Arquivo diários:27 de setembro de 2026
DEU NO X
JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO
O SALTO DE QUALIDADE PARA O FUTURO
Li na semana passada uma postagem nas redes sociais que assegurava cientificamente que, o Ceará em menos de uma dezena de anos, não apenas será o maior, mais produtivo e mais desenvolvido estado do Nordeste, e fará parelha com os três mais desenvolvidos do País.
Como certamente diria Vovó Buretama: “Será impossíve”!?
Como diria um amigo dos dias atuais, que mora na mesma rua que eu: “Vamos aguardar”!
Eu diria que a Terra girou, fez o seu movimento.
Aquele que a gente teve notícia na escola primária, quando iniciou os estudos.
Nos anos da década de 50, havia poucas linhas de ônibus urbanos.
Esses, além de poucas linhas, faziam itinerários para atender exclusivamente os moradores de determinados bairros – quero dizer que não se conhecia, ainda, os ônibus que faziam linhas circulares, como hoje. Os horários também eram limitados. A maioria circulava somente até as 22 horas.
Havia, também, discussões pela profissionalização.
Mas, paralelamente, começaram a aparecer as Associações profissionais, que mais tarde formariam os Sindicatos de classes. Foi quando começaram a aparecer as greves.
Horários e itinerários restritos, e greves. Tudo em prejuízo do pagador das tarifas e impostos. Sempre foi assim, e jamais deixará de ser.
O povo tem o poder – mas não tem esclarecimento para usá-lo!
Caminhonete que fazia exclusivamente a linha para a Parangaba
Tal e qual hoje para a existência do Uber, do Moto Uber e do moto táxi, existia naqueles anos a “caminhonete da Parangaba” (como denominávamos).
Fazia um itinerário só, no horário após os ônibus saírem de circulação – sempre às 22 horas – e, quando eram deflagradas as greves dos motoristas dos ônibus urbanos.
O itinerário era da Parangaba para a Praça José de Alencar – uma linha reta, como se fora uma Avenida Brasil, sempre pela avenida João Pessoa.
Para os que não conhecem Fortaleza, nem a avenida João Pessoa: essa avenida foi construída pelos americanos, quando o Brasil não era governado pelo PT, nem pelo STF e muito menos pelo PCC ou pelo CV.
Os americanos ancoravam os navios no Mucuripe com tanques e outros equipamentos pesados, e os “escondiam” numa base sediada no Pici, antes, Pan-Americano.
Para o trajeto de aproximadamente 25 Km, desde o Mucuripe até o Pici, precisaram construir uma pista (concretada com componentes duráveis) que, anos depois seria oficializada como avenida João Pessoa.
Essa pista resistiu por mais de 70 anos. Há alguns anos atrás, por problemas de ajuntamento de óleos graxos e por estar provocando acidentes em virtude de deslizamentos na frenagem, foi substituída. Levou mais tempo para ser retirada, que para ser construída.
Era pela avenida João Pessoa, da Parangaba até a Praça José de Alencar, o único trajeto e itinerário das caminhonetes da linha Parangaba.
Metrô de superfície implantado em Fortaleza
Fortaleza mudou. Cresceu. Principalmente pelos períodos de seca que “tangeram” os sertanejos – nem todos tinham posses financeiras para procurar vida melhor no Sudeste. Mudaram em definitivo para a capital.
Apareceram os bairros.
Mais bairros e mais conjuntos residenciais.
As administrações do município – antes do surgimento do PT (Partido dos Trabalhadores) – recebiam a todos de bom grado.
A população da capital aumentou e os problemas, também. Principalmente os de educação, saúde e segurança.
Saí de Fortaleza em 1967, para o Rio de Janeiro.
Nesses 59 anos, fui no máximo 10 vezes, sempre rever familiares – são esses os meus laços que me obrigam a me atualizar com as mudanças da cidade.
Por mais de dez anos, meu falecido pai juntou e enviou para mim, os jornais impressos O Povo e o Diário do Nordeste – até que descobri a venda desses impressos numa banca de Jornaleiro na frente do antigo Hotel Serrador, na Cinelândia.
Hoje me atualizo assinando as edições on-line desses jornais.
