JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

Maria Gomes de Oliveira nasceu em Santo Antônio da Glória, atual Glória, BA, em 8/3/1911, no povoado de Malhada da Caiçara, atualmente no município de Paulo Afonso. Cangaceira e companheira de Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, foi a primeira mulher a integrar um grupo de cangaceiros.

Filha de Maria Joaquina Conceição e José Filipe Gomes de Oliveira, foi a segunda filha de uma família de 12 irmãos, casada com o primo num matrimônio arrumado pelas famílias. Um relacionamento conflituoso que durou pouco, decorrente do ciúme do marido boêmio. Em 1930, numa das andanças de Lampião na região, se encontraram e passaram a viver juntos. Sua incorporação ao bando ensejou o acolhimento de outras mulheres entre os cangaceiros e mudou os métodos e estratégias de combate, visando salvaguardar as mulheres.

Quando engravidavam, os filhos eram doados à parentes próximos. Ela mesma teve uma filha, que cresceu em Jeremoabo e foi criada pelo padrinho. Na história consta que ela era tão vaidosa quanto Lampião. Usavam o mesmo perfume francês, andava com vestidos de seda, portava moedas de prata, joias caras, broches, botas de cano curto e enfeites de ouro decoravam seus cabelos. Traída constantemente, tinha crises de ciúmes do companheiro e alguns relatos afirmam que ela teve um caso com um comerciante, João Maria de Carvalho, para se vingar das traições sofridas.

Nem a família nem o bando de Lampião a tratavam por Maria Bonita, apelido que só se difundiu após sua morte. Há algumas versões sobre a origem desse nome. Uma delas diz tratar-se de uma invenção dos repórteres dos jornais do Rio de Janeiro, possivelmente inspirados no filme Maria Bonita, lançado em 1937 e baseado na obra de mesmo nome de Afrânio Peixoto, de 1921. Outra, que teria sido dado por soldados que se impressionaram com a beleza da cangaceira.

Em 28/7/1938, os cangaceiros estavam acampados num local conhecido como Grota do Angico, no então município de Porto da Folha, SE, quando o bando foi atacado de surpresa pela polícia alagoana, conhecida como Volante. 11 cangaceiros foram mortos e degolados. Maria, tentando fugir, foi baleada 2 vezes e logo em seguida foi decapitada viva.

Na história do cangaço, ficou tão conhecida quanto seu companheiro lampião. Vale citar 2 livros expondo sua trajetória de vida e sua importância no bando: Maria Bonita – A Rainha do Cangaço, de João de Souza Lima, lançado em 2022 pela Editora Oxente e Maria Bonita: sexo e violência e mulheres no cangaço, de Adriana Negreiro, lançado em 2018 pela Ed. Objetiva. Conta também com 2 cinebiografias: Lampião e Maria Bonita, uma minissérie da TV Globo, de Aguinaldo Silva e Doc Comparato, exibida em 1982 e o filme Maria Bonita, rainha do cangaço, dirigido por Miguel Borges, em 1968. Na cidade de Paulo Afonso, BA, o município onde nasceu, o prefeito restaurou sua casa e instalou o “Museu Casa de Maria Bonita”, em 2006.

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