PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

OLHOS TERNOS – Olegário Mariano

Olhos ternos azuis, humildes, inocentes,
Orvalhados de dor, da lágrima sentida…
Chorais, e com razão, os amores ausentes,
Que são a vossa luz na estrada desta vida.

Chorais como dois lagos calmos, transparentes,
Refletindo a amplidão de uma tela estendida…
Olhos ternos azuis, desmaiados, dormentes,
Vejo em vós o sofrer de uma monja sentida.

Chorai, olhos azuis, que a lágrima divina
Vale mais do que rir de boca pequenina
Que comece a falar, mil beijos implorando…

Prefiro a vossa luz inundada na mágoa…
Olhos ternos azuis, ao ver-vos cheios d’água,
Eu padeço também… mas vos amo, chorando.

Olegário Mariano Carneiro da Cunha, Recife-PE, (1889-1958)

DEU NO JORNAL

NOS CONFORMES

Viralizou o caso da jornalista do canal CNN Brasil que teve a bolsa roubada durante manifestação do Psol, em São Paulo.

Ela foi furtada no exato momento que falava com deputada Erika Hilton (Psol).

* * *

Não há motivo pra espantos.

Tava tudo em família.

Os pobres excluídos apenas exerceram o direito de subtrair os bens da burguesia reacionária, coisa que o Psol e as zisquerdas vivem pregando.

DEU NO JORNAL

STÁLIN NA BAHIA: JERÔNIMO RODRIGUES E A MORTE DE BOLSONARO

Paulo Briguet

Governador da Bahia, Jeronimo Rodrigues (PT) sugere que Bolsonaro e eleitores sejam jogados por retroescavadeira “na vala”

Em 1935, no início do grande terror de Stálin, o escritor e teatrólogo Bertolt Brecht publicou um poema intitulado “O Interrogatório do Homem de Bem”, cujos versos finais dizem:

“Você é nosso inimigo.
Por isso queremos
Colocá-lo agora no paredão.
Mas em consideração a seus méritos
E boas qualidades
Vamos encostá-lo
Em um bom paredão
E fuzilá-lo
Com boas balas de bons fuzis
E enterrá-lo
Com uma boa pá em uma boa terra”.

Brecht era um escritor talentoso; em poucas palavras, o autor comunista conseguiu criar uma imagem perfeita do que aconteceria nos anos seguintes. Na União Soviética de Stálin, cerca de 20 milhões de pessoas teriam o mesmo destino do “homem de bem” do poema. 

Por serem considerados “inimigos do poder soviético”, homens e mulheres inocentes foram condenados à morte no Gulag, nas masmorras do regime, na insana coletivização da agricultura e nas garras da polícia secreta comunista.

Oitenta anos depois, em 2015, o professor Mauro Iasi, ex-candidato presidencial do PCB, leu o poema de Brecht para uma plateia de militantes. Segundo Iasi, os versos indicavam a única forma de diálogo possível com os conservadores: a ponta do fuzil.

As manifestações de Brecht em 1935 e de Iasi em 2015, longe de serem casos isolados, revelam a substância da mentalidade revolucionária. 

Entre todos os dogmas sagrados da esquerda, o mais importante e fundamental é a morte do adversário político. É assim desde que as turbas em revolta tomaram a Bastilha, em 1789 e, não tendo encontrado ali nenhum prisioneiro para libertar, degolaram o comandante da prisão e saíram com a sua cabeça espetada numa lança pelas ruas de Paris. 

Aquilo era um prenúncio do Terror jacobino de 1793-94, quando milhares de “inimigos da Revolução” foram guilhotinados. Nos processos revolucionários do século XX, o padrão se repetiu, com a matança generalizada na Rússia de Lênin-Trotsky-Stálin, na Alemanha de Hitler, na China de Mao, no Camboja de Pol Pot, na Cuba de Che-Fidel e em tantos outros lugares. Não há revolução digna do nome sem derramamento de sangue.

Ocorre, meus amigos, que o Brasil tem vivido um processo revolucionário. Desde o golpe socialista de 2022 — que consistiu em tirar um condenado da cadeia para colocá-lo na cadeira presidencial —, o que nós temos visto é um processo simultâneo de concentração de poderes, destruição das liberdades públicas e perseguição de opositores. 

