JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

MENINO “MALINO” – AS BRINCADEIRAS DA ROÇA

Libélula, também conhecida como “Mané-Mago”!

Vou continuar na roça. Saí da roça, mas a roça nunca saiu de mim. Não quero sair, nem vou deixar que ela saia. Me faz bem e massageia o ego, relembrar os momentos da construção da minha vida vivida na roça.

– O papeiro é meu!

É. Era assim que eu gritava alto, para que os outros irmãos ouvissem, quando minha velha e falecida Mãe estava na cozinha preparando a papa ou o mingau da minha irmã mais nova – hoje também falecida.

– Tá certo. O papeiro é seu, mas vai ter que lavar depois!

Era assim que minha Mãe concedia a preferência pelo papeiro – e talvez fosse pela obrigação de ter que lavar, que nenhum outro irmão se aventurava a gritar “o papeiro é meu”.

E foi lavando aquele papeiro que, desde os 22 anos de idade aprendi a cozinhar tudo numa cozinha. E, acreditem, não sou nenhum Master Chef, mas não faço vergonha. Posso garantir que sou “especialista” em feijão. Por isso me interessei tanto pela “fava rajada” que, certa vez, como convidado, comi num encontro no Apipucos.

Mas, o assunto da roça é outro. É como a gente brincava – pelo menos eu – e como a gente se envolvia psicologicamente com as brincadeiras que, quase na sua totalidade, eram inventadas por nós mesmos.

Tudo começava com a preparação de uma garrafa. Tinha que ser branca e estar bem lavada por dentro e por fora. Uma rolha feita de sabugo de milho servia de lacre.

Tudo preparado e lá íamos nós, pegar “Mané-Mago” que, depois, na escola e estudando Ciências Naturais, aprendi que o nome científico era “Libélula”, também conhecida popularmente como tira-olhos ou libelinha em Portugal, e como lavadeira ou jacinta no Brasil, é um inseto alado pertencente à subordem Anisoptera. É considerado um dos primeiros insetos a surgir na Terra. No meu Ceará é conhecida como “Mané-Mago”, independentemente de ser macho ou fêmea.

Eu jogava um “campeonato” comigo mesmo. Era campeão “aquele” que conseguisse pegar o “Mané-Mago” mais bonito e mais colorido. Passei a estranhar que eu mesmo era sempre o campeão.

O troféu era sempre uma mariola ou um pedaço de rapadura roubado na despensa da Avó. Ao vice-campeão, sempre eu também, era garantido um troféu muito estranho: uma pequena cuia de farinha seca misturada com açúcar. Isso tudo sem direito a coroa de louros!

Eis que, hoje, sei o significado de tudo aquilo: o amor pela roça e suas coisas que nos fazia crianças saudáveis.

Calango verde sempre teve a minha preferência nas brincadeiras

Outra brincadeira – ou entretenimento – habitual, era “pegar calango verde”. Bicho arisco que fugia rápido, ou se deixava pegar por entender que nenhuma criança o faria mal algum.

A “armadilha” era preparada com um palito de coqueiro. Verde e flexível, o palito tinha sua ponta mais fina transformada num laço que, seguro – para o calango não conseguir escapar, quando laçado – nos proporcionava alegria.

Para alguns, não sei precisar, mas essas coisas transformadas em brincadeiras infantis, nos aproximavam tanto da Natureza, quanto a maravilha que é “cagar no mato”!

DEU NO JORNAL

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

INVERNADA

Foto de Klênio Costa

Cai a chuva no colo do roçado
Germinando o pendão da esperança.

Mote de Vanilson de Souza Silva

Uma prece que chegou ao Pai Eterno
Do roceiro mais contrito do sertão
Faz com que O Divino olhe pro chão
E mande abrir as torneiras do inverno
E o que foi até pouco aquele inferno
Vira logo um recanto de bonança,
Pois a fé quando chega na balança
Pesa mais que o prato do pecado.
Cai a chuva no colo do roçado
Germinando o pendão da esperança.