Volto ao primeiro parágrafo desta crônica: o vaticínio das notícias se basearam em alguns itens, que ouso destacar – a garra do povo cearense; a luta pela dignidade pessoal, em vez da aderência e ao ajoelhar-se total para os programas sociais governamentais; o orgulho de manter e lutar para ser reconhecido como povo trabalhador; a chegada de uma dezena, centena de shoppings centers; a chegada de uma escola de nível superior da qualidade e do reconhecimento do ITA; a construção, expansão e funcionamento do Porto de Pecém, mesmo com lastro que só permite o embarque e desembarque de poucos navios; a Transnordestina e a modernização urbanística da cidade.
Mas, a principal aposta e esperança está depositada na eleição de Ciro Gomes para governar o Estado, expurgar o PT e limpar a capital de todas as cracolândias e domínios do crime organizado.
DEU NO JORNAL
NOS CONFORMES
Ministros do presidente Lula, os da Esplanada, desrespeitam a lei e não divulgam agenda com compromissos, fundamental para que o pagador de impostos possa fiscalizar aqueles que arrancam generosos salários do nosso bolso.
Levantamento da coluna mostra que, no último mês, Alexandre Padilha (Saúde), Guilherme Boulos (Secretaria Geral), Esther Dweck (Gestão e Inovação), Jorge Messias (AGU) e Margareth Menezes (Cultura), Wellington Dias (Desenvolvimento Social), reincidem no erro.
Só três escaparam
Dos 38 ministros, nesta sexta-feira, por exemplo, só três auxiliares de Lula divulgaram agendas.
Para os outros 35, nada.
* * *
Esta nota aí de cima começa dizendo que os ministros luleiros “desrespeitam a lei”.
Grande novidade!
Não há motivo algum para espantos.
Eles estão apenas cumprindo o regulamento do bando que atualmente desgoverna este maltratado país.
Tudo dentro dos conformes,
MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE
A ECONOMIA NA RETA FINAL DAS ELEIÇÕES
Há uma semana do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro, o debate político brasileiro entra em sua fase decisiva. O Tribunal Superior Eleitoral registra atualmente 13 candidaturas à Presidência da República, com programas de governo formalmente apresentados e disponíveis para consulta pública. Mais do que as disputas políticas tradicionais, a economia aparece novamente como um dos principais campos de diferenciação entre os candidatos.
O cenário econômico que chega às urnas é relativamente complexo. O desemprego estava em 5,4% no segundo trimestre de 2026, enquanto a inflação acumulada em doze meses até agosto alcançava 4,22%. Ao mesmo tempo, o PIB acumulado em quatro trimestres cresceu 1,9%. A política monetária continua restritiva: em setembro, o Banco Central reduziu a taxa Selic para 13,75% ao ano, mas manteve a indicação de cautela diante das expectativas de inflação ainda acima da meta.
Há, portanto, uma combinação pouco simples para o próximo governo. De um lado, o mercado de trabalho permanece relativamente aquecido, apesar dos questionamentos sobre as métricas de Pochmann, da enorme quantidade de empresas em regime judicial, do rombo nas estatais e do comprometimento da dívida pública como fração do PIB. Um país cheio de santos deve contar com os milagres por que as teorias econômicas apontam numa direção e os indicadores apontam para outra. Com a taxa de juros elevada, apesar da redução de 0,5 pontos percentuais, crescimento moderado e dificuldades fiscais limitam o espaço para expansão de despesas. A própria Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda reduziu, em setembro, sua previsão de crescimento do PIB de 2026 de 2,3% para 2,0%.
A questão fiscal talvez seja o ponto de maior convergência temática — embora não necessariamente de soluções — entre os programas. As propostas apresentadas ao TSE mostram que praticamente todos os principais candidatos tratam de dívida, equilíbrio das contas públicas, eficiência do gasto ou reforma do Estado. A diferença está principalmente na intensidade e nos instrumentos utilizados.
