Carlos Gardel – Capa do livro de José Lino Grunewald
Para superar os tumultuados dias geopolíticos que hoje estamos vivendo, só nos restam duas saídas, a fim de aliviar as tensões psicológicas: as orações e as músicas.
Nós, da faixa dos 80 anos, jamais esqueceremos o quanto a Argentina nos legou, através das vozes dos seus cantores, a poesia dos seus autores e os ritmos mais representativos daquela nação.
As artes portenhas nos enlevaram, educando nossa juventude, orientando-a no sentido de apreciar o que havia de mais puro nas artes musicais da década de 1930.
Quem de nós não se lembra dos tangos tão difíceis de dançar; das letras emocionantes de Alfredo Le Pera, Julian Aguirre, Alberto Williams ou Gustavo Santaolalla!
Mas, de todos os compositores e cantores, um nome permanecerá para sempre: Carlos Gardel.
O amigo José Eduardo Sanches, a meu pedido, enviou o link abaixo, a fim de permitir aos leitores uma audição precisa da voz do grande Gardel: “Por una cabeza”.
Esta canção que é uma das jóias de seu notável patrimônio de colecionador emérito de músicas de todos os tempos.
E teve, ainda, a gentileza de juntar à encomenda, o interessante comentário:
“Caro amigo, abaixo segue o link do vídeo de Carlos Gardel interpretando o tango “Por una cabeza ” de autoria do próprio Gardel e de Alfredo Le Pera.
Uma curiosidade: Alfredo Le Pera nasceu na Rua Major Diogo no tradicional Bairro do Bixiga, em São Paulo, no dia 07 de junho de 1900 e, em 1926, naturalizou-se argentino, perdendo assim, sua nacionalidade brasileira, por meio de decreto do então Presidente Artur Bernardes.
Vêm-me, agora, à memória, um filme com ele, rodado em Hollywood e lançado em New York, que assisti no Cine Eldorado, aos 16 anos de idade.
Percebi no protagonista o tipo do artista que de imediato, oferecia a todos o seu mais profundo afeto: no riso franco, na vestimenta elegante no canto sem igual, conforme declarações de Charles Chaplin.
Quando estive na Argentina o guia de turismo nos levou a visitar uma Casa de Tango onde se apresentaram além dos casais dançarinos, um bom cantor da música tradicional daquele ritmo.
No dia seguinte, fomos ao mausoléu do artista. Lá, vimos um grande público, notadamente de mulheres. Vi uma senhora, que após uma oração de joelhos, respeitosamente atirou pétalas de flores em sua estátua.
Diante de minha admiração, fez questão de me dizer que era a sua maneira de acariciá-lo, de agradece-lo por seus enlevos.
No Brasil não se pode esquecer que a voz de Dalva de Oliveira o eternizou em nosso país, ao interpretar “Seus olhos se fecharam”, de Alfredo Le Pera, em versão de Ghiaroni.
Mas o grande êxito, para mim, foi a canção de David Nasser e Herivelto Martins, que entregaram a Nelson Gonçalves, para gravar, a música que see tornou um dos seus maiores sucessos: o tango “Carlos Gardel”.
Tango, bandoneon, uma guitarra que chora
Num ritmo de amor desesperado
Um cabaré que fecha suas portas
Uma rua de amor e de pecado
Um guarda que vigia numa esquina
Um casal que anda a procura de um hotel
Um resto de melodia, um assobio
Uma saudade imortal, Carlos Gardel
Carlos Gardel
Buenos Aires cantava no teu canto
Buenos Aires chorava no teu pranto
E vibrava em tua voz, Carlos Gardel
O teu canto era a batuta de um maestro
Que fazia pulsar os corações
Na amargura das tuas melodias
Carlos Gardel
Se cantavas a tragédia das perdidas
Compreendendo suas vidas
Perdoavam seu papel
Por isso enquanto houver um tango triste
Um otário, um cabaré, uma guitarra
Tu viverás também, Carlos Gardel
Carlos Gardel
Buenos Aires cantava no teu canto
Buenos Aires chorava no teu pranto
E vibrava em tua voz, Carlos Gardel
O teu canto era a batuta de um maestro
Que fazia pulsar os corações
Na amargura das tuas melodias
Carlos Gardel
Se cantavas a tragédia das perdidas
Compreendendo suas vidas
Perdoavas seu papel
Por isso enquanto houver um tango triste
Um otário, um cabaré, uma guitarra
Tu viverás também, Carlos Gardel.