É daí que a terra entra no cio
Esperando a semente no seu ventre,
A lagoa pede ao sapo que concentre
Mais coaxos no grande desafio,
Os peixinhos desovam pelo rio,
A devota reza mais e não se cansa,
À noitinha, vem a lua e também lança
Um sorriso ao lugar abençoado.
Cai a chuva no colo do roçado
Germinando o pendão da esperança.

DEU NO JORNAL

VOTO

Este ano ainda teremos presos provisórios votando nas eleições, foi o que decidiu o Tribunal Superior Eleitoral.

A decisão do TSE contraria o que foi aprovado pela Lei Antifacção, sancionada em fevereiro.

* * *

Preso tem mesmo que votar.

Estamos no Brasil.

A cumpanherada em campanha ficou satisfeita.

Normal, normal.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Ascenso Ferreira

Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira nasceu em Palmares, PE, em 9/5/1895. Poeta e folclorista, foi protagonista da 2ª fase do Movimento Modernista de 1922, no Recife, com uma poesia destacando a temática regional. Foi o primeiro poeta brasileiro a gravar seus poemas declamados em disco.

Filho de Maria Luísa Gonçalves Ferreira e Antônio Carneiro Torres. Foi reconhecido como inovador pelos poetas Manuel Bandeira e Mário de Andrade, que ressaltou no seu artigo “Ritmo novo: “Só mesmo Ascenso Ferreira trouxe para o modernismo uma originalidade real, um ritmo verdadeiramente novo”. Segundo alguns críticos, ele apresenta o “modernismo brasileiro como uma pluralidade mais ampla do que a iniciativa de um grupo de autores paulistas’.

Aos 16 anos publicou seu primeiro poema – Flor fenecida – no jornal A Notícia de Palmares, em 1911. Mudou-se para o Recife em 1920, tornou-se funcionário público e passou a colaborar com o Diário de Pernambuco e outros jornais. Em seguida, casou-se com Maria Stella, filha do literato Fernando Griz. Pouco depois, integrou o Movimento Modernista e em 1927, incentivado por Manuel Bandeira, publicou seu primeiro livro Catimbó e logo viajou pelo País, promovendo recitais de poesia.

Em 1933 conheceu Maria de Lourdes Medeiros e passou a viver com ela também. Em 1941 publicou o segundo livro Cana Caiana. O terceiro livro Xenhenhém logo ficou pronto, mas só foi publicado em 1951 e foi o primeiro livro surgido no Brasil apresentando um disco de poesias recitadas pelo autor, incluindo o poema O trem de Alagoas, musicado por Heitor Villa-Lobos.

Em 1955, participou da campanha presidencial de Juscelino Kubitschek e foi nomeado para a direção do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, no Recife. Porém, foi cancelado devido a pressão de um grupo de intelectuais recifenses que não aceitava o poeta e boêmio irreverente no cargo. Foi nomeado, então, assessor do Ministério da Educação e Cultura.

Em 1963, a Editora José Olympio relançou seu primeiro livro Catimbó, junto com outros poemas. Na década de 1980, Alceu Valença reavivou a memória do poeta junto ao grande público com a música Vou danado pra Catende, com versos extraídos do poema O trem de Alagoas, num arranjo renovado e ritmado como um trem em movimento.

Era uma figura exótica, com quase 2 metros de altura, gordo, alto e usava um chapéu de abas largas. Era um boêmio, estava sempre com um charuto na mão e recitava seus versos com grande personalidade e graça. Em seu poema intitulado ironicamente “Filosofia”, escreveu:

Hora de comer – comer!
Hora de dormir – dormir!
Hora de vadiar – vadiar!
Hora de trabalhar?
Pernas pro ar que ninguém é de ferro!

