Li na semana passada uma postagem nas redes sociais que assegurava cientificamente que, o Ceará em menos de uma dezena de anos, não apenas será o maior, mais produtivo e mais desenvolvido estado do Nordeste, e fará parelha com os três mais desenvolvidos do País.
Como certamente diria Vovó Buretama: “Será impossíve”!?
Como diria um amigo dos dias atuais, que mora na mesma rua que eu: “Vamos aguardar”!
Eu diria que a Terra girou, fez o seu movimento.
Aquele que a gente teve notícia na escola primária, quando iniciou os estudos.
Nos anos da década de 50, havia poucas linhas de ônibus urbanos.
Esses, além de poucas linhas, faziam itinerários para atender exclusivamente os moradores de determinados bairros – quero dizer que não se conhecia, ainda, os ônibus que faziam linhas circulares, como hoje. Os horários também eram limitados. A maioria circulava somente até as 22 horas.
Havia, também, discussões pela profissionalização.
Mas, paralelamente, começaram a aparecer as Associações profissionais, que mais tarde formariam os Sindicatos de classes. Foi quando começaram a aparecer as greves.
Horários e itinerários restritos, e greves. Tudo em prejuízo do pagador das tarifas e impostos. Sempre foi assim, e jamais deixará de ser.
O povo tem o poder – mas não tem esclarecimento para usá-lo!
Caminhonete que fazia exclusivamente a linha para a Parangaba
Tal e qual hoje para a existência do Uber, do Moto Uber e do moto táxi, existia naqueles anos a “caminhonete da Parangaba” (como denominávamos).
Fazia um itinerário só, no horário após os ônibus saírem de circulação – sempre às 22 horas – e, quando eram deflagradas as greves dos motoristas dos ônibus urbanos.
O itinerário era da Parangaba para a Praça José de Alencar – uma linha reta, como se fora uma Avenida Brasil, sempre pela avenida João Pessoa.
Para os que não conhecem Fortaleza, nem a avenida João Pessoa: essa avenida foi construída pelos americanos, quando o Brasil não era governado pelo PT, nem pelo STF e muito menos pelo PCC ou pelo CV.
Os americanos ancoravam os navios no Mucuripe com tanques e outros equipamentos pesados, e os “escondiam” numa base sediada no Pici, antes, Pan-Americano.
Para o trajeto de aproximadamente 25 Km, desde o Mucuripe até o Pici, precisaram construir uma pista (concretada com componentes duráveis) que, anos depois seria oficializada como avenida João Pessoa.
Essa pista resistiu por mais de 70 anos. Há alguns anos atrás, por problemas de ajuntamento de óleos graxos e por estar provocando acidentes em virtude de deslizamentos na frenagem, foi substituída. Levou mais tempo para ser retirada, que para ser construída.
Era pela avenida João Pessoa, da Parangaba até a Praça José de Alencar, o único trajeto e itinerário das caminhonetes da linha Parangaba.
Metrô de superfície implantado em Fortaleza
Fortaleza mudou. Cresceu. Principalmente pelos períodos de seca que “tangeram” os sertanejos – nem todos tinham posses financeiras para procurar vida melhor no Sudeste. Mudaram em definitivo para a capital.
Apareceram os bairros.
Mais bairros e mais conjuntos residenciais.
As administrações do município – antes do surgimento do PT (Partido dos Trabalhadores) – recebiam a todos de bom grado.
A população da capital aumentou e os problemas, também. Principalmente os de educação, saúde e segurança.
Saí de Fortaleza em 1967, para o Rio de Janeiro.
Nesses 59 anos, fui no máximo 10 vezes, sempre rever familiares – são esses os meus laços que me obrigam a me atualizar com as mudanças da cidade.
Por mais de dez anos, meu falecido pai juntou e enviou para mim, os jornais impressos O Povo e o Diário do Nordeste – até que descobri a venda desses impressos numa banca de Jornaleiro na frente do antigo Hotel Serrador, na Cinelândia.
Hoje me atualizo assinando as edições on-line desses jornais.
Volto ao primeiro parágrafo desta crônica: o vaticínio das notícias se basearam em alguns itens, que ouso destacar – a garra do povo cearense; a luta pela dignidade pessoal, em vez da aderência e ao ajoelhar-se total para os programas sociais governamentais; o orgulho de manter e lutar para ser reconhecido como povo trabalhador; a chegada de uma dezena, centena de shoppings centers; a chegada de uma escola de nível superior da qualidade e do reconhecimento do ITA; a construção, expansão e funcionamento do Porto de Pecém, mesmo com lastro que só permite o embarque e desembarque de poucos navios; a Transnordestina e a modernização urbanística da cidade.
Mas, a principal aposta e esperança está depositada na eleição de Ciro Gomes para governar o Estado, expurgar o PT e limpar a capital de todas as cracolândias e domínios do crime organizado.

