DEU NO X

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

CLIMA NORTISTA

Passando uns meses em Porto Velho, pude sentir o peso do clima do Norte.

41 graus (à sombra).

Daí surgiu o mote:

Êita! Saudade danada
Da brisa de Tambaú!

Mote de Wellington Vicente

O calor aqui é mato,
Estou quase derretendo,
Tá quente não, tá fervendo,
O tempo todo me hidrato.
Eu acho o sol muito ingrato,
Castigando pra chuchu;
Tô vendo até urubu
Pingando pela calçada.
Êita! Saudade danada
Da brisa de Tambaú!

Ronaldo Barbosa

Passei aqui muitos anos
Mas na época eu era moço
Possuía o couro grosso
Semelhante ao dos ciganos
Sinto que já trago danos
Por manobrar Urutu
Topar jararacuçu
Tocaiar onça pintada
Êita! Saudade danada
Da brisa de Tambaú.

Wellington Vicente

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Maria Bonita

Maria Gomes de Oliveira nasceu em Santo Antônio da Glória, atual Glória, BA, em 8/3/1911, no povoado de Malhada da Caiçara, atualmente no município de Paulo Afonso. Cangaceira e companheira de Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, foi a primeira mulher a integrar um grupo de cangaceiros.

Filha de Maria Joaquina Conceição e José Filipe Gomes de Oliveira, foi a segunda filha de uma família de 12 irmãos, casada com o primo num matrimônio arrumado pelas famílias. Um relacionamento conflituoso que durou pouco, decorrente do ciúme do marido boêmio. Em 1930, numa das andanças de Lampião na região, se encontraram e passaram a viver juntos. Sua incorporação ao bando ensejou o acolhimento de outras mulheres entre os cangaceiros e mudou os métodos e estratégias de combate, visando salvaguardar as mulheres.

Quando engravidavam, os filhos eram doados à parentes próximos. Ela mesma teve uma filha, que cresceu em Jeremoabo e foi criada pelo padrinho. Na história consta que ela era tão vaidosa quanto Lampião. Usavam o mesmo perfume francês, andava com vestidos de seda, portava moedas de prata, joias caras, broches, botas de cano curto e enfeites de ouro decoravam seus cabelos. Traída constantemente, tinha crises de ciúmes do companheiro e alguns relatos afirmam que ela teve um caso com um comerciante, João Maria de Carvalho, para se vingar das traições sofridas.

Nem a família nem o bando de Lampião a tratavam por Maria Bonita, apelido que só se difundiu após sua morte. Há algumas versões sobre a origem desse nome. Uma delas diz tratar-se de uma invenção dos repórteres dos jornais do Rio de Janeiro, possivelmente inspirados no filme Maria Bonita, lançado em 1937 e baseado na obra de mesmo nome de Afrânio Peixoto, de 1921. Outra, que teria sido dado por soldados que se impressionaram com a beleza da cangaceira.

Em 28/7/1938, os cangaceiros estavam acampados num local conhecido como Grota do Angico, no então município de Porto da Folha, SE, quando o bando foi atacado de surpresa pela polícia alagoana, conhecida como Volante. 11 cangaceiros foram mortos e degolados. Maria, tentando fugir, foi baleada 2 vezes e logo em seguida foi decapitada viva.

Na história do cangaço, ficou tão conhecida quanto seu companheiro lampião. Vale citar 2 livros expondo sua trajetória de vida e sua importância no bando: Maria Bonita – A Rainha do Cangaço, de João de Souza Lima, lançado em 2022 pela Editora Oxente e Maria Bonita: sexo e violência e mulheres no cangaço, de Adriana Negreiro, lançado em 2018 pela Ed. Objetiva. Conta também com 2 cinebiografias: Lampião e Maria Bonita, uma minissérie da TV Globo, de Aguinaldo Silva e Doc Comparato, exibida em 1982 e o filme Maria Bonita, rainha do cangaço, dirigido por Miguel Borges, em 1968. Na cidade de Paulo Afonso, BA, o município onde nasceu, o prefeito restaurou sua casa e instalou o “Museu Casa de Maria Bonita”, em 2006.

DEU NO JORNAL

TUDO NOS CONFORMES

Opositores estão indignados com o procurador geral da República (PGR), acusado de “engajamento” na defesa de Lulinha, filho de Lula (PT), investigado por tráfico de influência e corrupção.

Paulo Gonet tentou retirar a relatoria de André Mendonça, ministro do STF que não se submete a Lula, e depois tentou levar o processo à 1ª instância.

“Absurdo”, protesta o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), lembrando que, nomeado por Lula, Gonet se opôs à transferência para a 1ª instância de cidadãos comuns acusados nos atos de 8 de Janeiro.

Gonet se esforça para tirar do STF dois dos três inquéritos contra Lulinha relatados por Mendonça.

Para van Hattem, é até ridículo a PGR mudar de posição sobre 1ª instância quando o investigado é o filho do presidente da República.

* * *

Não há novidade alguma.

Tá tudo dentro dos conformes.

Esta nossa republiqueta banânica é um beco sem saída.

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

BALIZAMENTOS DE SARAMAGO

A campanha eleitoral deste ano, principiada esta semana, tudo faz crer que será o retrato fiel do atual desnível civilizatório do nosso país, distanciando-se das regiões mais humanísticas do planeta. Nossos níveis analfabéticos se ampliam cotidianamente: o político, o religioso, o familiar, o profissional, o comunitário, o cultural, o esportivo, o televisivo, para não falar do educacional, onde os últimos censos escolares indicam que 60% dos alunos que concluem o Segundo Grau de Ensino não possuem os conhecimentos básicos de Matemática!

No Contrato Social, Jean-Jacques Rousseau afirmava que “Maquiavel, fingindo dar lições aos príncipes, deu grandes lições ao povo.” Entretanto, hoje temos muito pouco povo e uma gigantesca massa, extremamente alienada, que apenas sabe dizer sim, senhor, sem uma mínima criticidade analítica, sempre vitimado por um processo educacional imposto por uma elite conservadora que não se está percebendo em final de era, posto que de nada entende de desenvolvimento social pós-moderno, com seus impasses trágicos.

Uma releitura recente me fez extrair uma serie de balizamentos que repasso para os leitores, encarecendo o repasse deles para seus derredores comunitários. A fonte é merecedora de múltiplos elogios: AS PALAVRAS DE SARAMAGO: CATÁLOGO DE RFLEXÕES PESSOAIS, LITERÁRIAS E POLÍTICAS, Fernando Gómez Aguilera (Organização e seleção), São Paulo, Companhia das Letras, 2010, 479 p. Eis as escolhidas:

a. “O que faz falta é uma insurreição ética. Não uma insurreição das armas, mas ética, que deixe bem claro que isto não pode continuar. Não se pode viver como estamos vivendo, condenando três quartas partes da humanidade à miséria, à fome, à doença, com um desprezo total pela dignidade humana. Tudo isso para quê? Para servir a ambição de uns poucos. Não sou nem pregador, nem profeta, nem messias, apesar de ter escrito O Evangelho segundo Jesus Cristo. Só falo de evidências, de coisas que estão à vista de todos. E sei que tenho razão.”

b. “A intolerância é péssima, mas a tolerância não é tão boa quanto parece. Deveríamos criar uma relação entre as pessoas da qual estivessem excluídas a tolerância e a intolerância.”

c. “A amnésia humana é ruim para as pessoas e também para as sociedades. Temos de saber quem somos para viver com consciência de estar vivos. Continuamos perguntando e procurando.”

d. “Destinamos tempos demais a conjecturar o que há além da vida, e tempo de menos a nos indagar sobre o que está acontecendo na vida mesmo.”

e. “A inspiração é só o esqueleto de uma ideia. O trabalho e a disciplina são o que formam o corpo desse esqueleto.”

f. “A verdade é que vivemos numa sala de espelhos na qual tudo se reflete em tudo e é, por sua vez, reflexo de si mesmo.”

g. “O que eu digo é que tenho, como cidadão, um compromisso com o meu tempo, com o meu país, com as circunstâncias, digamos, do mundo. Eu não posso virar as costas a tudo isso e ficar a contemplar minha obra.”

Busquemos espalhar os balizamentos saramagueanos acima, com a resiliência de nunca ser eleitor penico cheio nas eleições que se aproximam, posto que devemos ter sempre em nossa evolução as duas mãos e o sentimento do mundo.

PENINHA - DICA MUSICAL