Em 2015 a CEPE-Companhia Editora de Pernambuco, publicou a coletânea Como polpa de ingá maduro: poesia reunida de Ascenso Ferreira, organizado pela doutora em Línguas Hispânicas e Literatura pela Universidade da Califórnia, Valéria Torres da Costa. Faleceu em 5/5/1965 e a Prefeitura de Recife prestou-lhe homenagem com uma estátua sua na Rua do Apolo, no Recife, onde o poeta gostava de caminhar.

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

DE UM CHICO MUITO ARRETADO

Para todas as crenças e descrenças, reflexões sementeiras são sempre muito significativas, defenestrando dos nossos interiores fatos e feitos que nada significam para uma espiritualidade correlacionada integralmente com a Luz Divina.

Durante um event\o doutrinário kardequista, no final da década passada, recebi da minha companheira Sissa, uma bênção que me foi dada pelo Criador do Todo, um livro que até hoje baliza minhas atividades domésticas cotidianas e minhas ainda atividades profissionais como cidadão de um país que muito amo, apesar de todas os pesares criminosos atuais que ainda maculam suas áreas públicas e empresariais.

O livro ganho da Sissa: LIÇÕES DE CHICO XAVIER DE “A” A “Z” – pelas anotações de, Adelino da Silveira, Carlos A. Bacelli, Cézar Carneiro de Souza e Márcia Queiroz S. Bacelli, organizadas por Múcio Martins, Uberaba MG, Livraria Espírita Edições Pedro e Paulo, 2016, 644 p.

Para todos os leitores fubânicos desta gazeta libertária, explicito, abaixo, algumas das mais notáveis reflexões do médium mineiro Francisco Cândido Xavier, mundialmente conhecido por Chico Xavier, que um dia apertei sua mão no auditório da PUC do Rio de Janeiro, onde ele fazia uma palestra e eu cumpria minha pós-graduação em Educação, área de Planejamento Educacional. As escolhas abaixo foram só minhas e dos meus superiores espirituais. Ei-las:

“Respeito o amor entre duas pessoas como quem respeita o amor entre duas almas, independente de sexo, raça, condição social. Se o Espiritismo não for capaz de me ensinar isto, presentemente, na Terra, não existe esperança para mim!”

“O estudo nos esclarece e o trabalho dissipa as sombras negativas que possam alcançar nosso cérebro.”

“O mais difícil não é viver, é conviver. Existem pessoas que gostam muito de usar a franqueza, mas é uma franqueza que joga todo mundo no chão.”

“Em nossa Doutrina, não deveria haver lugar para tantas intrigas. Foram as intrigas humanas que deturparam o movimento cristão em seus primeiros tempos e que continuam, até hoje, entravando o progresso espiritual dos que delas não sabem se desvencilhar.”

“Precisamos desalojar o ódio, a inveja, o ciúme, a discórdia de nós mesmos, para que possamos chegar a uma solução em matéria de paz, de modo a sentirmos que os tempos estão chegando para a felicidade humana.”

“O sentimento de ódio é um processo de auto obsessão.”

“ Creio que a Terra é um Mundo Escola verdadeiramente prodigioso pelos recursos de evolução que nos oferta, merecendo a nossa profunda gratidão e o melhor respeito.”

“Nunca prevaleci da Verdade para humilhar alguém. A Verdade só deve ser dita quando possa servir de alavanca para reerguer quem se encontra no chão.”

“A razão nunca está de um lado só. As pessoas que se orgulham de ser francas demais, estão escondendo de si mesmas as suas próprias realidades.”

“A violência, o desamor e a inquietude são estágios humanos, suscitados pelas criaturas, mas a vitória da paz e do amor, entre os seres humanos, pertence a Jesus, o Cristo de Deus.”

“Quanto mais os Bons Espíritos escrevem por nosso intermédio, fazendo luz, mais reconheço a extensão de minha ignorância pessoal.”

Chico, um pensante arretado de muito ótimo que sempre causará muito orgulho ao Povo Brasileiro!!!!

PENINHA - DICA MUSICAL