DEU NO X

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

DEUS ESTÁ NOS DETALHES

Lisboa. O título é só uma citação de Flaubert (Correspondência), fundador do realismo, “Le bon Dieu est dans le détail”. Poderia também citar o romântico Prosper Mérimée (Mentira), “Toda grande mentira precisa de um detalhe”. Ou mesmo Pessoa (Espírito), direto e duro, “O detalhe é sempre mau”.

Indo até a mitologia grega veremos não haver, para esses “detalhes”, um deus específico. Embora estejam, alguns deles, próximos. Como Atena, dos 12 olímpicos, deusa da Estratégia. Ou Harpócrates, deus do Segredo e do Silêncio. Mas não precisaremos ir tão longe que uso, essa referência, tão só para lembrar um caso banal.

Tudo começou quando Mike Tyson estava sendo acusado de ter estuprado, em 19/07/91, uma estudante de 18 anos, Desiree Washington, no Canterbury Hotel (Indianópolis). A defesa do lutador sustentou ter sido uma “relação consensual”. Sob o fundamento de que mulher alguma se dirige ao quarto de um homem, alta madrugada, senão com o fim de seduzi-lo.

Enquanto os advogados da jovem se limitaram a exibir o pijama que usava naquela noite. Longo, fechado e com desenhos de Pluto ‒ aquele cão alesado, amigo do Pato Donald. O argumento era de que lá foi apenas para conhecer o lutador de box. Sem nenhuma outra intenção. Tanto que não usava “roupas sedutoras”, como baby-dolls. Resultado, Mike Tyson acabou condenado a 6 anos na prisão.

Agora esqueçamos escritores, deuses e esse episódio sexual para examinar o caso do Banco Master. Porque o ministro Alexandre de Moraes está sendo acusado de ter firmado em 16/01/24, com o banqueiro Daniel Vorcaro, contrato de quase 130 milhões. Afora mimos de várias naturezas como viagens internacionais; farras com whisky Macallan (segundo Google, vinte e oito mil a garrafa); sem contar cartões de crédito com limites mensais de 300 mil, para cada filho.

Sua defesa é que contratado não foi ele, mas o escritório de mulher e filhos. Não é fácil de acreditar. Porque, com esse valor astronômico, poderia o banqueiro contratar bancas bem mais experientes e com advogados já consagrados. Em vez de recorrer a senhora, pós-graduada em marketing e sem maiores qualificações jurídicas, além de jovens que se iniciavam no ramo. Sem contar que o contrato foi revisado pelo próprio ministro, prova de seu interesse pelos valores em jogo.

A questão é relevante porque, sendo mulher e jovens filhos efetivamente seus advogados, teríamos apenas uma escolha ruim por parte do banqueiro. Enquanto, seja o ministro esse advogado, mulher e filhos funcionariam como laranjas no contrato. E teríamos, então, vários crimes. A começar pelo de responsabilidade, que autoriza impeachment pelo Senado (art. 52 da Constituição) ou pelo próprio Supremo (art. 102).

Nesse ponto da conversa, volto ao caso de Mike Tyson. Porque, nele, fundamental foi o detalhe de Pluto no pijama. E no caso do ministro Moraes? O decisivo, aqui, será para quem ligava o banqueiro Vorcaro. Na fase mais crítica do caso, dois dias antes de ser preso, pensava fugir do país e deu 53 telefonemas. Para quem?, amigo leitor. Nenhum para mulher e filhos. Mas todos, repito, TODOS, para o ministro Moraes. Seu verdadeiro advogado, tudo sugere.

Não se trata de uma questão apenas ética. É também ética, sem dúvida. Mas vai além. Algo que deve ser investigado pelo próprio Supremo. Tem que ser. É inconcebível não seja. É indecente não seja. Mesmo com seus parceiros corporativos, naquele plenário, decididos a não permitir. Praticando sem vergonhas aparentes a “Lei da Máfia”, diz um deles. Irá cair tão baixo nosso Supremo?, eis a questão.

Para encerrar, creio que essa referência final permite invocar o famoso monólogo de Shakespeare, em Hamlet, “Ser ou não ser, eis a questão:/ Será mais nobre em nosso espírito sofrer?”. Porque, enquanto alguns enriquecem, parece que vai ser mesmo esse o destino reservado a todos nós, tristes brasileiros, o de “em nosso espírito sofrer”.

DEU NO JORNAL

BI, BI, BI

Uma semana após Lula (PT) anunciar reajuste no Bolsa Família, a equipe econômica refez as contas e elevou o rombo previsto nas contas de 2026.

Passou de R$ 52 bilhões para R$ 80,9 bilhões.

* * *

Em se tratando de um gunverno lulo-petralha, um rombo de quase 90 bilhões é muito pouco.

Um tiquinho de nada pros padrões da quadrilha.

PROMOÇÕES E EVENTOS

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

“MEU CARDEAL”

Terminou a vida do meu querido irmão Bernardo Celestino Pimentel nesta terra, sábado passado (dia 19 de setembro), vitimado por uma arritmia cardíaca súbita. Mais uma vez, vejo-me diante de um vendaval de tristeza, que veio se somar à tristeza pela perda do meu irmão mais velho, Adriano, o que ocorreu em 26.10.2022.

Impossível omitir “as amargas” e deixar de me referir a esses tristes acontecimentos.

Bernardo era o caçula dos seis filhos, de Francisco e Lia.

Como fim de rama, ele foi muito mimado e nossa mãe investiu nele, para que se formasse em Medicina, sonho esse realizado, para regozijo da família.

Bernardo era o nosso cartão de visita; o nosso orgulho, não só por ser médico, mas por ser um ser humano maravilhoso, inteligentíssimo, poeta, compositor e um grande orador.

Uma tia da nossa mãe, Ydila Lima, irmã da poetisa Anna Lima, queria muito bem a Bernardo e jurava que ele se tornaria padre. Ensinava o catecismo a ele e torcia para vê-lo ir para o Seminário, quando tivesse idade. Apelidou Bernardo de “Meu Cardeal”.

Essa nossa “vovó-titia”, que era solteirona, morreu sem ver realizado o seu sonho. Bernardo era poeta, músico, compositor e logo cedo aprendeu a tocar violão e teclado. Nossa mãe chegou a presenteá-lo com um conjunto de guitarras, ao qual ele deu o nome de “Os Marcianos” e fez muito sucesso em Nova-Cruz e redondeza. Chegou a tocar no Clube “Cysne Branco” em Recife, a convite de Abelardo, um Oficial da Marinha, cujos sogros eram nossos vizinhos em Nova-Cruz. Depois de aprovado no vestibular de Medicina, em Natal, a responsabilidade com os estudos falou mais alto e ele delegou a responsabilidade do conjunto a Gilberto Felipe, nosso cunhado, marido da minha irmã Valéria.

Casou aos 22 anos, com uma conterrânea e com ela teve três filhos, uma mulher e dois homens, hoje todos muito bem sucedidos profissionalmente (uma Defensora Pública do Estado, um Engenheiro Eletricista e um Médico Urologista.)

Apesar de sentir-se realizado, Bernardo se incomodava com o sobre-peso e resolveu fazer uma cirurgia bariátrica. Sua saúde parou aí. Passou a ter sequelas da cirurgia.

Termino este desabafo, com uma homenagem póstuma ao meu querido irmão Bernardo Celestino Pimentel.

Réquiem para um Ser Querido – Autor: Frei Ignácio Larrañaga

Silêncio e Paz.
Foi levado para o País da Vida.
Para que fazer perguntas?
Sua morada, desde agora, é o Descanso.

Sua roupa é a Luz. Para sempre.
Silêncio e Paz.
Que sabemos nós?
Meu Deus, Senhor da História
e dono do ontem e do amanhã,
em tuas mãos estão as chaves
da vida e da morte.

Sem perguntar-nos, levaste-o contigo
para a Morada Santa,
e nós fechamos nossos olhos,
baixamos a fronte e simplesmente dissemos:
Esta bem. Seja. Silêncio e Paz.

A música foi submergida nas águas profundas,
e todas as nostalgias gravitam
sobre as planícies infinitas.
Acabou-se o combate.
Para ele já não haverá lágrimas,
nem pranto, nem sobressaltos.

O sol brilhará para sempre em seu rosto
e uma paz intangível
assegurará definitivamente suas fronteiras.
Senhor da Vida e dono de nossos destinos,
em tuas mãos depositamos silenciosamente
este ser querido que foi embora.

Enquanto, aqui embaixo, entregamos à terra
seus despojos transitórios,
que sua alma imortal
durma para sempre na paz eterna,
em teu seio insondável e amoroso,
ó Pai de Misericórdia.
Silêncio e Paz.

DEU NO JORNAL

SUJEIRA

Eduardo Girão (Novo-CE) torce para que “os bons se posicionem e façam autolimpeza” dentro do MPF, que julgam hoje se o PGR Paulo Gonet continua à frente do caso Master no STF, no qual é citado.

* * *

Gostei do termo “autolimpeza”, citado nesta nota aí de cima.

Uma atividade que Lula jamais praticaria relativamente à lingua dele.

Não existe papel higiênico no mundo que consiga limpar a sujeira oral-bosteira do Descondenado.

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

DEU NO JORNAL

PT PREPARA O “TAPETÃO” PARA TIRAR FLÁVIO BOLSONARO DA DISPUTA

Editorial Gazeta do Povo

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O presidente Lula na posse de Flávio Dino como ministro do STF, em 2024

Qualquer ator político realmente comprometido com a democracia precisa saber perder: reconhecer quando o eleitorado preferiu outro candidato ou partido e trabalhar para recuperar o terreno até o próximo pleito. Não é o caso do petismo. Além dos já conhecidos esquemas de corrupção montados com o objetivo de perpetuar o PT no poder, a legenda ainda parte para o jogo sujo quando pressente a mera probabilidade de derrota – e tem sido assim há muito tempo, como sabe quem se lembra do escândalo do “dossiê dos aloprados”, em 2006. A diferença, de lá para cá, é que o partido aprendeu a usar também a própria Justiça como cúmplice.

