Bomba de flit: o Flaitox, da Esso
Cenário: Ano de 1950, segunda-feira, 21 horas, noite normal de ressaca. Parte da família está na sala apreciando novela mexicana, na Tv.
Jorginho, na cozinha, “na moita”, dando um “chega pra cá” na empregada doméstica, que, ladina, finge não notar que ele está roçando seu “negócio” nas das partes glúteas dela.
E de tanto “esfrega esfrega” a pobre, inadvertidamente, expeliu uma flatulência, digna de ronco da moto Honda. O rapazola logo se escafedeu e, desconfiadíssimo, retornou à sala.
No divã, a mãe segura o braço do pai, que parece estar na cena apenas como “figurante”, pois tomba a cabeça, de vez em quando, com alguns cochilos, dignos de um trabalhador em relaxamento.
Maria do Rosário, no terraço que rodeia a casa, procura se esconder dos olhos e ouvidos da família, porque está se ajeitando para facilitar o noivo a introduzir o “instrumento” em seu orifício virginalizado.
Nisso, atenta, a vovozinha que tricota do outro lado do terraço, fazendo o papel de Fiscal-de-virgindades”, escuta o murmúrio do noivo, Alessandro, que iludindo a moça promete só botar a “cabecinha”.
Mas a Vovó Tancredina grita: “Cuidado, minha filha, essa cabeça não tem ombro!”
Ve-se uma cena muda. O casal treloso volta apenas a se beijar, enquanto a mão do noivo, vadeia, procurando novidades por baixo da saia de “Rosário”. Na maior mutreta, ambos desejam enganar a véia que está de plantão. Silêncio sepulcral.
Marietinha, de 8 anos, está vidrada na cena da novela, exatamente porque o ex-galã do cinema-mudo, está querendo insistentemente aquilo que a namorada só pode dar depois de casada.
A menina, que vem de educação dos anos 1940, inocente toda, indaga:
– Mãe, porque ela não dá, logo o que ele quer?
– Cala a boca, menina. Não perturba a novela!
Xolinha, a cadela, deitada no tapete que forra grande parte da sala, sonha com a “picanha prometida”, de súbito, dá um grunhido. É um alerta.
No auge da cena pornô, eis que Jorginho, retornando do roça-roça com a Empregada, um tanto desconfiado, chega à sala e vê saindo por trás do quadro de D. Severino Pamparra, uma “senhora” barata e fica como estátua: paradão, estatelado. Imagina a tragédia que se avizinha e grita, interrompendo a novela:
– Pai, uma barata, ali, na parede! E tá saindo outra. Meu Deus, são duas, pai!
Todos os que estavam acomodados no sofá, levantam os pés, em atitude de fuga e voltam os olhos para as “atacantes”. Começa o desespero, diante do possível ataque dos desprezíveis insetos.
Têka Pimenta, uma sobrinha, inicia um “sermão” para acalmar todos que estavam na sala, apavorados como se as baratas fossem onças:
– Minha gente, que medo besta é esse?!… As baratas pertencem à ordem das Blattodeas. Elas são da superordem de insetos Dictyoptera. Fazem parte da cadeia alimentar, nada mais. Elas à noite procuram comida.
– Cala a boca, a gente neste apavoramento todo e você desejando nos dar aula!
– Gente, as baratas não fazem mal aos humanos! São inofensivas. A História diz que elas apareceram há mais de 300 milhões de anos e, atualmente, há mais de 5.000 espécies no mundo. Não há registro policial de que elas tenham atacado ninguém. Esta zoadeira toda de vocês é só “frescura”.
Vem a vovó-fiscal lá do terraço e completa:
– Minha gente, no meu tempo, era só dar uma bombatinha de “Flaytox”, aquele produto da Esso e elas logo tombavam. Volto a lembrar dos meus tempos de infância quando o fuzuê lá em casa também era aterrador, quando se via uma barata. Depois ficávamos todos rindo muito, pois o “barato” eram as baratas.
