DEU NO JORNAL

A HORA DA VERDADE

Editorial Gazeta do Povo

O Brasil onde vale a pena viver, onde se pode viver sem medo, depende de duas datas muito significativas. Uma já era conhecida: 4 de outubro, dia das eleições; mas agora também merece destaque no calendário a próxima terça-feira, 15 de setembro. É o dia para o qual o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, marcou a sessão plenária pública que decidirá o destino de Alexandre de Moraes. Os ministros julgarão, entre outros temas, se a corte deve abrir uma investigação sobre as relações estranhas e íntimas entre Moraes e Daniel Vorcaro, do Banco Master – e, eventualmente, podem afastar Moraes temporariamente de suas funções como ministro do STF.

Com toda a convicção, esta Gazeta do Povo afirma que nada, hoje, é mais relevante para o país que a abertura de um inquérito específico, dedicado a mostrar ao país que ninguém está acima da lei e da Constituição. Mas não só isso: o afastamento também se mostra urgente. Ao longo dos últimos sete anos e meio, Moraes atropelou a Constituição, aterrorizando e intimidando milhões de brasileiros, quase sempre com o aval de boa parte de seus pares e de setores relevantes da sociedade; ele precisa ser desligado de suas funções para que não haja a menor possibilidade de dificultar a produção de provas, dado o poder e a influência que ainda tem.

O que a sociedade poderia fazer foi feito. Dezenas de milhares de brasileiros foram às ruas no dia 7, e milhares de entidades e organizações da sociedade civil publicaram manifestos exigindo uma solução para conter as tensões e o risco de implosão moral do Supremo. Agora, a decisão cabe a oito pessoas – pois, dos dez membros do STF, Dias Toffoli vem se declarando impedido em tudo o que diga respeito a Vorcaro, e Moraes, obviamente, não pode votar acerca de uma investigação contra si mesmo. O Brasil se pergunta: o que guiará essas oito pessoas? Fraquezas, vieses, lealdades, pressões, temores e interesses? Ou a consciência, o sentido do dever, e também a vergonha com relação à própria história?

O ceticismo, neste momento, é quase inevitável, tantas foram as ocasiões em que a autoblindagem prevaleceu entre os ministros do STF. Por outro lado, quem quer que tenha acompanhado a recente saga da nomeação de Jorge Messias ao Supremo sabe que surpresas positivas são possíveis. Já houve momentos em que mesmo quem estava imerso no erro e comprometido com ele percebe que o que está em jogo é grande demais para ser destruído por uma decisão irresponsável, dando-se conta de que vale a pena retornar à retidão e aos princípios que, ao longo da história, se mostraram os mais promissores e valiosos, em vez de liquidar a própria biografia. Esta é uma possibilidade real na próxima terça-feira, apesar da inegável força dos que são muito poderosos, não estão dispostos a retificar sua conduta e querem dobrar a aposta, por instinto de preservação e sobrevivência. Há ministros no STF que se encaixam nessa descrição – mas não são a maioria.

Reconheça-se, por exemplo, o trabalho sério e competente levado a cabo por André Mendonça. Infelizmente, uma parcela da sociedade – em parte por uma leitura equivocada, que associou Moraes à “defesa da democracia”; e em parte por preferências partidárias que associam, falaciosamente, a crítica a Moraes à defesa de um dos atuais candidatos à presidente – mantém reservas quanto a Mendonça, a ponto de aceitar com facilidade a absurda e injusta tese da equivalência moral entre os atos de Moraes e Mendonça. Absurda e injusta, repetimos, porque não pode haver comparação possível entre um contrato de R$ 131 milhões favorecendo a própria esposa e o recebimento de mensagens pedindo proteção, e uma conduta que, na pior das hipóteses, é uma escolha processual legítima, mas diferente da que alguns teriam adotado.

E, no momento atual, poucas coisas podem ser tão daninhas quanto essa falsa equivalência moral ou a transformação do escândalo envolvendo Moraes e Vorcaro em uma “crise” genérica, ainda que grave, como se tudo se resumisse a um conflito interno entre dois grupos dentro da corte em torno de divergências legítimas. Os apelos à proteção da instituição STF, com manifestações que enfatizam o “prestígio”, a “autoridade” ou a “integridade” da corte, tiram o foco do fato real: um conjunto de mensagens e outros indícios que apontam para um possível cometimento de crimes, comuns ou de responsabilidade, por parte de um dos membros do Supremo. Como disse à Gazeta o doutor em Direito e cientista político Bruno Coletto, “não existe uma crise puramente institucional. As instituições são movidas por pessoas, e são essas pessoas que geram as crises” – a pessoa, no caso, tem nome e sobrenome: Alexandre de Moraes. Não podemos aceitar que se perca isso de vista.

