A PALAVRA DO EDITOR

CHEGOU A SEXTA-FEIRA

Amanheceu um dia bonito aqui nesta beirada do Atlântico.

Um sol gostoso ilumina e abrilhanta a amada cidade do Recife.

Chupicleide, secretária de redação do JBF, está muito feliz.

Já avisou que vai cair na gandaia nesta sexta-feira e tomar umas e outras no final da tarde, lá no Bar dos Cornos, no Mercado da Madalena.

Ela vai celebrar as generosas doações feitas nos últimos dias pelos leitores fubânicos, que nos ajudam a manter esta gazeta escrota avuando pelos ares do mundo todo.

Gratíssimo a todos vocês!!!

E pra fechar a postagem, minha querida amiga Irah Caldeira interpretando a comovente e tocante música “Oração do Sanfoneiro”, de autoria do também querido amigo Xico Bizerra, um compositor de grande talento, um poeta arretado, um cronista excepcional e, pra nossa grande alegria, colunista dessa gazeta escrota.

Um grande abraço pra vocês dois, minhas queridas figuras Irah e Xico!

E um excelente final de semana para toda a comunidade fubânica!!!

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

UM CORDEL DE CHIFRES

O HOMEM QUE FOI CORNO CINCO VEZES – João Peron de Lima

Essa estória foi verdadeira
Não existe brincadeira
Vou contar todo o caso
Sem um pingo de zoeira
O paraíba que foi corno
Cinco vezes em Cajazeira

Zé Mulato é o seu nome
Não tinha muito dinheiro
Aos vinte anos de idade
Era ainda rapaz solteiro
Mas ganhava seus trocados
Na vida de borracheiro

Mas com o passar do tempo
Veja só o que aconteceu
Pois uma linda morena
Em sua vida apareceu
Zé Mulato perguntou
Tu queres namorar com eu?

A moça disse quero
Me chamo Expedita
Zé Mulato assim disse
Em mim você acredita?
Sobre a terra não existe
Uma mulher mais bonita

E a partir daquele dia
Começaram a namorar
Zé Mulato um dia disse
Vou logo me desgraçar
Perguntei a Expedita
Se comigo quer casar

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DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

GUERRA AFETA FORNECIMENTO DE FERTILIZANTE PARA O AGRO, MAS GOVERNO NÃO SE MEXE

Aplicação de fertilizantes em Chapadão do céu (GO): Brasil importa 85% dos adubos químicos utilizados na agricultura

A Confederação Nacional da Agricultura, há uns 40 dias, alertou o presidente Lula sobre o fornecimento de fertilizantes. A CNA pediu que o presidente, tão amiguinho dos aiatolás do Irã, mobilizasse a diplomacia brasileira e garantisse a passagem, pelo Estreito de Ormuz, da matéria-prima para os fertilizantes da agricultura brasileira. Nós, infelizmente, até temos essa matéria-prima, mas boa parte está em território indígena e não podemos usar; precisamos importar, e ficamos dependentes.

Quando há uma guerra, o problema aumenta. A menos que o presidente da República resolva, como Bolsonaro resolveu: foi a Moscou conversar com Vladimir Putin – que até pôs cadeira e mesa para ficar bem pertinho de Bolsonaro e conversar bastante – e garantiu o fornecimento dos fertilizantes que vêm de lá. Agora estamos com um problema sério de preço de fertilizantes, porque este governo simplesmente não gosta do agronegócio, e aí não se mexe.

* * *

Desenvolvimento tecnológico do agro brasileiro cria demanda para novas profissões

Nosso agro é moderníssimo. Nos anos 70, eu cobria a Bolsa de Chicago e o Meio-Oeste dos Estados Unidos produzir muito mais o agro brasileiro, que naquela época estava concentrado nos estados mais ao sul. Agora nós temos o nosso Centro-Oeste, que está mais avançado que o Meio-Oeste americano. Somos exemplo. Muita gente na cidade não sabe, mas o “Agro 4.0” está usando muitos drones. Só neste ano os produtores deverão comprar 15 mil unidades, além das 35 mil que já estão operando. E o potencial é de 200 mil drones para pulverização da lavoura. Em geral, drones transportam 20 litros de defensivos, mas há modelos que transportam até 100 litros.

O que está faltando é o operador, o piloto para os drones. É preciso atrair jovens para essa nova atividade. O mercado de trabalho é assim, vai criando novas atividades na medida em que outras vão ficando para trás. O agrimensor, por exemplo, ficou obsoleto depois do GPS, mas em compensação temos aí essa demanda nova por pilotos e operadores de drones, para cuidar dos alimentos que a terra produz para os brasileiros e para o mundo todo – de cada cinco pratos no mundo, um tem comida brasileira.