Para que esse processo se consolide, o sistema precisa da morte de Jair Bolsonaro. O Regime PT-STF tem como prioridade lançá-lo na prisão pelo resto da vida por um crime inexistente e uma narrativa falaciosa.  

Nessas circunstâncias, não causa surpresa alguma a recente fala do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT): “Ele [Jair Bolsonaro] vai pagar a conta dele, e quem votou nele também vai pagar a conta. Fazia no pacote. Bota numa enchedeira… Sabe o que é uma enchedeira? Uma retroescavadeira. Bota e leva todo mundo pra vala.”

A frase de Jerônimo Rodrigues poderia perfeitamente ser dita por um algoz dos tempos de Stálin, Mao Tsé-tung e Pol Pot. As mesmas palavras não ficariam deslocadas na boca de um guarda de campo de concentração. 

Por uma fala incomparavelmente menos agressiva, o ex-deputado Daniel Silveira foi condenado a 8 anos de prisão em regime fechado.

O mais bizarro é que o autor da fala governa o estado mais violento do Brasil, em que, todos os dias, cidadãos são jogados na vala comum da morte pelas mãos de criminosos.

Notem que o ódio de Jerônimo Rodrigues não se limita ao ex-presidente, mas se estende aos seus apoiadores. Por essa tortuosa linha de raciocínio, os quase 60 milhões de brasileiros que votaram em Jair Bolsonaro são criminosos e deveriam ter o mesmo destino: a morte.

As palavras de ódio do governador petista sinalizam que o regime não se contentará em exterminar Jair Bolsonaro. Para a casta governante, devem ser eliminados também todos os que possam ser enquadrados na categoria de “bolsonarismo”.

Stálin aplaudiria. E Brecht também.

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JAILSON BARBOZA – RECIFE-PE

Berto, na verdade a minha fala é um pedido.

Solicito permissão para colocar no meu Instagram trechos do JBF, com os devidos créditos.

Acho que o quanto mais longe for essa gazeta escrota, mais as notícias sérias serão repassadas com inteligência, e clareza que só esses colunistas têm.

Sinto falta da coluna do Adônis língua ferina.

Por onde anda o nosso lampião dos textos?

R. Fique inteiramente à vontade para colocar os textos do JBF no seu Instragram, meu caro leitor.

Pode divulgar à vontade. 

Será um meio de amplicar mais ainda a audiência desse jornaleco, que é mantido avuando nos ares graças à generosidade dos nossos leitores.

Quanto ao nosso querido Adônis, um cabra da pesada, encantou-se há algum tempo e partiu pro infinito.

Sua coluna não existe mais.

Faz um falta enorme aqui na nossa gazeta.

A propósito do Adônis, veja um texto da leitora Schirley, publicado domingo passado aqui nesta gazeta escrota. Clique aqui para ler.

Abraços e disponha sempre.

ALEXANDRE GARCIA

O BRASIL DOS SEM CARÁTER: DOS GABINETES AO PORTA-LUVAS

Juros

Dinheiro em espécie é encontrado em porta-luvas de carro de um desembargador do Mato Grosso

Duas mortes. Mais duas. Insisto nisso porque é preciso que a saúde pública investigue o que está acontecendo.

Uma das vítimas foi uma atriz do SBT, uma menina de 11 anos chamada Milena Brandão. De repente, o coração parou. A outra foi uma cadete do quarto ano da Intendência — ou seja, se formaria este ano como aspirante a oficial —, Yasmin Cristina Guimarães Fideres. Estava em aula de Educação Física. Tinha 23 anos. O coração também parou.

Isso está acontecendo com jovens, com atletas, com pessoas em perfeita saúde. Essa cadete, por exemplo, estava sempre sob observação médica, realizando exames e provas. Qualquer desvio na saúde teria sido detectado. O que está acontecendo? É preciso nos informarmos, de fato, sobre o que está ocorrendo.

* * *

O escândalo que saiu de Mato Grosso e chegou ao Supremo

E não tem como não voltar a um outro assunto — no mínimo, pitoresco. Será que cabem no porta-luvas de um carro R$ 30 mil em dinheiro vivo? Será que cabe mesmo? Porque é um volume muito grande. Pode ser um carro grande. Era um Jeep Cherokee. Se for o modelo americano, um Grand Cherokee, vá lá… Mas parece que era apenas o Cherokee. E o dinheiro estava no porta-luvas, de um desembargador de Mato Grosso. A Polícia Federal encontrou o valor em outubro. Agora, o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal.

Há outros três afastados, além dele. E ainda um conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Só para sabermos o que essas pessoas andam fazendo. Neste país de população passiva, eles fazem isso na nossa cara. Eles são nossos servidores. Estão lá para servir ao público. São funcionários do povo, pagos com o dinheiro dos nossos impostos.

Pagamos impostos, diretos ou indiretos, em tudo o que compramos, para que o Estado brasileiro nos preste bons serviços nos três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. No entanto, essas coisas continuam acontecendo. E parece que não se preocupam nem um pouco com isso. Faltou pai, mãe, faltou avô para dar caráter a essas pessoas. Isso é falta de caráter. A pessoa cede às tentações e se entrega a elas.

Fico admirado. Conheço muitos amigos advogados. Advogado ganha muito dinheiro. Aí o sujeito abre mão da advocacia para ser juiz e ganhar menos. Deve estar mal-intencionado. Deve estar fazendo essas coisas. Fica aqui o registro. Esse tipo de crime deveria ter pena tripla ou quíntupla. Afinal, há pena de 14 anos para quem escreve uma frase com batom na estátua da Justiça. Se formos guardar a proporcionalidade, um juiz que vende uma sentença deveria pegar mil anos, não é?

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Empréstimos fantasma e o silêncio do Estado

E agora, outra questão que estamos descobrindo — foi denunciada na GloboNews ontem: R$ 90 bilhões em empréstimos consignados foram concedidos sem solicitação das pessoas. São 35 mil reclamações. Há uma auditoria em curso no Tribunal de Contas da União. O caso envolve funcionários de carreira da Previdência e do Dataprev.

A pessoa não pediu o empréstimo e, mesmo assim, o valor está sendo descontado em folha, como consignado. Isso também é culpa nossa. Culpa do nosso voto. Culpa da nossa passividade.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

SÓ 2

De acordo com dados do Portal da Transparência, o governo Lula (PT) já conseguiu faturar mais de R$ 2 trilhões em receitas diversas, em 2025.

Quase tudo em taxas, contribuições e novos impostos, claro.

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Só dois trilhõeszinhos em quatro meses.

Tá muito pouco.

O gunverno tem que arrancar mais tri-tri-trilhões.

Sobretudo de quem fez o L.

DEU NO JORNAL

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

CARMEN JONES (1954) (UM MUSICAL OPERÍSTICO)

Cartaz em DVD, lançado em 2000

Essa crônica foi elaborada em parceria com o grande cinéfilo d.Matt., que me guiou e me orientou sobre a origem do enredo e sobretudo pela origem da música, e sua adaptação para o filme, que originalmente foi tirada de uma famosa ópera francesa, (Carmen de Bizet) e belamente adaptada para a cena americana, totalmente dentro dos usos, costumes e comportamentos da comunidade negra daquele país.

* * *

“Diz a sinopse do filme CARMEN JONES (1954), o extraordinário musical operístico: Impulsionado pela poderosa obra musical de George Bizet e as magníficas letras de Oscar Hammerstein II, esta versão americanizada da clássica ópera Carmen de Bizet é ‘um show dinâmico e soberbo’ com uma incandescente Carmen no auge de sua exuberância musical.”

Dorothy Dandridge, indicada ao Oscar de melhor atriz, estrela do papel principal, uma ardente e sexy criatura que cativa Joe, (Harry Belafonte), um soldado atraente, que está longe de sua amada (Olga Jemes).

Após uma briga fatal com seu sargento, Joe deserta (abandona) seu regimento com sua excitante “femme fatale.”

Porém, logo Carmen se cansa dele e se une a um lutador peso pesado (Joe Adams), disparando a trágica vingança de Joe. Ajudando a colocar fogo na tela estão Pearl Bailey e Diahann Carroll, parte do “sensacional” elenco que torna esse maravilhoso musical “difícil de ser batido” (como bem resumiu o Los Angeles Times) na época do lançamento do filme.

Carmen Jones é uma ópera francesa, adaptada e traduzida musicalmente para as terras americanas, com talento e muita criatividade por gente talentosa que conhece o que faz e o faz com muita competência, catilogência, muito talento e muito amor à arte cinematográfica.