Destaque-se, ainda, a atuação do presidente Fachin. Ele poderia e deveria ter sinalizado melhor o seu repúdio às atitudes irresponsáveis de Alexandre de Moraes (na semana passada) e de Flávio Dino (na última quarta-feira), que ameaçaram demolir a própria dignidade do Supremo. Ainda assim, as decisões por ele tomadas, desde o momento em que André Mendonça lhe encaminhou o caso das relações entre Vorcaro e Moraes, tiveram uma notável correção, em uma situação que exigia equilíbrio e firmeza, e que envolvia todo tipo de pressão.

Os ministros Luiz Fux e Nunes Marques, em razão do posicionamento manifestado ao julgar, na Segunda Turma, a liminar de Mendonça que afastou Andrei Rodrigues da função de diretor-geral da Polícia Federal, provavelmente terão clareza quanto a tudo o que está em jogo. E, por fim, queremos crer que Cármen Lúcia e Cristiano Zanin estão entre os que poderão, no momento decisivo, deixar falar mais alto não o cálculo ou a lealdade a quem os indicou, mas o compromisso com a própria toga e com a página que um dia ocuparão na história. Cármen Lúcia, que tantas vezes invocou a dignidade da Constituição e o dever de memória de quem julga, tem diante de si a chance de mostrar que essas palavras não eram apenas retórica de ocasião. E Zanin, por mais que pese a gratidão pessoal a quem o indicou ao STF, tem diante de si a chance de mostrar que sua toga pertence, antes de tudo, à Constituição – e não a quem a veste, muito menos a quem lha entregou.

Na terça-feira, o Brasil verá quem atua com limpidez, sem sofismas, sem artifícios engenhosos para negar o óbvio, para deixar turvo o que é cristalino. Se a sessão do dia 15 mostrar que ainda há responsabilidade e pudor na corte, melhor: teremos dado um passo a mais rumo à normalidade. Mas, se os ministros nos decepcionarem, não é hora de baixar os braços. O calendário ainda nos reserva o 4 de outubro e, com ele, o instrumento mais poderoso que uma democracia coloca nas mãos do cidadão comum: o voto. Cabe a cada um de nós fazer dessa data um novo ponto de inflexão, escolhendo representantes verdadeiramente comprometidos com a reconstrução das instituições, com o respeito à Constituição e com o fim do arbítrio, venha ele de onde vier. O Brasil que sonhamos, um país cheio de vitalidade, de paixão pelo que é bom e nobre, e profundamente democrático, não será construído apenas nos gabinetes do Supremo; será construído, sobretudo, nas urnas, e na coragem de cada brasileiro de não se acomodar.

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RODRIGO CONSTANTINO

VINTE E CINCO ANOS DEPOIS DA QUEDA DAS TORRES GÊMEAS, OCIDENTE CONTINUA EM PERIGO

O 11 de setembro não foi um ponto final. Foi o início de uma guerra assimétrica que muitos ainda recusam reconhecer

Vinte e cinco anos se passaram desde aquele 11 de setembro de 2001, e a imagem das Torres Gêmeas desabando ainda deveria servir de alerta permanente contra a ilusão de que o Ocidente pode conviver pacificamente com o fanatismo islâmico. Dois aviões sequestrados por jihadistas da Al-Qaeda, comandados por Osama bin Laden, atingiram os símbolos do capitalismo e da liberdade em Nova York. Quase três mil inocentes morreram. Não foi “um acidente”, nem “resistência”, nem “consequência da política externa americana”. Foi terrorismo islâmico puro e simples.

Como escrevi anos atrás, ao comparar o massacre do Hamas em Israel com aquele dia: “Quando os terroristas islâmicos atacaram os Estados Unidos no 11 de setembro de 2001, morreram cerca de três mil pessoas, isso numa nação com mais de 300 milhões de habitantes. […] Sabemos qual foi a reação americana àquele atentado terrorista sem precedentes”. Os americanos, ao contrário da esquerda caviar que hoje prefere relativizar tudo, entenderam que havia um inimigo declarado e reagiram.

A esquerda, no entanto, fez o que sempre faz: negou a natureza religiosa e ideológica do ataque. Preferiu falar em “pobreza”, “humilhação” ou “imperialismo”. Essa denegação, que já denunciava em 2016 diante de outros atentados na Europa, continua até hoje. Chamam terroristas de “militantes” e transformam as vítimas ocidentais em algozes. O politicamente correto impede que se diga o óbvio: o problema não é o Islã “moderado” de fachada, mas a doutrina que prega a submissão do infiel e a glória do mártir.

As Torres Gêmeas não caíram apenas por impacto e fogo. Caíram porque representavam o que o islamismo radical odeia: a liberdade individual, o comércio, a criatividade humana sem califado. Quatro aviões, dezenove sequestradores, um plano calculado para máxima carnificina. Quem ainda insiste em teorias da conspiração sobre “explosivos controlados” ou “inside job” só demonstra a mesma recusa em encarar o inimigo real.

Vinte e cinco anos depois do 11 de setembro, o Ocidente pagou um preço alto nas guerras do Afeganistão e do Iraque, mas o erro maior não foi reagir. Foi acreditar que o multiculturalismo e a abertura irrestrita de fronteiras resolveriam o problema. Enquanto isso, células terroristas se proliferaram na Europa e até nos Estados Unidos. O 11 de setembro não foi um ponto final. Foi o início de uma guerra assimétrica que muitos ainda recusam reconhecer.

Hoje, em 2026, vemos prefeitos de esquerda em Nova York relativizando a memória das vítimas e documentos sendo usados para politizar o luto. A mesma turma que chama patriotas de “terroristas” hesita em nomear o islamismo radical. Essa inversão moral é a maior vitória póstuma de bin Laden.

Em 23 de março de 2019, num discurso para o CAIR (Councilon American-Islamic Relations), a democrata Ilhan Omar falou: “Algumas pessoas fizeram alguma coisa”. O contexto era o 11 de Setembro. Leandro Ruschel resumiu: “A união entre a esquerda radical e o fundamentalismo islâmico é a maior ameaça ao Ocidente”.

Não se trata de ódio a muçulmanos. Trata-se de recusar a submissão. A civilização ocidental sobreviveu a nazistas e comunistas porque teve clareza sobre o inimigo. Com o jihadismo, essa clareza foi minada pelo complexo de culpa e pela imprensa “progressista”.

Vinte e cinco anos depois, o dever é simples: lembrar quem atacou, por que atacou e o que está em jogo. As Torres Gêmeas caíram. A memória delas não pode cair também.

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A PALAVRA DO EDITOR

SEXTAFEIROU

Sextou geral.

Tá acabando a semana.

Hoje é dia de Chupicleide, secretária de redação, cair na gandaia.

Eu ouvi ela combinado com o amigo Bosticler agora há pouco pra encher o rabo de cana no final do expediente.

A farra vai ser no Bar da Caceta, no Alto do Mandu, aqui perto da sede desta gazeta escrota.

Os dois estavam felizes que só a peste por conta das doações feitas pelos leitores fubânicos

Gratíssimo a todos vocês que colaboram pra manter esta gazeta escrota nos ares.

Quem também está feliz é o Bartolomeu Silva, o técnico cuja empresa cuida da hospedagem e da assistência técnica do JBF, mantendo tudo funcionando 24 horas por dia, não deixando nossos leitores passarem por crises de abstinência.

Isso sem falar dos trocados que sobraram pra comprar capim pro jumento Polodoro e ração pra cachorra Xolinha, nossos estimados mascotes.

Polodoro, Chupicleide e Xolinha: todos felizes com a generosidade dos nossos queridos leitores

E, já que falamos em Polodoro, vamos embelezar esta sexta-feira ouvindo Luiz Gonzaga, o saudoso Rei do Baião, numa comovente homenagem ao jumento, esse animal que é uma marca característica da Nação Nordestina.

Vamos ouvi-lo interpretando a composição Apologia ao Jumento – O Jumento nosso Irmão.

DEU NO JORNAL

DATA MARCANTE

Além dos 25 anos dos covardes ataques terroristas do 11 de setembro nos Estados Unidos, a condenação de Jair Bolsonaro no STF pela tal “tentativa de golpe” completa um ano nesta sexta-feira (11).

* * *

Dois fatos absurdos.

Ambos na mesma data, a de hoje: 11 de setembro.

Uma daquelas coincidências infelizes da vida.