No programa do presidente atual, a orientação econômica está associada à continuidade do atual arcabouço fiscal, à reforma tributária, à política de valorização do salário-mínimo e à ampliação dos investimentos vinculados ao Novo PAC e à Nova Indústria Brasil. O programa também destaca crédito para pequenas e médias empresas, renegociação de dívidas e uma política de transformação ecológica vinculada à indústria e à inovação. Coisas que são prometidas desde 2002 quando ele assumiu o governo pela primeira vez. Todos sabem que não há um instrumento econômico sério que o governo possa mostrar.
O governo se apoia, fortemente, na agenda do trabalho, com a inclusão do fim da escala 6×1 e da redução da jornada para 40 horas semanais, além da regulamentação do trabalho por aplicativos. A outra questão mais importante que o governo fez foi dar aumento de 15% para os beneficiários do Bolsa Família e faz isso, puramente e simplesmente, sem interesse nenhum, faz sem querer influenciar o eleitor, não é mesmo?
Na candidatura de Flávio Bolsonaro, o programa econômico enfatiza redução de impostos, reformulação das regras fiscais, redução do custo do trabalho e maior espaço para negociação entre empresas e trabalhadores. Também aparecem propostas de estímulo ao primeiro emprego, crédito para empreendedores, abertura comercial e medidas destinadas a manter a inflação no centro da meta. Quem tem interesse ouça Daniela Marques que foi presidente da CEF e agora é a coordenadora da proposta econômica de Flávio Bolsonaro. Ela fala com naturalidade e trata das questões apontando soluções.
Outro eixo desse programa é a tentativa de ampliar a participação empresarial na geração de emprego. A proposta menciona iniciativas específicas para a primeira empresa, para trabalhadores com mais de 50 anos e para redução dos encargos relacionados à contratação. Dessa forma, o debate trabalhista aparece nas eleições por duas perspectivas diferentes: enquanto alguns programas propõem redução da jornada, outros enfatizam flexibilização das relações de trabalho e redução dos custos de contratação.
Romeu Zema apresenta uma agenda econômica centrada em um ajuste fiscal mais amplo. Seu plano propõe estabilizar a relação entre dívida pública e PIB, realizar reforma administrativa, promover nova reforma da Previdência e reduzir gradualmente o Imposto de Renda das empresas. O documento também prevê privatização das empresas estatais e redução dos encargos sobre a folha de pagamento.
Uma proposta particularmente distinta nessa candidatura é a criação de uma alternativa mais flexível à contratação pela CLT. Trata-se de uma discussão que poderá ganhar espaço justamente porque o mercado de trabalho brasileiro vem sofrendo transformações associadas ao trabalho por plataformas, prestação autônoma de serviços e novas tecnologias.
Ronaldo Caiado, por sua vez, apresenta uma agenda denominada Estratégia Brasil 2040, associando crescimento econômico a uma agenda nacional de produtividade. Seu programa propõe estabilização fiscal, controle das despesas obrigatórias, revisão de subsídios e benefícios tributários e ampliação dos investimentos públicos e privados. Infraestrutura, logística, indústria e mineração estratégica também aparecem como instrumentos de crescimento.
O programa de Caiado introduz ainda a expressão “Orçamento da Verdade”, relacionada à tentativa de tornar mais explícitas as restrições fiscais enfrentadas pelo governo. A preocupação com subsídios e benefícios tributários é relevante porque desloca parte do debate fiscal da simples redução das despesas para a discussão sobre receitas que o Estado deixa de arrecadar.
Entre as propostas menos convencionais aparece também o programa de Renan Santos. Ele prevê desindexação de despesas públicas, mudanças nos pisos constitucionais, reforma do funcionalismo e revisão de renúncias fiscais. Uma das propostas é substituir o Bolsa Família pelas chamadas “Frentes Cidadãs”, nas quais haveria trabalho remunerado em atividades voltadas à comunidade. Seguramente, é uma experiência fadada ao insucesso por diversas razões, entres eles a falta de credibilidade do candidato.
Augusto Cury também incorpora alguns elementos diferentes ao debate econômico tradicional. Seu programa estabelece como objetivos aproximar o déficit público de zero, reduzir gradualmente a dívida e criar um Banco do Empreendedor. A proposta menciona ainda a intenção de estimular a criação de milhões de novos empreendedores e desenvolver Zonas de Processamento de Exportação e corredores econômicos estratégicos. O problema é que não deixar claro como fazer. Papel aguenta tudo.
