trabalho pra mim. Sou bibliotecário e pra recifense faço um desconto especial.
    Vamos nos ver no Recife

  2. Quando virá?

    Terei que dar um lustro na careca, azeitar bem as canelas e lhe esperar com toda a dignidade do mundo.
    ]
    Informe as finalidades da visita, onde vai see hospedar e se a agenda está fechada.

    Carlinhos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *