ALEXANDRE GARCIA

OPERAÇÃO ORDENADA POR DINO CONTRA MÁRIO FRIAS TEM CARA DE JOGADA ELEITORAL

Flávio Dino operação Mario Frias

Flávio Dino ordenou busca e apreensão contra o deputado Mário Frias, aliado de Jair Bolsonaro

Os jornais estão repercutindo a busca ordenada pelo ministro Flávio Dino na casa do deputado Mário Frias. Levaram armas – sete armas, todas registradas em nome dele –, computador, documentos e um celular. Tudo para investigar duas emendas do deputado, num total de R$ 2 milhões; são emendas que nem passam por ele, vão direto para as instituições a que se destinam. Estão investigando se essas emendas iriam para o filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro. Ainda estão procurando, mas até agora não acharam nada, só há suspeitas.

Mas nem precisam achar nada; o objetivo já está alcançado: acrescentar um ingrediente a uma campanha eleitoral em que as pesquisas começam a mostrar uma virada, com Flávio Bolsonaro passando Lula em simulações de segundo turno. Foi Dilma Rousseff quem disse que “nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição”. É uma mobilização, está tudo partidarizado.

Este é o resultado de um Supremo que se tornou um órgão político – nem falo mais em tribunal político, porque o STF se tornou quase um diretório. Isso começou com as ideias de Gilmar Mendes sobre a justiça alemã e as ideias de Luís Roberto Barroso, que ficou animadíssimo com a possibilidade de, sem ter mandato popular, se julgar superior à Constituição, um poder constituinte. Nem o imperador tinha esse poder. A Constituição de 1824 dava ao imperador apenas o poder de mediação, não o de mudar a Constituição. Mas o Supremo quis mais que isso. Não sei se é a vaidade ou a fraqueza humana que levam a isso. Dizem que, para se conhecer uma pessoa, basta dar-lhe poder.

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Fachin, se quiser, pode começar a restauração do STF e impedir que o mau exemplo se espalhe

E está nas mãos do presidente do STF, Edson Fachin, o poder de resgatar esse Supremo que está em ruínas – foi arruinado não pelo pessoal de 8 de janeiro, mas pelos próprios ministros (não todos), que chegaram lá como macaco em loja de cristais. Comparem o que fez a cabeleireira Débora na estátua de granito e o que essa estátua veria dentro do Supremo, se pudesse olhar para trás. Estou em Goiânia, e conversei com estudantes e recém-formados em Direito. Vejo a decepção desses jovens em relação ao Supremo.

E o mau exemplo que vem de cima afeta juízes, que ficam animados com a possibilidade de um juiz ter tanta força quanto um senador, ou mais que isso: virar um legislador. O juiz não é um legislador, é um aplicador da lei. Mas para aplicar a lei é preciso haver o concurso da acusação e da defesa – ao contrário do “inquérito do fim do mundo”, que não teve Ministério Público, nem amplo direito de defesa.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

DESCOLAMENTO

Assessores do Palácio do Planalto fazem de tudo para tentar descolar a imagem de Lula do Supremo Tribunal Federal e dos ministros amigos do petismo.

Fingem que a crise, diz um deles, “não é problema do governo”.

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Coitados dos assessores…

Descolar estas duas coisas é uma tarefa que não dá pra ser cumprida.

É tema de filme de ficção: Missão Impossível.

PROMOÇÕES E EVENTOS

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

MESTRES DO IMPROVISO

JOSÉ MELQUÍADES E ASSIS ROSENDO: UM DUPLA INDO E VOLTANDO

José Melquíades

Eu namorei uma moça
Que era muito engraçadinha,
Eu da porta da cozinha
Gritava: – filha me ouça!
Mas eu só beijava à força.
Quando ela percebia,
Numa porta ela fugia,
Pela outra eu entrava.
Quando eu ia ela voltava,
Quando eu voltava ela ia.
Quando eu ia ela voltava,
Quando eu voltava ela ia.

Assis Rosendo

Arranjei um casamento
Com uma moça já idosa,
Que não gostava de prosa,
Mas tinha consentimento,
Aí, naquele momento
Sempre ela me dizia
Que a mim não me queria
E nem também me amava.
Quando eu ia ela voltava,
Quando eu voltava ela ia.
Quando eu ia ela voltava,
Quando eu voltava ela ia.

José Melquíades

Eu fui dar com Gabriela
Um passeio de avião,
No campo de aviação
Foi peleja minha e dela,
Para entrar eu e ela
O avião não cabia,
Eu ficava e não subia,
Depois ela embarcava.
Quando eu ia ela voltava,
Quando eu voltava ela ia.
Quando eu ia ela voltava,
Quando eu voltava ela ia.