* * *

Ainda dá tempo para senadores colocarem a mão na consciência e rejeitarem Messias

O vídeo do presidente da Gazeta do Povo está martelando na consciência de muito senador que, segundo as notícias, já estava pronto para aprovar Jorge Messias no Supremo. Mas assim não se renova a corte, nem se recupera a instituição Supremo Tribunal Federal. Só se muda com pessoas que realmente tenham notável saber jurídico e reputação ilibada. Mas Messias ficaria quase 30 anos no STF, e será submisso àquele que o indicou. Lula já nomeou um advogado do PT, Dias Toffoli; seu advogado na Lava Jato, Cristiano Zanin; e seu ministro da Justiça, Flávio Dino; agora está indicando o advogado-geral, o mesmo que anos atrás estava levando uma nomeação da Dilma Rousseff para livrar Lula da Lava Jato em Curitiba.

Esse é o homem que deveria ter notável saber jurídico. Ainda é jovem; difícil ter notável saber jurídico e ao mesmo tempo ser um desconhecido. Quando Dilma pronunciou o nome dele no telefonema, ninguém nem sabia quem era Jorge Messias, todos entenderam “Bessias”. O relator já disse que por ele está tudo bem, que Messias pode ser submetido à sabatina. A sabatina é para saber se o indicado tem notável saber jurídico; não é para fazer perguntinha política, para saber se apoia ou não apoia essa ou aquela fofoca.

COMENTÁRIO DO LEITOR

DEU NO JORNAL

INQUÉRITOS

No dia após o inquérito no STF contra Flávio Bolsonaro (PL) por suposta calúnia contra Lula (PT), o petista voltou a liderar chances de vencer em 2026.

40% a 39% na plataforma de previsões e apostas Polymarket.

* * *

Devem ser abertos mais inquéritos.

Aí ele ultrapassa logo os 50%.

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

O PALPITE

Como toda cidade do interior nordestino, Nova-Cruz (RN) tinha seus tipos folclóricos, como o bêbado, o jogador contumaz de carteado, o mentiroso nato, o gaiato, o pidão caloteiro, que não pagava nem promessa a santo, o cachaceiro, o corno confesso mas apaixonado, conhecido como corno manso, e o viciado em jogo do bicho.

Certo dia, Seu Anísio, o entregador de pão em Nova-Cruz (RN), que, todas as tardes, com um enorme cesto na cabeça, fazia a entrega de pão quente de porta em porta, inclusive na casa da minha avó paterna, Dona Júlia, acertou no jogo do bicho. A notícia se espalhou…

Eu era menina e todas as tardes aguardava com ansiedade a chegada do pão, abicorando, com a certeza de que a minha avó iria me dar um pão doce, como sempre fazia. Eu adorava esse pão doce, bem diferente dos pães doces sofisticados de hoje, que só tem boniteza.

Pois bem. Seu Anísio, o entregador de pão, gostava de fazer uma fezinha no jogo do bicho, coisa pouca, no grupo e na milhar. Raramente acertava, mas quando isso acontecia, a alegria era grande. O melhor do jogo é ganhar.

Pela primeira vez, seu Anísio arriscou jogar uma nota graúda de 20 cruzeiros, pois o palpite foi forte e ele tinha certeza de que iria acertar. Depois de passar a noite sonhando com muito pão espalhado pela rua, Seu Anísio pulou da rede logo cedo e se organizou para “arriscar na sorte”. Sentia que o universo iria conspirar a seu favor.

Acertou no TIGRE, no grupo e na milhar. Para ele, que só jogava alguns trocados, foi um dinheiro bom, que lhe garantiu a feira do mês.

Todos os seus conhecidos quiseram saber quem lhe deu o palpite. Reticente, ele, aos poucos, contou que o palpite veio de um sonho que ele teve na noite anterior.

Contou que havia sonhado que a rua onde morava estava cheia de pão, espalhado pelo chão. Era pão que não acabava mais. Como pão é feito com farinha de trigo, Seu Anísio interpretou que o bicho seria tigre, ou “trigue”, como ele chamava.

Tratou logo de ir jogar no grupo e na milhar. Decidiu que naquele dia o bicho seria tigre, ou “trigue”, como ele chamava. E arriscou todas as moedas que tinha em casa no “TRIGUE”.

Um amigo lhe perguntou de onde ele tirou esse palpite. A resposta foi rápida:

– Ora, homem de Deus, eu sonhei a noite toda com a minha rua cheia de pão, espalhado pelo chão. Era pão que não acabava mais. Como o pão é feito de farinha de “trigre”, o bicho tinha que ser “Trigre”. Aí joguei no “trigre, 22”..

A notícia se espalhou e todos os dias, pela manhã, chegava alguém batendo palmas em sua casa, pedindo-lhe palpite para jogar no bicho.

DEU NO JORNAL

RODRIGO CONSTANTINO

A ESCOLHA DO VICE É FUNDAMENTAL

Escolher o vice para sua chapa eleitoral não é tarefa simples. A escolha do vice não é baseada em quem gostamos mais, e sim em quem pode agregar mais votos. Isso pode se dar por palanque direto em um colégio eleitoral importante, ou pela imagem que o vice agrega para a chapa. Lula, visto (com razão) por muitos como um esquerdista radical, colocou o empresário da Coteminas como seu vice em sua primeira disputa vitoriosa para a Presidência.

