José Feliciano Fernandes Pinheiro nasceu em 9/3/1774, em Santos, SP. Magistrado, escritor, historiador e político, teve atuação destacada no período da independência e imperial. Fundador do IHGB- Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1838; e um dos primeiros administradores da Santa Casa de Misericórdia e incentivador da criação das faculdades de direito de São Paulo e Olinda em 1827.
Filho de Maria Elisa Júlia de Lima e do Coronel de Milícias José Fernandes Martins, estudou na Universidade de Coimbra, onde formou-se em 1799, em Letras e Cânones. Retornou ao Brasil, em 1800 e veio a ocupar o cargo de juiz das alfândegas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Entre 1811 e 1812 foi auditor-geral do exército; eleito deputado da Corte Portuguesa, por São Paulo, em 1821, passando a viver em Lisboa, retornando ao Brasil logo após a declaração da Independência, em 1822.
Foi Deputado Geral da Assembleia Constituinte de 1823, pelo Rio Grande do Sul, quando propôs a criação de uma universidade no Brasil. Para isso, foi criada uma comissão. Porém com a dissolução da Assembleia, o projeto foi adiado. Em seguida foi nomeado presidente da província do Rio Grande do Sul, onde permaneceu até 1826. Por esta época fundou a primeira tipografia e recebeu a primeira leva de imigrantes alemães, em São Leopoldo.
Nos anos 1825-1826 foi provedor da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e obteve do Imperador autorização para criar 10 loterias a fim de angariar fundos para as obras do prédio. Sob sua gestão a Santa Casa foi instituída em 1826. No ano anterior entrou para o Conselho do Império e foi condecorado no ano seguinte com o título de Visconde, quando foi escolhido como conselheiro de Estado e senador do Império, permanecendo até 1847.
Em 1827 alcançou o cargo de Ministro da Justiça e efetivou a criação das duas primeiras faculdades de Direito em São Paulo e Olinda. Em algumas ocasiões foi encarregado de missões de caráter diplomático. Segundo José Veríssimo foi um historiador que além de “memórias biográficas de compatriotas ilustres ou sobre limites do Brasil e ainda monografias interessantes para a nossa história literária, escreveu uma obra notável para o tempo e ainda hoje estimável, Anais da Capitania de São Pedro” (1819).
O livro, publicado em 1819, constitui-se numa obra de referência básica os estudos da formação histórica do Rio Grande do Sul. Vale lembrar que foi em princípios do século XIX que se deu o processo de libertação e constituição dos nossos país do Cone Sul e os tratados se sucediam com rapidez, onde os limites meridionais da Pátria eram guardados a ferro e fogo. Foi no período 1811-1812 que as lutas de emancipação das colônias espanholas se intensificaram, levando o governo de Dom João VI a penetrar naquela região para garantir os limites das terras brasileiras. José Feliciano teve atuação destacada neste período
Tal participação lhe garantiu uma vaga de Deputado nas Cortes de Lisboa, com a Revolução Constitucionalista de 1820, representando a província rio-grandense do sul. São Paulo, não esqueceu seu filho dileto e elege-o também como representante da província onde nasceu. Em 1824 foi designado Presidente da Província do Rio Grande do Sul e passou a se dedicar à colonização da região. Seu projeto mais bem-sucedido foi a fundação da colônia alemã de São Leopoldo, segundo ele mesmo um núcleo colonizador destacado como “o primeiro e mais importante de todo o Brasil”.
Em seguida foi designado para o cargo de Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Império, onde referendou o Decreto que instituiu os cursos jurídicos no Brasil, em 1827. Na ocasião, foi agraciado com o título de Visconde, acumulado com o cargo de Conselheiro de Estado e Senador por São Paulo. Com a abdicação de Dom Pedro I, em 1831, afastou-se do métier político e dedicou-se ao estudo e educação dos filhos.
Faleceu em 6/7/1847 e em 2011 teve seu nome inscrito no “Panteão dos Heróis e Heroínas da Pátria”. Além Anais da Capitania de São Pedro” (1819), deixou mais algumas obras fundamentais sobre a história: Cultura americana. 2 vols. Lisboa, 1799; História nova e completa da América. 2 vols. Lisboa, 1800; Sistema universal da história natural. Lisboa 1801; Memórias do Instituto Histórico. R. Janeiro, 1839, entre outras.