Assis Rosendo

Arranjei um casamento
Com uma bela menina,
Na cidade de Campina
Ela fez um juramento
Porém naquele momento
Todo mundo já dizia
Que ela não me queria,
Pois a outro ela amava.
Quando eu ia ela voltava,
Quando eu voltava ela ia.
Quando eu ia ela voltava,
Quando eu voltava ela ia.

José Melquíades

Namorei Aparecida,
Mas mãe não gostava dela,
Eu só namorava ela
Na casa da Margarida,
Minha mãe, muito sabida,
Ia lá pra ver se via,
Por uma porta eu saia,
Por outra mamãe entrava.
Quando eu ia ela voltava,
Quando eu voltava ela ia.
Quando eu ia ela voltava,
Quando eu voltava ela ia.

Assis Rosendo

Namorei uma menina,
Filha de um pai valente,
O seu nome era Vicente
E morava em Petrolina,
Porém em Araripina
Ela chegou certo dia,
Quando a mãe dela sabia,
O amor ela negava.
Quando eu ia ela voltava,
Quando eu voltava ela ia.
Quando eu ia ela voltava,
Quando eu voltava ela ia.

José Melquíades

Viajei num trem de feira
Com minha noiva Raimunda,
Quando eu ia de segunda
Ela ia de primeira,
Eu pulava pra terceira,
Pra segunda ela corria,
Quando eu pra primeira ia,
Pra segunda ela voltava.
Quando eu ia ela voltava,
Quando eu voltava ela ia.
Quando eu ia ela voltava,
Quando eu voltava ela ia.

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Francisco Pessoa

Quando o sol se acocora atrás da serra
E a cortina do céu fecha-se mansa
Mansamente uma inspiração me alcança
E eu me entrego aos segredos desta terra
Acredito que Deus fez e não erra
As montanhas, os vales, manguezais
Fez os mares e as águas fluviais
Fez Adão e fez Eva, um paraíso
E me fez tanto quanto sem juízo
E o que é que Ele falta fazer mais ?!

* * *

José Virgolino de Alencar

Navegando nas águas da poesia
não é eito pra todo canoeiro,
há que ser um exímio timoneiro
pra guiar o seu barco em maestria
seja no mar revolto ou calmaria,
enfrentar indomável tempestade
com coragem e rara habilidade
de manter o seu barco navegando
entre as ondas seguras velejando,
são os poetas, poetas de verdade.

* * *

Dimas Batista Patriota

Pois tudo que existe no mar aproveito,
Na ilha, no cabo, península, estreito,
Estreito, península, no cabo, na ilha,
No barco, na proa, em bússola e milha!
Medindo a distância eu vou viajar,
Não quero, da rota, jamais me afastar,
Porque me afastando o destino saí torto;
Confio em Deus pra avistar o meu porto,
Cantando Galope na beira do mar!

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Minervina Ferreira

O espaço da mulher
se amplia a cada momento
Desde a comerciaria
a que faz medicamento
em relação ao passado,
Ai!, ai!, ui!, ui!…
mudou noventa por cento.

Tem mulher sendo manchete,
corpo lindo e sensual
Tem mulher trabalhadora
dentro da zona rural
Que nem sabe aonde fica,
Ai!, ai!, ui!, ui!…
O Distrito Federal.

No campo policial,
tem delegada e bombeira
A promotora, juíza,
advogada, pedreira
Nosso espaço está abrindo,
Ai!, ai!, ui!, ui!…
Mesmo que o homem não queira.

DEU NO JORNAL

AMIGOS DO PEITO

Foram tantas decisões de Alexandre de Moraes que ajudaram o projeto Lula (PT) de poder que fica difícil, mesmo para os padrões de canalhice da política brasileira, “largar a mão” do ministro do STF.

Lula deve a Moraes até a recente reconciliação com Davi Alcolumbre: convocou o amigo “para um café” e fez dele seu articulador político.

Moraes levou o presidente do Senado, quase sob vara, para beijar a mão de Lula.

Não dá para Lula fazer o que fez à lobista Roberta Luchsinger, sócia do seu filho Lulinha, e dizer que Moraes lhe é estranho ou que mal o conhece.

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Amigo é coisa pra se guardar, debaixo de sete chaves, diz a música de Milton Nascimento.

Mora um no peito do outro.

Uma amizade imorredoura e luminosa.

Os dois jogam luz nos ares e clareiam a republiqueta banânica todinha.

