CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

A obra genial de Ziraldo

Sempre tive o desejo de escrever uma história para crianças, porque o livro de “Jeca Tatu” me marcou a infância para sempre. O mestre Monteiro Lobato soube produzir um texto simples, atraente e de fácil compreensão. Ainda mais, educativo.

Um pobre caboclo que morava no mato, numa casinha de sapê. Vivia na maior pobreza, em companhia da mulher, muito magra e feia, pais de vários filhinhos pálidos e tristes.

Releio arquivos dos meus 10 anos de idade e recordo que o personagem fez parte até de propaganda médica. Havia folhetos, distribuidos nos balcões de farmácias, que promoviam a veiculação do “Biotônico Fontoura”.

Mas, cresci e o encanto de certas ideias se perderam no tempo.

Desejei, mas nunca tentei, de fato. Não tive inspiração e capacidade para escrever alguma coisa que atraísse as crianças. Principalmente agora que vivemos (e até sofremos) com a maravilhosa época dos smartphones, que empolgam os pequeninos, ao ponto de haver alterações psicológicas, detectadas pela ciência médica.

Maria Clara, uma bisneta adotiva, de menos de três anos, já manipula um celular de forma que me espanta. E mais, adora as historinhas próprias para crianças.

Teria eu, certamente, perdido meu tempo se houvesse enveredado por essa linha de literatura, porque teria que enfrentar dois cobras.

Pimbinha, de Pedro Bloch

Primeiramente o médico foniatra, Pedro Bloch, que marcou seu tempo com muitos livrinhos, cujos títulos, engraçadíssimos, logo conquistaram os compradores. Assim se tornaram vitoriosos: Pimbinha, Chiquinho Pitomba, Teco-teco, etc.

Era preciso ter peito para topar de frente, também, com o genial Ziraldo Alves Pinho, que manteve a cabecinha da criançada no lugar, com seu primoroso campeão de vendas: O Menino Maluquinho.

Eu teria levado boa rasteira se me aventurasse a concorrer com o mineiro de Caratinga, cidadão que foi cartunista, desenhista, jornalista, cronista, chargista, pintor e dramaturgo brasileiro, além de um dos fundadores da revista humorística “O Pasquim”.

O genial Ziraldo

Por isso, Deus me livre de entrar na seara de Ziraldo ou Dr. Bloch. Todavia, tive a audácia de criar, em 1956, uma historieta para meus bisnetinhos, mas não toquei em frente. Tinha, também, um título atrativo: “O Menino Safadinho.”

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