Geraldo Alckmin cumpriu papel similar na última eleição: servir como um selo de moderação para acalmar os mercados e eleitores em geral quanto ao risco de radicalização socialista. Com Alckmin, a velha imprensa e economistas como Arminio Fraga e Elena Landau podiam falar em “frente ampla democrática”, mesmo que Alckmin tenha tido o papel basicamente de posar ao lado de tiranos que Lula admira.

Existem vices mais discretos, e existem vices mais ativos. Há ainda a escolha por precaução. Me parece o caso de Mourão como vice de Jair Bolsonaro: receoso de um impeachment, Bolsonaro quis colocar um general para “intimidar” a oposição. Mas Mourão se mostrou bem mais domesticável pela mídia do que Bolsonaro gostaria.

Chegamos, então, à escolha do vice na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Vários nomes vêm sendo ventilados, mas alguns com mais frequência. A ala bolsonarista fala muito no deputado Luiz Phillippe de Orleans e Bragança, nosso “Príncipe”. Trata-se de um excelente nome… como deputado, ou senador. Mas como vice, infelizmente acho que pouco agrega. Dobradinha do PL já não atrairia nenhum outro partido para o bloco. E o perfil do eleitor que vota em Luiz Phillippe já é o mesmo do que vota no Flávio. Parece redundante.

Falam na senadora Tereza Cristina, do Progressistas, com boa entrada no agronegócio. Foi ministra do próprio governo Bolsonaro. De postura moderada, mais de centro do que conservadora, Tereza pode ajudar Flávio perante o eleitorado feminino, onde há maior rejeição ao seu nome, em que pese ser mais mito do que ciência essa crença de que mulher vota em mulher. Mas a escolha da Tereza daria uma sinalização maior de aproximação do Flávio ao centro, reforçando sua imagem de “Bolsonaro moderado”.

Já mencionaram também o nome de Renata Abreu, deputada federal por São Paulo desde 2015 e presidente nacional do Podemos. Suas credenciais são boas: votou a favor do processo de impeachment de Dilma Rousseff; já durante o governo Michel Temer, votou a favor da PEC do Teto dos Gastos Públicos; em abril de 2017 foi favorável à Reforma Trabalhista; em julho de 2019, votou a favor da Reforma da Previdência proposta pelo governo Bolsonaro.

Como diz trecho de uma reportagem da Oeste: “Renata possui características que passaram a ser valorizadas nessa etapa da pré-campanha. Está no terceiro mandato como deputada federal e foi reeleita em 2022, com pouco mais de 180 mil votos em São Paulo. Comanda nacionalmente o Podemos, partido de centro sem escândalos de corrupção na ficha corrida, e mantém interlocução com diferentes correntes políticas”.

Por fim, temos o mais falado de todos, Romeu Zema, do Novo. Zema foi governador por dois mandatos em Minas Gerais, reeleito no primeiro turno. Antes, teve sucesso como empresário na iniciativa privada. Ou seja, agrega a experiência executiva que falta ao Flávio, apesar de isso não ser impeditivo de fazer um bom governo: seu pai tampouco tinha tal experiência e se cercou de gente boa e competente, dando a eles autonomia operacional. Os casos de Paulo Guedes e Tarcísio Freitas ilustram bem isso.

Além da experiência administrativa, Zema traria o palanque do segundo maior colégio eleitoral do país, lembrando que há aquele mito: quem vence em Minas, vence no Brasil. Isso talvez seja pelo fato de MG representar um microcosmos do país. O Vale do Jequitinhonha é uma espécie de Nordeste ali dentro. Logo, Zema agregaria bastante à candidatura do Flávio.

Mas há um trade-off que deve ser levado em conta: Zema como candidato solo vai focar sua energia contra Lula nos debates, e no segundo turno, sendo mesmo Flávio contra Lula, ele certamente vai apoiar Flávio. O próprio Zema lembrou que foi Jair Bolsonaro quem disse que ter várias candidaturas à direita era algo positivo. Trazer Zema para o time já no primeiro turno, portanto, pode ter esse custo de perder um debatedor afiado que já estaria fechado com o PL no segundo turno de qualquer forma.

Como fica claro, são escolhas difíceis, e certamente a campanha do PL está avaliando outros nomes que não trouxe aqui. De minha parte, como alguém liberal com viés conservador, que tem como prioridade derrotar o Lula, minha escolha seria provavelmente o Zema. Mas os outros nomes também agregam e podem fazer sentido. Que o Flávio e seu partido escolham aquele ou aquela que realmente for contribuir para atrair votos e facilitar a governabilidade, sem sacrificar os nossos valores conservadores. Democracia, porém, é concessão.