Campanha de Lula tenta afastá-lo de Moraes com caso Mendonça-Vorcaro

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

O MASSACRE DE JARAGUÁ

O fato se deu há muitos anos, quando a República do Brasil estava engatinhando. Naquela época o bairro de Jaraguá vivia uma efervescência econômica, exportação de açúcar, algodão, e importação de materiais industrializados. O porto de Jaraguá era um dos mais movimentados do Brasil. Na Praça da Recebedoria, hoje Praça Dois Leões, em torno da Igreja Nossa Senhora Mãe do Povo, moravam estivadores, embarcadiços, pescadores, homens que tinham o mar como sustento.

Os vizinhos se conheciam, havia casamento entre eles, era como fosse uma só família. Augusta era uma jovem bonita da redondeza, 16 anos, filha de Seu Augusto, estivador, homem forte e rude. Todos admiravam a beleza de sua alegre filha. Menina sapeca, trepava em árvore, corria na praia, faceira, a todos encantava, mas só um à ela agradava: Gumercindo, jovem espadaúdo, tomou corpo de homem com 19 anos, forte musculatura, corpo forjado carregando sacos de açúcar no cais do porto, tornou-se embarcadiço. Os pais de Augusta permitiram o namoro. Era do gosto das duas famílias.

Certa tarde de domingo, uma pequena patrulha da Força Policial, comandada pelo Cabo Sobral, fazia ronda na Praça Dois Leões. Quando o Cabo viu a moça de roupa domingueira, encantou-se. Ficou deslumbrado com a beleza de Augusta. Todo domingo, o Cabo admirava a menina de seus sonhos passando para missa na Igreja Nossa Senhora Mãe do Povo. Certo dia ele se apresentou e falou com o pai da moça. Não se conformou em saber que a bela Augusta estava comprometida com um embarcadiço. Não admitia uma negativa, era quase proposta de casamento, ele um cabo da Força Policial, autoridade, de tradicional família (sua família deu nome à belíssima praia do Sobral, continuação da Avenida da Paz).

No dia 14 de janeiro havia a festa de Bom Jesus dos Navegantes. As embarcações flutuavam, singravam, na enseada da praia da Avenida, cada qual com sua decoração, muitos fogos, muita alegria. À noite a festa se prolongava na Praça e na Igreja. Colocavam tendas para leilões, bingos, tablados onde se dançava e jogava. Improvisavam bares servindo cachaça e tira-gosto para animar a moçada.

Nas casas eram organizadas festas particulares frequentadas pelos vizinhos e convidados. Gumercindo havia chegado em uma barcaça de Penedo. Os amigos fizeram uma festa na casa de Augusto, pai da jovem mais bonita da cidade.

O Cabo Sobral, ao longe, via a animação na casa de Augusto, ficou com ciúme e despeito quando percebeu pela janela, Gumercindo dançando o coco com a amada Augusta na maior felicidade. O Cabo, bêbado, com mais dois policiais, tentou entrar na casa de Augusto, foram barrados na porta por Simplício, irmão do dono da casa. O Cabo quis alterar, apareceram mais de dez estivadores, ele recuou. Depois de certo tempo, Sobral, o cabo arruaceiro, retornou com mais quatro policiais. Foram rechaçados por braços e pontapés, a briga generalizou-se. Uma peixerada na barriga deixou um policial morto na rua.

Sobral levou o soldado morto. Foi à Delegacia Regional, armou mais de 20 homens. Montados a cavalos subiram à Praça Dois Leões atirando e matando quem estava pela frente. Os donos das casas pularam muro, fugiram da sanha dos policiais. Na casa de Augusto, todos dispersaram. Dois músicos ficaram guardando seus instrumentos, foram feridos. Na praça, os ambulantes que nada tinham a ver com a história correram para dentro da Igreja Nossa Senhora Mãe do Povo. Os soldados do Cabo Sobral entraram, atiraram nos inocentes.

No dia seguinte, o governador foi ao local da chacina, estava escandalizado, entretanto, mandou juntar os cadáveres, mais de dez, em carroça de bonde, e enterrar no Cemitério de Jaraguá, algumas famílias acompanharam os mortos.

Nenhuma notícia saiu em jornais, nada foi registrado. Para abafar o caso, a Igreja, a cúria, determinou a interdição do templo católico. A Igreja Nossa Senhora Mãe do Povo da freguesia de Jaraguá ficou trancada por mais de dez anos. Mas o povo não esqueceu, ainda hoje, por tradição oral, os netos e bisnetos de Gumercindo e Augusta contam a história do massacre de Jaraguá. Quase nada tem escrito sobre o Massacre de Jaraguá.

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL