Terminou a vida do meu querido irmão Bernardo Celestino Pimentel nesta terra, sábado passado (dia 19 de setembro), vitimado por uma arritmia cardíaca súbita. Mais uma vez, vejo-me diante de um vendaval de tristeza, que veio se somar à tristeza pela perda do meu irmão mais velho, Adriano, o que ocorreu em 26.10.2022.
Impossível omitir “as amargas” e deixar de me referir a esses tristes acontecimentos.
Bernardo era o caçula dos seis filhos, de Francisco e Lia.
Como fim de rama, ele foi muito mimado e nossa mãe investiu nele, para que se formasse em Medicina, sonho esse realizado, para regozijo da família.
Bernardo era o nosso cartão de visita; o nosso orgulho, não só por ser médico, mas por ser um ser humano maravilhoso, inteligentíssimo, poeta, compositor e um grande orador.
Uma tia da nossa mãe, Ydila Lima, irmã da poetisa Anna Lima, queria muito bem a Bernardo e jurava que ele se tornaria padre. Ensinava o catecismo a ele e torcia para vê-lo ir para o Seminário, quando tivesse idade. Apelidou Bernardo de “Meu Cardeal”.
Essa nossa “vovó-titia”, que era solteirona, morreu sem ver realizado o seu sonho. Bernardo era poeta, músico, compositor e logo cedo aprendeu a tocar violão e teclado. Nossa mãe chegou a presenteá-lo com um conjunto de guitarras, ao qual ele deu o nome de “Os Marcianos” e fez muito sucesso em Nova-Cruz e redondeza. Chegou a tocar no Clube “Cysne Branco” em Recife, a convite de Abelardo, um Oficial da Marinha, cujos sogros eram nossos vizinhos em Nova-Cruz. Depois de aprovado no vestibular de Medicina, em Natal, a responsabilidade com os estudos falou mais alto e ele delegou a responsabilidade do conjunto a Gilberto Felipe, nosso cunhado, marido da minha irmã Valéria.
Casou aos 22 anos, com uma conterrânea e com ela teve três filhos, uma mulher e dois homens, hoje todos muito bem sucedidos profissionalmente (uma Defensora Pública do Estado, um Engenheiro Eletricista e um Médico Urologista.)
Apesar de sentir-se realizado, Bernardo se incomodava com o sobre-peso e resolveu fazer uma cirurgia bariátrica. Sua saúde parou aí. Passou a ter sequelas da cirurgia.
Termino este desabafo, com uma homenagem póstuma ao meu querido irmão Bernardo Celestino Pimentel.
Réquiem para um Ser Querido – Autor: Frei Ignácio Larrañaga
Silêncio e Paz.
Foi levado para o País da Vida.
Para que fazer perguntas?
Sua morada, desde agora, é o Descanso.
Sua roupa é a Luz. Para sempre.
Silêncio e Paz.
Que sabemos nós?
Meu Deus, Senhor da História
e dono do ontem e do amanhã,
em tuas mãos estão as chaves
da vida e da morte.
Sem perguntar-nos, levaste-o contigo
para a Morada Santa,
e nós fechamos nossos olhos,
baixamos a fronte e simplesmente dissemos:
Esta bem. Seja. Silêncio e Paz.
A música foi submergida nas águas profundas,
e todas as nostalgias gravitam
sobre as planícies infinitas.
Acabou-se o combate.
Para ele já não haverá lágrimas,
nem pranto, nem sobressaltos.
O sol brilhará para sempre em seu rosto
e uma paz intangível
assegurará definitivamente suas fronteiras.
Senhor da Vida e dono de nossos destinos,
em tuas mãos depositamos silenciosamente
este ser querido que foi embora.
Enquanto, aqui embaixo, entregamos à terra
seus despojos transitórios,
que sua alma imortal
durma para sempre na paz eterna,
em teu seio insondável e amoroso,
ó Pai de Misericórdia.
Silêncio e Paz.