CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

Na juventude, Petrúcio encantava às jovens. Ainda hoje, esbanja charme. As mulheres suspiram admirando o porte de homem atlético. Vendo-o jogar no Jaraguá Tênis Clube.

Em sua carreira de médico tem comportamento exemplar, nunca correspondeu aos assédios das clientes, é respeitador, ético em sua profissão, jamais se envolveu com alguma paciente.

Certa tarde em seu consultório, apareceu nova cliente, Caterine. Ao entrar, a bela mulher passou o olhar em volta, ambiente limpo e bem decorado. Sorriso nos lábios cumprimentou o doutor.

– Já nos vimos, jogando tênis, não é? Qual o problema? – Perguntou o Doutor.

– Uma dor por aqui. – apontou a área do ventre.

Petrúcio fez uma série de perguntas preenchendo a ficha médica, surpreendeu-se com a idade da mulher, 45 anos, nacionalidade francesa, falava bem o português, parecia ter 30, bem conservada, loura de pele rosada, olhos azuis. Ao terminar pediu para descalçar os sapatos e subir na balança. Petrúcio continuou a escrever, ao levantar a vista, o coração bateu forte. Caterine estava em cima da balança apenas de calcinha de renda vermelha. Seu corpo bem delineado e a sensualidade exuberante deixou o doutor com o sangue fervendo. Petrúcio aproximou-se, nervoso, mediu o peso e altura daquela mulher extraordinariamente bela, deu-lhe vontade imensa de abraçar-lhe. Controlou-se, pediu para ela vestir-se e retornar à cadeira.

O Doutor prescreveu exames, tomografia e radiografia do ventre. Ela recebeu a requisição, olhou nos olhos do doutor, perguntou:

– Não vai fazer o toque vaginal?

O médico controlou-se, afirmou não ser preciso, com o resultado dos exames ele avaliaria com precisão o que estava de anormal com ela.

Caterine sorriu olhando para o doutor, segurou sua mão, confessou.

– Doutor, falando bem claro, eu tenho uma fantasia. Desde que lhe vi jogando no Jaraguá Tênis Clube, tive uma atração imediata. O senhor chegou de jaleco, deu-me uma imensa vontade de fazer amor em seu consultório. Sou casada, não tenho problemas com o marido, hoje provoquei essa oportunidade única, quero você apenas uma vez, satisfazer minha fantasia, penso nós dois nos abraçando, rolando no chão de seu consultório.

– Dona Caterine, por favor, a senhora é uma belíssima mulher, provocou-me uma atração enorme, se a senhora quiser, no Rio, no Recife, no Japão, na Alemanha, no motel de Jacarecica, podemos nos encontrar. Eu invento uma viagem. Vamos passar uma lua-de-mel em Fortaleza? Só não posso no meu consultório, tenho um profundo respeito por minha profissão, meu consultório é um lugar sacro santo, onde exerço a medicina, a ética me proíbe qualquer relacionamento com paciente. Por favor, não torne difícil para mim, você é bela, sensualíssima, gostosa. Compreenda, Se eu quebrar os princípios da medicina ficarei profundamente magoado comigo mesmo, por favor.

– Minha fantasia é lhe amar no consultório, é ser abraçada pelo Doutor de jaleco, fora disso, não quero.

Levantou-se, deu meia volta, ao se aproximar da porta trancou-a a chave, virou-se, num átimo deixou o vestido cair, puxou e segurou a calcinha vermelha de renda pelos dedos. Petrúcio partiu rápido, chamou-a de louca, ajudou apressadamente a vesti-la, pediu não retornar ao consultório. A cliente saiu pisando forte, aborrecida. O Doutor fechou a porta, respirou fundo, deu quatro murros na parede, sangrou a mão.

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