O que veio depois desse clássico musical (se é que veio alguma coisa do gênero), foram chanchadas salobras sem qualquer originalidade e não nos vem à memória nada que possa ser citado como produção de qualidade, mesmo a propalada ressurreição do gênero pelo pretensioso musical “LA LA LAND”, que a nosso ver foi um grande fiasco, como já era esperado pelos amantes dos musicais de qualidade e pela crítica de filmes desse naipe.

Esse breve introito serve apenas para lembrar aos possíveis leitores que no passado do cinema, no ano de 1954, foi levado à telona uma obra-prima do gênero musical, uma grande ópera, traduzida e regiamente adaptada pelos experts hollywoodianos, no que resultou em uma das maiores obras do gênero musical de todos os tempos.

Referimo-nos à famosa e muito popular ópera CARMEN DE BIZET. Hoje em dia chamar uma ópera de popular é quase uma falácia, mas creiamos mesmo que a ópera Carmen sempre foi a mais encenada, principalmente nos países latinos ou europeus de língua de origem latina.

Os produtores entregaram ao muito competente diretor Otto Preminger, outrora à frente da direção de Laura (1944), Anatomia de Um Crime (1959), Exodus (1960), O Homem do Braço de Outro (1955), a direção do filme e o resultado ficou acima de todas as expectativas. O diretor, com muita criatividade, exigiu um elenco totalmente de atores negros, pois nem mesmo nas cenas externas de rua das cidades em que foram filmadas, encontra-se uma única pessoa de cor branca. É um mundo black em todos os sentidos, e esse mundo é explorado com precisão em todas as cenas, com o comportamento dos personagens, suas reações, suas falas características, com sotaques “nigger”.

As árias, belamente adaptadas, são cantadas também com sotaques dos “niggers”, como por exemplo, quando Carmen na primeira ária, a famosa “Habanera”, ela canta num inglês crioulo, com gesticulação, sotaque e palavras adaptadas para o regionalismo criado. A ária “Habenera” da ópera é então cantada como “DAT’S LOVE’, exibindo um regionalismo local muito enraizado. Isso acontece em todo o filme, porém com grande qualidade, cujo resultado é acima do esperado.

A atriz principal, Dorothy Dandrige, é um achado, ninguém melhor do que ela seria capaz de interpretar esse papel com tanta criatividade, beleza, sensualidade e um carisma impressionante. Ficou famosa mundialmente e depois desse estrondoso sucesso viajou pelo mundo, se exibindo como cantora, inclusive algumas vezes no Brasil para a exibição de sua arte. Ela foi a primeira atriz negra a ser candidata ao prêmio Oscar como atriz principal.

Acontece que no filme quem dubla a cantora Marilyn Hornen, que a dubla em todas as canções, isto porque a atriz Dorothy Dandrige tem uma voz muito pequena e não poderia dar conta do recado completamente.

O elenco é de astros de grande qualidade, principiando com o trabalho notável do cantor Harry Belafonte que se sai muitíssimo bem em todas as cenas dramáticas exigidas pelo papel.

Uma das principais personagens é interpretada pela ótima cantora Pearl Bailey que usa sua própria voz em algumas oportunidades com excelente resultado.

O ator que faz o papel do boxeador famoso (na ópera, um toureiro), Leverne Hutcherson, tem a sua grande oportunidade ao interpretar a ária (toureador) que no filme foi adaptada com grande criatividade e bela interpretação dublada por um Baixo, e nos dá uma magnífica personificação de um pugilista famoso e interpreta magnificamente a famosa ária que foi intitulada “Stand up and fight”, é um dos pontos altos do filme.

O quinteto operístico também está presente, numa bela composição intitulada “Chicago Train”, muito bem cantada a cinco vozes com precisão notável.

Enfim, todas as fases da ópera foram adaptadas belamente com resultados acima do esperado e quando termina o filme, ficamos deslumbrados com tamanha criatividade artística.

Há que se citar também a presença e voz da cantora Diahann Carrol num papel secundário, mas com uma presença de tela bastante agradável.

CARMEN JONES é um filme musical operístico único. Uma bela obra de arte cinematográfica. Assisti-lo cinqüenta vezes, se necessário for, é um presente para o lado bom gosto do cérebro, que não se cansa de sentir o que é belo.

Carmen Jones (trailer)

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Carmen Jones (1955): “Beat Out dat Rhythm on a Drum” – Pearl Bailey – Full Song/ Dance – Musicals