Talvez uma das novidades mais características da eleição de 2026 seja justamente a presença explícita da inteligência artificial nas propostas econômicas. O programa de Cury, por exemplo, fala em prevenção ao “desemprego estrutural” decorrente da era da inteligência artificial. Independentemente da solução proposta, o aparecimento do tema mostra que a transformação tecnológica passou a ser tratada também como questão de emprego e política econômica. O desemprego estrutural é aquele gerado por problemas macroeconômicos, geralmente associados a riscos sistêmicos, como o caso da pandemia.
As contas públicas, entretanto, continuarão impondo limites às promessas apresentadas. O Prisma Fiscal de setembro registrou mediana de projeções do mercado de déficit primário de R$ 52,3 bilhões para o Governo Central em 2026 e dívida bruta estimada em 83,2% do PIB. Qualquer programa que envolva novas despesas, redução de tributos ou ampliação de investimentos terá, portanto, de enfrentar a discussão sobre seu financiamento.
Esse talvez seja um dos pontos mais importantes para observar nesta reta final: não apenas o que cada candidato promete fazer, mas como pretende financiar suas propostas. Reduzir impostos e ampliar gastos simultaneamente, por exemplo, exige indicar compensações. Da mesma forma, cortes de despesas precisam esclarecer quais programas, benefícios ou estruturas administrativas serão atingidos. Aqui, eu não deixo de reproduzir o que disse Daniela Marques: cortar ministérios. Ela disse mais: “Bolsonaro cortou 20 mil cargos e o PT criou 22.500 porque cada emprego representa 10% para o partido”.
A eleição de 2026 chega, assim, a seus últimos dias com propostas econômicas que misturam questões antigas e novas. Equilíbrio fiscal, impostos, crescimento e emprego continuam presentes, mas agora dividem espaço com inteligência artificial, economia verde, minerais estratégicos, plataformas digitais, novas jornadas de trabalho e mudanças mais profundas na organização do Estado.
No dia 4 de outubro, o eleitor não decidirá apenas quem ocupará a Presidência pelos próximos quatro anos. Entre os temas submetidos ao debate político está também qual combinação de Estado, mercado, proteção social, política industrial, responsabilidade fiscal e transformação tecnológica deverá orientar a economia brasileira a partir de 2027.
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
EDMILSON PITECO – CARIACICA-ES
JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL
OS BRASILEIROS: José Feliciano
José Feliciano Fernandes Pinheiro nasceu em 9/3/1774, em Santos, SP. Magistrado, escritor, historiador e político, teve atuação destacada no período da independência e imperial. Fundador do IHGB- Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1838; e um dos primeiros administradores da Santa Casa de Misericórdia e incentivador da criação das faculdades de direito de São Paulo e Olinda em 1827.
Filho de Maria Elisa Júlia de Lima e do Coronel de Milícias José Fernandes Martins, estudou na Universidade de Coimbra, onde formou-se em 1799, em Letras e Cânones. Retornou ao Brasil, em 1800 e veio a ocupar o cargo de juiz das alfândegas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Entre 1811 e 1812 foi auditor-geral do exército; eleito deputado da Corte Portuguesa, por São Paulo, em 1821, passando a viver em Lisboa, retornando ao Brasil logo após a declaração da Independência, em 1822.
Foi Deputado Geral da Assembleia Constituinte de 1823, pelo Rio Grande do Sul, quando propôs a criação de uma universidade no Brasil. Para isso, foi criada uma comissão. Porém com a dissolução da Assembleia, o projeto foi adiado. Em seguida foi nomeado presidente da província do Rio Grande do Sul, onde permaneceu até 1826. Por esta época fundou a primeira tipografia e recebeu a primeira leva de imigrantes alemães, em São Leopoldo.
Nos anos 1825-1826 foi provedor da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e obteve do Imperador autorização para criar 10 loterias a fim de angariar fundos para as obras do prédio. Sob sua gestão a Santa Casa foi instituída em 1826. No ano anterior entrou para o Conselho do Império e foi condecorado no ano seguinte com o título de Visconde, quando foi escolhido como conselheiro de Estado e senador do Império, permanecendo até 1847.