O ex-procurador Deltan Dallagnol, candidato ao Senado cujo caso a Gazeta do Povo vem acompanhando de perto, não é o único a sofrer com essa estratégia. O petismo pensa grande, e quer levar para o tapetão a disputa mais importante do próximo mês de outubro, com o objetivo de tirar Flávio Bolsonaro da corrida presidencial. O pretexto é a alegação estapafúrdia, que Lula chegou a repetir na tribuna da ONU, de que o senador do PL seria beneficiado por uma suposta interferência estrangeira na eleição – assunto de que Lula entende muito, pois ele e o PT não pensam duas vezes antes de ajudar camaradas em eleições de vários países latino-americanos; o caso mais recente foi o de 2023, na Argentina, quando marqueteiros petistas foram enviados para turbinar a campanha de Sérgio Massa, que acabou derrotado por Javier Milei.

A ofensiva petista se dá em duas frentes: no Tribunal Superior Eleitoral, conta inclusive com o reforço de Renan Santos, candidato do Missão, com base em supostas publicações impulsionadas feitas por perfis da direita norte-americana com cotações da plataforma Polymarket que indicam favoritismo de Flávio em outubro – Renan ainda mencionou uma suposta negociação para a exploração de terras raras no Brasil. Além disso, como garantia, o PT também foi ao STF pedir que o candidato do PL seja investigado pelo mesmo motivo. E, para acrescentar um detalhe sórdido à tentativa de melar a eleição no Supremo, os petistas usaram um truque que tem se tornado cada vez comum.

O pedido de investigação contra Flávio foi inserido em uma ação já existente, relativa à possibilidade de municípios brasileiros litigarem perante tribunais estrangeiros. Que relação isso tem com supostas interferências estrangeiras na eleição? Zero, obviamente. Mas inventou-se um elo qualquer, invocando questões de “soberania”, para garantir que o pedido contra Flávio constasse da ADPF 1178. E por que essa ação em específico? Porque ela é relatada por Flávio Dino, o ex-ministro da Justiça de Lula e aliado político do presidente candidato à reeleição. Trata-se, portanto, de puro malabarismo jurídico destinado a colocar o pedido nas mãos de um ministro considerado amigável às súplicas do petismo, evitando o sorteio.

O PT recorre ao truque agora porque sabe que ele funciona. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o usou recentemente para recuperar o cargo pelas mãos do mesmo Flávio Dino após ter sido afastado por ordem de André Mendonça, fazendo seu pedido dentro de um inquérito relacionado ao filme Dark Horse. Gilmar Mendes foi ainda mais longe: em fevereiro, ressuscitou uma ação já arquivada, da produtora Brasil Paralelo, para blindar o colega Dias Toffoli e anular a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa familiar dos Toffoli, que negociou com Daniel Vorcaro.

E, se o truque funciona, é porque há ministros do Supremo que o fizeram funcionar, pois chegaram a tamanho grau de degradação moral e institucional que não se veem limitados por absolutamente nada. Já é suficientemente torpe que essa mistura de malandragem jurídica com abuso de autoridade sirva para atrapalhar ou impedir investigações, ou para atropelar decisões “desagradáveis” de outros ministros. Agora, ela é vista como o meio para potencialmente cassar a voz de dezenas de milhões de eleitores brasileiros. Recorrendo a esse artifício para colocar o destino da candidatura de Flávio Bolsonaro nas mãos de Flávio Dino, o PT torna-se cúmplice do abuso – embora saibamos que isso não haverá de incomodar um partido que já não tem bússola moral há décadas. Essas práticas incompatíveis com o Estado de Direito e o devido processo legal envergonhariam qualquer pessoa idônea, mas não quem acredita que se pode “fazer o diabo” para vencer uma eleição, nas imortais palavras de Dilma Rousseff.

Candidatar-se não é um direito absoluto – a lei brasileira tem uma lista de circunstâncias que tornam alguém inelegível; circunstâncias concretas, como a condenação por órgão colegiado por determinados crimes, como aconteceu com Lula em 2018. Abusos de poder político e econômico também existem, ninguém haverá de negá-lo. Mas o que estamos vendo agora é diferente. Para evitar um resultado adverso em 4 e 25 de outubro, o PT está preparando um “terceiro turno” – que, a depender da pressa dos ministros amigos, pode até acontecer antes dos dois primeiros –, pois confia mais em um pequeno grupo togado que no voto de dezenas de milhões de brasileiros, e não hesitará em fazer a vontade desse grupo prevalecer sobre o desejo do eleitor. E ainda há quem acredite que Lula é realmente um “democrata”…

PENINHA - DICA MUSICAL