CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

DOS MOMENTOS TÃO BONS QUE NOS AMAMOS

(Só mais uma poesia para a sofrência de alguns)

S’eu te fiz algum mal peço perdão
Nunca tive intenção em magoar-te
Mas fizestes deveras tua parte
Magoou-me, também, sem intenção.
Mas, dizer-te agora “foi em vão”
Todo o tempo que junto nós passamos
Cada vez que nós dois nos entregamos
Faltaria demais com a verdade
Vou falar-te apenas da saudade
Dos momentos tão bons que nos amamos.

Resumiste somente à poesia
Os rompantes tão belos da paixão
Quando eras a minha inspiração
Quando eras, por fim, minha alegria.
Desprezaste do amor toda magia
Dos instantes que nós nos declaramos

* * *

Não somente eu falhei, nós dois falhamos!
Queres paz? Dar-te-ei tua vontade
Mas, insisto em falar-te da saudade
Dos momentos tão bons que nos amamos.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

DEU NO X

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

A NOSSA CASA – Florbela Espanca

A nossa casa, Amor, a nossa casa!
Onde está ela, Amor, que não a vejo?
Na minha doida fantasia em brasa
Constrói-a, num instante, o meu desejo!

Onde está ela, Amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?

Sonho… que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jardim,

Num país de ilusão que nunca vi…
E que eu moro – tão bom! – dentro de ti
E tu, ó meu Amor, dentro de mim…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)