Em 1827 alcançou o cargo de Ministro da Justiça e efetivou a criação das duas primeiras faculdades de Direito em São Paulo e Olinda. Em algumas ocasiões foi encarregado de missões de caráter diplomático. Segundo José Veríssimo foi um historiador que além de “memórias biográficas de compatriotas ilustres ou sobre limites do Brasil e ainda monografias interessantes para a nossa história literária, escreveu uma obra notável para o tempo e ainda hoje estimável, Anais da Capitania de São Pedro” (1819).
O livro, publicado em 1819, constitui-se numa obra de referência básica os estudos da formação histórica do Rio Grande do Sul. Vale lembrar que foi em princípios do século XIX que se deu o processo de libertação e constituição dos nossos país do Cone Sul e os tratados se sucediam com rapidez, onde os limites meridionais da Pátria eram guardados a ferro e fogo. Foi no período 1811-1812 que as lutas de emancipação das colônias espanholas se intensificaram, levando o governo de Dom João VI a penetrar naquela região para garantir os limites das terras brasileiras. José Feliciano teve atuação destacada neste período
Tal participação lhe garantiu uma vaga de Deputado nas Cortes de Lisboa, com a Revolução Constitucionalista de 1820, representando a província rio-grandense do sul. São Paulo, não esqueceu seu filho dileto e elege-o também como representante da província onde nasceu. Em 1824 foi designado Presidente da Província do Rio Grande do Sul e passou a se dedicar à colonização da região. Seu projeto mais bem-sucedido foi a fundação da colônia alemã de São Leopoldo, segundo ele mesmo um núcleo colonizador destacado como “o primeiro e mais importante de todo o Brasil”.
Em seguida foi designado para o cargo de Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Império, onde referendou o Decreto que instituiu os cursos jurídicos no Brasil, em 1827. Na ocasião, foi agraciado com o título de Visconde, acumulado com o cargo de Conselheiro de Estado e Senador por São Paulo. Com a abdicação de Dom Pedro I, em 1831, afastou-se do métier político e dedicou-se ao estudo e educação dos filhos.
Faleceu em 6/7/1847 e em 2011 teve seu nome inscrito no “Panteão dos Heróis e Heroínas da Pátria”. Além Anais da Capitania de São Pedro” (1819), deixou mais algumas obras fundamentais sobre a história: Cultura americana. 2 vols. Lisboa, 1799; História nova e completa da América. 2 vols. Lisboa, 1800; Sistema universal da história natural. Lisboa 1801; Memórias do Instituto Histórico. R. Janeiro, 1839, entre outras.
DEU NO JORNAL
O PLACAR VAI SER DE 13×0
LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA
ADIVINHE O TAMANHO DA BRIGA QUE JANJO COMPROU AGORA
DEU NO X
TORCIDAS ENCRENQUEIRAS… QUE INJUSTIÇA…
DEU NO JORNAL
A LIBERDADE DE IMPRENSA É INEGOCIÁVEL
Editorial Gazeta do Povo

Donald Trump faz anúncio a jornalistas em 18 de setembro, dia em que proibiu três veículos de comunicação de acessar a Casa Branca
Ao longo de seus dois mandatos, o presidente norte-americano Barack Obama jamais teve uma relação amistosa com a Fox News, emissora de viés conservador e bastante crítica ao mandatário democrata: concedia menos entrevistas à Fox que às concorrentes, e respondia a menos perguntas de seus jornalistas nas coletivas na Casa Branca. A certa altura, membros do governo flertaram com a ideia de proibir a presença da Fox nesses eventos, e em 2009 o Departamento do Tesouro de fato tentou impedir a emissora de participar de uma entrevista coletiva de um de seus diretores; houve protestos dos outros canais, e o banimento nunca se concretizou.
Em 2004, o governo Lula mandou suspender o visto de um jornalista do New York Times após uma reportagem sobre hábitos etílicos do presidente. Larry Rohter só não foi expulso do Brasil porque o Judiciário interveio em defesa do correspondente e o Ministério da Justiça recuou. O petista voltou à carga em agosto deste ano: durante sua sabatina no Jornal Nacional, o presidente-candidato não gostou de uma pergunta certeira da apresentadora Renata Vasconcellos sobre a escalada da dívida pública. “Eu pensei que uma jornalista da tua qualidade, da tua competência, pudesse começar a sua pergunta falando diferente”, disse Lula antes de dizer que pergunta chapa-branca gostaria de ter ouvido. Em 2018, o ministro do STF Gilmar Mendes também se irritou ao ser questionado por uma repórter da Folha de S.Paulo sobre o responsável por custear a viagem do ministro a Portugal para seu “Gilmarpalooza”. “Devolva essa pergunta ao seu editor, manda ele enfiar isso na bunda”, retrucou Gilmar, com sua grosseria característica.
O que deveríamos pensar se, em retaliação às perguntas “desagradáveis”, Lula proibisse o acesso da Rede Globo aos eventos presidenciais, ou Gilmar proibisse a Folha de acompanhar os julgamentos no Supremo? Ou se Rohter acabasse de fato expulso do Brasil? Ou se Obama tivesse levado adiante a ideia de barrar a Fox News? Isso seria, ou ao menos deveria ser, motivo de repúdio unânime não apenas entre a classe jornalística, mas de toda a sociedade – e, no caso do correspondente do NYT, as entidades representativas de jornalistas e veículos de imprensa foram bastante atuantes. A liberdade de imprensa é um dos pilares da democracia, protegida constitucionalmente tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, e o acesso dos jornalistas a eventos de Estado não é um privilégio concedido a amigos e vedado aos “inconvenientes”, mas um direito garantido aos que têm como profissão levar informação aos cidadãos.
É por isso que o presidente Donald Trump, ao banir da Casa Branca o site Politico e as emissoras de televisão CNN e MS NOW, imitou uma característica deplorável da esquerda mundial: a aversão à imprensa que não se curva aos desejos do mandatário de plantão. Excluir desta forma veículos de comunicação cuja cobertura desagrada o governo é medida típica de regimes autoritários, ou de governantes de alma autoritária, que precisam se escorar em justificativas fragilíssimas, como supostas ameaças à “segurança nacional” – um raciocínio muito semelhante aos “danos ao país” alegados pelo ditador Hugo Chávez para não renovar a concessão do maior canal de televisão da Venezuela, a RCTV, em 2006.
Os argumentos de Trump, felizmente, não colaram nem mesmo para a Fox News, mais alinhada às plataformas do Partido Republicano. A emissora se juntou ao protesto das outras concorrentes que seguiam credenciadas: elas não pararam de informar seu público sobre as atividades do presidente, mas deixaram de participar do pool responsável pela geração conjunta de imagens da Casa Branca e de Trump – nenhuma emissora, por exemplo, transmitiu o embarque do presidente no Air Force One e sua chegada a Nova York para a Assembleia Geral da ONU. A manifestação de solidariedade é fundamental, mas não substitui uma solução definitiva que garanta a liberdade de imprensa.
CNN, MS NOW e Politico acionaram a Justiça norte-americana para recuperar o acesso à Casa Branca e, na madrugada de quinta-feira, o juiz federal americano Timothy Kelly ordenou que as credenciais anteriormente tomadas sejam devolvidas aos veículos de imprensa; no entanto, jornalistas de CNN e MS NOW foram barrados no jantar oferecido por Trump ao ditador chinês Xi Jinping na noite de quinta, após a concessão da liminar. Em sua decisão, o magistrado baseou-se primariamente em possíveis violações do devido processo legal, como a impossibilidade de defesa, mas é necessário que qualquer decisão definitiva sobre o tema seja também bastante enfática quanto à proteção do livre exercício do jornalismo como garantia democrática. “Se for mantida, [a decisão de Trump] ameaça a liberdade de imprensa e o direito do público ao jornalismo independente, livre de interferências governamentais”, disseram na ação os três veículos de imprensa. Quem quer que viva sob regimes ou governos inimigos da liberdade de informação sabe o quanto essa afirmação é verdadeira.



